BÖLÜM 3: BÜYÜK DOĞU VE HAREKET DERGİSİ’NDEKİ İKTİSADİ
3.4. İktisadi ve Mali Yapı
3.4.10. Para
O Códice de Leningrado B19a também conhecido como Códice L ou
l
é o manuscrito massorético mais antigo da Bíblia Hebraica contendo a totalidade de seu texto e fora escrito por volta de 1008 ou 1009 por Shemuel ben Yaaqov, no Cairo, Egito. O escriba afirma no colofão do códice que ele fizera o seu trabalho de acordo com livros do mÈlamED (mestre) Aharon ben Moshe ben Asher.11O seu sistema de vocalização concorda com a tradição massorética de Ben Asher em cerca de noventa e dois por cento (92%) e o restante, oito por cento (8%), com a tradição de Ben Naftali e este dado é baseado na obra de Mishael ben Uzziel. Segundo Kahle, um exame cuidadoso do Códice L baseado nas listas de Ben Uzziel mostra que cerca de noventa e cinco por cento (95%) dos casos pertencem às leituras de Ben Asher.12 Hoje, esse códice encontra-se em São Petersburgo (antiga Leningrado), Rússia, na Biblioteca Nacional Russa (antiga Biblioteca Pública Estatal Saltykov-Shchedrin) e faz parte da Segunda Coleção Firkowitch de Manuscritos Hebraicos.13
A sua escrita é cuidadosa e o texto bíblico é escrito em três colunas, enquanto os livros poéticos (Salmos, Jó e Provérbios) são escritos em duas colunas e cerca de vinte e sete linhas por coluna. O total de fólios é de quatrocentos e noventa e um, dos quais quatrocentos e sessenta e três contêm o texto bíblico, Massorá, vocalização e acentuação.14 Percebe-se muitos pontos de rasura e correções ao longo de seu texto e segundo os estudiosos, esse fato evidencia que o manuscrito era na verdade um texto de tradição Ben Naftali e que, posteriormente à sua conclusão, ele foi revisto e corrigido para concordar com a tradição de Ben Asher. Contudo, o seu texto ainda reserva várias leituras próprias de Ben Naftali.15
900 e Tov, 1992, p. 47. Teicher argumenta que não há consistência em aceitar a autenticidade do colofão do Códice C no qual consta que o próprio Moisés ben Asher foi o responsável pela confecção deste manuscrito, cf. Teicher, 1950/1951, pp. 18-20 e 25.
11
Cf. BHS, 1997, p. XXXII; Ginsburg, 1897, pp. 243-245; Loewinger e Kupfer, 1972, col. 903; Tov, 1992, p. 47; Würthwein, 1995, pp. 36-37; Kelley et alii, 1998, p .19; Yeivin, 1980, p. 18; Brotzman, 1994, pp. 56-57; Sáenz-Badillos, 1997, p. 108 e Kahle, 1959, p. 110. Segundo Teicher, a informação de que o Códice L ter sido feito a partir de livros ligados ao nome de Aarão ben Asher evidencia que seu texto é eclético e foi produzido tendo por base várias fontes massoréticas, cf. Teicher, 1950/1951, pp. 23-25.
12
Cf. Kahle, 1959, p. 117. 13
Cf. Yeivin, 1980, pp. 18-19; Tov, 1992, p. 47; Brotzman, 1994, p. 57; Kelley et alii, 1998, p. 19; Würthwein, 1995, p. 36; Ginsburg, 1897, p. 244 e Sáenz-Badillos, 1997, p. 108.
14
Cf. A. Schenker et alii, “General Introduction” in A. Schenker et alii (eds.), Biblia Hebraica Quinta.
Fasciculus extra seriem: Librum Ruth (BHQ), 1998, p. XIV e Yeivin, 1980, p. 19.
15
24
4. As Principais Edições Críticas
da Bíblia Hebraica
4.1. Introdução:
Atualmente há três edições críticas da Bíblia Hebraica preferidas pelo mundo erudito, as quais são conhecidas como: Biblia Hebraica 3 (BHK), Biblia Hebraica
Stuttgartensia (BHS) e Hebrew University Bible Project (HUBP). Dentro de alguns anos
(por volta de 2006) estará à disposição do mundo erudito a Biblia Hebraica Quinta (BHQ) que será a sucessora da BHS e que estará na mesma linha de suas predecessoras, a BHK e a já mencionada BHS. O texto hebraico dessas edições tem por base um único manuscrito pertencente à tradição da Ben Asher e próximo à época áurea de sua atividade ocorrida no século X.
