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İkili Anlaşma (İA) Kullanım Miktarının Hesaplanması ve İncelenmesi

3. VERİLERİN İNCELENMESİ

3.3. İkili Anlaşma (İA) Kullanım Miktarının Hesaplanması ve İncelenmesi

A Conjuntura fazia, na realidade, um acompanhamento sistemático da situação econômico-financeira do país, além de ser um veículo de divulgação dos índices econômicos da FGV.

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Quando Eugênio Gudin criou o Núcleo de Economia da Fundação Getulio Vargas, formaram-se grupos responsáveis pela construção do balanço de pa- gamentos, pela elaboração do índice de preços e pelo estudo da renda na- cional. Foram também lançadas, em 1947, a Revista Brasileira de Econo-

mia e a Conjuntura Econômica, ambas publicadas até hoje. Poderia nos

falar sobre essas revistas?64

Octavio Bulhões — A que mais se destacou foi a Conjuntura Eco- nômica. A Revista Brasileira de Economia não teve o mesmo grau de evo-

lução. A Conjuntura tinha um caráter menos científico, mais informativo, e por isso atingiu um número maior de leitores, despertou maior interesse. As pessoas que a dirigiam também eram mais dinâmicas, a começar por Denio Nogueira e principalmente Paulo Rabello. A influência humana é muito forte na evolução das instituições. Não houve o mesmo dinamismo à frente da Revista Brasileira de Economia, e além disso ela era muito mais teórica do que informativa. Ficou com um público muito restrito, enquan- to o da Conjuntura crescia.

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A revista Conjuntura Econômica começou a ser publicada em 1947. Como foi esse lançamento?65

Jorge Flôres — Quem fez a Conjuntura Econômica foi Richard Lewin- sohn, apoiado por mim. Lewinsohn era um economista polonês que tinha vindo para o Brasil durante a guerra e fora contratado pelo Dasp. Quando coordenei a primeira mensagem do presidente Dutra ao Congresso, em 1946, requisitei para cá o Lewinsohn e o Bulhões, porque nesse tempo a Fundação ainda não tinha criado o seu Núcleo de Economia. Eles ficaram aqui, e o Lewinsohn insistia em fazer a Conjuntura Econômica. Eu falava com Gudin, mas ele só queria saber da Revista Brasileira de Economia, de altos es-

64 Trecho extraído de Octavio Gouvêa de Bulhões: depoimento, op. cit., p. 68. Sobre as re- vistas publicadas pela FGV, ver Jorge Gustavo da Costa, Fundação Getulio Vargas: pionei-

rismo a serviço do desenvolvimento nacional, op. cit.

65 Entrevista publicada em J. O. de Mello Flôres, Na periferia da história, org. por Maria Ce- lina D’Araujo, Ignez Cordeiro de Farias e Lucia Hippolito, op. cit., e complementada para esta publicação.

tudos. Aí eu, que estava pagando ao Lewinsohn e ao redator-chefe, Américo Barbosa de Oliveira, fiz a revista à revelia do Gudin. Quando saiu o primeiro número, ele foi ao Simões e pediu demissão, alegando que eu havia inter- ferido na sua área sem consultá-lo. Simões me telefonou, perguntando o que estava acontecendo. Respondi: “Eu não ia ficar parado, pagando ao Richard Lewinsohn e aos seus auxiliares para eles não trabalharem. Mas a solução do problema é muito simples: basta entregar a revista ao Gudin”.

Gudin tinha uma certa razão. Foi ele quem iniciou, no Núcleo de Economia, a elaboração do balanço de pagamentos, que o Brasil não ti- nha. Só havia um balanço comercial feito no Ministério da Fazenda. De- pois fez as contas nacionais e estava começando a parte de econometria, isto é, os índices de preços. Então ele dizia: “Como é que sai uma revista com índices, quando agora é que estou começando a estudar a compo- sição desses índices?! Como foram feitos esses índices?”

Pois é, como foram feitos?

Jorge Flôres — Richard Lewinsohn tinha um “olhômetro” muito

bom para escolher parâmetros indiretos enquanto não dispunha de dados diretos. Houve uma sessão, a que eu assisti, com a turma toda do Núcleo de Economia sabatinando o Lewinsohn. Ele saiu-se airosamente, e Gudin aceitou a Conjuntura Econômica.

No início dos anos 50 o senhor discordou dos rumos que alguns economistas estavam dando à Conjuntura Econômica, à qual se agregou, durante um certo tempo, a seção “Conjuntura Social”.66 Como foi esse episódio?

