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6. SONUÇ VE ÖNERİLER

6.2. Öneriler

6.2.2. İleride Yapılabilecek Araştırmalara Yönelik Öneriler

Outro aspecto que precisa ser ressaltado está relacionado ao fato de que três alunos tiveram que trabalhar individualmente na sala de informática para que pudessem desenvolver melhor a aprendizagem sem prejudicar seus pares. São eles: o aluno AR, o aluno TA e o aluno RO.

O fato é que tiveram que ficar cada um em uma máquina por serem muito inquietos; entretanto, cada um teve sua experiência particular com o computador e isso está retratado nos desenhos e no depoimento da professora sobre os mesmos.

Os alunos AR e TA ficaram menos agitados, apesar de, durante todo o ano, não conseguirem fazer a atividade no suporte digital junto com outro colega de turma. Quanto ao aluno RO, esse não melhorou em nada seu comportamento, pelo contrário, conseguiu usar o computador para expressar sua agressividade.

No entanto, ficam as perguntas: Qual a relação entre melhora no comportamento e o uso do computador? Há alguma influência? Como saber se isso se deve ao uso do computador ou a outros fatores?

Certamente que o computador não melhora o comportamento dos alunos mais agressivos ou agitados, mas, no caso desses alunos que acompanhamos, percebemos que o uso de mais um suporte de escrita (o computador), no processo de alfabetização, foi um diferencial.

Compreendemos que isso se deu pelo simples fato de tal suporte ser valorizado socialmente, despertando o interesse desses alunos em aprender a usá- lo e, por conta disso, acabaram tendo que pensar sobre a escrita para conseguirem realizar as tarefas propostas no computador.

Como mostraremos mais adiante, através dos desenhos dos três alunos citados, que todos têm uma ideia do que seja um computador; mesmo que os alunos TA e RO não possuam computador, os dois têm uma noção de como seja um. O aluno AR desde o início tinha acesso ao computador de sua tia e no transcorrer do ano o pai pôde comprar um para a família, o que o deixou muito feliz.

Observemos primeiro os desenhos dos alunos e depois alguns trechos de entrevista sobre cada um, seguidos de comentários:

Aluno AR

FIGURA 8 – Desenho 1 do aluno AR: O aluno me disse enquanto fazia o desenho que na casa da tia dele tinha computador

FIGURA 9 – Desenho 2 do aluno AR: no retângulo está escrito: “A MINHA AULA FAVORITA.” Nos balões, ele escreveu: “CURUJA”; “DOENDE”; “PAPAINOEU”

Trecho de entrevista com a professora F comentando sobre os alunos A; essa entrevista se deu após a realização das atividades 1, 2 e 3 em que os alunos tiveram de usar o programa Kolorpaint para desenhar e digitar o próprio nome:

Professora F: O aluno AR [...] é ansioso [...], todo desorganizado, muito imaturo; eu estou dando aula, ele está vendo figurinha, brincando de tapão, é disperso [...] A família do aluno AR nunca vem à escola e parece que ele não está ligando.

Pesquisadora: Eu percebi assim que ela [aluna V] fez a tarefa; ele tentou, mas não conseguiu. Mesmo assim, colocou o nome dele e pronto.

Professora F: Tenta, o que sair, ele entrega.

O aluno AR ao longo do ano pôde desenhar e manifestar aspectos de sua afetividade pelo computador, expressos nos corações de seu desenho; aprendeu a interagir com a máquina e, aos poucos, desenvolveu a leitura e a escrita do texto digital (no início com mais dificuldade e, por fim, com mais autonomia). Entretanto, precisava ainda aprender a ser disciplinado como ressaltou a professora F. Na 8ª atividade em que tinha que trabalhar com as letras do alfabeto em um joguinho,

aprendeu a passar de fase sem vencer a anterior, isto é, passava de fase, mas depois tinha que voltar à anterior porque não dava conta do nível de dificuldade.

