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A atitude do promotor em exercício, Paulo D’Assumpção, foi então solicitar a baixa dos autos nº. 6094/56 à 13ª Delegacia Regional, para que fosse aberto “rigoroso inquérito” sobre as atividades dos acusados 366, e, no dia 30 do

mesmo mês, ocorreu a oitiva das testemunhas, pelo Delegado João da Rocha Chueri, quando compareceram à Delegacia de Polícia de Londrina, as testemunhas Romário Fernandes da Silva, Gerônimo Arlindo Fuganti, Helvécio Brandão, Antonio Diniz Faro Sobral, Juvenal Pietrarória, Álvaro Lázaro Godoy e Antonio Francelino.

362 REQUERIDA a prisão preventiva de dirigentes do sindicato comunista: nova denúncia do Ministério Público

contra a ação comunista nos meios rurais – A polícia apreende farto material de propaganda do PCB. Folha de Londrina, Londrina, 17 ago. 1956. p.5.

363 Processo-crime nº 6.094/56, Ofício. fl.48. Londrina, UEL/CDPH. 364 Ibid..

365 PROMOTOR pede prisão preventiva de Flávio Ribeiro e Onofre Borges que se encontram desaparecidos.

Folha de Londrina, Londrina, 18 ago. 1956. p.6.

Um processo-crime é, para o judiciário, a oportunidade de consolidação de preceitos valorativos, simbólicos e culturais de um agrupamento societário. Nele se encerra um confronto discursivo e não discursivo explícito de visões de mundo, pautado, contudo, na dessimetria fundamental entre aqueles que representam o Estado e os que representam o “cidadão” comum.

A própria atmosfera de coação vigente em uma delegacia de polícia pode induzir um depoente a assumir determinadas posições com o fito de proteger- se, discurso que, eventualmente, poderá ser reconsiderado na presença do juiz se houver maiores garantias legais para a prestação de suas declarações.

Como neste caso o inquérito não prosperou em denúncia, encontramos apenas os depoimentos feitos na Delegacia pelas testemunhas arroladas pela Promotoria, sem poder-se cotejá-los com os declinados em juízo, e não havendo portando a dinâmica processual do contraditório, como já citado, inexistente na fase de inquérito.

Assim, a primeira das testemunhas convocadas pelo Promotor Paulo D’Assumpção, Romário Fernandes da Silva, advogado, era proprietário do escritório ocupado por Flávio Ribeiro, e, segundo afirmou, fora ocupado “sem autorização do depoente”. Para este, Flávio não esconde suas idéias comunistas e encabeça um movimento pernicioso junto aos colonos da região, “instigando colonos contra fazendeiros, mandando que não cumpram ordens e abandonem no mato os seus cafés”, com fins escusamente políticos, pois:

[...] nem na Rússia os operários agrícolas têm os privilégios que os amparam aqui no norte do Paraná; que é sabido que as lutas de classe se geram sempre por questões de propriedade, ou uso da terra, e aqui no Paraná, como em São Paulo, os colonos não somente usam as terras, como ainda recebem mesadas, o que é uma situação singular em todo o mundo, pois nos outros paizes (sic) o dono da terra desfruta de uma percentagem na produção, e aqui alem de nada receber do que a terra produz, ainda tem que pagar mesadas e se tem colheita esta também é paga além da mesada.367

A segunda testemunha, Gerônimo Fuganti, comerciante na cidade, disse ter sido procurado algum tempo atrás, por uma comissão composta por dois homens, sendo que um seria o dentista Arnaldo Cardias, e uma mulher, a qual soubera mais tarde ser irmã de Luiz Carlos Prestes, os quais pediram contribuições

para a campanha do Partido Comunista do Brasil, estipulada por eles em vinte mil cruzeiros. Fuganti afirmou então que o argumento dado pela comissão para que a contribuição fosse feita, era de que “a vitória comunista era certa e que esta contribuição [...] para o Partido Comunista do Brasil traria, no futuro governo, uma série de benefícios”. 368 Segundo o depoente, a comissão teria permanecido durante

cerca de meia-hora, “sempre insinuando os benefícios que futuramente adviriam da contribuição, com a vitória ‘comunista’”. 369

A terceira testemunha, Helvécio Brandão, era Inspetor do Ministério do Trabalho e chefe de serviço para a região Norte do Paraná. Segundo seu depoimento, vários trabalhadores haviam estado no Posto de Fiscalização do Trabalho, perguntando pelo “Sindicato dos Colonos”, cujo chefe diziam ser Flávio Ribeiro. Prosseguindo, Brandão afirma que,

