• Sonuç bulunamadı

4. BULGULAR

4.3. BAŞA ÇIKMA STRATEJİLERİ

4.3.3. İdealizasyon ve Yüceltme

A Xerox foi fundada no Brasil em 1965. Até 1986, a ação (institucional) da empresa em prol da comunidade estava baseada em patrocínios. Patrocinava eventos esportivos voltados para a competição, como a Copa Sul-América de Golfe, a Copa Xerox de Hipismo e as regatas internacionais, como a Sydnei/Rio em 1982. Como podemos ver, “comunidade” não tinha aqui o conteúdo social que tem hoje em dia, e estava relacionada sobretudo a potenciais clientes para a empresa.

Foi a partir de 1982 que a Xerox começou a desenvolver suas primeiras ações sociais, atuando junto a comunidades carentes (Monteiro in Revista da Cidadania, acessada em

http://www.gkls/xerox.com/instituto/, em 03/10/2002). Esta prática solidária teve início na

Mangueira, de maneira bastante informal, a partir de iniciativa surgida entre os próprios funcionários da empresa, como nos explicou João Carlos Quintanilha54 ....

por volta de 1982, eu era gerente de recursos humanos e o Monteiro era gerente de marketing. Desfilávamos em uma ala da Escola de Samba da Mangueira. Vendo a dificuldade da Inalda, que era a presidente da nossa ala no desfile, para terminar a construção do seu barraco, passamos uma rifa junto aos funcionários das nossas equipes na Xerox. Conseguimos vender em torno de 300 rifas. Fomos transferindo para ela, aos poucos, o dinheiro arrecadado; e, dessa forma, conseguimos financiar a construção do barraco dela.

54 Entrevista com João Carlos Quintanilha em 08/10/2002. Ele trabalhou na Xerox até 1999; foi gerente da área de Recursos Humanos. Atualmente tem uma empresa de consultoria em recursos humanos; e é o presidente do CAMP Mangueira.

Já em 1987, os então gerentes da Xerox, Monteiro (de marketing) e Quintanilha (de recursos humanos), que já vinham contribuindo individual e voluntariamente na comunidade por meio da doação de cestas de alimentos e uniformes de futebol para os torneios das crianças, solicitaram à direção da empresa o apoio financeiro para o projeto esportivo da Mangueira, ora em fase de gestação. Foram atendidos. Nascia, então, a célula embrionária de solidariedade entre a empresa Xerox e a comunidade da Mangueira, através da Escola de Samba (Costa, 2002: p.124).

Os mentores deste projeto foram Carlos Alberto Dória, presidente da Escola de Samba, e o (na época) professor de educação física Francisco de Carvalho, conhecido como Chiquinho da Mangueira. Foram eles os responsáveis pela costura das parcerias que deram origem à Vila Olímpica da Mangueira em particular, e ao Programa Social da Mangueira no seu todo – falaremos do Programa mais adiante. Como lembra o Chiquinho da Mangueira (Mangueira – Carnaval 2002: p.65),

um dia, eu e o Carlos Dória, estávamos na quadra e ficamos olhando aquele terreno abandonado, do outro lado da linha férrea, que servia como depósito de lixo. Já tínhamos muitas crianças praticando futebol, futebol de salão, vôlei e atletismo numa área pequena, embaixo do Viaduto Cartola. Precisávamos de mais espaço para expandir os cursos e aceitar mais alunos. Aí, as coisas começaram a andar rápido. Pedimos o tal terreno à Rede Ferroviária Federal; um grupo de funcionários da Xerox que saía numa ala nos desfiles da Mangueira se empolgou com o projeto e, quase ao mesmo tempo a Vila Olímpica saía do papel.

Podemos dizer que o projeto da Vila Olímpica da Mangueira surgiu como fruto da parceria entre o governo federal (governo Sarney), que cedeu o terreno; o governo estadual (governo Moreira Franco), que construiu toda a infra-estrutura do polo esportivo em seus 30 mil metros quadrados; e a Xerox, responsável pelo funcionamento propriamente da Vila Olímpica, isto é, pela aquisição dos materiais esportivos, conservação do espaço, alimentação dos participantes (merenda) e o pagamento dos técnicos e professores.

Não há dúvidas quanto ao papel social de uma “vila olímpica” em uma comunidade de baixa renda. Ela representa uma opção de lazer, de desenvolvimento físico e saudável, e sobretudo de ocupação prazerosa do tempo livre para as crianças e jovens dessa comunidade. Mas, por outro lado, é importante ter claro também os limites dessa estratégia de política social, conforme alerta feito por João Carlos Quintanilha (entrevista em 08/10/2002), e que buscaremos averiguar durante a pesquisa de campo.

Muitas vezes se diz que o esporte é a solução para o problema social. Não é. Ou melhor, nem sempre. O esporte de competição é, por si, elitista. Os projetos olímpicos têm que buscar

talentos para competir. Só assim, eles ganham visibilidade. No caso da Vila Olímpica da Mangueira, que é federada, ela tem que ter atletas para competir com times como Vasco, Flamengo e outros times do Brasil e do mundo nas várias modalidades. ...

Depois do Projeto Olímpico, a parceria da Xerox com o Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira (GRES Estação Primeira de Mangueira) continuou crescendo. Desde 1988 que a Xerox se colocou ao lado da Tia Alice, figura legendária da Mangueira e idealizadora do projeto Círculo dos Amigos do Menino Patrulheiro, o CAMP- Mangueira. Além de ser uma das muitas empresas conveniadas que oferecem estágios aos jovens patrulheiros, a Xerox tem estado sempre à frente na coordenação dessa iniciativa. Tanto é assim que, desde o início, Quintanilha (que foi funcionário da Xerox até 1999) ocupou a vice-presidência do CAMP e agora, por motivos de doença da Tia Alice, assumiu a presidência, sendo que ela passou a presidente de honra. Além disso, Monteiro é atualmente presidente da Associação de Patrulheirismo do Estado do Rio de Janeiro – APERJ.

Mais recentemente, em 2001, a Xerox assumiu o patrocínio de um projeto cultural na comunidade, a Casa das Artes da Mangueira. Em parceria com a prefeitura do município do Rio de Janeiro, através da Lei de Incentivo à Cultura55 , este projeto está voltado para a expressão artística dos jovens da Mangueira, buscando desenvolver todo o potencial de abrangência da ação cultural naquela comunidade.... A Casa das Artes consolida a iniciativa da Xerox em investir em ações culturais com propósitos de desenvolvimento social (Monteiro, prefácio in Coração do Morro – histórias da Mangueira, pág. 5).

Benzer Belgeler