4. BULGULAR
4.2 İkinci Alt Probleme İlişkin Bulgular
O PSF trabalha com uma lógica diferente dos modelos tradicionais de atenção à saúde, pois a assistência deve ser prestada a partir do pressuposto da promoção da saúde e da atenção primária à saúde. No modelo tradicional a atenção se dá sobre a doença que o indivíduo refere, com ênfase em condutas curativista e a demanda é do tipo espontânea, onde cabe ao usuário a procura pela unidade de saúde. Já a produção do cuidado no PSF é realizada a partir de uma atenção sobre a saúde, com foco não somente no indivíduo, como no modelo anterior, mas neste enquanto sujeito integrado à família e à comunidade e com uma ênfase na integralidade da assistência-cuidado. Aqui, nos reportamos a integralidade no seu primeiro sentido descrito por Mattos (2001).
A demanda agora deve ser programada de forma racional e contínua onde indivíduos que se encontram em grupos prioritários de cuidados, tais como: crianças até 5 anos, gestantes, indivíduos com doenças crônicas etc, possam ter um acompanhamento mais próximo pelos profissionais. Os grupos prioritários são grupos que demandam atenção diferenciada e sistemática por parte das equipes de saúde. (SÁ, 2003). Para Silveira Filho (2005, p.15),
As ações de saúde devem ser orientadas para o cuidado integral dos indivíduos inseridos em suas respectivas famílias e comunidade. Esse é um dos sentidos atribuídos ao princípio constitucional da integralidade no SUS. Destacam-se ainda outros sentidos desse mesmo conceito, como, por exemplo, ver o indivíduo como um todo, um único organismo vivo. Outro se refere à abordagem profissional na assistência aos problemas de saúde dos indivíduos, reforçando a necessidade de profissionais generalistas, que atendam a todas as necessidades de saúde, faixas etárias e fases do desenvolvimento humano. Essa premissa é constante tanto para prática médica, quanto para a enfermagem e odontologia. Esses profissionais devem estar preparados para resolver 85% dos problemas de saúde, por isso não se descarta a necessidade de que as equipes estejam inseridas numa rede assistencial de nível médio e de alta complexidade, onde haja a possibilidade de acessar os profissionais de outras especialidades, como pediatria, clinica médica, endodontia etc. Fato que reforça outro sentido da integralidade no SUS: o de haver uma rede de assistência à saúde hierarquizada e regionalizada, mediada por um sistema de referência e contra-referência.
A proposta do PSF, desenhou-se, desde o início, em torno da integralidade, com o intuito de articular as ações de promoção, prevenção e assistência, tendo como pressuposto desse princípio o trabalho em equipe para alcançar os resultados do programa. (SILVA, 2006).
O maior desafio do PSF tem sido a implantação da integralidade, seja através das ações dos profissionais, seja no que concerne à garantia da atenção nos outros níveis do sistema. No entender de Pinheiro e Luz (2003), segue-se trabalhando ainda de forma
fragmentada, respondendo a demandas pontuais e não temos nos ocupado com a questão da integralidade de uma forma mais completa. As autoras ainda ressaltam, a existência de uma lacuna na produção do conhecimento sobre os efeitos da integralidade das ações de saúde no cotidiano dos serviços de saúde.
Para Conill (2004), dentro da proposta de expansão e consolidação do PSF, o Ministério da Saúde assume o programa como estratégia para conversão do modelo de atenção nos grandes centros urbanos e para assegurar um cuidado integral à saúde. E, neste sentido, a integralidade deve ser levada em conta na avaliação da qualidade do cuidado, dos serviços e sistemas de saúde.
O primeiro sentido da integralidade (MATTOS, 2001), a assistência-cuidado, está vinculado com a visão integral do profissional de saúde em relação ao usuário do serviço. Ela decorre da medicina integral que surge para responder à fragmentação da medicina caracterizada pelo enfoque na especialização e na assistência médica, dificultando a apreensão das necessidades mais amplas do paciente. O modelo flexneriano, fragmentado e reducionista, ressaltava os aspectos biológicos do ser humano em detrimento dos aspectos psicológicos e sociais. A necessidade de se resgatar a percepção do todo e assim, melhor atender às necessidades da população, desencadeou o movimento da Medicina Integral. (SÁ, 2003).
Então, esse primeiro sentido da integralidade está relacionado à atitude dos profissionais de saúde frente a um paciente que traz uma necessidade. Estes profissionais devem buscar conhecer todos os aspectos que envolvem a vida destes sujeitos em prol de construir uma imagem mais ampla desse campo de necessidades, e assim procure atuar para além do sofrimento, para além da doença identificada, buscando condições outras que não relacionadas somente ao motivo da consulta e que possam favorecer ações de promoção e prevenção que resultem em melhorias para a saúde. (SÁ, 2003).
Esse processo de trabalho em saúde deve se dar através de uma equipe, onde as ações devem ser planejadas, organizadas, priorizadas e implementadas a partir da realidade de cada comunidade. O potencial de resolutividade das equipes, pode chegar a 85% de todos os casos que chegam à unidade de saúde.
A equipe do PSF deve trabalhar em horário integral (40 horas semanais), dividido em atividades dentro da unidade de saúde e também fora desta, o que inclui nesta última as visitas domiciliares e ações de educação em saúde. O programa
preconiza ainda o acompanhamento e intervenção nas situações de risco, às quais a população está exposta, resgatando o papel social que cabe à saúde.
