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Belgede ALETLİ ANALİZ LABORATUVARI (sayfa 101-108)

Se percebermos o multiculturalismo na sua composição de mistura, estaríamos, de certa maneira, justificando um debate de uma modernidade dilemática na cultura. A obra de González Iñárritu se instala – ratificamos aqui – nesta impassividade.

Assim, 21 Gramas, por exemplo, em paralelo a Amores Brutos e antecipando

Babel, sugere aspectos regidos pela presença de identidades moldadas na diferença. Essa proposição é importante para notarmos os aspectos em torno da aparência conflitiva. Se o mundo regido pela globalização é um mundo de tom do imaginário, conforme salienta Zizek, de uma propensa fundamentação que entendemos aqui como um “mundo fragmentado”, em que as peripécias de Paul, Jack e Cristina se fundamentam, também, como a tradição de uma narrativa do desenlace.

Esses elementos, portanto, reforçam o aspecto de uma obra audiovisual incomodada na sua gênese e moldada no descontrole do imprevisto pessimista, em que a morte desempenha papel avassalador. Esses temas só reforçam algo premente na obra de González Iñárritu (e de Guillermo Arriaga também), ou seja, a identidade

multiculturalista é evidenciada pela matriz do discurso do conflito e da retenção. Nesse sentido, estamparíamos aqui, o multiculturalismo como função redentora, na medida em que seu funcionamento, no seio da sociedade globalizada, dá-se em um debate na esteira do hibridismo de fórmulas e de gêneros. Desse modo, estamos propondo, com este trabalho, a premissa de certo modo de um cinema moderno e arredio que se embasa, paradoxalmente, pelo trânsito de uma linguagem, digamos, clássica.

Assim ocorre uma sedimentação de estrutura rítmica em uma particularidade curiosa, ou como nos mostra Metz: “Apreender o movimento é tornar-se movimento, seguir uma trajetória é tornar-se trajetória, captar uma direção é ter a possibilidade de escolher uma, determinar um sentido é dar-se um sentido” (METZ, In: XAVIER, 2008, p.391).

Percebe-se, com isso, um apelo estrutural em torno da “terra” (como lócus e debate acerca do lugar e das relações, como aponta Andréa França (2003) em seu estudo sobre “terras e fronteiras” no cinema contemporâneo), ou um ambiente desconfortante na gênese da ideia de mistura. O multiculturalismo é o encontro de mundos e de conflitos. Esse estabelecimento se evidencia mais claramente no aspecto cultural e social.

Assim, González Iñárritu se utiliza do conflito pelo estranhamento. Essa ferramenta narrativa pretende solucionar seres ávidos em sua propulsão de choque: o choque pode ser referido pela ordem de uma polis cindida, mas também atravessa o ideário dessa simples demarcação, porque evidencia as culturas em embates num quadro global de resistência. A tomada de partido do choque é essencial para entendermos que o mundo pode ser inserido numa lógica estranha de comportamento. Quando se nota o impassível em torno dessas marcas, González Iñárritu fortalece um mundo rígido de carestia e sufocamento. A teoria do caos, ou do desenlace, a partir de eventos desencadeadores de conflitos, é um elemento, antes de tudo, perceptível das razões de ordem narrativa. Se os filmes de González Iñárritu pertencem a certa tradição tardia da

modernidade, estaríamos evidenciando que a apropriação cultural não se dá, apenas, com os códigos de desajuste.

Para se entender a representação de “terras” e “fronteiras” distintas, precisamos abordar determinadas questões:

O entrelugar é uma estratégia de resistência que incorpora o global e o local, que busca solidariedades transnacionais por meio do comparativismo para apreender nosso hibridismo, fruto de quebras de fronteiras culturais (...). Ao pensarmos, portanto, em paisagens transculturais, não mais nos colocamos no espaço engajado do terceiro-mundismo, mas procuramos transversalidades que atravessem diferentes países e culturas, sem ignorar as desigualdades nas relações de poder (LOPES, In: FRANÇA; LOPES, 2010, p.93/94).

Pensar o sentido de “nação” contemporaneamente significa levar em conta sua constituição experiencial, prática, ao alcance de todos (e não os limites territoriais apenas), significa pensar sua formulação a partir de uma trama onde atuam e circulam narrativas midiatizadas, pessoas, discursos políticos que oferecem cotidianamente novos expedientes para a construção de si mesmos imaginados e de mundos imaginados (FRANÇA, 2003, p.26).

