GEREÇ VE YÖNTEM
3.4. İleumda Arginin, SNP ve 8-Br-cGMP Uygulamalarının Etkiler
Passados mais de seis anos dos pioneiros shows de apresentação da TV Paraná, ocorrido em 17 de julho de 1954, e após desencontros empresariais, ansiedade da população, expectativa da imprensa e algumas outras experiências com o novo meio de comunicação eletrônica, finalmente a primeira emissora de televisão de Curitiba entrou em funcionamento, em caráter definitivo.
Exatamente às 19 horas do dia 29 de outubro de 1960, um sábado, começou a operar regularmente a TV Paranaense, Canal 12.128 No lugar de um slide com a logomarca da TV pioneira, apareceu o rosto de Elon Garcia, o mestre de cerimônia que coordenou a festa de inauguração. Ele convidou para o descerramento da fita inaugural da emissora o deputado estadual Colombino Grassano, representante do governador do Paraná, Moysés Lupion (PSD).
Entre outras autoridades, estiveram presentes à inauguração da emissora, pertencente a Nagibe Chede, o prefeito de Curitiba – Iberê de Matos –, o reitor da Universidade Federal do Paraná, o comandante da 5ª Região Militar, o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o presidente do Tribunal Regional Eleitoral e o presidente da Associação Comercial do Paraná. No livro Ao vivo e sem cores, Renato Mazânek comenta que, depois da bênção realizada pelo arcebispo de Curitiba, Dom Manuel da Silveira D’Elboux, o concessionário Chede transmitiu uma mensagem aos convidados presentes ao estúdio e, simultaneamente, aos telespectadores:
128 No sul do Brasil, a primeira emissora a entrar no ar em caráter definitivo havia sido a TV Piratini, de Porto Alegre, em 20 de dezembro de 1959. Ela pertencia ao grupo Diários e Emissoras Associados, de Assis Chateaubriand. Para saber mais sobre a história da televisão no Rio Grande do Sul, pode-se ler SCARDUELLI (1996).
Em um discurso carregado de emoção, Nagibe Chede relatou o longo, difícil e, às vezes, solitário caminho percorrido para chegar àquele festivo momento. E fez questão de valorizar o trabalho da equipe, agradecendo e nominando, um a um, todos os que deram a sua contribuição e possibilitaram a concretização do seu grande sonho (MAZÂNEK, 2004, p. 50).
Ao final da cerimônia de inauguração, que tivera início às 17 horas, o locutor- apresentador Elon Garcia convidou os presentes e os telespectadores a assistirem ao programa que abriria a fase definitiva da televisão comercial no Paraná.129 Escolhida especialmente por Chede era “Suzie, minha secretária favorita”, uma série filmada nos Estados Unidos e que tinha o patrocínio da indústria multinacional de cosméticos Max Factor. Em seguida, foram veiculados um documentário de produção igualmente norte-americana, sobre os povos da Terra, e o longa-metragem “Jim das selvas”, patrocinado pelo sabonete Eucalol.130
Apesar da pequena cobertura dos jornais, como visto no capítulo anterior, a entrada do Canal 12 no ar com emissões regulares “monopolizou a atenção dos curitibanos, que acompanharam nas casas de amigos, nos salões de clubes e pelas vitrines das lojas, onde a concentração popular foi impressionante”, de acordo com Mazânek (2004, p. 51). No dia seguinte ao da inauguração da TV Paranaense, a transmissão foi aberta às 18 horas com a veiculação do “Tevelândia”, criado e dirigido por Charles Clemente Chen Wu, que trabalhara anteriormente na TV Itacolomi, de Belo Horizonte (MG). Era um programa de variedades apresentado no estúdio ao vivo e em preto e branco, como todos os demais programas e propagandas transmitidos na sequência, porque naquela época em Curitiba131 ainda não havia equipamento de videoteipe; bem como a televisão brasileira não contava com tecnologia para a transmissão e captação de imagens em cores. Apenas os filmes de longa-metragem e os desenhos animados – em sua quase totalidade importados dos Estados Unidos – podiam ser reproduzidos por aparelho de telecine.
O primeiro telenoticiário do Canal 12 foi o “Repórter Real”, patrocinado pela empresa de transportes Real Aerovias e veiculado às 19 horas, de segunda à sexta-feira. Surgiram, na sequência, o “Tribuna na TV”, transmitido ao meio dia, e “O Estado do Paraná na TV”, no final da noite; ambos produzidos em parceria com os diários curitibanos Tribuna do Paraná e
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Quando a TV Paranaense foi inaugurada, estavam em operação no Brasil 15 emissoras geradoras de televisão, que começavam a se tornar economicamente viáveis como empresas comerciais e a competir pelo faturamento publicitário de maneira mais agressiva; e a estimativa era de que houvesse, naquela época, aproximadamente 600 mil aparelhos televisores em todo o país (MATTOS, 2002, p. 26 e 83).
