SONUÇ, TARTIŞMA VE ÖNERİLER
5.2 ÖNERİLER
5.2.2. İleride Yapılabilecek Araştırmalara Yönelik Öneriler
A graphic novel de Darwyn Cooke encontra-se no cruzamento de algumas temáticas comuns nos quadrinhos de super-heróis. Essas temáticas aparecem mesmo nas revistas mensais convencionais
No prefácio que escreveu para DC: A Nova Fronteira, o roteirista de quadrinhos e ex-editor da DC Comics Paul Levitz (2006:5) apontou três “liberdades” que os autores conquistaram que permitiram a criação de obras calcadas na metalinguagem e que dialogam com o conhecimento de um fã sobre quadrinhos.
A primeira liberdade [...] foi a de trespassar as barreiras invisíveis que dividiam rigorosamente os quadrinhos naquele tempo; paredes maciças que muitas vezes prendiam talentos e personagens igualmente. Era inconcebível na DC Comics de 1960 que os personagens dos quadrinhos de guerra de Bob Kanigher encontrassem os super-heróis da Liga da Justiça, ou que existissem no mesmo mundo que os Falcões Negros. [...]
A segunda liberdade foi a de recontar histórias sem se prender à maneira como elas foram contadas pela primeira vez. [...]
A última liberdade foi a habilidade moderna de colocar situações do mundo real nos mundos fictícios de nossos personagens.
Com esses três tipos de recurso narrativo que se tornaram comuns nos quadrinhos de super-heróis, destaca-se o caráter dialógico que essas obras vem revelando de forma mais clara ao longo dos anos.
A primeira “liberdade” de que fala Levitz mostra como a DC Comics estabeleceu seu universo de personagens não apenas com suas histórias de super-herói, mas com praticamente todos os quadrinhos que ela publicou, incluindo os de guerra, terror e faroeste. Apesar de pouco comum, encontros entre personagens dessas temáticas diferentes são possíveis nas revistas da editora.
Ao inserir em seu universo ficcional outros gêneros de histórias, como os de guerra, policial, terror e mesmo romance, a editora amplia bastante o cronotopo desse universo, com a combinação de outras grandes narrativas que passam a corresponder a diferentes campos da cultura dos personagens. Por exemplo, se as histórias de super-
podem ser agregadas a esse cronotopo como aventuras de heróis sem poderes especiais, mas que agiam no mesmo ambiente que personagens como Superman, Batman e Mulher-Maravilha agiriam no futuro.
Da mesma forma, principalmente nos casos envolvendo os personagens “espaciais”, que vivem aventuras no espaço sideral, em outros planetas, a temporalidade de suas histórias costuma ser muito maior, muitas vezes remontando até às narrativas sobre a criação do cosmo. Assim, é possível que os personagens com um passado mais distante, tenham contato com acontecimentos de toda ordem, de guerras a datas históricas importantes.
Como exemplo, podemos citar o personagem Jonah Hex, da DC Comics. Originalmente um personagem de histórias de faroeste com elementos de Terror, em determinado momento Hex passou a viajar no tempo e conhecer os super-heróis da editora, chegando a viver aventuras com eles.
A segunda dessas “liberdades” diz respeito a uma prática comum já há muitos anos entre as duas maiores editoras de quadrinhos de super-heróis, a DC e a Marvel. Cada qual tem um “rótulo” para identificar histórias que propõem exercícios de imaginação sobre alguma outra história já narrada; na Marvel elas se chamam “O que aconteceria se...?” (e completa-se a frase do título com o acontecimento a ser mudado) e na DC se emprega um termo de tradução difícil para o português, “Elseworld”, de modo que nas vezes em que não se manteve o nome original usou-se a tradução livre “Túnel do Tempo”. Segundo Eco (1976), as histórias ambientadas em um mundo de sonho ou algo similar, de modo que os acontecimentos podiam se revelar como falsos ou meras possibilidades de um futuro para o personagem, já eram comuns nas décadas de 1950 e 1960. Porém, na maioria das vezes, essa possibilidade se desfazia com a revelação da
condição de sonho ou imaginação que o personagem estava experimentando. Nas histórias mais recentes descritas por Levitz, essa revelação não está presente, de modo que qualquer acontecimento visto no enredo não é menos verdadeiro do que outras histórias do personagem.
