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2.1. Yetişkinlerde Travma Yönetimi

2.1.3. İkincil Değerlendirme

Para perseguir os elementos que integram o gênero discursivo do mestre-de- cerimônias na sessão de posse da USP, considera-se forma composicional o script elaborado para o mestre-de-cerimônias e as fichas para registro de autoridades.

O script da USP apresentava as indicações detalhadas das falas do mestre- de-cerimônias e a designação de verbos para o anúncio das etapas da solenidade, como aparece no quadro seguinte:

USP – Verbos indicados pelo script Tempo verbal

damos; convidamos; ouvimos; destacamos; anunciamos

presente do indicativo

ouviremos futuro do presente pediríamos futuro do pretérito anunciando; dando41; prosseguindo gerúndio

41 idem

Além das considerações feitas para a escolha dos tempos verbais no script da PUCSP, surge, também, uma nova possibilidade. O gerúndio é usado com freqüência no texto, indicando uma ação que está acontecendo.

No script, o verbo dar, quando usado no gerúndio, aparece acompanhado por outros verbos (iniciar e prosseguir) e pelo substantivo seqüência, funcionando como perífrase verbal, carregando a marca temporal.

A referência de tempo, em português, segundo Costa (2002), possui duas categorias lingüísticas para sua expressão: a categoria de tempo e a categoria de aspecto. “Aspecto e Tempo são ambas categorias temporais no sentido de que têm por base referencial o tempo físico. Distinguem-se, contudo, do ponto de vista semântico, basicamente a partir da concepção do chamado tempo interno (o Aspecto) diferente do tempo externo (o Tempo)” (p. 19).

A noção semântica do tempo está na localização do fato enunciado relativamente ao momento da enunciação: “são, em linhas gerais, as noções de presente, passado e futuro e suas subdivisões”. No âmbito do aspecto, “são as noções de duração, instantaneidade, começo, desenvolvimento e fim” (p. 19).

No script, a fala determinada ao mestre-de-cerimônias, no início da solenidade, é: “anunciado a entrada solene...”. O uso do gerúndio expressa “cursividade, o decorrer, o escoamento do tempo” (Costa, 2002, p. 20), expressa processo, a ação em movimento:

uso do gerúndio no script da USP uso do gerúndio na solenidade da USP

Senhoras e senhores, neste momento damos início à cerimônia de posse do novo reitor da USP, anunciando a entrada solene dos membros do conselho universitário

A Universidade de São Paulo agradece as presenças de todos os senhores e senhoras ... nesta de noite de sexta-feira vinte e seis de novembro de 1993...ocasião em que tomará posse no cargo de reitor da Universidade de São Paulo ... o Professor Doutor Flávio Fava de Moraes.

Dando início à cerimônia de posse do novo

reitor da USP ...vamos anunciar ... a entrada solene dos membros do Conselho

Universitário ... órgão máximo da Universidade de São Paulo

Ao substituir, no momento da fala, anunciando por vamos anunciar, o mestre- de-cerimônias da USP instituiu, pelo uso da primeira pessoa do plural, o nós. Porém, esse nós não aparece como pronome e sim pela conjugação verbal.

Quando o mestre-de-cerimônias não usa o pronome nós, ele faz uma referencialização indeterminada, mas, pode-se observar, no início da fala, na solenidade, que ele começa a sua participação usando o nome da Universidade de São Paulo. Assim, ele estabelece o seu papel de porta-voz autorizado pela USP para conduzir a sessão de posse.

A inclusão do texto de abertura, mesmo não constando no script, parece comunicar que o nós do discurso é o nós da instituição, o nós do representante do cerimonial da Universidade de São Paulo. A mesma marca lingüística encontrada nas duas solenidades (PUCSP e USP) são usadas na construção de sentidos diferentes. Enquanto na PUCSP o mestre-de-cerimônias integra (e faz isso linguisticamente) o grupo social, na USP o mestre-de-cerimônias valoriza a instituição e não a sua presença na condução da solenidade. Ele somente anuncia as ações que integram a sessão de posse.

Ainda no começo da solenidade, o mestre-de-cerimônias utilizou a perífrase verbal dando início, quando o script determinava damos início. Essa perífrase – gerúndio (verbo dar) com o verbo iniciar – poderia ser substituída por iniciando, nominalização do verbo. O uso da perífrase também caracteriza uma referência indireta, sem a determinação da pessoa que enuncia. Assim, pode-se observar que as escolhas lexicais e gramaticais do script e do mestre-de-cerimônias atentam para uma designação da importância da instituição e não do sujeito que comanda a solenidade.