A equipe precisa desenvolver um processo de trabalho coletivo e interdisciplinar, e onde a saúde é resultante de uma série de fatores associados tais como: escolaridade, renda, habitação, saneamento básico etc. A saúde não é mais a mera ausência de doença, mas um conjunto de fatores que favorecem um crescimento e desenvolvimento pleno do indivíduo dentro de toda a sua complexidade. Assim, exige- se um processo de trabalho que procure ver nas questões sociais, políticas e econômicas, problemas que influenciam na qualidade de vida e saúde das populações. Nessa nova forma de ver a saúde, os profissionais são levados a um trabalho interdisciplinar e intersetorial onde a saúde deve dialogar com outros serviços a fim de atingir os seus próprios objetivos. Para Silveira Filho (2005, p.16),
A intersetorialidade é condição essencial à Promoção da Saúde e da qualidade de vida da população, uma vez que as ações que promovem a sua melhoria, não se limitam ao setor Saúde. A Saúde da Família deve ser um catalisador e potencializador dos recursos comunitários, governamentais ou não, na busca de solução dos principais problemas da comunidade. A ESF segue sua orientação comunitária por meio do estímulo à participação da população na discussão dos seus problemas de saúde, na busca de suas soluções, na garantia da qualidade dos serviços de saúde, ou seja, no planejamento em saúde.
A equipe também deve buscar um trabalho a partir da construção de projetos terapêuticos pautados na autonomia, e para tanto precisa lançar mão de competências e habilidades, tais como: escuta qualificada e compreensão dos saberes dos usuários, valorizando o conhecimento do sujeito e priorizando intervenções condizentes com a realidade de cada um. (REIS, et.al, 2007).
A equipe necessita desenvolver atividades programadas como as consultas e atividades de demanda espontânea como procedimentos básicos, a exemplo da vacinação, realização de curativos, nebulizações, retirada de pontos etc. As consultas são voltadas a grupos prioritários, principalmente ao binômio mãe-filho, e são: consulta de clínica médica (desenvolvida apenas pelo médico) consulta à criança de 0 a 5 anos denominada de acompanhamento do crescimento e desenvolvimento (médicos e enfermeiros); consultas de acompanhamento pré-natal (desenvolvida por médicos e enfermeiros); consultas de atenção ginecológica para realização do exame de Papanicolau (desenvolvida por médicos e enfermeiros); consultas e orientações para o planejamento familiar e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis
(desenvolvida por médicos e enfermeiros); consultas aos grupos de hipertensos, diabéticos, pacientes portadores de tuberculose e hanseníase (desenvolvida por médicos e enfermeiros); grupos educativos sobre os principais temas de interesse e necessidade da comunidade e ainda visitas domiciliares de acompanhamento às pessoas com limitações, p.ex. acamados, assim como para outras necessidades identificadas.
O enfermeiro do PSF deve ser um profissional generalista que tenha envolvimento/ vínculo com os indivíduos da comunidade, e que paute seu trabalho sob as proposições da promoção à saúde. O trabalho do enfermeiro envolve um leque de ações, desde a realização de consultas de acompanhamento aos grupos prioritários, como gestantes, crianças, hipertensos e diabéticos, até atividades de supervisão e acompanhamento das ações realizadas pelos técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde, passando ainda por atividades de cunho educativo e visitas domiciliares. O foco destas ações, precisa estar assentado sobre a promoção da saúde e prevenção de doenças.
No caso do profissional médico, este também deve atuar como generalista, onde sua função está em proporcionar às famílias meios adequados de vida para potencializar sua saúde. O generalista é o profissional capacitado para resolver até 85% dos problemas que chegam à unidade de saúde e que, em geral, envolve atividades de clínica médica, conseguindo identificar àqueles casos que precisam ser referidos para o atendimento de um especialista. O médico precisa buscar uma atenção integral e continuada para os indivíduos e famílias, com ênfase na promoção e prevenção em saúde, além do diagnóstico precoce e tratamento oportuno. Na agenda do médico também deve ser reservado um espaço para as atividades além do consultório, tais como as visitas domiciliares e participação no trabalho educativo. Essa participação, permite ao médico contribuir com novos conhecimentos para a população sobre problemas de saúde e formas de enfrentamento, e possibilitam ao mesmo aproximar-se das pessoas e compreender melhor seus modos de levar a vida, suas carências e possibilidades. (REIS, et.al, 2007).
É através do trabalho educativo e das visitas domiciliares, que os profissionais de saúde se aproximam das famílias. Esse é um momento de interação, de conhecimento e reconhecimento dos seus hábitos, crenças, das suas formas de relacionamento com os seus membros e com os demais, seus laços de solidariedade etc, fatos essenciais para o desenvolvimento das ações de saúde visando a promoção desta.
Existe ainda o trabalho do agente comunitário de saúde, que atua como elo entre a comunidade e os profissionais de saúde. Tem o trabalho do técnico de enfermagem que auxilia o trabalho de médicos e enfermeiros e também atua no trabalho coletivo, além de outros profissionais que estão a cada dia se inserindo no PSF, a depender da necessidade de cada município. Não será feito detalhamento das atividades destes profissionais tendo em vista que os mesmos não serão objeto de avaliação deste trabalho, mas cabe ressaltar que fazem parte do trabalho no PSF e atuam conjuntamente com médicos e enfermeiros em busca de um atendimento integral e pautados na promoção da saúde. Toda a equipe, como já colocado anteriormente, desenvolve essas atividades numa jornada de trabalho de 40 horas semanais, durante cinco dias da semana (de segunda-feira à sexta-feira).
As atividades de todos os profissionais, são registradas diariamente e consolidadas mensalmente para alimentar o Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB). Este é um sistema produzido para agregar e processar as informações sobre a população assistida. Essas informações são recolhidas em fichas de cadastramento e acompanhamento das famílias e analisadas com base em relatórios de consolidação de dados. (REIS, et.al,2007).