Segundo os colonos, o Dr. Flávio Ribeiro enviava emissários às zonas rurais, os quais se dizendo fiscais do Ministério do Trabalho, ‘intima-nos’, digo ‘Intimavam-nos’ a que comparecessem à sede do Sindicato para tratar dos seus direitos; que, o Dr. Flávio Ribeiro garantia aos colonos que se estes entrassem para o ‘Sindicato’ iriam ganhar CR$8.000,00 por mil pés de café, CR$100,00 por dia, férias, além de receberem indenizações, correspondentes a férias, horas extras, etc., desde 1954; que há um motorista que tem um ‘biriba’ licenciado com o ponto em frente ao Posto de Saúde que disse ter conduzido o Dr. Flávio Ribeiro a toda, digo, a todos os comícios feitos nas fazendas; que, esse chauffer viu o Dr. Flávio incitar os colonos; que hoje ainda o depoente foi procurado pelo colono Antônio F. de Oliveira que foi se queixar, dizendo que tinha o seu direito, porque era do ‘Sindicato’; que disse esse colono que havia sido demitido da fazenda Santa Fé; que, o referido colono ficou surpreso quando soube que não havia ‘Sindicato’ reconhecido nesta região e mostrou ao depoente os recibos com que havia pagado o pretenso ‘Sindicato’, recibos estes que o depoente ora entrega para ser juntado ao presente inquérito; que, o mesmo colono disse ainda ao depoente que os senhores Flávio Ribeiro, Odilon Martins e o pessoal do Sindicato diziam que o ‘Sindicato’ dos Colonos e Assalariados Agrícolas era oficializado e reconhecido pelo Ministério do Trabalho; que, no dia cinco de agosto corrente os colonos foram convocados pelo pseudo sindicato para comparecerem a Londrina a fim de assistir à entrega do registo (sic) do ‘Sindicato’ do Mi, digo pelo Ministério do Trabalho. 370

O Inspetor Regional do Ministério do Trabalho, afirma então que tentou ele mesmo fundar um “Sindicato Rural”, e que “foi mal sucedido tendo

368 Processo-crime nº 6.094/56, fl.263-264. Segunda Testemunha. Londrina, UEL/CDPH. 369 Ibid..

convocado três reuniões”, convidando por rádio e boletins, tendo realizado apenas uma, onde só aparecera um colono. 371

Na seqüência do depoimento, Helvécio Brandão demonstra a liderança exercida pelos militantes do PCB sobre os homens do campo norte- paranaense naquele momento, afirmando que, em conversa com colonos, estes responderam que o único sindicato verdadeiro era o do “Dr. Flávio”, e que não atenderiam outros sindicatos que surgissem, pois já haviam sido avisados pelo “Dr. Flávio” que esses seriam organizados por “Tubarões”. 372 Em Bela Vista do Paraíso,

teria ocorrido episódio ainda mais sintomático da ascendência do causídico sobre os colonos. O depoente, quando naquela cidade, acompanhado do Chefe da Seção de Sindicalização da 15ª Delegacia Regional do Trabalho, teria estado em uma “venda”, onde havia vários colonos, pregando e distribuindo boletins convocando-os para fundar uma associação, que depois se tornaria sindicato. Os colonos disseram, então, que aqueles boletins não tinham nenhum valor e que só atendiam ao “Dr. Flávio e o seu sindicato”. Helvécio Brandão afirmara então que sabia que “o Dr. Flávio Ribeiro era ‘comunista’ e poderia ‘ser preso’ e que um dos colonos respondeu que onde havia cadeia para dez mil colonos”. 373

O advogado Antonio Diniz de Faro Sobral, 4ª testemunha, informa que não foi procurado pela irmã de Luis Carlos Prestes, que ignorava os pormenores relativos à criação de um “sindicato rural” na cidade, mas que tem conhecimento de que tramita em regime de urgência um projeto que estende os benefícios da legislação trabalhista e da Previdência Social aos trabalhadores rurais de autoria do deputado Afonso Arinos, em substituição ao do deputado Fernando Ferrari do PTB. Em vez da arenga anti-comunista, faz considerações sobre os problemas da região, cuja população, dedicada mormente à lavoura “dada a riqueza da terra que é extremamente dadivosa”, o que explicava a repercussão dos acontecimentos. Não indagava sobre “fatos conhecidamente notórios como os derivados do anseio de todo o homem em procurar através de um trabalho honesto determinados pagamentos ao seu esforço, com a remuneração condigna à sua condição de homem”. 374 Considera que “todo aquele que presta serviço ao proprietário da terra 371 Processo-crime nº 6.094/56, fl.266-267. Terceira Testemunha. Londrina, UEL/CDPH.

