5.2. Öneriler
5.2.2. İleri Araştırmalara Yönelik Öneriler
Dos 92 moradores entrevistados, apenas um (0,7%) disse não conhecer nenhum animal da ESEC Seridó; os demais citaram um ou mais animais nativos, tendo sido contabilizados um total de 514 (quinhentas e quatorze) citações, das quais 58 (cinquenta e oito) foram identificados como sendo diferentes animais, já as citações de animais exóticos à Caatinga, foram descartadas para este estudo.
A classificação zoológica vernacular corresponde a como os seres humanos percebem, identificam e utilizam os animais, levando em conta os costumes e percepções próprias de cada cultura (BEGOSSI, 2003; RAZERA et al., 2006), onde se observou que os moradores percebam e citem mais os animais com os quais eles apresentam maior afinidade, seja ela emocional ou utilitária.
As citações feitas pelos entrevistados durante este estudo, correspondem a sete grupos zoológicos: Aves (32%), Mamíferos (29%), Répteis (19%), Insetos (12%), Anfíbios (3%), Aracnídeos 3% e Peixes (2%: Figura 2). Estes resultados mostram que os vertebrados são mais citados que os invertebrados, corroborando os dados obtidos por Silva (2006), Torres et al. (2007) e Razera et al. (2001), os quais relatam a maior facilidade de perceber animais de maior porte, de uso utilitário e que tenham maior contato no cotidiano dessas populações.
32% 29% 19% 12% 3% 3% 2% 0% 10% 20% 30% 40% Aves Mamíferos Répteis Insetos Anfíbios Aracnídeos Peixes G ru po s Z oo ló gi co s
Figura 2. Percentual dos grupos zoológicos citados pelos moradores do entorno da ESEC Seridó, Serra Negra do Norte, RN, como ocorrentes nesta Estação.
Os Mamíferos foram identificados em 17 nomes vernaculares diferentes, os “répteis” em 11 e as aves em 18. Os anfíbios corresponderam a 08 citações, e 02 foram aos animais citados: os sapos (89%) e gias (11%), ambos pertencentes ao táxon dos Anuros (Tabela 1). As pererecas não foram citadas, mesmo sendo animais abundantes na região, provavelmente, por serem arborícolas e não fazerem parte do cotidiano das comunidades. Os peixes receberam apenas 01 (uma) citação, com o nome de peixe. Já
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os invertebrados, com 19 citações, aqui identificados como insetos e Aracnídeos, foram classificados em 09 (nove) grupos vernaculares (Tabela 1). Os animais invertebrados, apesar de terem um menor porte que os peixes, participam mais do dia-a-dia das pessoas que habitam áreas naturalmente vegetadas, como é o caso da ESEC Seridó. Outros estudos semelhantes como os de Costa-Neto, (2000) e Silva, (2006) demonstram que animais terrestres como as aves e os mamíferos, e até os invertebrados, como os insetos, são mais citados do que os peixes.
Tabela 1. Lista dos nomes vernaculares dos animais nativos da Caatinga, citados nas entrevistas, relacionados por Táxon, número de citações e usos.
