No âmbito da política de contenção dos preços agrícolas deparamos com o
tabelamento dos preços, como acabámos de mencionar brevemente, o qual travava o
funcionamento da lei da oferta e da procura. Esta política seria fortemente criticada pela grande lavoura352, pelo que seria alterada em Novembro de 1915353, com o aumento do preço do trigo e concedendo a liberdade de comércio e de circulação de vários
350
ADF. Inventário do Governo Civil. Livros Copiadores de Correspondência do Governo Civil, 1918 (150A), «Ofício ao Snr. Administrador do Concelho de Albufeira», 2.º Secção, n.º 768, 6 de Novembro de 1918. 351 Província do Algarve, n.º 376, 12/03/1916, p. 3. 352 Cf. Decreto n.º 2.488, de 30/6/1916. 353
Decretos n.º 1969, 18/10/1915; n.º 2.004, 1/11/1915; n.º 1.916, 28/9/1915 e essencialmente o decreto n.º 2.010, de 2/11/1915.
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produtos354. Para estes lavradores a legislação era abundante, errada e contraditória, onde não se vislumbrava «nem um rasgado intuito proteccionista...»355.
Pelo mesmo diapasão caminhavam alguns representantes algarvios, acentuando que a diminuição das culturas, nomeadamente dos cereais, entroncava nas providências legislativas, no aumento dos salários agrícolas e dos factores de produção empregues na agricultura. Os adubos, por exemplo, tinham passado de 32$50 por tonelada a cerca de 35$00. Incumbiria ao Estado subsidiar a União Fabril de forma a baixar o preço do adubo356. Mas, também, as sementes de aveia, de cevada, assim como os gados e os produtos seus derivados atingiam preços exorbitantes. A lavoura tinha, porém, o dever
«patriotico» de aumentar as sementeiras357, estacando a hemorragia de divisas. A indústria dos produtos necessários à agricultura deveria acompanhar aquele dever, designadamente, aquela empresa qualificada de «monstruoso potentado», que devia igualmente «retrair um pouco as garras e não continuar a exploração da miséria, o
engordamento sem escrupulos à custa do suor do povo»358.
A grande agricultura defendia a revisão anual do regime cerealífero, mas obedecendo aos princípios da lei proteccionista de 14 de Julho de 1899, «com as
modificações que as circunstâncias do momento aconselharem»359.
Perante os entraves à circulação, defendiam o comércio livre com preços de mercado que incentivassem o lavrador a cultivar, visto que, em caso oposto, ameaçavam deixar de semear. Os lavradores desconfiavam de um governo que era presidido por uma personalidade – Afonso Costa -, «que sempre se tem afirmado um inimigo
354“Apelo aos agricultores portugueses”, Boletim da Associação Central da Agricultura Portuguesa, n.º
11, Novembro 1915, pp. 428-431.
355 NUNES, Herculano, “A questão cerealífera”, A Manhã, citado in Boletim da Associação Central da
Agricultura Portuguesa, n.º 5-6, Maio-Junho 1917, p. 182.
356
No Algarve, a utilização de adubos químicos era ainda muita escassa, mas grande o «antigo processo das queimadas do mato». Mas, mesmo que os agricultores algarvios não utilizassem este tipo de adubo, sempre poderiam recorrer a outros fertilizantes existentes na própria província. Podiam aproveitar os resíduos do peixe (o guano)., as cinzas do acetileno usado nas fábricas para o aquecimento do ferros de soldar, os despojos caseiros, as águas das lavagens e das salmoiras quando lançadas em nitreiras e os despejos e varreduras de casa, dos currais, das cavalariças e cinzas. Em resumo: para os campos mais extensos da beira serra o uso de adubos químicos seria imprescindível, para os terrenos mais próximos do mar, os restantes tipos de adubo (“Adubações”, O Algarve, n.º 470, 25/3/1917, p. 1).
357
Também Salazar defendia o aumento da produção interna como única solução para a resolução da questão das subsistências (SALAZAR, “Alguns Aspectos da Crise das Subsistência (1918)”, Inéditos e Dispersos, II, Estudos Económico-Financeiros (1916-1928), Tomo I, p. 372. Não deixaria de sublinhar a «greve» dos proprietário à produção como medida retaliatória às medidas governamentais.
358CAMOESAS, João, “A proposito das sementeiras”, A Verdade, Lagos, n.º 15, 17/9/1916, p. 1.
359“A reunião dos lavradores em S. Carlos”, Boletim da Associação Central da Agricultura Portuguesa,
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declarado da propriedade e da liberdade de comércio»360. E, até, José Relvas, um republicano histórico e grande lavrador, afirmava que não se consentisse que continuasse no poder um governo «que é o maior inimigo da Patria»361.