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MAZÂNEK (2004, p. 50) e JAMUR JÚNIOR (2001, p. 35).
131 Curitiba possuía no final de 1960, cerca de 360 mil habitantes, dez emissoras de rádio e 15 salas de cinema, que eram assíduos anunciantes dos cinco jornais diários que circulavam na capital.
OEPR, pertencentes a uma mesma editora. Naqueles tempos iniciais, a maioria das notícias
era apresentada sem o recurso de imagens externas, porque a emissora de Chede possuía somente uma filmadora, da marca Paillard, para este tipo de gravação. Outro complicador era que Curitiba contava, então, com apenas um laboratório apto a realizar o necessário e demorado processo de revelação daqueles filmes.
A TV Paranaense entrou em operação tendo uma espécie de parceria técnica e contrato de aluguel de filmes e seriados com a TV Record de São Paulo, porque naquela época ainda não havia as redes nacionais de televisão com as respectivas emissoras afiliadas.132 A emissora pioneira nasceu instalada em um pequeno apartamento alugado em edifício no centro de Curitiba. No único estúdio, quase tudo era improvisado e a maior parte dos equipamentos – já com vários anos de uso – tinha sido comprada de outras emissoras de São Paulo e Rio de Janeiro. Cerca de duzentos aparelhos televisores estariam em funcionamento em Curitiba, naquele final de outubro de 1960, segundo estimativas de lojistas da época.133
Nos meses anteriores à sua inauguração oficial, o Canal 12 havia oferecido ao telespectador uma programação experimental ainda pouco consistente. Ela tinha início normalmente às 20h00, com a sessão “Cineminha”; apresentava o programa “Entrevistas com campeões do mundo”, às 20h10; depois levava ao ar o telejornal local “Notícias”, às 20h30; transmitia um programa musical às 21h00; e era encerrada com a sessão de “Cinema”, que começava às 21h30.134 Com três ou quatro funcionários e poucos equipamentos, que cabiam em uma quitinete, Chede mantinha em funcionamento precário o embrião da futura TV Paranaense, que era sintonizada por poucas dezenas de televisores, instalados em vitrines de lojas ou casas e apartamentos do centro de Curitiba e bairros próximos.
No período inicial de funcionamento da televisão em Curitiba, a grande concorrente deste novo veículo comunicacional, do ponto de vista do entretenimento ofertado ao público, era a rede de salas de cinema. A programação das 15 salas existentes era publicada integralmente pelos diários, em colunas específicas. As sessões de exibição tinham início às 13h30 e terminavam com os filmes das 21h45. Quase todos os cinemas anunciavam, diariamente, nas páginas de cultura e entretenimento dos jornais curitibanos.
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Afiliada – termo que surgiria somente anos mais tarde – é uma emissora de televisão, local ou regional, que se vincula a uma rede nacional de TV para transmitir alguns programas ou a totalidade da programação desta, sem deixar de ser uma empresa independente (DICIONÁRIO DE COMUNICAÇÃO, 2001, p. 12).
133Os aparelhos televisores já eram produzidos em São Paulo, desde 1951, pelas indústrias Semp e Invictus, as
primeiras a operarem neste setor no país (DALPÍCOLO, 2010, p. 56).
