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İl İdare Mahkemesi (Wroslow)

ousar e, no sentido de incerteza, é derivada do latim risicu e riscu (BERNSTEIN, 1997). Neste contexto, a palavra risco deve ser interpretada como um conjunto de incertezas encontradas quando ousamos fazer algo, e não apenas como um problema (SALLES et al., 2009).

A administração do risco apareceu a partir da necessidade de prever o futuro, de modo a assegurar a entrega dentro dos prazos e com os resultados previamente esperados. Os números são necessários para administração dos riscos que, sem números, resume-se a um mero exercício de adivinhação. Portanto, o gerenciamento de riscos não trata de decisões futuras mas, sim, do futuro das decisões que tomamos hoje (SALLES et al., 2009).

Os riscos são eventos ou condições que afetam a realização ou o resultado das atividades, podendo ameaçá-las. A identificação dos riscos é feita com base nos objetivos e nas listas de atividades e recursos. O estudo de eventos passados ou de atividades similares, a análise do local da realização das atividades e do cadastro dos fornecedores de recursos, por exemplo, são estratégias para aumentar a quantidade de informações e, dessa forma, reduzir a incerteza. Os riscos depois de identificados, são analisados, para serem classificados quanto à probabilidade de ocorrência e gravidade dos impactos. A análise possibilita, finalmente, o planejamento de ações para responder aos riscos, de maneira a reduzir sua ocorrência ou minimizar suas consequências (MAXIMIANO, 2011).

Sendo assim, com o evidente crescimento dos eventos esportivos e, de uma forma geral, do número de participantes, faz-se necessária a análise e a prevenção de riscos dos participantes. Porém, esta análise e prevenção de riscos de participantes de treinamento e eventos esportivos têm limitado a concentrar-se em aspectos relativos a lesões específicas das modalidades. Por outro lado, o sistema de saúde tem avançado na análise e compreensão de riscos, como as principais causas de óbito, dando ímpeto à manutenção e ao avanço nos esforços de prevenção, principalmente considerando-se doenças crônicas (GOLDMAN e AUSIELLO, 2005).

As doenças cardiovasculares representam a principal causa de mortalidade no Brasil desde os anos 60. Fez se necessário então avaliar os principais fatores de

risco ligados às doenças cardiovasculares, desta forma, nessa época surgiram os achados do primeiro estudo do tipo coorte destinada às doenças cardiovasculares, o

Framingham Heart Study, que passou a identificar os principais fatores de risco para

doença coronariana: hipertensão arterial, colesterol elevado e tabagismo (LOTUFO, 2008).

Portanto, considerando-se que a gestão de um ambiente de prática esportiva não deixa de ser uma abordagem populacional, o mesmo se torna uma estratégia na prevenção e redução de riscos cardiovasculares, além de evidenciar a necessidade de análise destes riscos para um planejamento adequado.

Porém, ainda existem grandes lacunas quanto ao planejamento e análise de riscos em saúde. A ausência de retribuição pelo tempo despendido, o ceticismo em relação às mudanças de comportamento, às dificuldades de analisar a eficácia a longo prazo e ao sistema de atendimento à saúde voltado para a doença são todos fatores que desestimulam o planejamento e a aplicação da gestão de riscos (GOLDMAN e AUSIELLO, 2005).

Para qualquer intervenção e planejamento, desde o sistema de saúde até a prática e eventos esportivos, devem ser consideradas as taxas de óbito, que variam segundo a localização geográfica e apresentam uma correlação inversa com condições socioeconômicas para as principais causas de morte (THIENE et al., 2010).

Os determinantes das condições de saúde incluem políticas e intervenções de atenção e prevenção a saúde, comportamento pessoal, ambiente físico e social e biologia do indivíduo (ISRAEL et al., 1998). Desta forma, fatores ligados ao estilo de vida, como tabagismo, uso de álcool, nutrição, inatividade física e outros comportamentos de risco, contribuem para uma grande proporção de óbitos evitáveis.

A atividade física moderada reduz o risco de obesidade, diabetes e doença coronariana, entre outros benefícios; enquanto a inatividade física é claramente um fator contribuinte importante para a mortalidade prematura e a mortalidade por doenças crônicas (BRISS et al., 2000).

Estudos indicam que aproximadamente 30% dos adultos são totalmente sedentários durante seu tempo de lazer e os outros 30a 40% têm atividade mínima. Os benefícios mais diretos da atividade física são as adaptações cardiovasculares e músculo-esqueléticas (PREVETION, 2001).

