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AB İlerleme Raporları (2001-2015)

Belgede Adli kollukta profesyonelleşme (sayfa 185-200)

4.7. AB Uyum Sürecinde Tespit Edilen Sorunlar Ve Çözüm Önerileri

4.7.3. AB İlerleme Raporları (2001-2015)

Como sabemos, a língua portuguesa é oriunda do latim, mais especificamente, do latim vulgar falado no noroeste da Península Ibérica, que foi sendo modificado pelos habitantes primitivos dessa região. Como marca linguística dessa passagem, Teyssier (2001) e Mateus (2005) destacam a supressão do –n- e –l – latino intervocálico, como em color (> port. cor) e manu (> port. mão), e a manutenção das vogais breves latinas como abertas, sem ditongação, a exemplo de terra, porta e sorte. Esses fenômenos fonológicos são aspectos diferenciadores entre o português e o espanhol.

No que concerne à morfologia e à sintaxe, a passagem do latim aos falares românicos traz a simplificação do sistema de casos. No latim clássico, os nomes apresentavam seis casos: nominativo, com função sintática de sujeito e de predicativo;

vocativo, com a função de chamamento; acusativo, com a função de objeto direto;

genitivo, com a função de adjunto restritivo (ou adjetivo); dativo, com a função de objeto indireto e ablativo com a função de adjunto circunstancial (ou adverbial). Contudo, no latim vulgar, o sistema de casos era bastante simplificado; segundo

Coutinho (1976), apenas o nominativo e o acusativo permaneceram e este último passou a ser o caso de regime universal, pois representava genitivo ou dativo quando precedido das preposições de ou ad.

Nas línguas românicas, os dois casos são reduzidos a um: o acusativo. Ainda segundo o autor, a ordem das palavras na sentença acabou por fixar as palavras nas frases, é o que acontece com os nomes da língua portuguesa. Porém, os pronomes pessoais de nossa língua ainda trazem consigo vestígios da língua latina no que diz respeito a essa categoria. As Gramáticas Tradicionais brasileiras, ao classificar e elencar os pronomes, fazem a diferenciação entre o uso dos pronomes do caso reto - usados na função de sujeito – e os do caso oblíquo – usados na função de complemento verbal.

Outra inovação, no sistema do português, é a formação de um artigo definido a partir do demonstrativo ille. As quatros formas, diferenciadas pelas flexões de gênero e de número e oriundas do acusativo – illum, illam, illos, illas - dão inicialmente lo, la, los e las, por causa da aférese sofrida pelo seu emprego proclítico. Como esses artigos ocorriam, frequentemente, precedidos por palavras terminadas por vogal – vejo lo

cavalo, vende la casa – o l desapareceu da mesma forma que todos os outros da língua

quando ocorriam em posição intervocálica, chegando-se às formas o, a, os, as. (TEYSSIER, 2001, p.17)

A partir do que foi exposto até aqui, podemos pensar a língua como um sistema adaptativo, no qual vemos um modelo de perdas e de ganhos entre formas e funções. Segundo Tarallo (1991), pensar em história da língua portuguesa significa refletir sobre suas condições de funcionamento e suas características de estruturação nas diversas etapas de seu desenvolvimento. Assim, não se deve conceber o sistema como uma sucessão de etapas estáticas, mas sim compreendê-lo com base nos aspectos estruturais e condições de uso que fazem o sistema “caminhar” em uma determinada direção.

Nessa caminhada histórica de transformações, os estudos diacrônicos dividem a língua portuguesa em períodos de evolução ligados por épocas de transição. Porém, como bem observa Mattos e Silva (2006, p.21), “qualquer tentativa de periodização histórica, como qualquer classificatória ou taxonomia é arbitrária e está necessariamente condicionada pelos princípios que estão na base da classificação”. A autora destaca ainda a não compatibilidade de classificação dos períodos da nossa língua, sumarizadas no quadro a seguir.