Na condução da solenidade, o mestre-de-cerimônias utiliza o gerúndio, porém, em quantidade inferior à exigida pelo script:

uso do gerúndio no script da USP uso do gerúndio na solenidade da USP

Senhoras e senhores, neste momento damos início à cerimônia de posse do novo reitor da USP,

anunciando a entrada solene dos membros

do conselho universitário

A Universidade de São Paulo agradece as presenças de todos os senhores e senhoras ... nesta de noite de sexta-feira vinte e seis de novembro de 1993...ocasião em que tomará posse no cargo de reitor da Universidade de São Paulo ... o Professor Doutor Flávio Fava de Moraes.

Dando início à cerimônia de posse do novo

reitor da USP ...vamos anunciar ... a entrada solene dos membros do Conselho

Universitário ... órgão máximo da Universidade de São Paulo Destacamos ainda, dando prosseguimento a

esta solenidade, as presenças das seguintes autoridades:....

Dando prosseguimento a esta solenidade ...

destacamos ainda as presenças das seguintes autoridades...

Dando prosseguimento a esta solenidade de

posse, pediríamos que a digníssima secretária geral da Universidade de São Paulo, sra. Maria do Carmo de Souza Mesquita Kurchal, tome as providências relativas ao compromisso de posse do prof. Dr. Flávio fava de moraes.

Dando prosseguimento a esta solenidade de

posse ... pediríamos que a Digníssima Secretária-Geral da Universidade de São Paulo Sra Maria do Carmo de Souza Mesquita Kurshal ... tome as providências relativas ao compromisso de posse do Professor Doutor Flávio Fava de Moraes

Prosseguindo, a sra. Secretaria Geral

providencia a assinatura do termo de posse pelas autoridades integrantes da mesa.

A Senhora Secretária-Geral providencia neste momento ... a assinatura do Termo de Posse pelas autoridades integrantes da mesa

Dando sequência a esta solenidade, a

secretária geral da Universidade de São Paulo anunciará a transferência das insígnias.

A Senhora Secretária-Geral da Universidade de São Paulo anunciará a transferência das insígnias

Agora, dando prosseguimento a esta sessão solene de posse do novo reitor da

Universidade de São Paulo...

Agora dando prosseguimento a esta Sessão Solene de Posse ... do novo Reitor da Universidade de São Paulo ...

Dando sequência a esta solenidade,

anunciamos a palavra do magnífico reitor, prof. Dr. Flávio Fava de Moraes

Dando seqüência a esta solenidade ...

anunciamos a palavra do Magnífico Reitor ... Professor Doutor Flávio Fava de Moraes

Observa-se no confronto do prescrito com o realizado que o mestre-de- cerimônias cumpre com rigor as determinações do script e que a alteração do texto envolve, no máximo, a mudança na ordem e a retirada de palavras. A rigidez do script da USP parece não abrir margem para a composição estilística individual.

Na realização da tarefa, o mestre-de-cerimônias, em três momentos, inclui uma indicação do verbo IR com infinitivo de outro verbo, indicando futuridade, segundo Neves (2000, p. 65):

Primeiro momento: “vamos anunciar a entrada solene dos membros do Conselho Universitário...”

Segundo momento: “vamos convocar para presidir a mesa dos trabalhos desta noite” Terceiro momento: “Vamos chamar o coral da USP neste momento”

A escolha parece garantir que a ação só acontecerá se a autoridade, o coral e os membros do Conselho Universitário aceitarem o anúncio, a convocação e o chamamento feito pelo mestre-de-cerimônias. Com essa escolha, o mestre-de- cerimônias não ordena uma ação, mas espera que ela aconteça no futuro.

Além da constatação de criação e inserção de estilo individual, o mestre-de- cerimônias da USP utilizou os pronomes de tratamento “senhor” e “senhora” em dois momentos da solenidade. Mesmo sem a designação do uso pelo script, a escolha pelo pronome de tratamento demonstra a maneira respeitosa adotada pelo mestre- de-cerimônias durante a cerimônia.

O script utilizado pelo mestre-de-cerimônias da USP apresentou o texto completo que deveria ser lido por ele e as identificações das ações que aconteceriam durante a solenidade, como mostra o trecho abaixo:

Mestre de Cerimônia (Sr. Gilberto):

SENHORAS E SENHORES, NESTE MOMENTO

DAMOS INÍCIO À CERIMÔNIA DE POSSE DO NOVO

REITOR DA USP, ANUNCIANDO A ENTRADA

SOLENE DOS MEMBROS DO

CONSELHO UNIVERSITÁRIO, ÓRGÀO MÁXIMO

DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. COM A

INTERPRETAÇÃO DA SRA. PAULA CHRISTINA

MONTEIRO, OUVIREMOS "CARNAVAL DE

VIENA", OP. 26, I-ALLEGRO, DE SCHUMANN.

