2. KURAMSAL BİLGİLER VE LİTERATÜR TARAMASI
2.7. İlaçların Ağız Sağlığına Etkileri
Existem poucos estudos em humanos sobre as alterações imunológicas induzidas pelo trabalho em turnos, sendo os resultados divergentes. Dentre estes, algumas investigações não encontraram alterações no comportamento das citocinas inflamatórias após 24 horas de trabalho contínuo em médicos de uma unidade de terapia intensiva (Matejovic et al., 2011). Corroborando com estes dados, o estudo de Copertaro e colaboradores (2011) verificou longitudinalmente o efeito do trabalho em turnos comparado com o trabalho diurno fixo em enfermeiras nos marcadores do sistema imunológico (contagem de: linfócitos T CD4+ e CD8++, CD8+CD57+, células B e células NK; citocinas: IL-1 , IL-6, INF- , TNF ; respostas proliferativas dos linfócitos; citotoxidade das células NK; e cortisol). Nenhuma das variáveis estudadas diferiu entre os grupos na linha de base e 12 meses após. Os autores sugeriram que o trabalho em turnos não necessariamente afeta de forma negativa o sistema imune. Somando-se a isso, os autores concluíram que este quando realizado por muito tempo, leva a uma adaptação crônica do estresse e que possivelmente repercute no eixo neuro-imuno- endócrino. Em 2010, Van Mark e colaboradores fortificaram estes achados por não terem encontrado diferenças entre as concentrações plasmáticas de IL-6, TNF- e contagem de linfócitos, apesar da privação de sono nos trabalhadores em turnos comparados com os diurnos.
Em contraste, outros estudos demonstraram o efeito negativo sobre o sistema imunológico de trabalhadores em turnos. Após a retirada do trabalho em turnos por motivo de greve, observou-se uma diminuição significante na produção de IL-6, IL-10 e
IL-1RA e um aumento significante na produção de IL-2, além de forte tendência para a diminuição das concentrações de TNF- . Por outro lado, as concentrações de IL1- não se alteraram, concluindo que o trabalho em turnos potencializa a produção das citocinas pró-inflamatórias (Beilin et al., 2006). Outro estudo verificou o aumento da contagem leucocitária associado ao trabalho em turnos rodiziantes, considerando esta variável como um marcador biológico de inflamação sistêmica (Sookoian et al., 2007). Lavie & Lavie (2007) verificaram uma alta concentração de homocisteína sanguínea em trabalhadores em turnos que se queixavam de distúrbios do sono e os que tinham idade acima de 40 anos, quando comparados com trabalhadores sem queixas de sono, mais novos ou trabalhadores diurnos. Os resultados de outro grupo sugerem que trabalhadores noturnos ou trabalhadores diurnos que largaram o turno noturno recentemente apresentam maior inflamação sistêmica, mensurada pelas concentrações de proteína C-reativa e leucócitos circulantes (Puttonen et al., 2011). Khosro et al., em 2011, verificaram a relação entre trabalho noturno e o aumento significante dos marcadores inflamatórios IL-6, proteína C-reativa, leucócitos, neutrófilos, linfócitos e plaquetas após trabalho noturno comparado com dados coletados após trabalho diurno. TNF- também apresentaram valores superiores, mas não estatisticamente significantes. Cabe ressaltar que todos estes estudos comentados nos dois últimos parágrafos sobre as alterações imunes induzidas pelo trabalho em turnos em experimentos com humanos foram realizados por meio de coleta de amostra sanguínea.
Por outro lado, um estudo atual do nosso grupo publicou dados preliminares onde estes resultados sugerem que o trabalho noturno pode perturbar o padrão de variação salivar de IL-1 . Entretanto, nenhuma associação foi encontrada com as variáveis do sono (Reinhardt et al., 2012). Na continuação deste mesmo estudo, dados complementares demonstraram que o trabalho noturno foi associado com a perda do
ritmo de secreção do cortisol e IL-6. Os ritmos diários do TNF- e IL-1 foram ajustados ao ciclo vigília-sono adotados pelos trabalhadores do turno noturno durante os dias de trabalho. Entretanto, não houve diferença nas concentrações de cortisol, TNF- , IL-1 , IL-6 na comparação entre os turnos de trabalho (Reinhardt et al., 2013).
Alguns autores sugerem que os efeitos impostos à temporização circadiana pelo sistema imunológico inato são mediados por citocinas pró-inflamatórias no SNC (Kwak et al., 2008).
Desta forma, podemos verificar que não apenas o sistema circadiano regula o sistema imunológico, mas também as moléculas imunológicas sinalizadoras afetam os ritmos circadianos perifericamente. Entretanto, o impacto específico que o trabalho noturno acarreta sobre as respostas imunológicas, ao induzir a dessincronização crônica dos ritmos circadianos, não está completamente esclarecido até o momento atual.
2.
JUSTIFICATIVA
Evidências científicas demonstram que o trabalho em turnos e noturno tem sido associados à privação parcial crônica do sono e ao aumento da concentração de citocinas inflamatórias em trabalhadores.
Estudos indicam que existe um processo bidirecional, no qual a privação do sono causa aumento na inflamação, assim como, a indução da resposta inflamatória pode alterar a qualidade e quantidade de sono. Muitas condições patológicas em trabalhadores em turnos e noturno compartilham o fator de risco comum da inflamação. Entretanto, não há conhecimento sobre a associação entre o fator organizacional turno noturno de trabalho e a dessincronização dos ritmos biológicos dos marcadores do processo inflamatório. É plausível supor que a mudança na modulação das citocinas inflamatórias possa interferir em uma gama de processos fisiológicos, principalmente relacionadas ao sistema imunológico, que por sua vez, interferem na resposta de proteção do corpo contra a instalação de dor, fadiga e, mais posteriormente, de morbidades. Tais alterações imunológicas e inflamatórias podem ser o mecanismo comum para a miríade de efeitos negativos na saúde dos trabalhadores em turnos.
Os determinantes sociais e ambientais e suas relações com o processo saúde– doença têm trazido discussões relevantes no âmbito da Saúde Pública. Os fatores ambientais relacionados à organização do trabalho e condições ambientais, em conjunto com indicadores sociais, são elementos importantes na indução da geração de iniquidades na saúde dos trabalhadores.
Já se sabem que as doenças relacionadas ao trabalho são, na atualidade, um problema de Saúde Pública, envolvendo um grande investimento financeiro do Estado, empresas e, principalmente, diminuindo a capacidade laboral do indivíduo.
O presente estudo parte do pressuposto que a compreensão de marcadores biológicos do processo inflamatório, em conjunto com informações referidas pelos trabalhadores, revelará o papel da organização do trabalho no desenvolvimento e/ou agravamento do processo patológico. A partir dos achados deste estudo, poderemos propor intervenções na organização do trabalho para reduzir os processos inflamatórios associados com o trabalho em turnos e suas consequências no estado de saúde destes trabalhadores.