Essas edições revolucionaram o conceito de se editar a Bíblia Hebraica e trouxeram também novos rumos para as futuras publicações, suplantando todas as demais edições anteriores e tornando-se superiores à Segunda Bíblia Rabínica de Jacob ben Hayyim (1524/1525).1 Elas apresentam, além do texto bíblico, um aparato crítico com citações de variantes textuais contidas em outros manuscritos hebraicos medievais, nos manuscritos do Mar Morto, em outras edições do texto hebraico. Além dos textos em hebraico, também são
1 Cf. E. Tov, Textual Criticism of the Hebrew Bible, 1992, pp. 371-374 e E. Würthwein, The Text of the Old
Testament: An Introduction to the Biblia Hebraica, 2 ed., 1995, pp. 43-44. Além da Segunda Bíblia
Rabínica, pode-se mencionar outras edições também importantes: A Primeira Bíblia Rabínica de Félix Pratensis (1516/1517), a edição de Benjamin Kennicott (1776/1780), a de Giovanni Bernardo de Rossi (1784/1788) e a de Christian David Ginsburg (1908/1926), entre outras. Entre as modernas, podem ser citadas as seguintes edições: Umberto D. Cassuto, The Jerusalem Bible (1952/1953), Norman H. Snaith,
Hebrew Old Testament (1958), Aron Dotan, Edição Adi (1976), cf. Tov, 1992, pp. xx-xxi e 78-79;
Würthwein, 1995, pp. 42 e 184 e N.H. Snaith, “Bible: Printed Editions (Hebrew)” in Encyclopaedia
Judaica, vol. 4, 1972, cols. 836-837. Bleddyn J. Roberts argumenta que duas das edições modernas
mencionadas mereceriam uma maior atenção por parte dos eruditos, pois representam um avanço nos estudos da história do texto da Bíblia Hebraica pós-1937. As edições contempladas por Roberts são: a de Cassuto e a de Snaith, as quais, segundo o autor, são importantes e seus textos, reconstruídos cientificamente, representam também um texto de tradição Ben Asher, cf. B.J. Roberts, “The Hebrew Bible Since 1937”, JTS 15, 1964, pp. 254-257. O próprio Snaith, defendendo a sua edição e seus métodos, argumenta que seu texto é muito próximo ao da Biblia Hebraica 3 (BHK) de R. Kittel e P.E. Kahle que reproduz o texto do Códice de Leningrado B19a, cf. N.H. Snaith, “The Ben Asher Text”, Textus 2, 1962, pp. 12-13. P.E. Kahle também comentou favoravelmente sobre os métodos empregados por Cassuto em sua edição, a qual seria construida tendo por base o Códice de Alepo A, o Códice de Leningrado B19a, Códice Or 4445 B e o Códice do Cairo dos Profetas C, cf. P.E. Kahle, “The New Hebrew Bible”, VT 3, 1953, p. 417.
citadas variantes encontradas nas antigas versões como: grego, latim, aramaico, siríaco, copta, etíope, armênio e árabe. As principais características das quatro edições críticas são:
4.2. Biblia Hebraica 3 (BHK):
As duas primeiras edições da Biblia Hebraica, cujo editor foi Rudolf Kittel, seguiam ainda o texto da Segunda Bíblia Rabínica de Jacob ben Hayyim (BHK, primeira edição em 1905 e segunda edição em 1913 ambas editadas em Leipzig, Alemanha). A partir da terceira edição (Biblia Hebraica 3 [BHK], Stuttgart, 1929/1937) R. Kittel abandonou o texto eclético de Ben Hayyim, que era baseado em manuscritos medievais tardios para editar, por sugestão de Paul E. Kahle, o Códice de Leningrado B19a. Segundo a opinião de Kahle, este manuscrito pertenceria à pura tradição de Aarão ben Asher.2
Os editores dessa edição são os próprios Rudolf Kittel e Paul E. Kahle, os quais receberam a colaboração nesse trabalho de vários eruditos em Antigo Testamento. Somente a partir de sua sétima edição, de 1951, é que o seu aparato crítico registra as variantes encontradas no primeiro manuscrito de Isaías da primeira gruta de Qumran (1QIsa).3
Bleddyn J. Roberts afirma que um dos méritos da BHK é que com sua publicação houve a reintrodução de um verdadeiro texto massorético no lugar do texto eclético de Ben Hayyim.4 Yeivin, comenta que a BHK foi uma importante inovação, pois apresenta texto e Massorá de um único manuscrito massorético, nesse caso, o Códice L.5 Devida à sua importância no mundo erudito a BHK tornou-se a edição crítica da Bíblia Hebraica mais usada no século XX, adquirindo respeito e reconhecimento internacional. Posteriormente, esta edição só foi superada pela sua sucessora, a BHS.
