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I.5. Araştırmanın Yöntemi

1.5. İbnu’t-Tarâve’nin İlmi Şahsiyeti ve Eserleri

No momento atual, verificamos o surgimento e desenvolvimento da Teoria Argumentativa Polifônica (TAP) (CAREL; DUCROT, 2010; CAREL, 2011b). Para apresentar os conceitos internos referentes a essa perspectiva polifônico-argumentativa da língua ou polifonia semântica (CAREL, 2011b), apresentaremos, nesta subseção, algumas concepções iniciais sobre polifonia, propostas por Ducrot (1984; 1987; 1990), que embasam o pensamento teórico do momento atual – TAP, bem como definições decorrentes de uma releitura da polifonia a partir de Ducrot e Carel (2008), Carel e Ducrot (2010) e Carel (2010; 2011a; 2011b).

Primeiramente, ao elaborar a teoria polifônica da enunciação, Ducrot (1990) procura mostrar que o autor de um enunciado não se expressa diretamente, mas põe em cena, num mesmo enunciado, certo número de vozes, de pontos de vista. O sentido do enunciado, assim, resulta do confronto entre esses diferentes pontos de vista e um mesmo enunciado apresenta vários sujeitos com estatutos linguísticos diferentes: sujeito empírico, λ; locutor, L; e enunciador, E14.

O sujeito empírico é o autor real, o produtor do enunciado. Ducrot (1990) determina, por uma necessária delimitação do observável, que o sujeito empírico não seja objeto de estudos da linguística, uma vez que esse não é um problema linguístico, e sim da Sociolinguística ou da Psicolinguística. O linguista semanticista deve se preocupar com o sentido do enunciado, em descrever o que diz o enunciado e não com as condições externas de sua produção. Essa posição de Ducrot (1990) denota um traço estruturalista e a imanência do linguístico perpassa todas as etapas de desenvolvimento da teoria da polifonia.

13O sentido de uma palavra é associável a um conteúdo, ―mas este só se determina e se estabiliza em meios

textuais definidos, por ela convocados de modo específico e organizado. Passamos de um sentido ancorado em um referente para um sentido que decorre de valores referenciais construídos, observáveis em meios textuais definidos‖ (FRANCKEL, 2011c, p. 53).

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As definições de sujeito empírico e locutor permanecem inalteradas na TAP, sendo reavaliada a noção de enunciador.

Para Ducrot (1990), o responsável pelo enunciado é o locutor, marcado no enunciado. O locutor é o autor inscrito no sentido do enunciado e pode ser totalmente diferente do sujeito empírico, por exemplo, quando é um personagem fictício a quem o enunciado atribui à responsabilidade da sua enunciação. Essa diferença entre locutor e sujeito empírico permite dar voz a seres que seriam incapazes de falar, como no caso dos dizeres colocados em lixeiras do tipo ―Não duvide em me utilizar” (DUCROT, 1990, p.18). O me refere-se à lixeira, que, no entanto, não é o sujeito empírico.

Por último, Ducrot (1990) apresenta a definição de enunciador, que é a origem do ponto de vista de um enunciado. Para isso, admite que ―todo enunciado apresenta um certo número de pontos de vista relativos às situações de que se fala” (DUCROT, 1990, p. 19). Os enunciadores se expressam pela enunciação; se eles falam, é somente no sentido em que a enunciação é vista como expressando seu ponto de vista, sua atitude, mas não no sentido material do termo, suas palavras (DUCROT, 1990). O locutor, como responsável por um enunciado, dá existência, por meio desse, aos enunciadores; a partir deles, o locutor organiza os pontos de vista e as atitudes. A posição própria do locutor pode se manifestar quando ele se assimila a um dos enunciadores, representando-se por meio desse; ou, simplesmente, porque optou por fazê-los aparecer.

Os enunciadores referem-se a falas virtuais de um discurso considerado sem que ninguém o tenha pronunciado, nem mesmo sob outra forma. Desse modo, eles constituem também uma representação linguística da realidade (DUCROT, 1990). Os locutores agem sobre os alocutários pelos discursos que lhes endereçam e assumem essa função comunicativa quando tomam partidos frente a diferentes representações que formam os discursos dos enunciadores. Dessa maneira, a relação entre o locutor e o enunciador configura o sentido do enunciado.

A relação polifônica entre locutor e enunciador causou mal entendidos entre os estudiosos da linguagem, pois o termo enunciador refere-se a pontos de vista, no entanto, segundo Carel e Ducrot (2010), era tentador representá-los como fontes enunciativas e até mesmo colocá-los, algumas vezes, na origem dos atos ilocutórios (CAREL; DUCROT, 2010, p. 13). O conceito de enunciador é, portanto, revisto por Carel e Ducrot (2010) e Carel (2010; 2011b) na reformulação da polifonia, atualmente denominada de Teoria Argumentativa da Polifonia (TAP). Dessa maneira, pela TAP, os enunciadores não serão mais constituídos por seres que representam as fontes dos pontos de vista, mas por tipos de seres, refletindo mais os modos abstratos de asserção, originando um novo conceito, o de Pessoa.