(Os membros do Conselho Universitário entram pela porta esquerda do palco).

(Os membros do Colendo Conselho Universitário já estarão assentados em seus lugares) - atrás da mesa. (sai teclado)

No início da solenidade, percebe-se a ocorrência de uma mudança. O evento começa com o mestre-de-cerimônias posicionado na tribuna, desenvolvendo a seguinte fala:

MESTRE-DE-CERIMÔNIAS: A Universidade de São Paulo agradece as

presenças de todos os senhores e senhoras...nesta de noite de sexta-feira vinte e seis de novembro de 1993...ocasião em que tomará posse no cargo de reitor da Universidade de São Paulo ... o Professor Doutor Flávio Fava de Moraes

Dando início à cerimônia de posse do novo reitor da USP ...vamos anunciar ... a entrada solene dos membros do Conselho Universitário ... órgão máximo da Universidade de São Paulo

A interpretação da Sra. Paula Monteiro, prevista no script, não foi anunciada. A fita VHS cedida pelo Departamento de Cerimonial da USP mostra uma pessoa tocando um teclado no lado esquerdo do palco, porém não se pode afirmar que se tratava da referida senhora, já que ela não foi anunciada.

Na USP o script é rigoroso e determina a fala completa do mestre-de- cerimônias. Elaborado pelo chefe do cerimonial, funcionário da universidade, traz, além do texto completo do mestre-de-cerimônias, os momentos em que o público deve aplaudir e o local do pronunciamento, como se pode observar no trecho abaixo:

(discurso do Prof. Dr. Adilson Avansi de Abreu - da tribuna) (aplausos)

No script, as formalidades exigidas da autoridade que vai abrir e encerrar a sessão, a fala da secretária geral e o juramento do reitor empossado também estão estabelecidos, discriminados no texto:

Vice-Governador (fala da mesa, sentado):

DECLARO ABERTO OS TRABALHOS DESTA SESSÃO DE POSSE E CONVIDO A TODOS OS PRESENTES PARA OUVIREM, DE PÉ, A EXECUÇÃO DO HINO NACIONAL BRASILEIRO.

(O Hino Nacional será interpretado pelo Coral da USP, que ficará ao lado direito do palco).

Reitor empossando Flávio Fava de Moraes:

COMPROMETO-ME A CUMPRIR E A FAZER CUMPRIR AS NORMAS LEGAIS QUE REGEM O ENSINO SUPERIOR, COM ESPECIAL ATENÇÃO À LEGISLAÇÃO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, DEDICANDO TODOS OS MEUS ESFORÇOS NO SENTIDO DE PROMOVER A GRANDEZA DA UNIVERSIDADE E O DESENVOLVIMENTO DA NAÇÃO.

Após a fala do vice-governador, no final da solenidade, o script determina como ele deve encerrar a cerimônia:

Mestre de Cerimônia:

. SENHORAS E SENHORES, PARA O ENCERRAMENTO DESTA SESSÃO SOLENE ANUNCIAMOS A PALAVRA DO DR. ALOYSIO NUNES FERREIRA FILHO, DIGNÍSSIMO VICE-GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO.

(Discurso do Vice-Governador da tribuna e aplausos)

Vice-Governador:

ESTÁ ENCERRADA A PRESENTE SESSÃO.

O lugar ocupado pelas pessoas também está definido no script:

Secretária Geral (da tribuna):

. PRELIMINARMENTE, TENHO A HONRA DE CONVIDAR O PROF. DR. FLÁVIO FAVA DE MORAES A PRESTAR O SEU COMPROMISSO.

(Secretária Geral se afasta para o fundo do palco)

A fala do mestre-de-cerimônias é toda programada, como explica o atual chefe de cerimonial da universidade, Carlos Gustavo Araújo do Carmo: “Sempre escrevo o que ele deve falar. Faço o roteiro minuciosamente com todas as etapas e exatamente o que ele deve falar”. Portanto, a rigidez do prescrito também é um componente que demonstra a tradição na universidade nos assuntos relacionados às próprias solenidades. Definir um texto completo com todas as ações envolvendo os participantes da cerimônia é uma característica do gênero na USP.

O imprevisto, especificidade constitutiva do gênero, está presente desde o início da solenidade, no momento da composição de mesa. As autoridades previstas para compor a mesa são substituídas instantes antes do começo da cerimônia, fato que se pode observar nas anotações feitas a lápis no próprio script:

Além da substituição na ordem de algumas palavras nas falas do mestre-de- cerimônias, o script estabeleceu ações que não aconteceram durante a solenidade. O anúncio da fala do representante discente não aconteceu, como também não aconteceu a fala do prefeito.