2 Paul E. Kahle afirma que o Códice de Leningrado B19a é um tipo definitivo de texto Ben Asher e considera também que o mesmo manuscrito é o resultado final dos esforços da família Ben Asher em fixar o texto bíblico hebraico, cf. P.E. Kahle, “The Ben Asher Bible Manuscripts”, VT 1, 1951, p. 164.
3 Cf. Würthwein, 1995, p. 43. O aparato crítico da BHK apresenta-se em um formato novo em relação às anteriores, registrando variantes de muitos testemunhos textuais antigos e observados por gerações de eruditos em Crítica Textual. Sua seleção de variantes é mais extensa do que a da Biblia Hebraica
Stuttgartensia (BHS). Seu aparato crítico é dividido em duas partes: o primeiro aparato (de cima) registra
variantes menos importantes e superficiais, enquanto o segundo (de baixo) contém as mais importantes e profundas variantes contidas em várias fontes, cf. R. Kittel e P.E. Kahle (eds.), Biblia Hebraica 3 (BHK), 15 ed., 1968, p. XXVI.
4 Cf. B.J. Roberts, “The Emergence of the Tiberian Massoretic Text”, JTS 49, 1948, p. 16. 5 Cf. I. Yeivin, Introduction to the Tiberian Masorah, 1980, pp. 126-127.
26
4.3. Biblia Hebraica Stuttgartensia (BHS):
Assim como a BHK, a Biblia Hebraica Stuttgartensia (BHS), também tem por base a mesma fonte de sua antecessora, o Códice L já discutido acima. Essa edição apresenta várias inovações em relação à BHK, como por exemplo, um aparato crítico renovado e atualizado (com mais citações dos Manuscritos do Mar Morto e da Guenizá do Cairo), a Massorá revisada, refeita e ampliada. Além desses aspectos, a BHS mantém uma melhor fidelidade e precisão em reproduzir o texto do códice mencionado em seus mínimos detalhes, como também os assim chamados erros do copista encontrados no mesmo.6
A BHS foi editada em Stuttgart, Alemanha em 1967/1977 e os seus editores são Karl Elliger e Wilhelm Rudolph, os quais tiveram a colaboração de vários eruditos, inclusive de Gérard E. Weil, que ficou responsável pela Massorá.7 Desde o seu surgimento, apareceram várias obras comentando o seu valor para a classe acadêmica e, ao passar do tempo, surgiram manuais explicando a terminologia de seu aparato crítico e de sua Massorá.8 Hoje, a BHS é a edição crítica mais utilizada pelo mundo acadêmico.
4.4. Biblia Hebraica Quinta (BHQ):
Está prevista para ser editada em 2006 a edição que sucederá a BHS e que tem por título Biblia Hebraica Quinta (BHQ). Esta edição tem como base também o Códice L e terá a Masora Parva, a Masora Magna e a Masora Finalis originais do citado códice, além de seguir a ordem dos livros bíblicos do modo em que aparecem exatamente no manuscrito, enquanto que o aparato crítico foi refeito completamente, de acordo com as novas descobertas no campo da Crítica Textual.9
Em relação à citação de variantes textuais contidas nos manuscritos massoréticos, a BHQ cita em seu aparato os seguintes códices e suas abreviaturas: o Códice de Alepo A
6 Cf. J. Barr, “Review of Biblia Hebraica Stuttgartensia”, JJS 25, 1980, pp. 99-100 e I. Yeivin, “The New Edition of the Biblia Hebraica – its Text and Massorah”, Textus 7, 1969, pp. 116-118. Nos casos em que há
erros do copista no Códice L, a BHS os mantém em seu texto e assinala as correções textuais em seu
aparato crítico.
7 Cf. K. Elliger e W. Rudolph (eds.), Biblia Hebraica Stuttgartensia (BHS), 5 ed., 1997, p. II.
8 Cf. Tov, 1992, pp. 3, 7 e 376. R. Wonneberger fornece uma lista de correções ao texto da BHS (2 ed., 1984), cf. R. Wonneberger, Understanding BHS: A Manual for the Users of Biblia Hebraica Stuttgartensia, 2 ed., 1990, pp. 74-75.
9 Cf. A. Schenker et alii, “General Introduction” in A. Schenker et alii (eds.), Biblia Hebraica Quinta.
(MA), o Códice Or 4445 B (MB), o Códice do Cairo dos Profetas C (MC), o Códice de Leningrado B19a (ML), entre outros.10
O projeto da edição da BHQ já está em andamento e seu comitê editorial é formado por Adrian Schenker, Yohanan Goldman, Stephen Pisano, Arie van der Kooij entre outros. Em assuntos relacionados à Massorá, esta edição conta com a colaboração de Aron Dotan da Universidade de Tel Aviv, Israel. É a primeira vez que a equipe responsável pela nova edição crítica da Bíblia Hebraica é composta de estudiosos cristãos e judeus de várias procedências.11