372 Ibid. 373 Ibid.

ou a quem dela tiver plena administração é considerado trabalhador rural”, e que estão dentro de princípios de direito amparados pela legislação. Declarou conhecer Flávio Ribeiro, “brilhante advogado paranaense aqui exercendo a sua profissão há longos anos”. 375 Sabe que Flávio Ribeiro é “um bom chefe de família e senhor de

magnífica ética profissional”. Quanto a Manoel Jacinto, afirma que se trata de “perito operário”, pedreiro que morava há muito na cidade, tendo sido vereador municipal, era chefe de “pesada família composta por inúmeros filhos toda ela vivendo debaixo do seu amparo de trabalhador braçal”, desconhecendo os demais denunciados. Por fim, “tem a declarar mais que foi surpreendido com a inclusão de seu nome arrolado para depor, neste processo, como testemunha; que, afinal ignora, quase completamente, os motivos que levaram o honrado Dr. Promotor Público a denunciar as pessoas já mencionadas como também repete a inclusão do seu nome como testemunha de fatos que não são do seu conhecimento”. 376

O industrial Juvenal Pietraróia, 5ª testemunha, corrobora a argumentação da acusação no mais longo depoimento: o quartel do movimento comunista que vem subvertendo a ordem na zona rural no Norte do Paraná é o escritório de Flávio Ribeiro, no Edifício Autolon, em Londrina, que é o chefe, tendo como “comparsas”, Manoel Jacinto Correia, Odilon Martins, Valdevino Madeira e José Onofre Borges, com plano que vem sendo meticulosamente elaborado há mais de dois anos pelo “agitador internacional” Manoel Jacinto Correia. Sua primeira reunião teria sido na Escola Municipal do Bairro da Taquaruna, cuja finalidade foi o “tão encantado salário-mínimo e férias (sic) e conseguir a adesão de pacatos colonos para irem ao Rio de Janeiro tomarem parte em congresso comunista”. 377 O depoente discorre, então, sobre a modus operandi dos comunistas que, “para maior facilidade de seu trabalho destruidor”, nomeavam em cada distrito, bairro, córrego e fazendas, um encarregado, que percorria “casa por casa”, incitando os colonos a virem à cidade se inscreverem no “falso” sindicato, insuflando neles o direito ao salário mínimo e férias e a rebelião contra as ordens do patrão. Segundo Pietraróia, Flávio Ribeiro chamava o reclamante ao escritório propondo um acordo com o patrão, e que, caso fosse aceito, o valor seria dividido entre o colono e o advogado, de tal modo que muitos incautos entraram em acordo com Flávio Ribeiro, o que

375 Processo-crime nº 6.094/56, fl.268-269. Quarta Testemunha. Londrina, UEL/CDPH. 376 Ibid..

proporcionou “considerável renda” e dinheiro para a campanha “comunista”; o número de colonos que procuravam o escritório seria tão grande que os elevadores não venciam transportá-los, praticamente impedindo os demais locatários de trabalhar; o corredor ficava “imundo” e o sanitário “intolerável”. 378

Para Pietraróia, a ação dos comunistas é sempre uma artimanha, seus movimentos organizados são sempre pretextos, e seus apoios são sempre obtidos graças à imprudência dos desavisados:

No dia primeiro de maio deste ano, os ‘comunistas’, com pretexto de comemorarem o ‘dia do trabalho’, organizaram para maior facilidade de sua propaganda, os ‘comunistas’ por meio de artimanhas conseguiram levar ao palanque oficial o Prefeito Municipal e o encarregado da Fiscalização do Ministério do Trabalho; que, terminada a concentração tendo à frente o célebre agitador Manoel Jacinto Correia, organizaram uma passeata pelas ruas principais da cidade carregando faixas e dísticos com os seguintes dizeres: ‘Os operários do Campo abraçam os Operários da Cidade’, que, após o êxito obtido no dia 1° de maio, voltaram os ‘comunistas’ à nova carga, prepararam outra concentração no dia 13 de maio com o pretexto de comemorarem o dia da Liberdade dos escravos; que, desta vez, não o fizeram na Praça Primeiro de Maio, mas no coração da cidade, na Avenida Paraná, em Palanque mandado montar pelo Prefeito Municipal e que para maior brilhantismo contaram com a presença do Prefeito Municipal, do Secretário da Agricultura e do Procurador Geral do Estado. 379