Táxon
Nome
Vernacular citações Nº. de Uso1 Grupo
mais abrangente
Ordem
Insetos Blattariae Barata 01 4
Hemiptera Barbeiro 01 4 Coleoptera Besouros 03 4 Lepidoptera Borboleta 01 4 Hymenoptera Formiga 01 4 Orthoptera Grilo 01 4 Diversas Insetos 04 4
Aracnídeos Araneae Aranha 06 4
Scorpiones Escorpião 01 4
Peixes Peixe 01 2
Anfíbios Anura Gia 01 4
Sapo 08 4
Répteis Testudines Cágado 04 1, 2, 4
Jabuti 04 2, 4 Squamata Calango 02 4 Camaleão 06 2, 3, 4 Cascavel 07 1,4 Cobra 57 1, 2, 4 Cobra de viado 09 1,4 Jararaca 02 1,4 Lagarto 01 4 Teju (Tijuaçu) 26 1, 2, 4 Crocodilia Jacaré 08 2, 4
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Aves Passeriformes Bem-te-vi 01 2
Casaca de couro 03 2 Canário 09 2, 3, 4 Concriz 04 2,4 Galo de campina 03 2, 4 Golinha preta 02 2 Graúna 02 2 Falconiformes Carcará 02 4 Gavião 14 4
Columbiformes Asa branca 05 4
Juriti 02 3
Cuculiformes Anu 02 4
Anseriformes Marreca 03 2
Strigiformes Coruja 03 4
Struthioniformes Ema 58 1, 2, 4
Gruiformes Galinha d'agua 02
2, 4
Podicipediformes Mergulhão 01 4
Aves 04 2, 4
Mamíferos Carnívora Gato azul 02 2, 4
Gato do mato (mirim) 11 2, 4 Gato vermelho 08 2, 4 Gato maracajá 02 4 Raposa 41 1, 4 Onça 04 5 Didelphimorphia Gambá 02 4 Guaxinim 19 2, 4 Ticaca 09 1, 2, 4 Timbu 05 2, 4 Rodentia Cutia 04 2, 4 Preá 18 2 Mocó 08 2, 4 Xenartra Peba 52 2, 4 Tamanduá 07 2, 4 Tatu (verdadeiro) 43 2, 4 Primates Macaco 04 4 Total = 58 Total= 514
1. Legenda. 1 - Uso Medicinal. 2 - Alimentação humana. 3 - Uso doméstico. 4 - Nada e/ou para a natureza.
O Animal mais lembrado pela população foi a ema com 58 citações, seguida pela cobra com 57, peba com 52, tatu (verdadeiro) com 43 e a raposa com 41 citações. Esses
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dados podem ser justificados pelo fato de que esses animais participam muito do cotidiano da população, são animais de maior porte, e no caso das emas e raposas além de invadirem com freqüência as propriedades dos moradores, são utilizados como alimento, em uso medicinal ou ambos (Tabela 1).
Dos 05 (cinco) táxons de Mamíferos, o que teve maior representatividade foi Carnívora com (34%), seguido por Didelphimorphia com (24%). O mamífero mais citado foi o Peba (Xenartra), Este resultado confirma o constatado por Silva (2006), que justifica os Carnívora como os mais citados por serem animais com maior contato com o homem, muitos deles constituindo alimento para as populações (RAZERA et al., 2006), além de serem usados no tratamento de doenças (ALMEIDA e ALBUQUERQUE, 2002).
Para as aves foram citados nomes vernaculares que correspondem a 13 (treze) táxons; o que apresentou maior representatividade foram os Passeriformes (45%), seguido por Falconiformes e Columbiformes com 11% cada (Tabela 1). A Ema (Struthioniformes) foi o animal mais lembrado, com 58 citações, que correspondem a 31% das aves citadas (Tabela 1). Esta é a ave de maior porte da ESEC e do seu entorno, aparece bastante nas plantações e também tem uso medicinal e como alimento humano, outro fator importante para a citação da ema é que este animal, anteriormente extinto na região, foi re-introduzido com a instalação da ESEC naquela região.
Para os anfíbios ocorreram 08 (oito) citações que correspondem ao táxon Anura, e o animal mais representativo do grupo foi o sapo com 87% (07) das citações, seguido pela gia com 13% (01 citação). Os anfíbios foram poucos citados provavelmente, porque despertam na população sentimento de aversão e não são considerados úteis, como relatado pelos moradores entrevistados. Além disso, estes animais são escassos durante as estações secas, período em que a maioria das entrevistas foram realizadas.
No grupo dos Répteis, o animal mais citado foi a cobra com 57 citações (Tabela 1). Além de citado como um animal de múltiplo uso pela população, provoca medo e respeito por parte das pessoas entrevistadas.