Jorge Flôres — O redator-chefe da Conjuntura Econômica era Américo

Barbosa de Oliveira, contemporâneo meu de Escola de Engenharia, três tur- mas abaixo da minha. Fui assistente do pai dele, que era o catedrático de hi- dráulica. Mas Américo fazia parte de um grupo do tipo dom Hélder Câmara. Quer dizer, uma turma que foi fascista, mas que, principalmente, era anti- capitalista e que, quando o fascismo fracassou, passou para a esquerda. Eu lidei mais com o Américo no tempo em que ele tinha uma grande admira- ção pela Alemanha de Hitler. Depois ele inventou, com o Lewinsohn, de criar aqui a “Conjuntura Social”, que era uma parte final da Conjuntura Eco-

nômica. Encheu isso aqui de socialistas, trouxe inclusive o Celso Furtado.

66 A “Conjuntura Social” foi publicada de novembro de 1950 a fevereiro de 1958. O pri- meiro redator-chefe foi Thomas Russel Raposo de Almeida, que em 1951 foi substituído por Thomaz Pompeu Acioly Borges.

A “Conjuntura Social” começou a publicar coisas cada vez mais es- quisitas, até que publicou um artigo dizendo, não sei com base em quê, que nos países socialistas não havia inflação, que a inflação só existia nos paí- ses capitalistas. Quando li aquele negócio mal argumentado, peguei meu carro e vim da Sul América para cá. Cheguei e já encontrei Gudin falando sobre o assunto com Simões. Resolvemos na hora fechar a “Conjuntura So- cial” e demitir todos os seus componentes. A gota d’água foi esse artigo, mas na verdade não estávamos nada satisfeitos com o trabalho desse gru- po: Thomaz Pompeu Acioly Borges, Jesus Soares Pereira e outros.

Jesus Soares Pereira foi redator-chefe interino da Conjuntura Econômica em 1952. Fez os números 4 e 5 do volume 6.

Jorge Flôres — O que aconteceu aí foi o seguinte: quando acabou a

guerra, Richard Lewinsohn resolveu voltar para a Europa. Garrido Torres es- tava nos Estados Unidos e tinha muito bom contato com a Fundação. Com a saída do Lewinsohn, foi convidado para ser diretor da revista, e aí veio Denio Nogueira como redator-chefe. Jesus Soares Pereira e Thomaz Pompeu foram coisas transitórias; efetivo mesmo foi o Américo, seguido pelo Denio No- gueira. Jesus Soares Pereira, naquela época, estava na Assessoria Econômica do Getúlio, mas Thomaz Pompeu era apenas um “esquerdinha”. Mas era cu- nhado do Juraci Magalhães, de modo que se pendurava neste último quan- do a situação estava contra ele. Jesus e Thomaz saíram da Fundação quan- do fechamos a “Conjuntura Social”. Aliás, naquela briga com Paulo Assis Ribeiro, Thomaz Pompeu já tinha sido demitido. Quando pleiteou voltar com Américo Barbosa de Oliveira, eu disse: “Vocês vão voltar, porque são úteis. Mas quando saíram, vocês arrastaram uma porção de funcionários ad- ministrativos, e eles, agora, não vão voltar mais. Quer dizer, vocês incitaram a turma administrativa a perder o emprego e agora estão pleiteando voltar. Vou readmitir, mas espero que não criem problemas”. Criaram.

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Como foi o surgimento da Conjuntura Econômica?

Julian Chacel — Quando eu digo que o dr. Gudin fundou a Conjun- tura Econômica, Jorge Flôres fica rubro: “Não, em absoluto, você está equi-

vocado, quem fundou a Conjuntura Econômica fui eu!” Seja como for, tra- tava-se de lançar a Conjuntura Econômica, lá por abril ou maio de 1947. Estavam recrutando pessoas para elaborar a revista, e aí, sim, o Flôres teve um papel importante: chamou o Richard Lewinsohn para ser o diretor.

Lewinsohn era um judeu polonês, refugiado de guerra, que veio trabalhar no Dasp. Originariamente era médico e doutor em ciência política na Ale- manha. O segundo dele era um engenheiro, Américo Barbosa de Oliveira, também amigo do Flôres. Nessa época já estava constituído na Fundação o Núcleo de Economia. Depois foi criado um pequeno departamento de es- tudos econômicos e sociais, que foi atribuído ao Thomas Russel Raposo de Almeida. No fundo, era sempre aquele grupo do Dasp. Trabalhei uns tem- pos com o Raposo, até o momento em que o Núcleo de Economia decidiu que iria patrocinar os estudos sobre o levantamento da renda nacional.