Analisamos que a sala de informática foi um bom espaço para aprender a lidar com etapas, fases. Os jogos educativos, por exemplo, foram fundamentais para o aluno AR, pois ele percebeu que mesmo que tentasse burlar a regra, por fim tinha que voltar atrás; percebemos que ele se concentrou mais no 2º semestre quando iniciamos as atividades na internet, pois ficou curioso com a novidade de ter um endereço digital, de visitar sites.

Com isso, procurou estar atento para aprender a lidar com esse espaço virtual e com suas normas. Consequentemente, também desenvolveu mais a leitura e a escrita para saber onde clicar ou digitar seu endereço virtual e escrever mensagens aos colegas no e-mail e no blog.

Aluno TA

FIGURA 11 – Desenho 2 do aluno TA: O aluno TA pediu para que escrevesse em cima do desenho que fez da escola o seguinte: “ESTA É A ESCOLA E O COMPUTADOR FICA NA PARTE DE CIMA, PORQUE É IMPORTANTE”

Na última entrevista com a professora F, após a atividade de e-mail, da visita ao blog da turma e ao site do Menino Maluquinho, ela fez o seguinte comentário sobre o aluno TA:

Professora F: O aluno AR é o seguinte: ele não faz, não por não dar conta, mas porque não é importante para ele. Não faz por não querer. Ele tem competência, mas tem dificuldade em seguir regras. É diferente do aluno TA que tem dificuldades, mas se ele quer aprender, não desiste. [...] tem o desejo imenso de acertar [...]. Por exemplo, o jogo dos sete erros desse site [refere-se ao site do Menino Maluquinho] é difícil e o detalhe é que eles estavam fazendo em trio: o aluno TA, o aluno GB e o aluno RF. Quando o GB e o RF descobriam mostravam para o TA e quando ele descobria mostrava para os meninos; teve uma hora que eu até disse: “Ó GB, não mostra!” E o mesmo respondeu: “Amizade, você não disse que um amigo ajuda outro amigo?” E completei: “Mas não põe o dedão apontando a resposta, né?” O aluno TA ficou numa satisfação imensa hoje porque os meninos chamaram-no para jogar junto com eles e normalmente os meninos não têm paciência com ele por ser muito inquieto; mas nessa atividade o fato dos meninos terem o colocado no grupo, fez com que se sentisse responsável também em colaborar [...].

O aluno TA foi um caso especial; no início, ele não tinha a menor noção de como usar um computador. Compreendemos ser natural que no desenho do final

do ano colocasse o computador como algo importante para ele. Realmente, foi fundamental no processo de desenvolvimento de sua escrita esse suporte de texto (a professora F atesta isso em seu depoimento e reforçamos essa afirmação). O aluno TA foi um dos que mais aproveitaram essas aulas no laboratório de informática, não só para fazer descobertas sobre a escrita como para aprender a lidar com o computador. Ele é uma criança muito desconcentrada e desorganizada como a professora colocou, mas se esforçou muito para aprender.

Observamos como tudo foi desafiador para ele. Aprender a copiar texto na caixa de texto e clicar para desenhar fora da mesma, controlar o mouse para clicar e desenhar, digitar e-mail; ele aproveitou muito as visitas aos sites, pois como é uma criança que não tem acesso fora da escola a esse tipo de espaço para ler, escrever e se divertir através dos jogos, procurou ficar atento a tudo que explicávamos e nos solicitava muito para ajudá-lo em suas dificuldades, mas nunca com desânimo e sim com muita vontade de acertar, como coloca a professora F em sua entrevista.

Marco Silva (2001, p. 23), ao fazer referência ao que denominou “sala de aula interativa” onde se usa a “nova modalidade comunicacional”, descreve outra postura do aluno diante do conhecimento, isto é:

O aluno [...] passa de espectador passivo a ator situado num jogo de preferências, de opções, de desejos, de amores, de ódios e de estratégias, podendo ser emissor e receptor no processo de intercompreensão. E a educação pode deixar de ser um produto para se tornar processo de troca de ações que cria conhecimento e não apenas o reproduz.