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Fotografia 4 – Antena parabólica do Canal 12, a maior da América do Sul.135
Para a sua entrada no ar em caráter regular, a TV Paranaense instalou, no terraço do Edifício Tijucas, acima do 21º andar no centro de Curitiba, “a maior antena parabólica da América do Sul”. A estrutura metálica dela media 12 metros de altura, por 3 metros de profundidade e 1,10 metros de boca. Isto possibilitava ao aparelho multiplicar em 40 vezes o poder original de irradiação, elevando a área de transmissão e captação dos sinais para um círculo com aproximadamente 200 km de diâmetro. A responsável pelo projeto, construção e
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instalação do equipamento emissor de sinais televisivos foi a Castelo Engenharia, Indústria e Comércio. Nos meses posteriores à inauguração, a mesma empresa curitibana montaria antenas menores, retransmissoras de sinais, em Joinville, São Francisco do Sul, Itajaí e Blumenau, cidades de Santa Catarina.136
No início da noite de 19 de dezembro de 1960, uma segunda-feira, entrou no ar em caráter definitivo a TV Paraná, Canal 6 de Curitiba, pertencente aos Diários e Emissoras Associados, do grupo de Chateaubriand, na época o mais importante do Brasil e o maior da América Latina.137 Desta maneira, menos de dois meses depois da inauguração da TV Paranaense, Curitiba ganhou a segunda emissora de televisão do estado:
No dia da inauguração, às 18 horas, foi ao ar a imagem padrão das Emissoras Associadas, enquanto dezenas de convidados de São Paulo, do Rio de Janeiro e da sociedade local aguardavam, no andar térreo do edifício Mauá, o início das transmissões do Canal 6. Em meio a luzes e sinais sonoros, a câmera fixou a imagem do arcebispo metropolitano, Dom Manuel da Silveira D’Elboux, abençoando a nova emissora – como fizera havia cinco anos, no jornal Diário do Paraná. Ressaltando a importância da televisão no Paraná, discursaram Amador Aguiar, padrinho da emissora; Edmundo Monteiro, de São Paulo, diretor geral dos Diários e Emissoras Associados; o prefeito Iberê Mattos e Adherbal Stresser, diretor-presidente da TV Paraná (BARACHO, 2006, p. 41).
Terminada a cerimônia oficial de inauguração, a nova TV transmitiu um documentário sobre o Paraná, produzido e dirigido por Valêncio Xavier, com textos dos jornalistas Luiz Geraldo Mazza e Adherbal Fortes Sá Júnior, imagens de Salomão Scliar e narração de Mário Bittencourt, todos da equipe de telejornalismo do Canal 6. Na sequência, foi apresentado ao vivo e em preto e branco o “Telenotícias Transparaná”, patrocinado pela empresa de equipamentos e veículos de transportes pesados que “emprestava” o nome àquele primeiro telejornal. Antes da inauguração, a TV Paraná havia operado em caráter experimental por poucas semanas, sempre com respaldo técnico e apoio logístico da TV Tupi de São Paulo.
Como já ocorrera com o Canal 12, a nova TV Paraná contratou os seus primeiros profissionais nas emissoras locais de rádio, na imprensa escrita e no teatro curitibano. Além disto, experientes funcionários do grupo de Chateaubriand foram buscados em São Paulo e no Rio de Janeiro para assessorarem, nos primeiros meses, a equipe comandada por Adherbal
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O Estado do Paraná. 02/10/1960, Caderno 2, p. 13.
137O conglomerado de Chateaubriand chegou a possuir, em meados da década de 1960, 36 emissoras de rádio,
34 jornais, 18 revistas, duas agências de notícias e 18 canais de televisão (NEVES, 2008, p. 25). Dois daqueles canais operavam no estado – a TV Paraná, em Curitiba, e a TV Coroados, em Londrina –, como será visto ainda neste capítulo.
Gaertner Stresser.138 O próprio Adherbal Stresser – que teve na direção da nova TV apoio de seu filho Ronald Sanson Stresser – era, já naquela época, um jornalista e empresário experiente e respeitado em Curitiba. Ambos eram proprietários das estações radiofônicas Colombo e Ouro Verde, assim como dirigiam em parceria o Diário do Paraná, também dos Diários e Emissoras Associados.
A TV Paraná entrou em funcionamento ocupando um espaço físico improvisado e alugado, em edifício comercial no centro de Curitiba, e com a maioria dos equipamentos usados herdados da TV Tupi de São Paulo, da qual recebeu ainda os filmes, desenhos e seriados para a sua programação diária. Ela foi inicialmente apenas noturna, com sua abertura acontecendo às 19h20. A primeira atração a entrar no ar era o programa “Atualidades esportivas”, com dez minutos de duração. Na sequência, das 19h30 às 20h00, eram transmitidos desenhos animados, na sessão “Cineminha”. Depois, começava o programa musical “Luiz Silva e suas canções”. Às 20h30, era reproduzido um filme na sessão “Cinema”. O programa de entrevistas “Encontro com a política”, com meia hora de duração, tinha início às 22h00. A última atração da noite era o telejornal “Diário do Paraná na TV”, que com cerca de 30 minutos sempre terminava por volta das 23 horas.139 Esta programação era relativa a uma quarta-feira, mas ela variava pouco nas outras noites da semana. As sessões de desenhos animados, de filmes longa-metragem e o telejornal eram transmitidos quase todas as noites, com exceção do “Diário do Paraná na TV” aos domingos.
