2.1 İletişim ve İletişim Becerileri
2.1.4 İletişim Becerileri ile İlgili Kuramlar
Por outro lado, o fortalecimento dos poderes instrutórios do juiz, no ensejo de um processo civil de viés publicista e colaborativo, é contrabalanceado pelo fortalecimento dos poderes das partes, que devem ter posição mais ativa e leal tanto na atividade probatória, como no debate de matérias de fato ou de direito, ou seja, em todo o processo de formação da decisão judicial.
E essa estrutura participativa do processo, também como já dito, não decorre apenas e tão-somente de uma visão axiológica do fenômeno processual, mas sim encontra raízes constitucionais. Com efeito, o contraditório efetivo constitui exigência da própria democracia participativa. Ele é a expressão jurídica de um elemento político, inerente ao Estado de Direito, que é a garantia da participação.
O contraditório, como é sabido, constitui elemento essencial do fenômeno processual, dada a natureza dialética do processo, que pressupõe a participação dos interessados em todo o iter procedimental e, especialmente, na formação do convencimento do órgão judicial, eis que a decisão a ser prolatada que irá atingir irremediavelmente suas esferas jurídicas. Tanto é assim que Liebman, ao conceituar os sujeitos da relação processual, define como partes “os sujeitos do contraditório instituído
perante o juiz”278.Nas palavras de Calamandrei:
“no processo, o juiz não está só. O processo não é um monólogo: é um diálogo, uma conversação, uma troca de propostas, de respostas, de réplicas; um intercâmbio de ações e reações, de estímulos e de impulsos contrários, de ataques e contra-ataques. Por isso, foi comparado a uma luta ou disputa esportiva; mas cuida-se de uma luta de persuasões e uma disputa argumentativa.”279
277BARBOSA MOREIRA, José Carlos. Os novos rumos do processo civil brasileiro. Revista de Processo, Sao Paulo, v. 20, n. 78, p. 140, abr./jun. 1995.
278LIEBMAN, Enrico Tullio. Manual de direito processual civil, cit., v. 1, p. 123. 279CALAMANDREI, Piero. Eles, os juízes, vistos por um advogado, cit, p. 145
Yarshell, em obra já diversas vezes citada neste estudo280, defende que o contraditório, especialmente no que se refere à participação na produção das provas, destina-se não apenas à formação da decisão judicial, mas também se dirige às próprias partes, como meio de formar sua convicção e determinar a adoção de certos comportamentos, tais como o ingresso em juízo, a autocomposição, etc. Nesse sentido, o contraditório deixa de ser apenas fator de legitimação da decisão judicial e passa a ser elemento determinante da conduta responsável das partes.
Ademais, ainda que caiba ao juiz a direção formal do processo, e se reconheça a amplitude de seus poderes instrutórios (respeitados os limites já analisados), o juiz deve fazê-lo de maneira dialogal, colhendo a impressão das partes a respeito dos rumos a serem tomados no processo, possibilitando que elas dele participem, influenciando a respeito de suas possíveis decisões. Até mesmo porque o direito à prova, para ser efetivo, não pode se limitar à sua produção, abarcando também o direito de vê-la considerada e valorada pelo juiz.
A esse respeito, importante a lição de Oliveira:
“Ora, a idéia de cooperação, além de exigir, sim, um juiz ativo e leal, colocado no centro da controvérsia, importará senão o restabelecimento do caráter isonômico do processo pelo menos a busca de um ponto de equilíbrio. Esse objetivo impõe-se alcançado pelo fortalecimento dos poderes das partes, por sua participação mais ativa e leal no processo de formação da decisão, em consonância com uma visão não autoritária do papel do juiz e mais contemporânea quanto à divisão de trabalho entre o órgão judicial e as partes”.281
Em suma, o processo civil atual não se contenta com o contraditório meramente formal, devendo se ter presente que “na perspectiva judicial a sentença é resultado do
trabalho conjunto de todos os sujeitos do processo”282.
Além disso, notadamente no que se refere à instrução probatória, são as partes – e não o juiz - quem tem acesso à fonte da prova e que são os maiores interessados no êxito de suas proposições. Nesse sentido, nem mesmo o juiz mais comprometido com a causa
280YARSHELL, Flávio Luiz. Antecipação da prova sem o requisito da urgência e direito autônomo à prova, cit., p. 168 e seg.
281OLIVEIRA, Carlos Alberto Alvaro de. Do formalismo-valorativo no confronto com o formalismo excessivo, cit., p. 158.
282OLIVEIRA, Carlos Alberto Alvaro de. Poderes do juiz e visão cooperativa do processo. Revista da Ajuris, Porto Alegre, v. 30, n. 90, p. 74, jun. 2003.
terá condições de, sozinho, suprir a inércia da parte com relação à formação da prova necessária ao reconhecimento do direito.
O ativismo judicial em matéria de prova, portanto, deve ser conciliado com o ativismo das partes, valorizando-se o diálogo judicial, que se verifica pela cooperação do juiz com as partes e destas com aquele, de acordo com as regras de processo. Em outras palavras, o ativismo judicial não pode - nem deve - substituir a participação atuante das partes no esclarecimento dos fatos.
A idéia de contraditório, nessa nova concepção, traz consequências importantes tanto na investigação dos fatos como na prolação da decisão.
Ora, não há dúvida que a delimitação do thema decidendum, ou seja, a fixação do pedido e causa de pedir, cabe com exclusividade às partes, o que se dá na fase postulatória. Independentemente da natureza do direito discutido, a faculdade de iniciar e delimitar a demanda - salvo raríssimas exceções - é exclusiva das partes. Todavia, no que concerne à investigação dos fatos deduzidos, reconhece-se os amplos poderes instrutórios juiz, diretamente relacionados ao princípio da persuasão racional e à proibição do non liquet, os quais são controlados, por sua vez, pela participação direta das partes na colheita e produção das provas, pelo dever de motivação das decisões judiciais e possibilidade de reexame das decisões judiciais.
Por outro lado, no que se refere à prolação da decisão, a atual concepção do contraditório impõe o reconhecimento da importância da participação das partes não apenas na formação do conjunto probatório, mas também na apreciação do direito, o que importa uma nova visão do princípio jura novit curia283, de forma a assegurar que não serão surpreendidas com o rumo tomado pelo processo, o que será retomado no item 5.1.1 infra.
E essa concepção, frise-se, constitui expressão autêntica da garantia de democratização do processo, totalmente compatível, portanto, com os preceitos inerentes ao Estado Democrático de Direito brasileiro.
283CF. OLIVEIRA, Carlos Alberto Alvaro de. O juiz e o princípio do contraditório. Revista de Processo, São Paulo, v. 19, n. 73, p. 7-14, jan./mar. 1994.
5. MANIFESTAÇÕES DO DEVER DE COLABORAÇÃO NA
INSTRUÇÃO PROCESSUAL
O reconhecimento da existência de um dever de colaboração das partes e do juiz para a elucidação dos fatos controvertidos traz como consequência a exigência de determinadas condutas, determinados comportamentos desses sujeitos na instrução probatória.
Nesse sentido, longe da pretensão de uma enumeração exaustiva, passaremos a analisar alguns exemplos colhidos na doutrina, na jurisprudência e nas próprias regras processuais, dessas condutas exigíveis das partes e do juiz no curso da instrução processual.