A Conjuntura Econômica começou a se consolidar, e Thomas Rapo- so, junto com Américo Barbosa de Oliveira, que era um homem de es- querda, resolveu fazer uma “Conjuntura Social”, um adendo dentro da

Conjuntura Econômica. Entregaram essa parte a um grupo do qual faziam

parte Thomaz Pompeu Acioly Borges, um médico chamado Mário Maga- lhães, Maurício Rangel Reis, Celso Furtado e outros. Gudin, com sua visão liberal, antiestatista, não gostava do tom da “Conjuntura Social”, achava que não se coadunava com a parte econômica. Um dia foi ao Simões Lo- pes, deu um basta, e essa gente toda foi expelida.

E quanto à Revista Brasileira de Economia?

Julian Chacel — As duas saíam paralelamente na Fundação mas, de

início, a Revista Brasileira de Economia, que emergiu do Núcleo de Econo- mia, trazia sobretudo trabalhos traduzidos de professores americanos, in- gleses e franceses. Coisas mais teóricas. Até hoje, aliás, ela continua mais teórica, só que hoje atingiu um econometrismo absolutamente impenetrá- vel. O curioso é que, em certos aspectos, como a economia do Brasil na- quela época era muito mais simples, a informação dada na Conjuntura era muito melhor.

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Quando foi trabalhar na Conjuntura Econômica, a convite de Garrido Tor- res, o senhor dividia seu tempo com o Conselho Nacional de Economia?67

Denio Nogueira — Sim. Quando fui para a Conjuntura, fiquei uns

cinco ou seis meses como redator, sobretudo da área de câmbio, e em se-

67 Trecho extraído de Denio Nogueira: depoimento (Brasília, Banco Central/FGV-CPDOC, 1993), p. 60-4.

guida passei a redator-chefe. Naquele tempo, o horário do serviço público era de 11 às cinco, de modo que eu dava a parte da manhã, até ir para o Conselho, na Conjuntura, e depois voltava no fim da tarde, não para dar horário, mas para me desincumbir de tudo aquilo que eu tinha que fazer. Era muita coisa, eu tinha que ler todos os artigos para poder aprová-los.

Os artigos da Conjuntura Econômica antigamente não eram assinados. Quem os escrevia? Pessoas como Alexandre Kafka, Jorge Kingston, Jorge Ka- furi, o próprio dr. Bulhões?

Denio Nogueira — Quem escrevia os artigos era o corpo permanen-

te de redatores da revista. Não significa que em um ou outro número, ex- cepcionalmente, não pudesse sair matéria vinda de “Botafogo”, como cha- mávamos. A Conjuntura Econômica funcionava no centro da cidade, no Edifício Darke, e sempre que nos referíamos ao grupo da Fundação Ge- tulio Vargas chamávamos de “Botafogo”. Lembro, por exemplo, que quan- do saiu o Plano Aranha,68 Alexandre Kafka escreveu um artigo analisan- do. Mas ele era diretor de pesquisas no IBRE e não tinha tempo para colaborar conosco.

Os artigos publicados na Conjuntura passavam obrigatoriamente pelo redator-chefe, que, ao aprová-los para publicação, assumia total res- ponsabilidade. Na verdade eu revia, e muitas vezes reescrevia, vários ar- tigos que saíam mensalmente. Não havia uma rotina de reuniões do corpo editorial porque nem todos davam horário integral. Quando havia um as- sunto que dominasse o panorama econômico do país, uma medida que es- tivesse sendo estudada ou discutida no Congresso, eu determinava que o redator especializado naquela área fizesse a primeira redação de um ar- tigo. Esse artigo passava por mim, e eu tinha carta branca para modificá-lo como quisesse.

Como eram recolhidos os dados referentes ao custo de vida divulgados na

Conjuntura? Quando a gente pensa nas dificuldades de comunicação daque-

la época, nas dificuldades de processamento de dados, essa coleta parece uma tarefa impossível.

