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LEGAL DIMENSION OF RELEASING IN TURKISH LAW OF OBLI- OBLI-GATIONS AND THE LABOUR LAW

D. İbra Sözleşmesinin Unsurları

Apesar de não termos a intenção de relatar o processo cronológico de surgimento da AD, procuramos, nesta seção, responder a primeira pergunta elaborada para esta seção: Quais são os teóricos que fundamentam esta linha de pesquisa?

A Análise do Discurso surgida na França ocorreu entre as décadas de 1960 e 1970 em meio aos movimentos sociais que proliferaram pela Europa e pelo mundo ocidental. A percepção marxista de que a ideologia está ligada às classes favorecidas da sociedade inspirou teóricos como Althusser (1992), que a percebeu como condutora de Aparelhos Ideológicos do Estado, que divulgam nas massas das classes favorecidas (Igrejas, Escolas, por exemplo) e os Aparelhos Repressores do Estado (polícia, forças armadas, justiça, por exemplo), que servem para manter a submissão da classe desfavorecida representada pelo proletariado. Para Althusser, o marxismo deve, em luta contínua, se liberar do idealismo a fim de se estabelecer como ciência histórica e social. Esse pensamento influenciou fortemente o clima intelectual, no qual Pêcheux (2002) construiu suas descobertas.

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Nos anos 1970 e início dos anos 1980, Michel Pêcheux tornou-se uma figura determinante da análise do discurso, sobretudo após a publicação de sua obra “Análise Automática do Discurso” (PÊCHEUX, 1969). A obra é o ponto de partida de um processo, que viria a ser de grande envergadura nos estudos da linguagem pelo processo contínuo de revisão e de reformulação. Grandemente influenciado pela perspectiva do seu contemporâneo Althusser (1992), Pêcheux percebeu a linguagem como campo de construção e atuação da ideologia, que valorizava associando a experiência cotidiana à técnica experimental defendida por Bachelard (1949) De acordo com essa fusão, podemos entender nas palavras de Bachelard (1949, p. 12, tradução nossa) que

É necessário que o fenômeno seja triado, filtrado, peneirado, coado nos moinhos dos instrumentos, produzido no plano dos instrumentos. Ora, os instrumentos não são mais que as teorias materializadas. Eles são oriundos dos fenômenos que carregam em si todas as marcas teóricas.6

Assim, observando um sujeito menos potente diante da organização da ordem social, Pêcheux entendeu que há um processo de assujeitamento do sujeito, que o submete às regras da ideologia das classes sociais dominantes.

A base epistemológica, a partir da qual construiu a Análise do Discurso de Linha Francesa (AD), foi a mesma que influenciou a Análise do Discurso Crítica anglo-saxônica. A percepção marxista influenciou ambas as linhas de pesquisa; podemos deduzir que, as semelhanças não são apenas aparentes, mas são, na verdade, resultantes de uma conjuntura epistemológica, que as une enquanto as separa. A distinção ocorre, nas leituras estabelecidas, que os teóricos de ambas as linhas realizam da obra de Marx.

A percepção marxista de ideologia como o filtro, que turva o olhar, fazendo com que o indivíduo se submeta à percepção de uma visão da realidade, favorece aos interesses da classe dominante é vista em ambas as linhas de pesquisa. Entretanto, a visão de Althusser (1992) sobre a ideologia traz a ideia de que não se trata de apenas um sistema de ideias a serviço da classe abastada, mas há várias ideologias agindo no mundo e há diferentes posições ideológicas que contrastam entre si. Tais concepções de pesquisa divergem basicamente por abordar os aspectos sociológicos no caso da Análise Crítica do Discurso e os aspectos históricos no caso da Análise do Discurso de linha francesa, relacionados ambos aos estudos linguísticos.

6 Tradução livre: Alors il faut que le phénomène soit trié, filtré, épuré, coulé dans le moule des instruments,

produit sur le plan des instruments. Or les instruments ne sont que des théories matérialisées. Il en sort des phénomènes qui portent de toutes parts la marque théorique. (BACHELARD, 1937, p. 12).

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Além desses teóricos, brevemente comentados aqui, os conceitos aportados pela leitura da obra de Bakhtin (1997) têm também um papel fundamental na constituição da AD Francesa. Os conceitos-chave da sua obra foram essenciais para as análises produzidas até então. As reflexões sobre o signo linguístico como signo, antes de tudo, ideológico possibilitaram a inserção de diversos conceitos, tais como dialogismo, gênero textual, alteridade entre diversos outros que trouxeram novas percepções para os estudos sobre o discurso.