Histórias desse tipo são feitas por ambas as editoras desde o princípio de suas atividades, mas alguns exemplos recentes apresentam uma relação com a tradição dos quadrinhos, nos termos que apresentamos no capítulo dois. Algumas dessas histórias têm abordado a importância histórica de alguns personagens mais conhecidos, modificando assim não uma passagem da vida desse personagem, mas toda história do cenário, com todos os outros personagens que são influenciados pelas ações daquele herói.
Como dissemos no capítulo dois, por sua importância histórica, como primeiro super-herói publicado nos quadrinhos, o Superman é freqüentemente alvo de ações como essas. Já analisamos releituras do personagem feitas por autores em outras editoras, de modo que precisam dar um outro nome para não ferir os direitos que a DC Comics tem sobre a marca. Agora mostraremos dois exemplos feitos pela própria DC, em que apesar das mudanças drásticas no enredo e caracterização, o personagem ainda seria uma variação do Superman que o público conhece.
Na minissérie Superman: Entre a Foice e o Martelo, a proposta é imaginar como
seriam os fatos se o foguete que trouxe o bebê kryptoniano à Terra, ao invés de ter caído nos Estados Unidos, caísse na União Soviética. A data da chegada do bebê é aproximadamente a da publicação das primeiras histórias do personagem, em 1938, de modo que ele se torna adulto em meados da década de 1950. Dessa forma, ao invés de ser criado como um cidadão do interior dos Estados Unidos, o Superman cresce como um camponês sob o governo do Joseph Stalin.
Figura 4.1: Superman: Entre a foice e o martelo
A história mostra que apesar das diferenças culturais entre os dois países, o personagem continua sendo o maior herói da humanidade. Desvinculando o herói de um país específico, os autores tendam afastá-lo de um senso comum que diz que todo super- herói reflete a ideologia e os valores culturais norte-americanos. Espera-se, pela condição de super-herói original dos quadrinhos, que o Superman consiga superar este estigma na maioria das vezes bem fundamentado.
Outra história chamada A corporação do Superman mostra um mundo em que o Superman não existe e, conseqüentemente, nenhum outro super-herói. Nem mesmo a idéia de super-heróis enquanto personagens de quadrinhos existe sem o Superman nesse ambiente. O Superman desta história é um atleta de altíssimo nível que se promove em uma série de produtos com sua imagem. Quando ele próprio sugere a seus empresários que se façam revistas em quadrinhos em que ele apareça realizando façanhas sobre- humanas, como saltar grandes distâncias e resistir a tiros, indícios de que ele estaria se tornando o Superman que conhecemos começam a aparecer.
Um outro recurso das histórias que fazem esse tipo de releituras de histórias antigas é recriar cenas “canonizadas” pela tradição dos quadrinhos para depois apresentar a novidade de outro ponto de vista dos acontecimentos já conhecidos da vida de um personagem. O estilo dos autores originais e até mesmo as condições do suporte da revista podem ser trabalhados para sugerir que aquele acontecimento do passado está relembrado e revivido.
Na seqüência de páginas a seguir, da série Alias, da Marvel Comics, é apresentada a história da personagem Jessica Jones, criada naquela história mas com um passado que remonta a diversos acontecimentos bem conhecidos das revistas de super- heróis da Marvel. A primeira página dessa seqüência é uma releitura da primeira página da primeira história do Homem-Aranha, feita da forma como o artista original, Steve Ditko, a desenhou. O desenhista atual chega a adaptar seu estilo para assemelhar-se ao de Ditko, além de indicar com a expressão “after Ditko” (depois de Ditko) no canto da primeira páginas que a imagem foi feita sobre o seu original. A técnica de colorir busca imitar, de forma um pouco exagerada, o colorido de revistas antigas. Além disso, o próprio papel é amarelado como se fosse envelhecido.
Assim como a imagem original, esta ocupa a página inteira. A partir da segunda página, o foco do leitor é levado a se concentrar em detalhe do segundo plano da ação, até chegar ao lugar em que estaria a personagem a ser apresentada.
Figura 4.2: Alias
Com relação à última liberdade apresentada por Levitz, vemos como ela funciona na própria obra, a partir da análise a seguir.