Denio Nogueira — O mundo inteiro funcionava com essas dificul-

dades, e no Brasil era apenas pior. A Conjuntura Econômica havia sido criada por Richard Lewinsohn em 1947, e fui para lá em 1953, de modo

68 Referência ao plano de estabilização econômica apresentado pelo então ministro da Fa- zenda, Osvaldo Aranha, em outubro de 1953.

que eles já tinham uma experiência acumulada de seis anos. Eu nem mexi nessa parte de coleta de dados, porque já estava funcionando bem, tanto que mensalmente saíam os índices. Sei que havia coleta externa de pre- ços, feita por pessoas que trabalhavam para nós e só faziam isso. Mas eu não tinha contato direto com essas pessoas, havia um setor que tratava disso. Eu tinha problemas tão mais sérios para resolver que o que já es- tava funcionando automaticamente, deixei continuar. Eu me preocupava muito com a revisão de fundo dos artigos. Havia também uma revisão de estilo, feita pelo Silveira. Ele redigia bem e as modificações que fazia eram sempre muito boas.

Qual era a formação da equipe da Conjuntura?

Denio Nogueira — Eram quase todos autodidatas. Numa equipe de

10 ou 15, talvez um ou dois fossem formados em economia. Mas eram o que havia de melhor no Brasil naquela ocasião. Tinham um treinamento de anos na Conjuntura, fazendo o mesmo tipo de trabalho. Evidentemen- te, quando cheguei, já com uma formação mais adiantada, tive alguma di- ficuldade em convencê-los a rever certos pontos de vista que tinham, mas felizmente consegui.

Quando o senhor assumiu o posto de redator-chefe da Conjuntura Econô-

mica, Thomaz Pompeu Acioly Borges, que até então figurava como redator-

chefe interino, foi dirigir a “Conjuntura Social”, uma seção grande da revista que acabou em 1958. Como o senhor, que era ligado dentro da FGV ao grupo que foi chamado de monetarista, se relacionou com o grupo da “Conjuntura Social”, mais identificado com a linha estruturalista?

Denio Nogueira — Eu tinha alguma dificuldade com a linha da

“Conjuntura Social”, mas evidentemente não me envolvia. Quem tinha que decidir era o diretor da revista, Garrido Torres. O material da “Con- juntura Social” vinha para mim e, quando havia algum ponto de que eu discordava, eu passava ao Garrido, que tomava a decisão, ou de rever, ou de conversar com o Acioly. Eu estava permanentemente com o Garrido, mas praticamente não me avistava com o Acioly, porque ele ficava em Bo- tafogo; tínhamos lugares diferentes de trabalho. Quero dizer que eu tinha muita admiração pessoal pelo Acioly. Não concordava com as suas idéias, mas isso não diminuía em nada a minha admiração pessoal por ele. Não me recordo bem do que aconteceu, mas tenho a impressão de que os cho- ques de pontos de vista foram se acumulando ao longo do tempo, e foi isso o que determinou o fim da “Conjuntura Social”. Que eu saiba, a Fun- dação Getulio Vargas não manteve aquela equipe.

Celso Furtado, o principal representante da chamada corrente estruturalista no Brasil, também trabalhou na Conjuntura Econômica. Como ele era visto na Fundação Getulio Vargas?

Denio Nogueira — Celso Furtado foi redator da Conjuntura Econô- mica antes da minha ida para lá, acredito que por volta de 1948, de modo

que não convivi com ele nessa época. Mas ele escreveu uma espécie de autobiografia, e por causa desse livro conheço um pouco da sua vida.69 Ele participou, como oficial da reserva, da 2ª Divisão que foi mandada para a Europa durante a guerra. Essa divisão não entrou em combate, porque quando chegou lá a guerra estava acabando. Nessa ocasião ele co- nheceu a França. Voltou ao Brasil, formou-se em direito e foi de novo para a França, onde estudou economia na Sorbonne. Naquela época, antes da guerra, durante a guerra e no imediato pós-guerra, a França era julgada muito atrasada nos estudos de economia. Só voltou a ser o que tinha sido no passado anos depois da guerra. Minha impressão é que por tudo isso o preparo do Celso, na parte teórica da economia, é muito li- geiro, muito fraco. Quando ele voltou da Europa, tinha-se criado a Con-

juntura Econômica, e ele foi trabalhar lá, não como redator-chefe, mas

como um dos redatores. Vejam que não estou fazendo críticas ao Celso. Considero-o uma das pessoas mais capazes que conheço, não em econo- mia, mas em muitas outras coisas, filosofia, ciência política etc. Redige extraordinariamente bem e é um homem com idéias muito firmes, que defende com grande maestria, ainda que a gente possa não concordar com elas.

Até quando o senhor permaneceu no Conselho Nacional de Economia e na

Conjuntura Econômica?