Estendendo os conceitos e as premissas de França (2003) e Denilson Lopes (2010), entramos no debate acerca do multiculturalismo. Nesse contexto, o cinema contemporâneo se estabelece como uma divisão moderada pela aparente sucessão de espaços e de tempos próprios.

Se pensarmos em Babel, este sintoma é mais radical. No entanto, aqui, é preciso estabelecer que a tensão de uma modernidade tardia é controversa, quando se nota que um dos aspectos mais relevantes nesse debate sobre a obra de González Iñárritu é o conceito de matriz latino-americana. Nesse sentido, mesmo em produções alçadas no capital transnacional, pode se estabelecer como uma gênese emaranhada no melodrama de propulsão forte da América Latina.

Se Amores Brutos e Babel evidenciam as linhas de conflito nesta ordem, 21

Gramas reforça os elementos de identidade social e cultural em outra acepção. Mesmo assim, estamos reforçando que 21 Gramas se estabelece como uma intenso trabalho de marcação das identidades melodramáticas.

Esse debate é interessante para anotarmos que o multiculturalismo proposto por González Iñárritu é propositadamente engajado, no sentido de demonstrar as linhas de fuga e ratificar os aportes do incômodo, da brutalidade e da realidade desamparada.

Conforme Hall (2006):

As sociedades da modernidade tardia (...) são caracterizadas pela “diferença”; elas são atravessadas por diferentes divisões e antagonismos sociais que produzem uma variedade de “posições do sujeito” – isto é, identidades – para os indivíduos. Se tais sociedades não se desintegram totalmente não é porque elas são unificadas, mas porque seus diferentes elementos e identidades podem, sob certas circunstâncias, ser conjuntamente articulados (HALL, 2006, p.17).

Apropriando-se da fala de Hall, a articulação da unificação é essencial para os rumos deste trabalho no próximo capítulo, na medida em que Babel parece ser a síntese dessas posições de sujeito contemporâneo. Se o mosaico desempenha importante pulsão em 21 Gramas, a divisão e o antagonismo se estampam no próprio tema em Babel.

Entretanto, desde Amores Brutos, há a diferença de aspirações mais urgentes, reforçando, a todo o momento, o conflito da ordem do dia e da loucura em estranha absorção da relação comunicacional.

Se a teoria contemporânea do cinema parece suscitar tais debates na ruptura das tradições mais realistas ou estruturais, o cinema de González Iñárritu estabelece algumas distinções interessantes.

Por isso é preciso salientar, mais uma vez, que a tradição de uma matriz latina, ou a cisão de perspectiva periférica na ordem global, faz sentido, intensamente, na visão de muitos impasses sobre o debate da aldeia global, da ordem nova mundial e outros congêneres.

A América Latina é guia de resistência em trunfos e filmes, pelo seu significado de força e discursos. García Canclini (2008) nos esclarece, de certo modo, o papel da absorção cultural da America Latina, em sua ambígua rivalização entre o arcaico e o moderno:

Devemos concluir que em nenhuma dessas sociedades [da América Latina] o modernismo foi a adoção mimética de modelos importados, nem a busca de soluções meramente formais. Até os nomes dos movimentos (...) mostram que as vanguardas tiveram um enraizamento social; enquanto na Europa os renovadores escolhiam de nominações que indicam sua ruptura com a história da arte (...) na América Latina preferem ser chamados por palavras que sugerem respostas a fatores externos à arte (GARCÍA CANCLINI, 2008, p.83).

Essa premissa de García Canclini fundamenta outro conceito atrelado ao multiculturalismo, que é a hibridização cultural. Por trás dessa conceituação desenha-se um “movimento” ensejado na ordem da resistência e, por isso mesmo, revela-se um importante embate: o nacionalismo mais tradicional diante da “invasão” de códigos da

modernidade tardia ou contemporânea, emoldurados pelas imagens de um mundo ditado pela globalização e envolvidos pelo fascínio de uma mística torre de babel, como veremos a seguir.

Belgede ALETLİ ANALİZ LABORATUVARI (sayfa 101-108)

Benzer Belgeler