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4. BULGULAR

4.2 İkili Diferansiyel Tesir Kesitleri (DDCS)

Uma vez estabelecido o controle da cidade de Jerez, Alfonso X voltou sua atenção para o pequeno reino de Niebla. Não há, nas fontes alfonsinas, a indicação de alguma atitude de Ibn Mahfut, rei de Niebla, que provocasse o rompimento de vassalagem por parte do monarca castelhano e justificasse a invasão.

A Crónica de Alfonso X, embora não apresente nenhuma razão que justificasse a guerra contra Niebla, relaciona-a à questão do Algarve:

E porque el Algarbe tenían todo los moros e la cabeça desto era Niebla, de que era entonçes sennor vn moro que dezían Abén Mafod, el rey mandó llamar a los ricos omnes de su reyno e a todos los fijosdalgo et los de los conçejos, e sacó su hueste e fizo çercar la villa de Niebla235.

Entretanto é preciso observar que, apesar do que diz o cronista, em 1261 nem todo o Algarve estava em poder do rei de Niebla. O território a oeste do rio Guadiana já havia sido conquistado por Afonso III, de Portugal. Embora fosse motivo de disputa entre o rei português e Alfonso X, o território estava, nessa ocasião, sob a soberania castelhana. Nada leva a crer que, intencionalmente, Alfonso X pretendesse romper a vassalagem e mover uma guerra contra o rei de Niebla, apenas para pressionar o rei de Portugal.

Para González Jiménez, que aceita a tese do cronista marroquino Ibn Idhari, segundo o qual o desastre da expedição contra Salé teria enfurecido Alfonso X, a invasão do reino de Niebla foi a forma encontrada pelo monarca castelhano de “[...]

ofrecer al reino un éxito militar que compensara ante la opinión pública el fracaso de la costosa expedición naval contra Salé”236.

Para S. Sobrequés, o cerco de Niebla deveu-se ao rompimento de vassalagem por parte de Ibn Mahfut, que, seguindo o exemplo de Jerez, também havia se declarado independente237.

235 CAX (1998, p.16).

236 GONZÁLEZ JIMÉNEZ (2004, p.148).

A Crónica de Alfonso X relata que, por se tratar de uma cidade bem fortificada e guarnecida por uma população numerosa, o cerco demorou longo tempo:

[...] acabados nueve meses e medio que aquella villa fue cercada, el rey Abén Mafod enbió pedir merçed al rey don Alfonso que le dexase salir a saluo a él e a todos los que con él estauan con todo lo suyo, e a él que le diese heredades llanas en que se podiese mantener en toda su vida, et que le entregaría la villa de Niebla e la tierra del Algarbe238.

Com efeito, Alfonso X atendeu às reivindicações do rei de Niebla, o que tornou a capitulação desse reino inusualmente generosa. Se se tratasse de um cerco a um revoltoso, como afirma Sobrequés, a conseqüência lógica teria sido a aplicação das leis de guerra da época, ou seja, a expulsão das autoridades e de toda a população muçulmana, a exemplo do que aconteceu com os habitantes de Sevilha.

Não foi, segundo a Crónica de Alfonso X, o que realmente aconteceu:

El rey don Alfonso dio aquel rey Abén Mafod tierra en que bisquiese para toda su vida, que fue ésta: el lugar del Algaua, que es çerca de Seuilla, con todos los derechos que avía y el rey e con el diezmo del azeyte mesmo dende. E dióle la huerta de Seuilla que llaman la Huerta del Rey e quantías çiertas de marauedís en la Judería de Seuilla e otras cosas con que este rey Abén Mafod ouo mantenimiento onrado en todo su vida239.

Estranhamente, Joseph O’Callaghan afirma: “una vez conquistada la ciudad [de Niebla] los moros fueron obligados a evacuarla, iniciándose así la repoblación

cristiana”240.

238 CAX (1998, p.17). 239 CAX (1998, p.18).

Não é o que diz o cronista de Alfonso X, que segue afirmando categoricamente que: “[...] algunos lugares de los que estonçe el rey ganó dexó

poblados de moros”241.

Em seu firme propósito de relacionar o cerco de Niebla às intenções castelhanas sobre o Algarve, o cronista encerra o capítulo VI da Crónica de Alfonso

X afirmando: “et el rey don Alfonso, desque ouo ganado Niebla, cobró por todo esto el Algarbe, que son la villa de Niebla con sus términos e Gibraleón e Huelua e Serpia e Mora e Alcantyn et Castro Maryn e Tauira e Faro e Laulé”242.