O Grupo dos Invertebrados, que teve a aranha com o maior número de citações (33%) na fala dos moradores, teve também os insetos (Blattarie, Hymenoptera, Coleoptera, Lepidoptera, Hemiptera e Ortoptera) como o táxon mais representativo, com 63% das citações, seguido pelos Arachnida (Aranhas e Escorpiões) com 12 citações. Os invertebrados citados pelos entrevistados são os mesmos que normalmente aparecem nas casas das pessoas, como as aranhas e os escorpiões, e estes são os
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mesmos animais citados com maior representatividade em estudos de etnozoologia efetuados a partir da percepção de populações tradicionais (ROCHA-MENDES, 2005; SANTOS-FITA e COSTA-NETO, 2007).
Usos atribuídos aos recursos faunísticos
Foram 04 (quatro) as categorias de uso identificadas nas entrevistas dos moradores (Figura 3); a que teve maior representatividade, foi a de número 1 (Tabela 1), que corresponde a nada e/ou natureza (Figura 3) com 53% das citações. Isto ocorreu pelo fato de que muitos dos animais quando não eram utilizados para alimentação e/ou tratamento de doença, normalmente eram citados pelos moradores como não servindo para nada, ou servindo apenas para a natureza.
53% 34% 10% 3% 0% 20% 40% 60% 1 2 3 4 C at eg or ia s de U so
Figura 3. Percentual da distribuição das espécies de animais levantadas de acordo com a categoria de uso pelas comunidades pesquisadas no entorno da ESEC Seridó. Legenda: 1. Nada e/ou para a Natureza. 2. Alimentação Humana. 3. Uso Medicinal. 4. Uso Doméstico.
A segunda categoria mais citada e de uso pela comunidade foi a de numero 2 (Tabela 1), ou seja, alimentação humana (Figura 3), com 34% das respostas, pois os animais mais citados como o peba, a ema e o tatu (verdadeiro), são animais largamente utilizados na alimentação da população pesquisada. Outros estudos que incluem o item alimentação nos usos dos pesquisados também apresentam esta categoria como a de maior expressividade (SILVA, 2006; RAZERA et al., 2006).
Os animais com propriedades medicinais citados pelos moradores pertencem a cinco táxons, dos quais os Répteis são os mais expressivos. A cobra foi o nome vernacular com o maior número de indicações medicinais, com seis tratamentos indicados (Tabela 2). Este resultado é semelhante ao encontrado por Alves et al. (2006) que detectou que as cobras são utilizadas em tratamentos de doenças reumáticas, dores musculares, dentre outras. A raposa, indicada para cinco tratamentos (Tabela 2), apesar
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de bastante citada neste estudo para o uso medicinal, não foi citada com esta finalidade em outros estudos similares (ALMEIDA e ALBUQUERQUE, 2002; COSTA-NETO e RESENDE, 2004; SILVA, 2006).
Tabela 2. Animais de usos medicinais de acordo com os moradores do Entorno da ESEC Seridó, relacionados por nome vernacular, táxon, tratamento, classificação da doença (OMS CID – 10) e parte do animal utilizada.
Nome vernacular/ táxon Tratamento indicado Classificação da doença Parte do animal utilizada
Cágado/ Testudines Dor na coluna V Carne
Cascavel/ Squamata Antiinflamatório/ garganta/ reumatismo VII, IV, V Banha Cobra/ Squamata Antiinflamatório/ garganta/ câncer/ analgésico/ reumatismo/ cicatrizante II, IV, I, III, V, VII Banha Cobra de veado/
Squamata
Garganta/ Antiinflamatório/
analgésico/ reumatismo/ enfermidade
de animais IV, II, III, V, VII Banha
Ema/ Struthioniformes Dor nos ossos V Banha
Jararaca/ Squamata Reumatismo XV Banha
Raposa/ Carnívora Antiinflamatório/ hemorróidas/ garganta/ reumatismo/ rachão dos pés II, VI, IV, V, VII Banha Teju (Tijuaçu)/ Squamata Antiinflamatório/ garganta II, IV Banha
Ticaca/ Didelphimorphia Reumatismo V Carne
1. Legenda. I - Neoplasias [tumores]. II – Inflamações gerais. III – Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório, não classificados em outra parte. IV - Doenças do aparelho respiratório. V - Doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo. VI - Doenças do aparelho geniturinário. VII - Lesões, envenenamento e algumas outras conseqüências de causas externas. Fonte: OMS – CID -10.