O depoente descreve em seguida a apoteose da classe trabalhadora do campo: o cine Marabá ficava cheio de colonos que vinham se inscrever no “falso sindicato”, trazendo um pequeno bornal branco a tiracolo, onde traziam a caderneta agrícola. Os que não eram atendidos no mesmo dia pernoitavam dentro do cinema e os sobrantes, nos bancos de jardim, pois não tinham dinheiro para pagar hotéis ou pensões, sendo que o único dinheiro de que dispunham “seria para pagar o ‘sindicato’ do agitador Flávio Ribeiro”, o qual ‘lhes prometia polpudas importâncias que iriam receber dos seus patrões proveniente do salário mínimo e férias”, 380 recurso com quais os chefes comunistas puderam mesmo alugar automóveis para realização do trabalho de arregimentação. 381

Como efeito da campanha “malévola”, prossegue o depoente, os colonos se rebelaram exigindo pagamento de férias e salário-mínimo, e nas fazendas ameaçavam os administradores e negavam-se a colher o café, não

378 Processo-crime nº 6.094/56, fl.273-274. Quinta Testemunha. Londrina, UEL/CDPH.

379 O prefeito a que se refere é o Fazendeiro Antonio Fernandes Sobrinho, do PSD (gestão 1955/1959). Processo-

crime nº 6.094/56, fl.273-274. Quinta Testemunha. Londrina, UEL/CDPH.

380 Ibid. 381 Ibid.

permitindo que a administração o fizesse com trabalhadores de fora, e que os juízes de diversas comarcas do Paraná têm dado ganho de causa aos patrões, com o que procuravam os comunistas desmoralizar a justiça, insinuando aos colonos que fora comprada pelos patrões. Informou ainda que, logo após a denúncia oferecida pelo promotor, os diretores do “sindicato” sacaram vultosa quantia do Banco Bandeirante, em depósitos que chegavam à casa dos milhares de cruzeiros, entre outras acusações.

Enfim, a 6ª testemunha, um dos mais diligentes militantes anti- comunistas da cidade, o fazendeiro Álvaro Godoy, declara que os militantes do PCB fundaram uma célula na Fazenda Seara, do Sr. Arnaldo Camargo, vizinho de Godoy, de onde partiam as instruções para agitação em todas as fazendas vizinhas, de modo que a própria fazenda do depoente ficara paralisada por sessenta dias. Sobre o discurso junto aos colonos, afirmou que os comunistas pregavam a mudança de regime político como única forma de melhorarem sua condição, sendo o sindicato o primeiro passo, através do qual tomariam outros postos de direção da Comarca. 382 Sobre Manoel Jacinto, declarou que o mesmo “sempre se vestiu bem; que, ele nunca aparentou sofrer necessidades; que, sua mão é mais fina que qualquer elemento da elite”. 383 Finalizando, declara que os militantes não trabalham, estando eles por trás de renomados comunistas tais como, Newton Câmara, Haroldo Sardenberg, Imbassay, Doutor Nery Machado, José Cardias, Carlos Rosa Lopes, “além de outros mascarados”. 384

Quanto à sétima testemunha, declarou que, enganado pelo administrador de uma fazenda em Ibiporã, cidade vizinha a Londrina, na qual trabalhou e nada recebeu, ficando mesmo a dever, procurou por Flávio Ribeiro a quem pagou Cr$600,00 de custas do processo, e a quem entregou sua folha de contrato e caderneta agrícola, as quais tenta, sem sucesso, reaver junto ao advogado. 385

Enquanto transcorria o processo-crime, após as tomadas de depoimento, uma série de reportagens publicadas em 20 de novembro de 1956, por Antonio Porto Sobrinho no “O Jornal”, do Rio de Janeiro e reproduzidas na Folha de

382 Processo-crime nº 6.094/56, fl..275-276. Sexta Testemunha. Londrina, UEL/CDPH. 383 Ibid.

384 Ibid.

Londrina, descrevia com minúcia o que considerava o braço do “Imperialismo Soviético no Estado do Paraná”. 386 Para ele, o grande mentor intelectual do plano de bolchevização do Estado era Gregório Bezerra. Enviado em 1955, pelo CC para estabelecer uma área “para-revolucionária”, em pouco mais de um ano, teria implantado o PCB no norte do Estado de modo organizado para a tomada do poder local, através de organizações clandestinas e de fachada, abrindo escolas e fundando sindicatos no polígono formado por Nova Fátima, Cornélio Procópio, Apucarana, Astorga, Marialva, Maringá, Paranavaí, Cruzeiro do Oeste, Paraná do Oeste, Campo Mourão, Cascavel, entre outras. 387