Conforme observamos ao discutir a “questão do Algarve”, as relações entre Alfonso X e Afonso III, de Portugal, eram, naquela época, bastante cordiais. Quer seja em atenção à sua filha Beatriz, esposa do rei português, quer em atenção ao seu neto, Dom Dinis, Alfonso X renunciaria, em 1264, a todos os seus direitos sobre as terras do Algarve conquistadas pelos portugueses.

Para Alfonso X, que não havia desistido da cruzada à África, a conquista de Niebla teria uma dupla vantagem: eliminaria um enclave muçulmano muito próximo a Sevilha e ampliraria o controle castelhano sobre uma vasta costa atlântica situada entre o rio Guadiana e o Guadalquivir243, mesmo que essa conquista implicasse uma

definição em relação ao Algarve244.

241 CAX (1998, p.18). 242 CAX (1998, p.19).

243 Conferir mais à frente, Figura 8, p.130. 244

ALFONSO X E A SUBLEVAÇÃO MUDÉJAR DE 1264:

FINALIZAÇÃO DA POLÍTICA DE CONSOLIDAÇÃO

TERRITORIAL DA MONARQUIA CASTELHANA

3.1 A GRANDE SUBLEVAÇÃO MUDÉJAR DE 1264

Finalizada a conquista de Niebla, Alfonso X continuou em seu firme propósito de conquistar “[...] Espanna e Marrocos e Ceta245 e Arcilla”246. Para isso solicitou a

Muhammad I, rei de Granada, a entrega dos portos de Gibraltar e Tarifa, pontos estratégicos para dar continuidade à cruzada da África.

Tudo leva a crer que esse pedido já havia sido feito durante as Cortes de Toledo, realizadas em fins de 1259. Entretanto, só foi formalizado em maio de 1262, quando ocorreram as conversações.

Enquanto aguardava a decisão do rei de Granada, Alfonso X continuou sua política de controle dos territórios muçulmanos recentemente incorporados à Coroa de Castela. No início de 1263, ordenou aos mudéjares de Ecija que deixassem a cidade, cujo señorío entregou à sua esposa, a rainha Violante.

245 A conquista de Ceuta, importante cidade da costa do Marrocos, defronte a Gibraltar, sempre foi o objetivo de Alfonso X. A investida contra Salé foi apenas uma primeira aproximação, o reconhecimento do terreno, no caso de uma guerra.

Perante tal ameaça, Muhammad I percebeu que a entrega dos portos de Tarifa e Gibraltar impediria que ele recebesse qualquer ajuda do norte da África, caso Alfonso X resolvesse invadir Granada. Se cedesse às exigências de Alfonso X, correria o risco de facilitar a destruição do próprio reino e de ser deposto pelo próprio povo, que haveria de considerá-lo traidor.

Segundo a Crónica de Alfonso X:

El rey de Granada, veyendo el gran afincamiento de la guerra en que estaua, enbió rogar Abén Yuçaf247 que le enbiase alguna gente en su ayuda, et enbióle mill caualleros et vino por cabdillo dellos vn moro que era tuerto del vn ojo e dezían que era de los más poderosos que avía y allén la mar248.

Segundo Jaime I, rei de Aragão, Muhammad I já vinha tramando a sublevação contra Alfonso X há algum tempo: “[...] el rey de Granada hacía tiempo

que se había procurado la ayuda de los moros de ultramar, quienes infiltraban jinetes en su tierra”249.

Ainda segundo o monarca aragonês, a intenção do rei granadino era “[...]

recuperar toda la tierra del rey de Castilla y todo lo que habían perdido, ante Nos u otros, en toda Andalucía”250.

No entendimento de Jaime I, para lograr tal objetivo

[...] el rey de Granada había convenido con todos los castillos y las villas que tenía el rey de Castilla donde hubiera moros – incluido Sevilla, donde había un gran número – que en un día determinado se levantasen todos y atacasen a los cristianos, que el rey de Castilla y

247 Emir do Marrocos. 248 CAX (1998, p.37). 249 JAIME I (2003, p.414). 250

su mujer fueran hechos prisioneros y se recobrasen de golpe todas las villas y castillos251.

De fato, tratava-se de uma ameaça concreta contra a vida de Alfonso X. Conforme argumenta o monarca aragonês, “[...] si no le hubiesen descubierto al rey

de Castilla el complot de Sevilla, habrían podido perder la vida él, la mujer y los hijos”252.