Pelo que percebemos da vivência dos alunos AR e TA com o novo suporte de texto, a postura dos mesmos teve que mudar e isso foi muito construtivo no processo de aprendizagem deles e até mesmo concorreu para certa melhora na concentração, quando a atividade (no computador) era feita individualmente (concentração que em sala de aula não acontecia em atividades individuais e tampouco em grupo). Nesse sentido, entendemos que as contribuições do uso do computador tendem a ser cada vez mais efetivas à medida que as crianças tiverem oportunidades diversas de experimentarem a escrita no computador, em várias situações comunicacionais, como as oportunizadas através da pesquisa.

Aluno RO

FIGURA 12 – Desenho 1 do aluno RO

Na última entrevista com a professora F, após a atividade de e-mail, de visita ao blog da turma e ao site do Menino Maluquinho, ela fez o seguinte comentário sobre o aluno RO:

O aluno RO tem um histórico que quando chegou aqui, ele batia nos colegas, muito agressivo; eu conversei com a mãe e ela me disse que o RO estava desse jeito por causa da convivência com crianças de 12 anos na outra escola onde fica à tarde. [...] incentivavam-no a não fazer o para casa, a ser rebelde...; outra coisa é o problema seríssimo de visão que ele tem. Ele escreve grande e para enxergar tem que ficar perto mesmo; então, juntando essas duas coisas, ele não consegue se relacionar bem com os colegas de turma. Ele fala só agredindo: “Seu pai bebe.”; “Eu vi seu pai cheirando.” [...] Ele senta na frente por causa da vista, mas escreve texto, já sabe ler alguma coisa; ele é competente, só que não se relaciona bem com os colegas.

Chama atenção no aluno RO seu alto nível de agressividade, o que fez com que tivéssemos que colocá-lo para trabalhar sozinho no laboratório. Enquanto fez par com a aluna JU, ele queria monopolizar o mouse e clicava desesperadamente, saindo o tempo todo dos programas onde se realizava a atividade. Ele e a aluna JU brigavam em todas as aulas e não conseguiam fazer suas atividades. À medida que o colocamos sozinho para fazer as atividades, ele conseguiu dominar melhor o mouse e concluir as tarefas com sucesso.

Todavia, a agressividade novamente aflorou na atividade de e-mail. O aluno R0 só enviava e-mail com a seguinte mensagem: “VOCÊ É UM BIRUTA.” Conversamos com o mesmo, argumentamos que se o assunto combinado com toda a turma era AMIZADE, aquele tipo de texto não combinava. Apesar de todas as reflexões que fizemos com ele, o mesmo ainda insistiu nessa mensagem. Depois descobrimos, ao entrarmos em seu endereço de e-mail, que um colega de turma havia passado essa mensagem para ele anteriormente; ele já havia lido essa mensagem e, a partir daí, resolveu mandar a mesma mensagem para seus colegas.

A professora F em entrevista esclareceu-nos que os colegas só transferiram para o e-mail aquilo que costumavam dizer sobre ele em sala de aula ou no recreio por conta dos comentários que o aluno R fazia sobre seus pais, tais como: “Seu pai bebe.”; “Eu vi seu pai cheirando.”

Sabemos que, se essa agressividade não for bem resolvida, tanto o aluno RO quanto o resto da turma poderão descobrir mais tarde que na internet é possível

dar ainda mais vazão à violência através de vídeos, imagens manipuladas, comunidades de bullying, enfim, conhecerão formas de construírem textos virtuais violentos, assim como alguns jovens se utilizam das pichações para extravasar toda a fúria que trazem dentro de si.

É preciso ficar alerta a isso desde o início da apropriação da escrita virtual ; é inevitável que apareçam situações de agressividade, principalmente no mundo de hoje em que as crianças estão cada vez mais em contato com a violência, mas devemos mostrar outras formas de dizer o que queremos, virtualmente ou não, mais gentis e amigáveis.

Benzer Belgeler