Denio Nogueira — No conselho, até ir para a Sumoc, em abril de

1964. Nessa ocasião quis deixar a Conjuntura, mas Bulhões disse: “Não, você vai continuar. Ponha lá um assessor e continue”. Na época da Sumoc e do Banco Central70 eles me mandavam o material da revista, mas eu já tinha pouco tempo para me dedicar. Só deixei a Fundação Getulio Vargas em 1972, quando fui morar em São Paulo. Gostaria de dizer que me or- gulho muito de ter sido redator-chefe de uma das revistas mais sérias que este país jamais publicou. A Conjuntura era séria antes da minha ida para lá, foi séria durante a minha permanência e continua séria depois da

69 A fantasia organizada (Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1985).

70 Denio Nogueira foi superintendente da Sumoc de 1964 a 1965 e o primeiro presidente do Banco Central, de 1965 a 1967.

minha saída. Considero que um dos galardões da minha vida profissional é ter sido seu redator-chefe.

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O senhor é o mais antigo funcionário da Fundação Getulio Vargas e da Con-

juntura Econômica. Como veio trabalhar na Fundação?

Fernando Soares de Sá — No final de 1947, a Fundação abriu um

concurso público para auxiliar administrativo datilógrafo. Eu me inscrevi, logrei aprovação e no dia 11 de dezembro fui chamado em casa pelo Fer- nando, então chefe de pessoal da Fundação, que perguntou se me inte- ressaria trabalhar como horista; não seria ainda contratado normalmente. Eles estavam com um trabalho de datilografia muito urgente, precisavam de alguém provisoriamente e me haviam escolhido entre os candidatos classificados no concurso. Vim trabalhar aqui na sede, na praia de Bota- fogo, mas ainda no nº 186. Era um prédio rosa que foi demolido e que tinha um portão com as iniciais CA, pois tinha sido o Colégio Aldridge. O núcleo da administração da Fundação era aqui em Botafogo: Serviço de Pessoal, Tesouraria, todos esses órgãos centrais funcionavam aqui.

Quando me apresentei, deram-me fichários com endereços, entre os quais os de todas as agências do Banco do Brasil, para eu bater envelopes. Quando cheguei ao final, mandaram que eu repetisse o mesmo trabalho: nova remessa de envelopes. Fiz aquilo automaticamente, e depois é que vim a saber que aqueles envelopes se destinavam à expedição dos pri- meiros números da Conjuntura Econômica, de novembro e dezembro de 1947. Quando a Conjuntura completou 50 anos, em 1997, na homena- gem que prestaram à revista, eles também me honraram com uma placa comemorativa.

A que órgão o senhor se vinculou na Fundação?

Fernando Soares de Sá — O órgão a que eu fiquei vinculado era o

Departamento de Pesquisas e Documentação, que incluía o Núcleo de Eco- nomia, chefiado pelo dr. Gudin. O departamento era dirigido pelo dr. Tho- mas Russel Raposo de Almeida e tinha como secretária-geral dona Arcyria de Castro Sócrates. Por coincidência, o prédio onde funcionava o Depar- tamento de Pesquisas e Documentação estava no terreno onde hoje é o edifício-sede: só tinha o porão e um primeiro pavimento, com a escada de acesso lateral. Lembro que nós trabalhávamos numa sala com um pool de oito datilógrafos, e eu era um deles. Havia mais duas conferentes do tra-

balho e uma senhora — tinha um nome bonito: Nísia Margarida Carlota dos Mares Guia — que controlava o grupo de datilógrafos. Também fun- cionava nessa sala um redator para correspondência em língua estrangei- ra, Joaquim Silveira dos Santos, que posteriormente veio a ser agente de publicidade da Conjuntura Econômica e também revisor, atualmente co- pidesque da revista; essa função de redator, ele fazia gratuitamente.

Fiquei nesse departamento até junho de 1948. Fui então deslocado da sede para o Edifício Darke de Matos, na avenida 13 de Maio, 23, onde a Fundação ainda hoje tem os andares 11º e 12º. Lá funcionava o Centro de Estudos de Problemas Brasileiros,71 também subordinado ao Departa- mento de Pesquisas e Documentação. Em 1953, depois de trabalhar no CEPB e no IBRA, fui novamente deslocado para a redação da Conjuntura

Econômica, que já funcionava no Edifício Darke. Nessa ocasião o redator-

chefe era o dr. Thomaz Pompeu Acioly Borges, com quem eu já havia tra- balhado antes. Meu nome foi de imediato aceito pelo diretor da Conjun-

Benzer Belgeler