Para a grande agricultura e para outros sectores sociais, a maneira de ultrapassar o deficit cerealífero seria intensificar a produção, assim como implementar paralelamente outras medidas em prol do fomento agrário362, designadamente o aumento em 15% do preço da tabela do trigo estabelecido no decreto n.º 2.010, e aumentos correspondentes no preço dos outros cereais, auxílio nos adubos, sementes, transportes, instrumentos de trabalho e crédito agrícola363.
Perante as dificuldades que o país atravessava em consequência da enorme escassez de bens essenciais foi criada no âmbito do Ministério do Trabalho e dependente da Direcção Geral da Agricultura, a Repartição de Mobilização Agrícola, cujo objectivo seria a intensificação da produção por intermédio de uma vasta de panóplia de incentivos e de auxílios à agricultura364. A legislação que ficaria paralisada. O golpe sidonista apoiado por importantes latifundiários dar-se-ia poucos dias depois. Apenas, coincidência?
A intensificação da produção foi também uma exigência do movimento operário, com vista à diminuição do custo dos bens essenciais365. E, no âmbito daquela, reclamaram a posse da terra, através da «Socialização dos baldios e terrenos
camarários incultos, que serão entregues à exploração dos sindicatos de trabalhadores rurais e dos quais se tornarão, por título gratuito, usufrutuários durante um período nunca inferior a três anos,...». Propugnavam igualmente que o Estado fornecesse
adubos, sementes e crédito, e, emprestar instrumentos de trabalho (alfaias, máquinas e gado)366.
360“Reclamações da lavoura”, Boletim da Associação Central da Agricultura Portuguesa, n.º 5-6, Maio-
Junho 1917, p. 186.
361 “A reunião dos lavradores em S. Carlos”, Boletim da Associação Central da Agricultura Portuguesa,
n.º 3, Março 1917, p. 87.
362“A intensificação das culturas cerealíferas em Portugal. Conferência do Sr. Prof. Engenheiro Fernando
de Almeida Loureiro e Vasconcelos no Ateneu Comercial”, Março de 1917, Boletim da Associação Central da Agricultura Portuguesa, n.º 5-6, Maio-Junho 1917, pp. 152-155.
363“A intensificação das culturas cerealíferas em Portugal. Conferência do Sr. Prof. Engenheiro Fernando
de Almeida Loureiro e Vasconcelos no Ateneu Comercial”, Março de 1917, Boletim da Associação Central da Agricultura Portuguesa, n.º 5-6, Maio-Junho 1917, p. 157.
364
Decreto n.º 3.619, de 27/11/1917, da autoria do ministro do Trabalho, Lima Bastos.
365“Reclamações operárias – 1918. Documento da UON – Março de 1918”, in PEREIRA, J. Pacheco, As
Lutas Operária Contra a Carestia de Vida em Portugal, p. 88.
366
A Voz do Operário, n.º 1967, 3/3/1918, cit. in PEREIRA, J. Pacheco, As Lutas Operárias ..., pp. 88 e 133.
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Com a guerra a bater à porta, a questão magna dos incultos regressaria à cena no 2.º Congresso dos Trabalhadores Rurais, realizada em Évora de 5 a 7 de Abril de 1913 e no IV Congresso Nacional do Partido Socialista, realizado no Porto, em Junho daquele ano367. Em 1916, encontrava-se para aprovação um projecto-lei sobre baldios apresentado pelo deputado António Maria da Silva e, depois pelo deputado algarvio João Pedro de Sousa. Neste contexto, as classes operárias de Faro, perante a gravíssima crise de subsistências e pela falta de trabalho, reclamavam a anulação do imposto de consumo sobre os géneros de primeira necessidade e abertura de trabalhos públicos. O presidente da comissão executiva da Câmara Municipal de Faro, Filipe Baião, dando a conhecer ao Parlamento esta difícil situação, solicitava a urgente aprovação daquele projecto para que com os recursos financeiros provenientes da venda dos baldios camarários pudesse fornecer trabalho aos operários desempregados368.
Em Setembro de 1918, perante o agravamento da falta de subsistências, seria publicada legislação que contemplava a divisão dos baldios das câmaras municipais e das juntas de freguesia para a cultura de cereais, feijão, fava, grão-de-bico e batata. Desconhecemos se qualquer baldio algarvio terá usufruído de tão benemérita acção cultural, melhor, estamos certos que nenhum terá sido aforado369.