Script:

Mestre de Cerimônia:

. SENHORAS E SENHORES, AGORA COM A PALAVRA O REPRESENTANTE DISCENTE DO CONSELHO UNIVERSITÁRIO E DO DCE LIVRE "ALEXANDRE VANUCCHI LEME", O ALUNO ___________________________

(discurso do mencionado aluno da tribuna) (aplausos)

Mestre de Cerimônia:

SENHORAS E SENHORES, AGORA COM A PALAVRA O DIGNÍSSIMO PREFEITO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, DR. PAULO SALIM MALUF.

(discurso do Prefeito da tribuna) (aplausos)

Mestre de Cerimônia:

. AGORA, DANDO PROSSEGUIMENTO A ESTA SESSÃO SOLENE DE POSSE DO NOVO REITOR DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, ANUNCIAMOS A PALAVRA DO PROF. DR. RUY LAURENTI, VICE-REITOR NO EXERCÍCIO DA REITORIA.

Solenidade42:

Representante Discente ((fala sem ser anunciada)) ((aplausos)) ((enquanto a aluna fala, o Reitor mexe e observa papéis))

Agora dando prosseguimento a esta Sessão Solene de Posse ... do novo Reitor da Universidade de São Paulo ... anunciamos a palavra do Professor Doutor Rui Laurenti ... Vice-reitor no exercício da reitoria

A preocupação em elaborar uma legislação própria regulamentando o cerimonial, em 1940, mostra como o assunto está presente na universidade há mais de 65 anos. Nos pronunciamentos das autoridades, a palavra “tradição” aparece em diversos momentos, reforçando que a USP valoriza seus usos e costumes. O conteúdo temático, único e irrepetível, da solenidade de posse da Universidade de São Paulo, manifesta, em seu acabamento, a formalidade e a valorização da instituição.

Essa valorização institucional parece ser o motivo maior do cancelamento das ações descritas e previstas que não foram cumpridas, como explicitou-se acima. A entrada do prefeito na solenidade foi acompanhada por vaias e o pronunciamento da representante discente foi permeado por críticas à universidade.

O reitor empossado, que até o momento da fala da representante discente prestigiava todos os pronunciamentos, ficou, durante a fala da aluna, o tempo todo olhando seus papéis. Esse também foi o único momento em que a mesa de honra, com representantes municipais e estaduais, não aplaudiu a um pronunciamento, como se pode observar nas imagens seguintes:

Reitor observa pronunciamento do

representante do Conselho.... ....e lê durante apresentação de aluna

Mesa após pronunciamento da representante discente

O vínculo entre o cerimonial e a universidade também é elemento integrante da maneira como o gênero se manifesta na USP. Uma universidade que não sabe lidar com situações protocolares, para o chefe de cerimonial43, pode prejudicar sua imagem institucional e, para ele, o mestre-de-cerimônias está envolvido no processo:

Tecnicamente o mestre-de-cerimônias precisa ter boa voz, boa dicção, discrição, apresentação pessoal. Na parte operacional ter habilidade em conduzir o evento e imprevistos, conduzir o evento que ocorre conforme previsto é fácil, o diferencial do mestre-de-cerimônias é saber sair dos imprevistos que ocorrem durante o evento, ter conhecimento de todo cerimonial e protocolo. Conhecer também a instituição para qual trabalha, se for um profissional free-lance saber no mínimo a cultura de cada lugar que ele vai trabalhar e conhecer as tradições.

Mais uma vez a tradição é premissa para a realização de solenidades e o mestre-de-cerimônias deve saber o que é aceito e o que não é aceito na universidade, fato que aparece na elaboração de um script repleto de prescrições.

A obrigatoriedade do uso de vestes talares também é uma maneira de demonstrar os valores da universidade. Elas diferenciam os cidadãos comuns daquele que ocupam posições relevantes na instituição.

Na imagem abaixo, o traje da secretária geral e de um dos representantes discentes, posicionado atrás da mesa, é diferente das vestes do vice-reitor e dos membros do Conselho Universitário:

As solenidades da USP cumprem as determinações da universidade e privilegiam a tradição no uso dos componentes formais existentes e designados pelo cerimonial universitário, caso das insígnias, por exemplo. Algumas semelhanças foram recuperadas dos vídeos das solenidades, da mesma forma que diferenças existiram, assunto que esta pesquisa aborda a seguir.

Benzer Belgeler