No dia seguinte ao da inauguração do Canal 6, a sua concorrente TV Paranaense fez publicar em OEPR, ocupando uma metade superior de página, um anúncio em que afirmava que “o sinal da Pioneira” já estava sendo “bem captado no Paraná (Paranaguá, Ponta Grossa, Londrina e outras dezenas de cidades), em Santa Catarina (Joinville, Lajes etc.) e em São Paulo (parte da capital e no interior; Itapetininga e outras cidades)”.140 Não era verdade que o Canal 12 podia ser sintonizado em Londrina, naquela época, porque ele ainda não contava com antenas repetidoras de sinal no interior do estado. No rodapé da propaganda estava escrito em destaque: “12 meses de Televisão no Paraná – 12 meses de Liderança – Iniciou no
138 Adherbal Gaertner Stresser nasceu em Curitiba, em 1908. Formado em Ciências Econômicas, ele optou por trabalhar como jornalista no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Santa Catarina e em Curitiba, sempre em importantes jornais. Depois, na década de 1930, Adherbal Stresser teve seu próprio jornal, o Correio do Paraná. Ele elegeu-se deputado federal pelo Paraná e exerceu o mandato até que o Congresso Nacional foi dissolvido pelo Estado Novo, em 1937. Foi presidente da Associação Paranaense de Imprensa, presidente do Sindicato dos Proprietários de Jornais do Paraná e professor de Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (ALMEIDA, 1968, p. 294).
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Gazeta do Povo, Curitiba, 18 jan. 1961, Caderno 2, p. 9.
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Paraná a era da Televisão”. Por este texto, a TV Paranaense remetia o leitor à época em que entrara no ar em caráter experimental, em dezembro de 1959, e demonstrava, ao anunciar que estava na liderança, que começava a se preocupar com a concorrência da recém-inaugurada TV Paraná.
No início de 1961, Nagibe Chede antecipou para o meio dia a abertura da programação do Canal 12, que nos meses anteriores fora apenas noturna. Possivelmente, esta expansão no total de horas diárias no ar já era um resultado da pressão exercida pela chegada da televisão de Chateaubriand a Curitiba. Às 12h00, a programação era aberta com o programa religioso “Quando os ponteiros se encontram”, apresentado por um padre. Às 12h15, entrava no ar o telejornal “Tribuna na TV”, com duração de meia hora. “Alô petizada”, com desenhos animados, ficava no ar das 12h45 às 13h00, quando era encerrada a primeira parte das transmissões diárias. A TV Paranaense retomava suas atividades às 17h30, com mais desenhos animados no “Cine mirim”. Às 17h55 ia ao ar outro programa religioso apresentado por um padre: “Todos somos irmãos”. Depois, às 18h00, tinha início o programa de estúdio “Tevelândia”, com duração de uma hora. “Esportes” começava às 19h00 e durava somente 15 minutos. A partir das 19h15, mais meia hora de desenhos animados no “TV infantil”. Às 19h45 entrava no ar o telejornal “Repórter Real”. O programa “Musical”, com atrações variadas, era veiculado das 20h00 às 20h30, quando tinha início o “Clube do estudante”. Às 21h00, novo “Musical”, agora sob o comando de Rodolpho Senff. O programa feminino de entrevistas “Quem é charme” ia ao ar das 21h15 às 21h30. Com meia hora de duração, o “No mundo da ciência” terminava às 22h00. O telejornal mais importante da programação, “O Estado do Paraná na TV”, era transmitido das 22h00 às 23h00, quando tinha início a última atração: “Cinema em longa-metragem”.141
Durante 1961 e nos anos subsequentes, essas programações dos canais curitibanos não sofreram alterações significativas. No geral, elas se estruturavam em torno de desenhos animados; documentários e filmes importados dos Estados Unidos; mensagens religiosas católicas; programas de auditório de variedades ou musicais; e telejornais produzidos em parceria com diários da capital paranaense. De acordo com Jamur Júnior (2001, p. 20-62), durante o período de experiências e nos primeiros anos de operação das TVs em Curitiba, os anunciantes mais importantes foram os empresários Amador Bueno – do futuro Banco Bradesco –, J. Malucelli, Pedro Stier – das Lojas Tarobá –, e as empresas Real Aerovias, Banco Bamerindus, Aero-Willys, Transparaná, Móveis Cimo, Madison e Prosdócimo. A TV
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Paranaense comercializava com o anunciante a exclusividade de cada programa por inteiro. Ou seja, o patrocinador ficava responsável por todos os anúncios e normalmente dava inclusive a sua marca ao nome do programa. Na TV Paraná, diferentemente, eram comercializadas apenas as frações dos espaços comerciais, medidas em segundos e minutos, e nunca a exclusividade de um programa inteiro.142
Fotografia 5 – Programa musical no estúdio da TV Paraná.143
Quase três anos depois do início do funcionamento regular das duas primeiras emissoras de Curitiba, em 21 de setembro de 1963 foi inaugurada a TV Coroados, Canal 3 de Londrina. A primeira estação televisiva do interior do estado pertencia, assim como a TV Paraná de Curitiba, ao condomínio dos Diários e Emissoras Associados. A TV Coroados foi a segunda emissora de televisão a funcionar no interior do Brasil. A primeira, inclusive da América Latina, havia sido a TV Bauru, Canal 2 instalado na cidade homônima da emissora, localizada na região oeste do estado de São Paulo. Inaugurada oficialmente pelo empresário italiano João Simonetti em 1º de agosto de 1960, um ano e três meses depois a TV Bauru foi vendida à Organização Victor Costa (OVC), que desde 1955 era proprietária da TV Paulista, o Canal 5 de São Paulo.144