Quadro 01: Periodização da língua portuguesa Época Leite de

Vasconcelos

Silva Neto Pilar V. Cuesta Lindley Cintra Até s. IX (882) Pré-histórico Pré-histórico Pré-literário Pré-literário Até ± 1200 (1214 – 1216) Proto-histórico Proto-histórico Até 1385/ 1420 Português arcaico Trovadoresco Galego- português Português antigo Até 1536/ 1550 Português comum Português pré-clássico Português médio Até s. XVIII Português moderno Português moderno Português clássico Português clássico

Até s. XIX/XX Português

moderno

Português moderno

Fonte: Mattos e Silva (2006, p.26)

Notemos que os filólogos são unânimes ao situar o início do português no século XIII, pois é nesse momento que a língua portuguesa aparece documentada pela escrita. O período anterior a esse momento é denominado, de uma maneira geral, pré-literário; ou subdividido em pré-histórico, quando os documentos remanescentes em latim não identificam a existência de traços da futura variante românica que se esboçava no noroeste da Península Ibérica, e proto-histórico, quando esses traços podem ser detectados por especialistas em latim bárbaro, isto é, latim notorial ou tabeleônico, propagado na România antes das línguas neolatinas se tornarem línguas oficiais.

Se o começo do português pode ser marcado pelo início da documentação escrita, o limite final desse período é uma questão em aberto. Alguns acontecimentos extralinguísticos são parâmetros para fixar o século XVI como o marco inicial de um novo período na história da língua, são eles: o surgimento do livro impresso e as suas consequências culturais; a expansão imperialista portuguesa no mundo, que se refletiu na sociedade pelo contato com novas línguas e novas culturas, resultando, provavelmente, em reflexos variacionistas e de mudança na língua portuguesa; a

normatização gramatical, a partir das gramáticas de Fernão de Oliveira (1536) e de João de Barros (1540), aparelho pedagógico o qual elegerá um dialeto que se tornará a base para o ensino e, a partir de então, será o português a língua da escola ao lado do latim. (MATTOS E SILVA, op. cit., p.22-23)

No que se refere ao período documental de nossa língua, também se discute a subperiodização do português arcaico conforme observamos no quadro 01. A divisão com base na produção literária medieval portuguesa foi adotada por Carolina Michaëlis de Vasconcelos, que subdivide esse período em português trovadoresco e português

comum ou da prosa histórica. Esse posicionamento foi adotado por Serafim da Silva Neto, porém Lindley Cintra opõe o português antigo (século XIII às primeiras décadas do séc. XV) ao português médio (daí ao séc. XVI). Já Pilar de Vasconcelos faz a mesma delimitação temporal, mas os nomeia como galego-português e português pré-clássico. Sobre essa nomenclatura, Mattos e Silva (idem, p.23) adverte:

Com a dicotomia galego-português/português se faz necessário ressaltar uma face do problema que não é apenas de caráter diacrônico, mas também diatópico. Esse enfoque para a questão da subperiodização não é apenas baseado na produção literária, como são, explicitamente, o de Carolina Michaëlis de Vasconcelos e Serafim da Silva Neto, mas tem a ver com a possível diferenciação dialetal da língua falada a que se poderia opor uma primeira fase do período pré-moderno, em que haveria uma unidade galego- portuguesa, refletida na documentação escrita, e uma segunda fase em que se poderia definir a distinção entre o diassistema do galego e do português. Fatores históricos direcionam a diferenciação entre o galego e o português que, na sua origem, constituíam uma mesma área linguística em oposição a outras áreas ibero-românicas.

Nesta tese, adotaremos a divisão proposta por Leite de Vasconcelos e chamaremos de português arcaico o período compreendido entre 1385 a 1550. Essa opção deve-se ao fato de fazermos referência a esse período, uma vez que Coutinho (1976, p. 338) já menciona o uso do pronome pleno na função de objeto direto com base em exemplos de Fernão Lopes, como em: “El-rei mandou-o logo prender, e levaram ele e Mateus Fernandes a Servilha”; “Os cardeais, outrossim, privaram ele d’algum direito, se o no papado tinha”, com base nesse uso buscaremos fazer uma ligação

linguística entre o português brasileiro e português europeu insular, uma vez que a colonização dos espaços geográficos aconteceram na época do português arcaico.

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