As doenças tratadas por animais medicinais mais lembradas pelos moradores e classificadas de acordo com as orientações da OMS (Organização Mundial de Saúde), foram as doenças do tecido osteomuscular e do tecido conjuntivo, como as dores na coluna e reumatismo, com 28% das citações (Figura 4). Em segundo lugar, com 24% das citações, estão as lesões, envenenamento e outras conseqüências de causas externas, como as picadas de cobra e os cortes em geral; com 20%, ficaram as doenças do aparelho respiratório (gripes, resfriados e sinusites; Figura 4).
- 40 - 28% 24% 20% 16% 4% 4% 4% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 7. 6. 5. 4. 3. 2. 1. C la ss if ic aç ão d as d oe nç as
Figura 4. Percentual de doenças identificadas como tento tratamento, por uso de animais citadas nas entrevistas da população do entorno da ESEC Seridó. Legenda. 1. Neoplasias [tumores]; 2. Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório, não classificados em outra parte; 3. Doenças do aparelho geniturinário; 4. Inflamações gerais; 5. Doenças do aparelho respiratório; 6. Lesões, envenenamento e algumas outras conseqüências de causas externas; 7. Doenças do sistema osteomuscular e tecido conjuntivo.
As partes do corpo do animal utilizadas para os tratamentos foram: banha (correspondente ao tecido adiposo do animal; 55%) e Carne (18%). Estes resultados são próximos aos encontrados em estudos de animais medicinais como as cobras (ALVES, 2006), mamíferos e outros répteis com uso medicinal (ALMEIDA e ALBUQUERQUE, 2002), nos quais são utilizadas as mesmas partes do corpo desses animais para os tratamentos indicados pelas comunidades entrevistadas.
Animais como algumas jararacas, bastante citadas para o uso medicinal, correspondem a espécies endêmicas da Caatinga (Eliza Maria Xavier Freire, com. pes.). Outros animais citados para a alimentação como o gato-do-mato e o tamanduá, são citados na lista do Ministério do Meio Ambiente, como parte da fauna brasileira ameaçada de extinção. A população, na maioria dos casos não tem conhecimento do perigo aos quais estas espécies estão submetidas, e quando são informados da necessidade de se manejar de maneira adequada à sobrevivência dessas espécies ameaçadas, podem mudar sua forma e agir e pensar, especialmente em áreas de conservação, como já mostrado em outros estudos (SANTOS et al., 2000b).
CONCLUSÃO
Os animais mais lembrados e citados pelos pesquisados são aqueles de maior porte, de mais utilidade para a comunidade (p.ex. alimentação e medicinal), e os mais visíveis durante o dia. Os usos alimentar e medicinal se destacam como relevantes em
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uma região carente, mas também demonstram a manutenção da cultura e dos usos tradicionais nessas comunidades. Portanto, o conhecimento da população mostrou-se rico, pois muitas foram as espécies nativas da Caatinga citadas pela população, o que revela que estudos como este resgatam costumes e podem constituir o ponto de partida para uma parceria entre a comunidade local, a científica e os gestores, em prol da gestão adequada e conseqüente conservação da ESEC Seridó.
Observam-se nessas comunidades os usos coerentes nas indicações dos medicamentos, e uma tradição nessas práticas, o que poderia subsidiar estudos farmacológicos para o uso de animais na medicina. Outra prática seria utilizar alternativas de substituição de alguns animais ameaçados, e mais amplamente aplicados nos usos medicinais, por outros que estejam mais disponíveis e não ameaçados de extinção, para uma utilização sustentável desses recursos animais.
AGRADECIMENTO
Os autores agradecem aos moradores do entorno da ESEC Seridó, por suas contribuições e informações utilizadas para a elaboração deste estudo. Agradecem ao Professor Adalberto Antônio Varela Freire, pela contribuição com a identificação das espécies deste estudo.
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Capítulo 03.
ABORDAGEM ETNOBOTÂNICA SOBRE PLANTASMEDICINAIS CITADAS POR POPULAÇÕES DO ENTORNO DE UMA