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B. İdarenin Hak ve Yükümlülükleri

2. İdarenin Yükümlülükleri

E no instante está o é dele mesmo . (Clarice Lispector)121

Este capítulo conta as propostas de formação de professoras/es realizadas na Escolinha de Arte de São Paulo, tendo como escopo refletir sobre as diferentes matizes e instantes dessa experiência. Sob a inspiração das entrevistas realizadas com Regina Machado e Célia Cymbalista, estagiárias da EASP, Ana Mae Barbosa e Madalena Freire, arte/educadoras na Instituição, com o apoio de significativos documentos, tais como as cartas com solicitações de estágios e participação nos cursos de formação oferecidos na Escolinha, os ofícios remetidos por representantes dos Departamentos de Educação e Cultura de São Paulo/SP e Minas Gerais/MG com a mesma finalidade e

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uma carta-convite122 do Professor João Alexandre Barbosa para o também Professor Vilém Flusser convidando-o para ministrar palestra em ocasião de um curso para professoras/es na EASP, procuro descortinar as ações voltadas para formação e especialização de professoras/es de arte na Escolinha de Arte de São Paulo, trazendo como fundamento teórico as análises sobre formação de arte/educadoras/es no Brasil, de Noêmia Varela (1973, 1978, 1986), Ana Mae Barbosa (1969, 1970, 1975, 1984) e Rejane Galvão Coutinho (2009, 2012).

4.1 A abrangência da Escolinha: o escutar e o falar de experiências

educativas...

O projeto Escolinha de Arte de São Paulo se estruturou a partir do desejo de ensinar e aprender artes, da vontade de um grupo de arte/educadoras, conforme Ana Mae Barbosa, em proporcionar às crianças e adolescentes meios capazes de desenvolver o potencial de cada uma123, de um esforço em, integrar a arte e a educação por meio de experiências que possibilitassem a formação do pensamento crítico.

Como espaço de ensino não formal de arte, a equipe de arte/educadoras da Escolinha trabalhando com crianças e adolescentes, buscava alcançar outro anseio existente: dialogar com professoras/es da escola pública e particular, debater questões referentes ao ensino de arte, falar e escutar sobre experiências realizadas. Sobre descobertas e confrontos com o que havia se posto como método, fazendo desses encontros com outras pessoas e vivências, instantes de construção de saberes que alimentavam reciprocamente as práticas pedagógicas para o ensino e aprendizagem da arte.

122LOYEN, Clemens Van. Publicação Eletrônica [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por <[email protected]> em 08 de setembro de 2013.

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Madalena Freire afirma que, o caminho para estabelecer o diálogo com outras experiências educativas e, para difundir e discutir suas próprias vivências e ações deu- se com a abertura da Escolinha [de Arte] de São Paulo para a sociedade, para outras escolas de São Paulo [e de outras regiões do país], a Ana Mae fazia a ponte com o universo constituído pelas demais escolas nessa socialização e democratização da nossa experiência124. A ação se mostrou uma novidade para a época. Essa abertura da Escolinha para outras experiências, para o mundo de fora125, possibilitando a socialização de saberes e fazeres, que tornaria o espaço da Escolinha de Arte de São Paulo, um lugar de referência para debates, estudos, trocas de experiências, orientações pedagógicas e de formação de professoras/es de arte.

A análise do Relatório de atividades da EASP, documento já mencionado, permite dizer que ao longo de três anos, a Escolinha recebeu professoras/es, estudantes do Ensino Médio, graduandas/os de diferentes cursos, coordenadoras/es de outras Escolinhas, diretores de escolas públicas e particulares, terapeutas, psicólogas, que visitaram a Instituição para discutir a pedagogia desenvolvida e, na maioria dos casos, para observar a prática na Escolinha e para solicitar orientações metodológicas. Entre essas visitas126 destaca-se a presença de Dulcinéia Kaufmann, diretora do Jardim de Infância Bernolzinho; da professora Maria Ignez Silveira, dos Parques Infantis; professores da Casa da Criança estiveram na Escolinha para um Curso de Especialização em Método Montessori127, (aqui cabe ressaltar que antes das atividades na EASP, Ana Mae Barbosa foi professora de uma escola, em São Paulo, de orientação montessoriana, fato que lhe trouxe experiências no trabalho com essa

124 FREIRE, Madalena. Entrevista concedida a Sidiney Peterson. São Paulo, 16 set. 2013. 125

Idem.

126 Documento já mencionado.

127 Modelo educacional desenvolvido pela educadora italiana Maria Montessori, caracterizado por uma

ênfase na independência, liberdade com limites e respeito pelo desenvolvimento natural das habilidades físicas, sociais e psicológicas da criança. A Association Montessori Internationale (AMI) cita os seguintes elementos como essenciais a uma escola montessoriana: sala de aula com crianças de idade variadas entre 3 e 6 anos de idade; liberdade para o aluno escolher entre as atividades propostas; blocos ininterruptos de trabalho, normalmente 3 horas; um modelo construtivista, onde as crianças aprendem trabalhando com materiais ao invés de instruções diretas; Materiais educacionais especializados, desenvolvidos por Maria Montessori e seus colaboradores; liberdade para movimentar- se dentro da sala de aula; Um professor treinado no Método Montessori. É um método que rechaça a Pedagogia Tradicional, inserindo-se na Pedagogia Escola Nova. FONTE: http://www.escolairmacatarina.com.br. Acesso em 25 de maio de 2014.

metodologia); Arlete Pacheco, encarregada da revista Educação e Desenvolvimento que ao visitar a Instituição, solicitou sugestões de textos para serem publicados em um número especial sobre Arte e Educação. É importante pontuar que em 1969, dois artigos escritos pelas arte/educadoras e estagiárias da EASP foram publicados nessa mesma revista.

Também esteve na EASP, Maria Waissonon, encarregada do setor de publicação da Escola Nova Lourenço Castanho, solicitando sugestões metodológicas; Mônica Overmeier, professora do Ginásio Vocacional Osvaldo Aranha; Maria de Lourdes Sampaio, coordenadora da Delegacia do Ensino Básico de Ribeirão Preto, que permaneceu na Escolinha por uma semana, observando as práticas desenvolvidas; a professora Sônia Maria Escomanhota, da Escolinha de Arte do Brasil; a professora Ana Maria Estrêla da Escola de Belas Artes do Rio Grande do Sul/RS; Lívio Alonso, diretor da Escolinha de Arte de Assunção, Paraguai; Duo Galapo, professor do Colégio Peritz e Maria Magdalena Soler Terruel do Colégio Estadual de Vila Ipojuca.

Conforme podemos perceber, houve uma intensa movimentação na Escolinha de Arte de São Paulo. Essas visitas eram momentos de encontros entre estudantes, professoras/es e outras pessoas interessadas em discutir o ensino de arte, em observar as práticas desenvolvidas na Escolinha, em trazer suas vivências para serem debatidas coletivamente. Foi, provavelmente, a partir de tantas solicitações que as arte/educadoras da EASP desenvolveram o programa de estágio com duração de três meses, para professoras não especialistas em arte.

4.2 ...e o oferecimento de estágios para professoras não especialistas:

Benzer Belgeler