O maoísmo seria a linha de ação, invertendo a lógica leninista de assalto ao poder a partir das cidades, propugnando o movimento centrífugo do campo para o meio urbano, executada por Mao Tse Tung, na China, para a tomada do poder contra o Kuomitang e os nacionalistas de Chiang Kai Chek. Este modelo fora exportado para os países periféricos em conformidade com a Conferência de Pequim, em 1949, e transmitidas pelo Bureau do México e da Argentina para o PC do Brasil. O assunto teria sido objeto de discussão no IV Congresso do PCB em 1954, quando se constatou as insuficiências do partido no setor rural. Luis Carlos Prestes teria concitado à urgência da tarefa política de aproximar-se dos campônios na luta pela terra: “Precisamos vencer, com rapidez, as resistências ainda existentes e dedicar particular atenção à atividade dos comunistas nas grandes fazendas e nas concentrações camponesas de maior importância”. 388

As massas camponesas, segundo Diógenes de Arruda, seriam fundamentais no Movimento Democrático de Libertação Nacional, e, sem elas, não poderia haver um “poderoso e invencível movimento revolucionário”. 389 Os anos de

1948 a 1950 representavam importantes vitórias no campo sob a direção do Partido, com dezenas de greves de colonos de café e assalariados agrícolas, além do movimento de arrendatários e meeiros que demonstravam a sua insatisfação com a exploração dos grandes fazendeiros.

386 PORTO SOBRINHO, Antonio. O imperialismo Soviético no Estado do Paraná. Folha de Londrina, Londrina,

20 nov. 1956. p.6.

387 Ibid.

388Revista Problemas, nº 64, p.80 apud PORTO SOBRINHO, Antonio. O imperialismo Soviético no Estado do

Paraná. Folha de Londrina, Londrina, 20 nov. 1956. p.6.

389 Revista Problemas, nº 64, p.124, apud PORTO SOBRINHO, Antonio. O imperialismo Soviético no Estado

Junto ao Paraná, as regiões do norte de Goiás, triângulo mineiro e zonas do nordeste seriam os setores mais sensíveis socialmente. O Paraná seria particularmente importante por sua posição estratégica, ao sul de São Paulo, com fronteiras com Paraguai e Argentina, e pelo “primarismo intelectual e imaturidade política” dos colonos da região. 390

O líder da missão seria Gregório Bezerra, que liderara a “intentona” de 1935 no Recife, e que teria assassinado “a sangue frio” o tenente José Amaro, depois eleito deputado federal pelo PCB, voltando à clandestinidade ao término da legalidade do partido. Elemento “experimentado”, de “recomendável capacidade organizadora e disposição para a luta”, sendo responsável pela arregimentação de quadros partidários, em outras palavras, “preparar o assalto”. Teria chegado a Maringá em outubro de 1954, vindo aparentemente de Araçatuba e passando por Londrina, onde, em conseqüência do IV Congresso, fora criado um comitê regional, substituindo o comitê de zona, subordinado ao comitê regional do sul de São Paulo. Utilizava o pseudônimo de “Ribeiro” para dar seguimento ao, assim apurado pela reportagem, “Plano Stalin”. Procurou atrair “jagunços” e peões, em razão de sua vida nômade e a respectiva mobilidade para levar a palavra de ordem do partido aos grotões do Estado, num tipo de “política a cavalo” do PCB. Não descurara, entretanto, da arregimentação de colonos, sobretudo na região de Maringá, Paranavaí, Campo Mourão, Marialva, Mandaguaçu, Nova Esperança, Alto Paraná, São João, Cascavel e São Jorge. O fato é que, em aproximadamente seis meses, houvera uma ampliação importante das organizações de base, surgindo novos comitês distritais e de zona.

Criou-se, em 1954, um comitê distrital em Maringá, tendo como secretário político Dario Garbelotti, que pertencia ao comitê de zona de Londrina. Em outubro daquele ano, o comitê distrital de Maringá passou a comitê de zona, chegando a 14 unidades clandestinas; criaram-se, nesse período, mais 8 comitês distritais na região e 4 comitês de zona. As organizações de base foram se desdobrando e alcançaram, em 1956, sempre segundo a reportagem, 6 bases em Campo Mourão, com 63 elementos estruturados, 9 em Paranavaí com 112 homens

Benzer Belgeler