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İKİLİ MALLAR OLARAK MEDYA ÜRÜNLERİ

Belgede JANUARY 2014 (sayfa 63-67)

MEDIA PRODUCTS IN THE CONTEXT OF CULTURE INDUSTRY: CRITICAL APPROACH

İKİLİ MALLAR OLARAK MEDYA ÜRÜNLERİ

Heidegger (1979d) diz que o comum-pertencer de homem e ser está entregue como propriedade ao ser e, como o ser é também propriedade do homem, isto se dá no acontecimento-apropriação. Acontecer quer dizer descobrir e despertar com o olhar, apropriar. Ele fala que qualquer acontecimento é uma ocorrência na realidade. O acontecimento-apropriação é o âmbito dinâmico em que homem e ser atingem, unidos, a sua essência, conquistam seu caráter historial32.

A vivência da prática educativa no Currículo Integrado depende, assim, de cada ser-docente, de cada indivíduo singular que, necessariamente, está se formando em seu saber, tomando consciência de si mesmo, do outro e da própria proposta. Isto gera movimento externo de preocupação com a obra de educar e movimento interno de cuidado consigo mesmo.

O ser-docente percebe-se lançado e aberto à obra de educar em construção, às ocupações que o rodeiam e aos relacionamentos que estabelece, mesmo que, muitas vezes, com dificuldades. Revendo os seus conhecimentos e seus valores, começa a perceber suas transformações, a ganhar familiaridade com a proposta e apropriar-se de suas conquistas:

Foi uma experiência muito rica para mim, porque eu me abri para uma série de questões, eu comecei a valorizar muito mais questões que estavam perdidas para mim. Então para mim foi muito significativo... Eu não sei o quanto eu consegui passar para o aluno a respeito disso,

32Historial para Heidegger reporta-se a destino, diz respeito àquilo que é reservado aos homens

pelo próprio destino. Deriva do verbo acontecer, dar-se, processar. Não se refere ao sentido histórico cronológico (HEIDEGGER, 1991).

mas provavelmente, eu tenha conseguido passar mesmo tentando apropriar-me dessas coisas também nesse momento. (d-1)

É que hoje claramente vejo que eu aproximei dos conceitos teóricos, briguei com eles e aí concordei com eles. Depois que eu concordei com os conceitos teóricos eu ainda não dava conta de praticar. Então tinha um discurso muito bom, politicamente correto e de acordo com as tendências inovadoras possíveis, mas a minha prática era muito distante disso que eu acreditava. Então, eu vivia um conflito muito grande mesmo com as minhas atitudes, com o meu comportamento. Foi muito difícil mudar, ainda que eu não discordasse de nada dessa proposta. Então eu passei essa fase porque essa mudança, ela é um mesmo processo e não tem outra forma. Não se lê um artigo hoje à noite e amanhã está diferente. Isso não acontece, então isso é uma coisa que paulatinamente vai modificando e as coisas vão adquirindo uma outra dimensão para você. E, você vai realmente a cada dia que passa internalizando aquilo como seu, e deixa de ser uma coisa, como se tivesse nascido com você, como se você a vida inteira pensasse daquele jeito e não encontra forma de fazer se não fosse assim. (d-8)

Através da linguagem revelam suas verdades, testemunham a verdade dos outros e vivenciam um movimento de autenticação e apropriação de novas verdades, qualificando o que estão carregando consigo que, a partir deste momento, já faz parte deles.