Existem evidências razoáveis de que intervenções breves sejam capazes de produzir efeitos mensuráveis sobre alguns comportamentos, como tabagismo e prática de atividade física. Entretanto, estudos sobre orientação em situações de atenção primária produziram efeitos mistos sobre os níveis de atividade física (EDEN et al., 2002).

Em contrapartida, os eventos esportivos mostram-se um importante fator de estímulo para a prática de atividade física. Assim, tornam-se uma importante estratégia na prevenção primária de doenças cardiovasculares, crônico degenerativas e nos fatores de risco cardiovascular, surgindo de uma forma mais acentuada a necessidade de planejamento e estudo na gestão de riscos relacionados aos participantes.

A gestão de riscos em eventos esportivos engloba uma série de aspectos que se inicia na fase de concepção e planejamento do evento, levando-se em conta as condições do local, riscos financeiros, riscos de eventos naturais, riscos aos participantes, aos espectadores, em relação à segurança, entre outros (BARREAU, 2001).

O processo de gestão de riscos em eventos envolve, a partir da definição do evento, a identificação e catalogação dos riscos e o desenvolvimento de estratégias de gestão para os mesmos. Especificamente na fase de definição do evento uma das questões a serem consideradas é o conhecimento do participante em potencial, no sentido de adequá-lo e de melhor atender suas expectativas e não colocá-lo em risco no que concerne à sua integridade física (BARREAU, 2001).

Porém, aspectos relacionados à gestão de eventos esportivos, em especial quanto a gestão de riscos, tem sido pouco estudada em termos acadêmicos no país. Tranchitella (2013) em seu estudo conclui que o gerenciamento de riscos em eventos esportivos é parte fundamental do planejamento, exercendo um papel crucial na gestão de projetos, tendo em vista que interfere em todas as áreas do conhecimento do gerenciamento de projetos. Apesar disso, atualmente em São Paulo a avaliação dos riscos é feita de modo informal, em um ambiente em que o empirismo ainda tem muita força, sendo precária e quase inexistente a utilização de ferramentas e técnicas específicas do gerenciamento de riscos, com o uso somente de reunião e relatórios como ferramentas de controle.

A primeira etapa de avaliação de risco, segundo Fuller e Drawer (2004), é a identificação dos fatores de risco associados ao esporte. Para os autores, os

participantes normalmente representam a maior das partes interessadas na maioria dos esportes (outras partes interessadas incluem, por exemplo, funcionários, espectadores, a mídia e o público). Para o participante, os fatores de risco podem surgir a partir das instalações, como estádios, vias públicas e vias navegáveis; do equipamento, tais como postes, tacos de hóquei e obstáculos; e da própria atividade física, como corrida, ciclismo e natação (POULOS et al., 2015).

Para os autores, a próxima etapa é a de considerar como cada um dos fatores de risco identificados pode afetar os participantes individuais. Isto é particularmente importante quando o impacto pode variar de um grupo de participantes para outro, por exemplo, em relação ao sexo, idade e presença ou não de deficiência. Os fatores de risco intrínsecos para participantes individuais também envolvem estabilidade articular e força muscular (FULLER e DRAWER, 2004).

Para o sucesso de um evento esportivo, além da organização geral, é de suma importância o gerenciamento de risco, sendo o praticante um dos pontos chaves nesse processo. A análise dos resultados obtidos em estudos aponta fatores importantes em relação ao perfil demográfico, psicográfico e esportivo de corredores de maratona. Desta forma, a condição física e de saúde, mesmo que avaliadas em termos de anamnese, assim como o levantamento prévio do nível de preparação e experiência prévia dos participantes são aspectos a serem considerados pelos organizadores de eventos de corrida de rua na identificação e avaliação dos riscos (SIERRA et al., 2014).

Outro aspecto relevante, como vimos, são os fatores de risco relativos às instalações onde as atividades são praticadas.

3.2 Espaços e instalações para a prática de atividades físicas  

3.2.1. Tipologia de espaços públicos e privados  

Para Santos (2006), o espaço é entendido como um híbrido entre a materialidade e a sociedade, forma e conteúdo, fixos e fluxos, sistemas de objetos e sistemas de ações. Magnoli (1982), buscou afirmar o “espaço livre” como objeto de paisagismo, indo além do jardim, do projeto de vegetação e da escala urbana. Neste sentido, definiu espaço livre como espaço livre de edificações, ou livre de

Benzer Belgeler