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C. Öğrenme Alanları

3.2. Araştırmada Alt Problemlere İlişkin Bulgular

3.2.2. İkinci ve Üçüncü Alt Probleme İlişkin Bulgular

inteligibilidade do real. Segundo, porque essa imagem, em cada etapa do desenvolvimento humano, está sendo organizada no processo de desenvolvimento do pensamento conceitual. Este assunto é conteúdo dos próximos itens, porém, antes disso, discute-se, no próximo item, o conceito de psiquismo como reflexo subjetivo da realidade objetiva.

2.2 O psiquismo como reflexo subjetivo da realidade objetiva

Mas, afinal, o que devemos entender por psiquismo? Outra coisa senão unidade material e ideal expressa na subjetivação do objetivo, isto é, na construção da imagem do mundo objetivo. É material na medida em que é estrutura orgânica e é ideal posto ser o reflexo da realidade, a ideia que a representa subjetivamente. (MARTINS, 2011, p. 45, grifos no original).

As discussões realizadas pela psicologia soviética no início da década de 1920 acerca da natureza do psiquismo marcaram o surgimento e a consolidação da “Escola de Vigotski” por meio dos estudos de seus precursores Vigotski, Luria e Leontiev. De acordo com Martins (2012, p. 30), esses estudos tiveram como ponto fulcral o conceito de psiquismo como “unidade material e ideal que se desenvolve socialmente”.

A psicologia tradicional não apresentava uma visão dialética do conceito de psiquismo o que determinou o surgimento de visões dicotômicas sobre a explicação da natureza do fenômeno psicológico. Rubinstein (1960) apresenta duas vertentes filosóficas que influenciaram a ciência psicológica, quais sejam: a idealista e a materialista mecanicista que, de forma totalmente distinta, tentaram resolver o problema da natureza dos fenômenos psíquicos, dos seus nexos com os fenômenos do mundo material e do papel que desempenham na vida.

A psicologia idealista parte da compreensão de que o psiquismo está fora da matéria, conduzindo à tese de que existe uma alma independente do corpo. De acordo com Rubinstein (1960), as concepções da psicologia idealista têm suas raízes nos tempos mais remotos, tempos em que os homens ignoravam o conhecimento das estruturas de seu próprio corpo e por isso acreditavam que o pensamento, as sensações e os sonhos eram produto da ação de um ser sobrenatural. Acreditavam que a alma ou o espírito, que se instalava no homem ao nascer, o abandonava temporalmente durante o sonho e se desprendia dele definitivamente ao morrer. A concepção idealista da separação entre corpo e alma está ligada, em sua gênese, à divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual que, por sua vez, é um produto da divisão da sociedade em classes, que se formou a partir do desenvolvimento das forças produtivas e

da apropriação privada dos resultados da produção material que passou a exceder os estritos limites da mera sobrevivência. O estreito vínculo entre a divisão da sociedade em classes e a divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual foi abordado por Marx e Engels em A Ideologia Alemã:

A divisão do trabalho só se torna efetivamente divisão do trabalho a partir do momento em que se opera uma divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual. A partir desse momento, a consciência pode de fato imaginar que é algo mais do que a consciência da prática existente, que ela representa realmente algo, sem representar algo real. A partir desse momento a consciência está em condições de se emancipar do mundo e passar à formação da teoria “pura”, teologia, filosofia, moral etc. (MARX; ENGELS, 2001, p. 26)

Então, por um lado, surgiram as concepções idealistas que atribuem independência às produções da mente humana e acreditam na existência de uma alma separada do corpo, preconizando a superioridade daquela sobre este e, por outro lado, nesse mesmo processo de formação da divisão social do trabalho, torna-se possível o pensamento teórico, ou seja, torna- se possível ao pensamento ir além dos limites dados pelas necessidades práticas imediatas. Esse é um exemplo do fenômeno que Duarte (1993), no capítulo 2 do livro A Individualidade Para-Si, chama de relação entre alienação e humanização no processo histórico de desenvolvimento do gênero humano. A psicologia idealista é, portanto, desde seu nascimento, mais uma das muitas formas de expressão ideológica da divisão social do trabalho.

Neste mesmo contexto acima citado, Luria (1979, p. 29), referindo-se à concepção idealista, afirma que essa psicologia, por ele denominada de Psicologia pré-científica, “considerava o psiquismo como uma das propriedades primárias do homem e a consciência como manifestação direta da ‘vida espiritual’”. Com efeito, a psicologia idealista não se preocupou em explicar a base natural do psiquismo, sua origem, nem os graus de sua evolução.

No outro extremo encontra-se a filosofia materialista mecanicista que, no afã de produzir um pensamento oposto ao idealismo, reduziu sua concepção de psiquismo reconhecendo apenas a natureza, a matéria. O psíquico, o pensamento, a consciência, seria derivado da matéria, como um produto da matéria. Este é o pensamento materialista conhecido como grosseiro ou vulgar. Carecendo de dialética, identifica a atividade psíquica com os processos materiais. “Tais tentativas destacam claramente a tese de que o cérebro segrega o pensamento à maneira como o fígado segrega a bílis.” (RUBINSTEIN, 1960, p. 15).

