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İHRAÇ VE HALKA ARZ EDİLECEK PAYLARA İLİŞKİN BİLGİLER

poder dominante. Nestes momentos operar-se-ia a passagem do “homem inteiro”, homem concentrado nos espaços privados, homem prisioneiro de sua subjetividade individualista ao “humano-genérico”.

Agnes Heler assinala a passagem necessária da particularidade para o humano-genérico, do “homem-inteiro” para o “homem inteiramente”. O homem inteiramente é a condição que possibilita o indivíduo de elevar-se nas “asas da comunidade”; deixar de pensar e agir apenas em seu interesse próprio, de acordo com suas necessidades, a partir de necessidades e interesses concentrados no “Eu”; para abrir-se aos interesses da coletividade (inclui sua particularidade) e necessidades genéricas. Para isto, é necessário o conhecimento do próprio “Eu”, o conhecimento, a apaixonada assinalação das intimações humano-genéricas, a fim de que o homem seja capaz de decidir elevando-se acima da cotidianidade. O processo de “elevar-se ao humano genérico” é respaldado por um conjunto de valores.

Observamos que lideranças do Lagamar, tanto relativas às CEB’s como à Associação de Bairros, com uma maior experiência e tempo de luta no bairro, expressam uma identidade política com contornos mais definidos e práticas que abrangem o conjunto dos moradores do bairro e realidades mais amplas:

“O objetivo do movimento de bairro para mim é ajudar o povo a se organizar nos seus locais de moradia e garantir as mínimas condições no momento dentro do sistema que a gente ta vivendo, que seja garantido para se viver bem. As mínimas condições que se tem para se viver bem. E no momento futuro esse povo possa contribuir na mudança do sistema que provoca essa situação de miséria de muita gente aqui no bairro. E o movimento de bairros vai abrindo uma nova mentalidade e vai sendo um espaço de politização do pessoal para isto, para que o pessoal possa dar a sua contribuição...” Em geral, quando o movimento tem aquela visão muito fechada de que política não tem nada a ver com movimento de bairro e que não se deve falar em política

aqui, é que os prejuízos são maiores. Porque daí se uma pessoa, que é do PT, insiste, então os do PMDB dizem que essa pessoa ta querendo cooptar o movimento de bairros pro PT e vice-versa. Quando o movimento é mais aberto e provoca discussões políticas dentro do movimento tendo clareza da ligação do movimento de bairro com o movimento político, deixar que essa discussão se dê abertamente sem prender o movimento a esse ou aquele partido ou essa ou aquela tendência, daí a questão da filiação a partidos ou outras lutas políticas se resolvem na própria discussão”.

(Liderança das CEB’s do Lagamar).

“A SEAC é uma arma do Governo Federal, a SEAC deu orientação aí a tudo quanto era gente, criar associação. A associação é para entregar leite, passar aquilo que eles têm interesse de passar e aqui no Lagamar, muitas vezes, a gente teve que fazer essas medidas, porque a fome é imediata, e você mesmo participando do movimento, participando de uma entidade organizada, como a gente participa aqui na Associação de Moradores, mas a gente sabe que em determinados momentos é preciso também vir buscar estes projetos de governo, que na minha compreensão não são feitos para solucionar, são feitos para amenizar e baixar a força do nosso povo, para diminuir a vontade do povo de buscar soluções mais profundas”. (Liderança da Federação de bairros e Favelas de Fortaleza, integrante da Associação de Moradores do Lagamar).

Observamos nos depoimentos acima que a referência a valores vai ficando menos freqüente nos discursos, isto é, aqueles relativos a juízos de valor, como: amigo/ inimigo, bom/ mau, unido/ desunido, igual/ diferente etc. Os valores sinalizados nos depoimentos acima tem referentes mais abrangentes e já indicam uma relação mais direta entre movimentos de bairros e a esfera pública”. A preocupação destas lideranças, que já supõe os Movimentos de Bairros como pontuados também por partidos políticos e outros sujeitos e relacionando-se com o Estado, é com uma possibilidade de

“contribuir para a mudança do sistema” e saber precisar “a necessidade dos Projetos do Governo”; porém sem perder de vista sua intenção em “tentar diminuir a vontade do povo de buscar soluções mais profundas”. Poderíamos nestas situações ainda falarmos em novidade dos Movimentos Sociais Urbanos e no seu caráter autônomo?

O caráter de novidade dos Movimentos Sociais Urbanos vem muitas vezes articulando a noção de sujeito a um “projeto”, a partir de uma realidade cujos contornos não estão plenamente dados e cujo devir o próprio analista projeta suas perspectivas e faz apostas. (SADER, 1988:53)

Nos primeiros momentos demarcadores da constituição de identidades políticas, momentos de auto-reconhecimento entre os participantes, de suas representações como iguais e “isolados” das práticas e do campo dominante do poder e da política; alguns estudos chegaram a apontar o seu caráter autônomo.

Se entendermos autonomia não como “a elucidação sem resíduo e eliminação total do discurso do Outro não reconhecido como tal, mas a instauração entre o discurso do outro e o discurso do sujeito”. (CASTORIADIS, 1982:127) poderíamos argumentar que algumas lideranças do Movimento de Bairros já conseguem perceber a importância e a introjeção deste “Outro” nos seus projetos “pessoais”. O imaginário político dos Movimentos Sociais que será analisado mais detalhadamente próximo capítulo ainda é uma representação ora heteronomia, vez que o Outro, no caso o Estado ou ainda

aparece como referente fundamental de negação, ou há uma interseção a partir da proliferação de políticas sociais no bairro entre o “projeto” dos Movimentos e o “projeto” do Estado, e, dependendo do movimento e do contexto em que acontecem já se visualizam sinais de autonomia, no sentido

dado por Castoriadis.

Não apenas houve momentos onde o caráter inovador foi um referente fundamental dos MSU’s, como também observamos essencialmente nos últimos debates um certo consenso em relação à sua inscrição no campo

das demais práticas. Acreditamos que havia uma “esperança” em relação aos Movimentos no sentido da transformação social, às vezes de revoluções moleculares (já que as macro revoluções foram tão frustrantes, como perseguidores de nossas utopias. Como se trata de uma pluralidade de sujeitos, com diferentes identidades políticas e projetos sempre intercambiáveis, fica difícil atribuir-lhes um “papel” nesta estrutura lógica de sociedade pensada por nós.

Visualizamos se não seu caráter inovador no sentido de “administrar novas práticas e novas rupturas políticas”, sua especificidade, que é ao insurgir-se da esfera “privada”, não apenas buscar um “lugar” no campo da política, como também expressar um conjunto de valores muitas vezes marcados por referentes de relações interpessoais, introduzindo “o irrelevante” no campo da política, induzindo que as subjetividades fazem parte do campo “objetivo” da política, e constituindo identidades políticas. Se não é a inovação baseada em nossos referentes “clássicos”, talvez seja a inovação da inovação, no sentido de não termos que lhes atribuir um papel definido ou um significado político demarcado, já que assumem diferentes posições; ás vezes até “desaparecem” no plano de visibilidade social, e possuem identidades políticas múltiplas e reconstituídas permanentemente.

O QUE SIGNIFICA FAZER POLÍTICA

Benzer Belgeler