142 BARACHO, 2006, p. 62.
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Idem, p.73.
144 Informações sobre a TV Bauru e Simonetti estão disponíveis em: <http:// www.vivendobauru.com.br>. Acesso em: 06 mar. 2011. Informações a respeito das emissoras da OVC, adquiridas por Roberto Marinho em 1966, estão disponíveis em <http://www.museudatv.com.br>. Acessos em: 25 ago. 2009; 05 maio 2010; 06 mar. 2011.
Para coordenar as atividades da nova unidade do grupo, Chateaubriand designou Ronald Stresser. Oficialmente, no entanto, a presidência da primeira diretoria do Canal 3 era ocupada por Edmundo Monteiro, homem de confiança do proprietário dos Diários e Emissoras Associados. Alguns técnicos e jornalistas foram buscados em São Paulo, mas a maioria dos funcionários da TV Coroados foi recrutada mesmo em rádios e jornais de Londrina, e depois treinada nas emissoras do grupo em São Paulo ou Curitiba.
Quem presidiu a cerimônia de inauguração, na manhã chuvosa de um sábado, foi Adherbal Stresser, que acionou a câmera principal no estúdio da emissora exatamente às 10h50. O então prefeito de Londrina, Milton Menezes, descerrou a placa de bronze no saguão de entrada da empresa, em homenagem à data festiva e a Assis Chateaubriand, fundador e concessionário da TV Coroados. A bênção do prédio da nova emissora foi feita pelo então bispo de Londrina, Dom Geraldo Fernandes. O empresário Roberto Paiva era o representante de Chateaubriand na solenidade.
Representando o governador do Paraná, Ney Braga, foi a Londrina o secretário estadual do Interior e de Justiça, Afonso Alves de Camargo Neto. Estiveram presentes ainda na solenidade de inauguração do Canal 3 o deputado federal José Richa (PDC) – que posteriormente seria prefeito de Londrina, senador e governador do Paraná; a miss Paraná 1963, Tânia Mara Franco; o diretor artístico da TV Paraná, Carlos Guilherme Addor; o diretor-presidente da Folha de Londrina, João Milanez; e alguns vereadores de Londrina.145
A nova emissora havia funcionado em caráter experimental por aproximadamente três meses, exibindo o sinal padrão, filmes e musicais; sempre durante poucas horas em cada dia, para efeito de ajustes dos sinais de som e imagem emitidos. A programação oficial, naquele primeiro dia de funcionamento em caráter definitivo, foi aberta às 18h00, com tomadas da cerimônia matinal de inauguração. Depois, seguiram: “Desenholândia” (18h40); “Atualidades Esportivas” (19h15); “Desenhos e atualidades” (20h00); “Calouros do ritmo” (20h15); “Ari Fontoura e seus comediantes” (20h40); “Desenhos e atualidades” (21h10); “Escola de Ballet de Londrina” (21h20); “Dona Jandira Teleteatro” (21h40); “Show HM” (22h00); “Teatro de Equipe” (22h10); “Júlio Rosemberg e seus cantores” (22h35); e “Notícias” (23h05).
Alguns artistas de Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro que participariam da festa de inauguração da TV Coroados não conseguiram chegar a Londrina em tempo, porque o aeroporto local foi interditado devido às fortes chuvas que caíram na cidade. Por isto, o Canal
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3 foi inaugurado com a apresentação artística de alguns “valores da terra, além dos Calouros do Ritmo e do elenco de Glauco Sá Britto”.146
A imprensa, autoridades e população de Londrina e região aguardavam pela chegada da televisão desde 1959. Foi quando o proprietário da TV Tupi de São Paulo esteve na cidade para uma palestra sobre o mercado internacional do café, a convite do empresário Horácio