Desde Setembro de 1914 que registamos nos livros respeitantes ao administrador do concelho de Loulé a afixação do preço dos géneros de primeira necessidade. É também muito provável que os mesmos nunca tenham sido cumpridos. O incumprimento ter-se-á agravado, visto que em Outubro de 1915, o administrador julgava imprescindível o concurso da Guarda Nacional Republicana para fiscalizar o cumprimento de mais uma tabela de preços de géneros370. De facto, fora publicada em 18 de Setembro de 1915, uma nova tabela de preços máximos, a qual era já requerida, visto que «atingia o cumulo do excessivo tal como se estava explorando o comprador,
sendo motivo dos mais justos protestos de indignação por sua parte»371.
Em «Editorial», o semanário O Algarve mostrava-se favorável à institucionalização das tabelas e criticava os lavradores que se vinham insurgindo contra
367
SÁ, Victor de, “Projectos de reforma agrária na Primeira República”, Liberais e Republicanos, pp. 162-163.
368
ADF. Fundo: Câmara Municipal de Faro, Serviços Administrativos, Correspondência Expedida, 1915- 1916, «Aos Exmos. Presidentes Câmara Deputados e Senado», Março 1916, Livro 46, C/A..5.
369
Decreto n.º 4.812, de 14/9/1918.
370
AHML. Administrador do Concelho de Loulé. Copiadores de Correspondência Expedida, «Ofício ao Exmo. Governador Civil de Faro«, n.º 1497, de 14/10/1915, Lv050 (1914-1915).
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aquelas. Os proprietários rurais tinham sido os mais favorecidos com a crescente valorização dos produtos agrícolas, levando-os a uma «situação de bastante desafogo e
aumento de seus haveres, bem avantajada sobre a situação das outras classes»372. Contudo, outros as contestavam, considerando-as prejudiciais, visto que despertava no vendedor o «espirito de sonegação e de união solidaria, sentimentos
estes que sem a tabela seriam substituídos pela livre concorrencia». Na continuação,
criticava-se ainda a proibição de exportar géneros de um para o outro concelho, considerado um açambarcamento, defendendo que o «equilibrio natural é a unica
solução»373. E quando os artigos eram apreendidos pela Guarda-fiscal, iam, posteriormente, a leilão, e eram vendidos «num estabelecimento do estado por preços
superiores aos das tabelas oficiais»374.
Contudo, nem todas as localidades tinham tabelas. Uma delas foi Vila Real de Santo António que, ainda em finais de Junho de 1916, não tinha instituído esta forma de tentar infrutiferamente travar a constante subida dos preços. Havia, isso sim a do peixe, mas não primava pela «equidade». O pescador, esquivava-se a vender o peixe, porque a tabela não lhe era compensadora, indo vender o produto às povoações vizinhos que lhe pagavam melhor, ou vendia-o de contrabando. O redactor da notícia, que assinava com o pseudónimo de «T», dava o exemplo para o atum. Segundo ele, a tabela estipulava o preço $16 por quilo, quando a dúzia se vendia a mais de 400$00. Resumindo: com este preço, cada atum ficaria ao fabuloso preço de 33$00. A todo esta situação, acrescentava- se apenas a obrigatoriedade da tabela de preços no mercado de peixe, mas não para a verdura e principalmente para os estabelecimentos de géneros alimentícios a retalho. Para aquele correspondente do semanário unionista Província do Algarve, eram os
«mandões», porque sabiam «que se assim o fiserem ninguem aparece no mercado e não só terão sequer uma folha de couve para comer, com tambem lhe vai afectar os seus interesses, como lojistas e como toda essa gente que vem à praça, é de fora, se não vem, ficarão as lojas às moscas,...». E, afinal, quem eram os lojistas de Vila Real de Santo
António? Eram os «apoderados da terrinha, e portanto senhores de baraço e cutelo a
quem as autoridades locais, quasi sempre frouxas de seu, e dependentes deles, nem
372“Questões graves”, O Algarve, n.º 474, 22/04/1917, p. 1.
373GUERREIRO, F., “Carestia de vida”, O Imparcial, Lagos, n.º 3, 13/2/1916, p. 1. 374
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sequer tentam pedir-lhes contas porque temem vinganças, e então fecham os olhos e deixam correr o marfim»375.
Quem protestou e muito, em meados de Agosto de 1918, contra as tabelas dos preços dos géneros para venda ao público foram os merceeiros de Olhão. Num extenso ofício, o administrador do concelho rebatia as alegações daqueles, enviadas ao Governador Civil. O protesto tinha sido redigido por Paulino de Jesus, «arrastando os
colegas a assignarem o que não comprehenderam...»376.