Hoje eu percebo que às vezes o meu erro pode ajudar a ensinar o aluno a ser uma pessoa melhor. Isso pra mim é muito bom, porque isso atende a um objetivo enquanto educadora, de formar além de técnicos. Hoje eu não tenho medo de errar diante de um aluno. Vamos recomeçar, esqueci disso, vamos analisar que conseqüências tiveram esse meu erro. Então, vejo o aluno como uma pessoa que preciso ajudar a crescer, e isso é mais fácil no currículo integrado... (d-7) Porque é muito bom, muito, você fica muito bem quando você percebe pra você mesmo que você não domina determinado assunto, mas você vai, você estuda e você termina de discutir aquele conceito e você percebe, puxa, como eu aprendi com isso, como eu pude compartilhar mais Eu percebo que com o tempo você vai se envolvendo mais, você vai sentindo que você também vai crescendo juntamente com os alunos, com toda a estrutura do currículo. Eu acho que você vai evoluindo também, vai conseguindo melhorar na própria metodologia, conseguindo trabalhar com a metodologia da problematização um

pouco melhor, deixando também o tradicional para traz, começando a ver as coisas de uma maneira diferente. (d-6)

Hoje eu não ligo se não sair tudo do jeito que eu tinha programado. Quando eles não responderam de acordo com o contato que nós fizemos, eu devolvo e quero ver com o grupo o que sugerem para encaminharmos a situação. Para mim é tranqüilo, a gente reorganiza ali junto com o grupo de acordo com as possibilidades existentes. Eu acho que isso tem muito mais sentido, e tenho ficado muito à vontade com isso, com essa possibilidade de poder fazer a coisa de fato acontecer, não brincar de fazer de conta que a gente dá aula e que eles aprendem só com a aula que a gente dá. Então eu acho que isso mudou bastante para mim. (d-8)

Eles conseguem se soltar de modelos de professor antes construídos e expressam, de maneira clara e simples, o poder ser si mesmos. Eles admitem o erro como parte da existência.

Para Heidegger (1979c), errar é o vaivém do homem no qual ele se afasta do mistério e se dirige para a realidade corrente, corre de um objeto da vida cotidiana para outro, desviando-se do mistério. Essa maneira de se voltar e afastar é desencadeada pela agitação inquieta que é característica do ser-aí. Para ele, o homem erra porque existe e, existindo, sempre terá a possibilidade de estar na errância. A errância não é algo semelhante a um abismo ao longo do qual o homem caminha e no qual cai de vez em quando; pelo contrário, ela participa da constituição íntima do ser-aí à qual o homem historial está abandonado. A errância se revela como espaço aberto para tudo o que se opõe à verdade essencial.

O ser-docente também reflete sobre a dinamicidade da proposta educativa em que se encontra imerso:

Este currículo é diferente, cada dia é diferente, ele é interminável, é preciso aprender um pouquinho seus limites, seus alcances. Eu tenho uma sensação de que ele não tem fim. Ele pode ter movimentos mais lentos, mais rápidos, mas é um movimento. Ele não pára, tanto que as reformulações, elas não param. Elas acontecem, vão mudando de acordo com as características do aluno, características das pessoas que vão ministrar o módulo, elas vão se adequando, então eu acho que as reformulações não acabarão nunca. Elas podem estar em ritmo, talvez um pouquinho mais lento, assim de alguns módulos que já estão bem estruturados, mas elas não páram. (d-3)

É muito dinâmico, é um ensinar extremamente flexível. Todas as seqüências de atividades não se repetem por mais que você repita a mesma dinâmica, na prática ela não se repete jamais, porque ela é mesmo muito individualizada. Porque ela realmente trabalha com os indivíduos ativamente, então, nunca vai ser a mesma. Em cada grupo de alunos ela sempre vai ser diferente... Cada dia é uma nova forma de fazer, um novo jeito de viver aquela mesma seqüência de atividade e, todo dia é uma surpresa, é uma construção freqüente, muito dinâmico mesmo. (d-8)

Heidegger diz que pensar o comum-pertencer entre homem e ser significa trabalhar na edificação do âmbito dinâmico do acontecimento- apropriação e o material para esta construção é a linguagem. Ela é o movimento mais delicado e também o mais frágil, que tudo retém na construção do acontecimento-apropriação.

“No acontecimento-apropriação vibra a essência daquilo que a linguagem fala. A linguagem que certa vez designamos como a casa do ser.” (HEIDEGGER, 1979d, p. 186).

Belgede JANUARY 2014 (sayfa 63-67)

Benzer Belgeler