Exceto a afirmação um pouco incerta sobre a existência de muitos muçulmanos em Sevilha, que aderiram à conspiração contra Alfonso X253, o relato de Jaime I coincide com o apresentado na Crónica de Alfonso X, inclusive no que diz respeito ao desafio feito pelo monarca castelhano ao rei de Granada pela introdução, em Castela, de ginetes vindos do Marrocos.

As fontes alfonsinas não indicam a data exata em que teve início a sublevação dos mudéjares liderados pelo rei de Granada. Os acontecimentos levam a crer que tenha ocorrido por volta de maio de 1264.

Simultaneamente à sublevação dos mudéjares da Andaluzia e de Murcia, os exércitos granadinos investiram contra os pontos mais avançados da fronteira castelhana. Segundo Manuel González Jiménez:

Contando con la ayuda de unos 3.000 voluntarios de la fe de origen zenete desembarcados en Algeciras y Tarifa, Muhammad I pudo llevar a cabo una serie de razzias devastadoras por todo el valle del Guadalquivir y el reino de Murcia. Valiéndose del factor sorpresa, los granadinos tomaron por asalto y arrasaron numerosas fortalezas; otras pudieron resistir hasta la llegada de refuerzos254.

251 JAIME I (2003, p.415, grifo nosso). 252 JAIME I (2003, p.415).

253 Conforme observamos anteriormente, logo após a conquista de Sevilha, em 1248, os muçulmanos foram expulsos.

Uma das primeiras fortalezas a cair em poder dos sublevados foi o alcácer de Jerez, ocupado pelas forças castelhanas em 1261, cuja tenencia havia sido dada a Dom Nuño González de Lara, que a entregou a García Gómez Carrilo255.

Segundo a Crónica de Alfonso X, Gómez Carrilo resistiu bravamente até que todos os seus homens foram mortos. Os muçulmanos o prenderam e o pregaram com “[...] garfios de fierro en algunos lugares de la carne [...] e apoderáronse del

alcáçar e fueron los moros apoderados en todo”256.

Isso não é, efetivamente, o que revela o próprio Alfonso X na Cantiga 345. Segundo o monarca, Dom Nuño González de Lara estava em Jerez acompanhado de alguns cavaleiros quando os muçulmanos atacaram a fortaleza. Assim que recebeu o reforço que havia solicitado junto ao rei, esse nobre abandonou o castelo, pois acreditava que não poderia defendê-lo e não queria morrer ali. Dom Nuño deixou em seu lugar um pequeno grupo de homens “[...] tan mal equipados [...] que

antes del medio día se perdió el castillo”257.

Embora tivesse reprovado a atitude de Dom Nuño, no momento o monarca nada lhe disse; pelo contrário, concedeu-lhe novos rendimentos para compensar as perdas que havia sofrido com a tomada de Jerez pelos granadinos.

Melhor sorte teve a fortaleza de Matrera, que havia sido entregue a Dom Alemán, mestre de Calatrava. Uma passagem da Crónica de Alfonso X revela:

[...] los moros de Matrera cuydaron prender al freyre don Alimán, que tenié la torre de Matrera sobre la segurança, estando con él fablando, entendiólos bien lo que querían fazer e acogióse con algunos de los suyos a la torre. E los moros touiéronlo çercado grant tienpo e

255 Ver Capítulo 2, item 2.6, p.103. 256 CAX (1998, p.31).

conbatieron la torre et él defendióla bien que gela non pudieron tomar258.

Por sua vez, os muçulmanos de Arcos, Lebrija, Medina Sidonia e outras vilas se uniram aos revoltosos e se declararam livres do controle castelhano. Em Murcia o rei Abu Jafar, vassalo de Alfonso X, manteve-se fiel ao monarca, mas seu primo, conhecido por Alboaquez, sublevou-se e reconheceu como suserano Muhammad I, rei de Granada.

Uma passagem da Crónica de Alfonso X relata que “[...] el rey Alboaquez259 et todos los otros moros que auían fincado en el regno de Murçia alçáronse contra el rey don Alfonso e cobraron algunos de los castillos que tenían los christianos”260. Segundo o rei de Aragão, Jaime I, “[...] en tres semanas perdió el rey de Castilla

trescientos lugares, entre ciudades, villas grandes y castillos”261.

Benzer Belgeler