A psicologia histórico-cultural, embasada no materialismo histórico dialético, procura superar tal dicotomia acima apresentada, rechaçando a ideia de que o psiquismo é algo fora do corpo, abstrato, oriundo do além, como também rejeitando a concepção materialista mecanicista que concebe o psiquismo como uma secreção do cérebro. Segundo Luria (1979, p. 30), a psicologia científica “parte de teses inteiramente diferentes e se propõe a tarefa de encontrar uma resposta para a origem do psiquismo, de descrever as condições nas quais deve ter surgido essa forma altamente complexa de vida”.

É com esse intuito acima descrito que Vigotski (1999, p. 144) explicita a necessidade de uma concepção dialética de psiquismo. Para o autor,

A psicologia dialética parte, antes de mais nada, da unidade dos processos psíquicos e fisiológicos. Para a psicologia dialética a psique não é, como expressara Spinoza, algo que jaz além da natureza, um Estado dentro de outro, mas uma parte da própria natureza, ligada diretamente às funções da matéria altamente organizada de nosso cérebro. [...] a psique não deve ser considerada como uma série de processos especiais que existem em algum lugar na qualidade de complementos acima e separados dos cerebrais, mas como expressão subjetiva desses mesmos processos, como uma faceta especial, uma característica qualitativa especial das funções do cérebro.

O reconhecimento dessa unidade dos processos psíquicos e fisiológicos conduz, segundo Vigotski, a uma metodologia totalmente nova na qual não pode ser concebido um estudo de tais processos de maneira separada, mas sim abordá-los em sua totalidade, o que implica considerar ao mesmo tempo os aspectos subjetivos e objetivos. Porém, assumir essa nova metodologia implica também a superação de estudos que levam a identificar o psíquico com o físico.

Rubinstein (1960, p. 15) ao citar Lênin, afirmou que, para este autor, “[...] ‘qualificar ao pensamento de material é dar um passo em falso frente à confusão do materialismo e do idealismo’”. Numa concepção dialética, Lênin enfatiza que a contraposição de matéria e consciência só tem significado dentro de um campo muito restrito, “neste caso, exclusivamente dentro dos limites do problema gnosiológico fundamental, de que é o que deve reconhecer-se como primário e secundário”.

O primário é a matéria; o psíquico, a consciência, é o derivado, o reflexo da realidade objetiva no cérebro. Neste sentido, o material (os objetos e fenômenos da realidade) e o ideal (seu reflexo em forma de sensações, pensamentos, etc.) se contrapõem efetivamente entre si. Pois bem, se levarmos em conta o mecanismo fisiológico pelo qual a realidade se reflete no cérebro, veremos que a diferença entre o material e o ideal não tem um caráter absoluto, senão relativo, posto que as sensações, as percepções, as

representações, os pensamentos, os sentimentos, etc., são produto da atividade de um órgão material, o cérebro, que transforma a energia da excitação externa em um feito de consciência. O psíquico ou consciência é inseparável da atividade cerebral e não pode existir como essas idéias “imateriais”, ou “puras” de que falam os idealistas, nem como uma “secreção cerebral” ao modo como o concebem os materialistas vulgares. (RUBINSTEIN, 1960, p. 15, grifos no original).

Portanto, levar essa contraposição entre psíquico e o físico para fora de tais limites, ou seja, dos limites gnosiológicos, seria um grande erro. O psíquico é ao mesmo tempo uma parte da realidade objetiva e uma imagem desta, porém, não de forma separada, mas indissoluvelmente unidas na atividade na qual põe o psiquismo em ação. Martins (2012) assevera que até mesmo a ideia não deve ser considerada uma abstração pura, visto que corresponde sempre à imagem da realidade objetiva. Nas palavras da autora,

Fazemos essa observação tendo em vista demonstrar que apenas a compreensão dialética das posições ontológicas e gnosiológicas requeridas à compreensão do psiquismo tornou possível à psicologia soviética superar tanto as posições abstratas idealistas quanto materialistas mecanicistas. [...] Verifica-se que é o aporte materialista dialético que sustenta as explicações do psiquismo em sua concretude como unidade contraditória de estrutura orgânica e imagem do real. Ou seja, que aponta o caminho metodológico requerido à superação do dualismo entre matéria e ideia, entre corpo e mente, e, consequentemente, para o estudo das bases concretas (cérebro/objetos) e abstratas (ideias) nas quais radica o psiquismo humano em seu desenvolvimento cultural. (MARTINS, 2012, p. 34).

Dessa forma, para a psicologia histórico-cultural, o reflexo psíquico da realidade objetiva é uma indissolúvel unidade do objetivo e do subjetivo. É objetivo devido seu conteúdo, visto que reflete os objetos e fenômenos exteriores. Também é objetivo pelo fato de ser um processo nervoso real, prova é que se manifesta em diferentes atos externos e na conduta do indivíduo. Porém é, ao mesmo tempo, subjetivo por se tratar de um sujeito que reflete o mundo real (RUBINSTEIN, 1960).

Portanto, de acordo com a epígrafe deste item, o psiquismo pode ser definido como unidade ideal e material manifestado na construção da imagem subjetiva da realidade objetiva. Essa realidade objetiva está sempre em movimento e é captada e formada num sistema funcional complexo, composto de funções psicológicas categorizadas como funções afetivo-cognitivas. Tal discussão é realizada no próximo item.

2.3 O desenvolvimento das funções psicológicas superiores na adolescência e a formação

Benzer Belgeler