• Sonuç bulunamadı

2. Ebu Süleyman Jevzjanî Dârü’l-Ulûmunun Kuruluşu

2.2. İkinci Sınıf Din Eğitim Müfredatı

3.3.1.1 Conceito e natureza jurídica

Conforme o art. 5º, LXVIII, da Constituição Federal, “conceder-se-á ‘habeas- corpus’ sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder”. Nessa esteira, o habeas corpus é um remédio constitucional cuja finalidade é proteger e assegurar a liberdade de ir e vir do cidadão quando tal direito tenha sido comprometido por algum ato ilegal ou abusivo.

No que tange à sua natureza jurídica, há controvérsias doutrinárias. É certo que o Código de Processo Penal de 1941 colocou as disposições relativas ao

habeas corpus na parte que trata “dos recursos em geral” (Título II do Livro III), mas, apesar disso, a doutrina majoritária o considera uma ação penal autônoma destinada à tutela da liberdade de locomoção. Um dos argumentos mais fortes dos defensores dessa tese é a de que o habeas corpus pode ser impetrado antes ou depois do trânsito em julgado da sentença condenatória, cumulativamente ou não ao recurso cabível na espécie, o que afastaria, inevitavelmente, sua natureza recursal. Outro motivo pelo qual esse remédio heroico não pode ser visto como recurso é o fato de que a sua impetração não depende da existência prévia de um processo penal.

3.3.1.2 Espécies

São as seguintes as espécies de habeas corpus:

a) repressivo ou liberatório: serve para combater o dano já efetivado, ou seja, o constrangimento ilegal realmente ocorreu, provocando o tolhimento da liberdade de locomoção do indivíduo. Enseja a concessão de alvará de soltura;

b) preventivo: utilizado quando há somente uma ameaça à liberdade de ir e vir, isto é, a coação ainda não se consumou. Impende destacar, porém, que a mera possibilidade do dano não se revela suficiente ao deferimento do habeas corpus, uma vez que é necessário que haja um sério receio de sua ocorrência. Resulta na emissão de salvo-conduto;

c) profilático: nos dizeres de Norberto Avena (2012, p. 1.251), é

[...] destinado a suspender atos processuais ou impugnar medidas que possam importar em prisão futura com aparência de legalidade, porém intrinsecamente contaminada por ilegalidade anterior. Neste caso, a impugnação não visa ao constrangimento ilegal à liberdade de locomoção já consumado ou à ameaça iminente de que ocorra esse constrangimento, mas sim a potencialidade de que este constrangimento venha a ocorrer.

O mencionado autor dá alguns exemplos em que essa modalidade de habeas corpus pode ser empregada: primeiro, para trancar ação penal, como nos casos de oferecimento de denúncia referente a fato atípico, prescrito, dentre outros; segundo, para impugnar decisão de improcedência de exceções de incompetência, ilegitimidade de parte, litispendência ou coisa julgada; terceiro – e o que mais interessa ao presente estudo –, para que seja suspenso o processo em virtude de questão prejudicial obrigatória. Nessas hipóteses, embora ainda não tenha sido

restringida a liberdade de ir e vir do cidadão, notam-se situações que, posteriormente, a depender do seu desenrolar, poderão levar à prisão do sujeito.

Apesar da distinção feita entre o habeas corpus preventivo e o profilático, deve-se acentuar que, na realidade, eles visam alcançar o mesmo objetivo, uma vez que ambos são manejados quando ainda não houve, de fato, a repressão à liberdade do indivíduo. Dessa forma, existiriam apenas duas espécies de habeas corpus: o repressivo (ou liberatório) e o preventivo (ou profilático).

3.3.1.3 Legitimação

São três os envolvidos na relação processual do habeas corpus: impetrante, paciente e coator. Inicialmente, deve-se estabelecer a diferença entre impetrante e paciente: enquanto o impetrante é aquele que ajuíza a ação, o paciente é o beneficiado pela concessão da ordem. Entretanto, nada impede que ambos coincidam na mesma pessoa.

Da leitura do art. 654, caput, do CPP, depreende-se que qualquer um do povo é legitimado ativo para impetrar habeas corpus, seja pessoa física ou jurídica, nacional ou estrangeiro, advogado ou não. O analfabeto não foi excluído pela lei, desde que alguém assine o pedido a seu rogo. O funcionário público, por sua vez, também poderá fazê-lo, contanto que não esteja no exercício de suas funções. Não se esqueça, ademais, da legitimidade conferida ao Ministério Público.

Também o delegado de polícia e o juiz de direito poderão impetrar habeas corpus, desde que estejam agindo como cidadãos comuns e em procedimentos alheios àqueles em que estejam atuando. Observe-se, outrossim, que, embora a pessoa jurídica possa mover a ação em favor da pessoa física, o contrário não é verdadeiro.

O § 2º do referido art. 654 autoriza a expedição do writ de ofício por juízes e tribunais se estes verificarem, no curso do processo, que alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal. Por outro lado, será legitimado passivo o responsável pela conduta que lesionou ou ameaçou o direito à liberdade de locomoção do indivíduo, não importando se o coator é uma autoridade ou um particular.

Por fim, frise-se que a impetração do habeas corpus não depende de maiores formalidades, principalmente porque se trata de uma ação que tem preferência

sobre todas as demais, e, já que tem por objetivo assegurar um direito fundamental, a ela deve ser conferida a maior celeridade possível.

3.3.1.4 Cabimento

O habeas corpus será cabível sempre que houver ato atentatório à liberdade de ir e vir. Por isso, saliente-se, é perfeitamente admissível mesmo na fase de inquérito policial.

O art. 648 do CPP determina os casos em que a coação será considerada ilegal. São eles:

a) quando não houver justa causa: a falta de justa causa poderá dizer respeito à prisão, ao processo e à investigação. Isso significa que, salvo se houver flagrante delito, a ordem de prisão deve ser fundamentada. Além disso, deve existir um suporte probatório mínimo para que se justifique a necessidade de investigação criminal. A ausência de justa causa também ocorrerá quando o fato for manifestamente atípico, quando extinta a punibilidade do agente ou quando não houver indícios suficientes de autoria;

b) quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei: Fernando Capez (2011, p. 817) aduz que este dispositivo trata do excesso de prazo da prisão provisória, ao passo que Nestor Távora e Rosmar Rodrigues Alencar (2012, p. 1.190) afirmam que ele se refere ao escoamento do prazo da prisão imposta, seja ela provisória ou definitiva. Seja como for, visa à garantia dos princípios da razoável duração do processo e, sobretudo, da dignidade da pessoa humana;

c) quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo;

d) quando houver cessado o motivo que autorizou a coação: neste caso, a prisão, que antes fora regularmente decretada, passa a carecer de fundamentação;

e) quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a autoriza: corolário lógico do art. 5º, LXVI, da CF/88, segundo o qual “ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança”;

f) quando o processo for manifestamente nulo: não interessa, aqui, se a nulidade é absoluta ou relativa, bastando que o vício atinja o ato que ordenou a

prisão ou o andamento do processo após a fase de saneamento, trazendo consequências negativas ao réu ou condenado;

g) quando extinta a punibilidade.

Vale ressaltar que esse rol não é taxativo, mas meramente exemplificativo, considerando que o art. 467 do CPP, ratificando o mandamento constitucional, preceitua que “Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar na iminência de sofrer violência ou coação ilegal na sua liberdade de ir e vir, salvo nos casos de punição disciplinar.”