Segundo Sobral (2013), a perspectiva bakhtiniana traz como proposta a visão dialógica entre dois elementos em interação em que não se tem como objetivo procurar destruir princípios e posicionamentos de uma delas, mas propor uma posição de interação entre ambas de forma a garantir a manutenção de uma de forma a manter sempre a tensão entre elas. O autor explica que não se trata de uma relação entre “[...] tese-antítese-síntese, mas tese-tese-antítese, o que supõe uma permanente atividade de síntese.” (SOBRAL, 2013, p. 136).

Sobral (2013) ainda explica que, inicialmente, é realizada uma descrição das duas perspectivas e, em seguida, construída uma crítica a cada uma delas. A partir dessas críticas, é proposta uma nova concepção, cujo objetivo procurar destruir princípios não é privilegiar uma ou outra perspectiva, mas demonstrar que é possível abranger os aspectos parciais que cada uma em suas perspectivas não conseguiu açambarcar.

Por fim, não poderíamos deixar de mencionar Foucault (2007), um de nossos pilares de estudos, devido as suas indiscutíveis contribuições para diversas áreas do saber e para os estudos sobre o discurso, em especial em se tratando das tensões sociais e do uso do discurso como poder, o que nos interessa mais especificamente.

Foucault (2007) propõe as bases do estudo sobre a constituição discursiva, que se conduzem a proposta epistemológica do saber discursivo tendo como fator primordial a História para a compreensão de toda análise. Essa construção arqueológica do saber conduzida pelo eixo prática discursiva-saber-ciência está inserida na linha de pensamento do materialismo histórico-dialético, que tem como base a preocupação de expor os interesses e as interações regentes em uma cultura através da história, pela análise das contradições dos fenômenos sociais. Assim, o objeto passa a ser visto a partir de sua relação dialógica com o sujeito compreendido como integrante do processo histórico.

Foucault, considerado um dos integrantes da epistemologia francesa contemporânea, de acordo com Evangelista (1990), lado a lado com seus conterrâneos Pêcheux, Althusser, além do russo Bakhtin, foram os grandes percursores da AD, que passou por várias alterações ao longo destes anos, no Brasil e na França. Há pesquisas brasileiras,

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influenciadas por teóricos herdeiros dos autores acima mencionados, que conduzem a novas perspectivas de análise.

Podemos deduzir diante desta discussão sobre a Análise do Discurso brasileira e francesa que temos, atualmente, pelo menos, duas vertentes distintas de Análise do Discurso. A versão brasileira desta linha possui suas próprias condições sócio-históricas, que possibilitaram o seu surgimento em condições diversas das encontradas na França, no início da Análise do Discurso. Vale ressaltar que a variante brasileira surge na época da ditadura militar, quando não havia possibilidade de discussão marxista sobre o discurso, uma vez que o grupo, que surgiu foi desfeito pelo regime militar. A leitura empreendida sobre a AD pelos estudiosos brasileiros foi realizada somente após o surgimento da segunda fase da Análise do Discurso, na França.

Ousamos dizer que, no Brasil, há uma Análise do Discurso própria, desenvolvida com a herança deixada pelos estudiosos do discurso na França (Foucault, Pêcheux, Maingueneau, Courtine) e com independência dos estudos brasileiros. Sobre essa discussão acerca da nomeação de uma Análise do Discurso brasileira deixaremos para outros pesquisadores do discurso, pois não temos a pretensão de nos embrenharmos neste tema no estudo, que ora propomos realizar nesta tese. As apreciações aqui levantadas nos servirão para que possamos compreender as construções discursivas efetivas emergentes nas histórias de vida relatadas por mulheres, que sofreram e sofrem ainda sob o jugo da violência de seus parceiros. Para tanto, entraremos, agora, nas discussões sobre a história de vida e suas reflexões sobre a subjetividade, observando os conceitos sobre narrativa de vida, método biográfico, autobiografia a fim de caracterizar esta linha de estudo sobre o sujeito.

2.6 Discussões sobre relacionamento e intimidade

Desde os séculos XVIII e XIX, a valorização do ideal masculino, associado ao ideal de patriotismo tem sido defendida por diversas instituições sociais, desvalorizando, por outro lado, a mulher. A ciência trouxe com a Psicanálise estudos, que revelavam a mulher como mais propensa a doenças nervosas do que os homens. Assim, foi considerada a existência da sexualidade feminina, mas logo reprimida e tratada como origem da histeria patológica (GIDDENS, 1993). Isso por ser a sua constituição física mais frágil do que a do homem. Anatomistas indicavam, em suas pesquisas, que a mulher tinha o crânio maior do que o dos homens devido a uma insuficiência cognitiva e a associação com a infância, uma vez que só os bebês têm a cabeça maior do que o corpo (OLIVEIRA, 2004). A mulher, nestas circunstâncias,