E para que as tabelas não fossem destruídas, por mal intencionados», o administrador mandara um polícia cívico, no dia 3 de Agosto, «pregar com goma n‟uma
folha de madeira uma tabela e expol-a na praça da hortaliça e outras em logares bem publicos, conservando-se aquella ainda ali na praça». Contudo, como o número de
tabelas fora insuficiente, o administrador mandara reimprimir mil e distribuí-las.
No dia 4 ou 5 de Agosto, a Guarda-fiscal, com a assistência do regedor da freguesia, tinha apreendido na mercearia de «Paulino Limitada», do referido Paulino de Jesus, «não sei quantas caixas» de sabão vendidas por preço superior ao tabelado. Paulino teria atribuído ao administrador o epíteto de desleal. E para fugir ao pagamento da multa tinha lançado mão de vários subterfúgios: «Como as tabellas que mandei
reimprimir só começaram a ser distribuidas no dia 7, elle só d‟estas diz ter conhecimento, negando que fossem expostas ao publico aquellas que officialmente me foram enviadas, querendo d‟esta‟arte fazer ver que a Guarda Fiscal lhe fez a aprehenção ilegal e antes de tempo. O que não é assim».
O administrador repudiava, ainda, o libelo de ter alguma comparticipação nos interesses provindos da multa. Quanto à ameaça dos merceeiros estarem na determinação de encerrarem os seus estabelecimentos, o administrador solicitava uma resposta do Governador Civil.
Finalmente, informava que no dia 17 de Agosto, a Comissão, presumimos que de merceeiros, se tinha apresentado na administração do concelho, à excepção de Paulino de Jesus, a qual declarou que não «tiveram em vista melindrar o Administrador
375“As Tabelas”, Província do Algarve, n.º 392, 02/07/1916, p. 2. 376
AHMO. Administrador do Concelho, Correspondência Expedida (Copiadores), «Ofício ao Exmo. Sr. Secretário Geral do Governo Civil do Districto de Faro», n.º 182, Olhão, 18/08/1918. SR:A/A.2.79, 1918- 1919 – Governador Civil n.º 1.
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e que mesmo não tiveram conhecimento do que se dizia no primeiro ponto, estando prontos a desdizerem-se publicamente»377.
Mas voltariam à carga os merceeiros de Olhão. A 10 de Setembro, o infatigável administrador, voltava a informar o Governador Civil que, novamente, uma comissão de merceeiros tinha vindo alegar não poderem vender banha, toucinho e sabão, ao preço da tabela, visto que aqueles produtos eram vendidos em Lisboa mais caros. O administrador rogava à autoridade distrital que autorizasse a alteração dos preços dos referidos produtos constantes na tabela em vigor ou, então, que o Governador Civil se dignasse a estabelecer os preços de venda dos mesmos378.
Alguns dias decorridos, lá vinham os pressurosos merceeiros, declarando que não podiam vender a banha e o toucinho por «menos de 1$60 cada quilo»379.
Desconhecemos como terá terminado a «guerra das mercearias», mas, estamos convencidos, tendo presente o «espírito do tempo», que o final da contenda terá sido favorável aos merceeiros.
Muito perto de Olhão, em finais de Setembro de 1918, era o povo de Tavira a reclamar ainda contra a existência destas tabelas380.
Apesar de toda a arquitectura das tabelas para manter os preços controlados, elas não eram cumpridas. E o mecanismo era simples. Quando o preço era baixo a mercadoria desaparecia e era escondida. Depois, o comprador tinha de «andar de
chapeu na mão a pedir que lhe vendam e, como precisa, despeja a aljibeira à vontade do açambarcador». Era, assim, para o açúcar, para os ovos e o peixe381.
377
AHMO. Administrador do Concelho, Correspondência Expedida (Copiadores), «Ofício ao Exmo. Sr. Secretário Geral do Governo Civil do Districto de Faro”, n.º 182, Olhão, 18/08/1918. SR:A/A.2.79, 1918- 1919 – Governador Civil n.º 1.
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AHMO. Administrador do Concelho, Correspondência Expedida (Copiadores), «Ofício ao Exmo. Sr. Governador Civil do Districto de Faro”, n.º 220, Olhão, 10/09/1918. SR:A/A.2.79, 1918-1919 – Governador Civil n.º 1.
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AHMO. Administrador do Concelho, Correspondência Expedida (Copiadores), «Ofício ao Exmo. Sr. Governador Civil do Districto de Faro”, n.º 229, Olhão, 14/09/1918. SR:A/A.2.79, 1918-1919 – Governador Civil n.º 1.
380
ADF. Inventário do Governo Civil, Livros de Registo de Correspondência Recebida pelo Governo Civil, 1916-1920 (177A), «Ofício da Comissão Administrativa de Tavira», 26/9/1918.
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