3.2.1 As atitudes do locutor frente aos conteúdos

Pela TAP, Carel (2010) e Carel e Ducrot (2010) admitem que os conteúdos15 dos enunciados podem ser apresentados de diferentes maneiras. Esses modos de apresentação de um conteúdo são descritos pelos autores sob dois parâmetros: a atitude discursiva do locutor e a Pessoa. Ao enfatizar atitude discursiva, percebe-se a diferenciação à atitude psicológica ou de fé, de crença em algo. O locutor do enunciado, sujeito único, é aquele a quem são atribuídas as atitudes discursivas frente aos conteúdos e enunciadores. Assim, a concepção polifônica consiste em representar a significação por um conjunto de três elementos: locutor, atitude e enunciador/Pessoa – esse tripé compõe as unidades do discurso (na sequência desta subseção será explicada a relação entre enunciador e Pessoa).

A atitude discursiva relaciona-se ao papel que o locutor intenciona dar em seu discurso ao conteúdo introduzido. As principais atitudes tomadas pelo locutor são: a) o locutor pode defender, ilustrar, comentar um conteúdo articulando-o a outro discurso, essa atitude será denominada de pôr o conteúdo; b) o locutor pode colocar um conteúdo dito pressuposto fora do discurso, recusando-se a fazer dele um objeto possível de discussão, é a atitude de concordar (ou acordar em CAREL, 2011b) com um conteúdo; c) o locutor pode rejeitar e recusar um conteúdo, uma atitude do locutor de um enunciado não X frente ao conteúdo de X; essa é a atitude de excluir um conteúdo (CAREL; DUCROT, 2010)16.

Para apresentar o conceito de Pessoa, os autores partem da análise do enunciado: ―segundo o crítico do Monde, o último filme de Woody Allen fracassou totalmente‖ (CAREL; DUCROT, 2010, p. 17). Segundo a TBS, não é possível explicar o sentido considerando o ser no mundo o crítico do Monde como tendo um ponto de vista sobre os filmes que vê, sabendo-se que, na realidade, esse crítico tem opiniões e ocupa um lugar social. Para a explicação argumentativa do enunciado, não é necessário conhecer o jornalista para compreender o que foi enunciado. A expressão crítico do Monde entra como uma relativização do fracasso, ela atua sobre o fracassou totalmente levando a o último filme de Woody Allen não-agradou-ao-crítico-do-Monde. Há um ângulo de vista que deve ser integrado ao conteúdo. O ângulo de vista não é a posição de um observador individual, mas

15 Conteúdo pela TBS – encadeamento (do enunciado) ligado por um conector; pela TAP – uma representação

do dito pelo locutor.

16Os termos ―pôr‖ e ―excluir‖ (CAREL; DUCROT, 2010) também resultam de uma releitura feita pelos autores

das versões anteriores da polifonia (DUCROT; CAREL, 2008) e são preferidos a ―assumir‖ e ―recusar‖ (CAREL; DUCROT, 2008) por acentuarem o caráter discursivo das atitudes e não um possível fator psicológico (CAREL, 2010).

―certo modo de garantir o dito, certo tom para apresentá-lo e a exigência correlativa de um tom particular para refutá-lo‖ (CAREL; DUCROT, 2010, p. 21).

Pela TBS, essa integração do ângulo de vista ao conteúdo pode ser compreendida como sendo o crítico do Monde a representação do modo particular com que o enunciador preenche o papel que lhe é conferido. Assim, como interessa aos autores o modo particular pelo qual os enunciadores preenchem o papel que lhes é conferido no discurso, surge o conceito de Pessoa, permitindo manter a coerência epistemológica antirreferencialista.

A Pessoa representa uma terceira instância, inserida na significação, que marca a forma pela qual o conteúdo é introduzido no mundo intelectual do locutor, e ―corresponde a um tipo de garantia ao qual o locutor recorre para atualizar um determinado conteúdo em um dado enunciado‖ (AZEVEDO, 2011, p. 70).

Carel e Ducrot (2010) caracterizam quatro tipos de Pessoa, Ele ou Terceiro, Locutor, Mundo e Testemunha (esse último proposto por Lescano17, citado em CAREL; DUCROT, 2010, p. 20). A Pessoa enquanto Ele refere-se ao enunciado ao apresentar um conteúdo garantido por uma instância outra que seu locutor, como no exemplo: parece que vai chover. Em parece que, o enunciado põe q, fazendo-o sustentar por um outro que não o locutor (CAREL; DUCROT, 2010, p. 19). Nesse caso, essa voz permite ao locutor se descomprometer em benefício de outra subjetividade: os conteúdos aparecem como aceitos pelo locutor (CAREL, 2011b, p. 33).

Em outro caso, o responsável pelo conteúdo é o próprio locutor, em seu papel de locutor, como na interjeição: ―Ai!‖. Assim, a Pessoa com a função de garantia é o Locutor, L. Na última atualização da polifonia semântica, Carel (2011b) considera essa voz do Locutor como aquela que permite ao locutor tomar um tom engajado no discurso, ―o conteúdo aparece como concebido pelo locutor no próprio momento da enunciação‖ (CAREL, 2011b, p.33).

Nas situações em que se empregam enunciados do tipo alguma coisa é de um jeito porque as coisas são assim, como: ―O tempo está bom‖; distingue-se a Pessoa como sendo o Mundo. A voz do Mundo permite ao locutor adotar um tom factual, sem que nenhuma subjetividade tenha algum papel em sua concepção (CAREL, 2011b, p. 33).

Com relação à Pessoa Testemunha, essa se refere a um locutor que narra uma história sem propriamente intervir nela, aproximando-se das formas literárias. Percebemos que a Testemunha não é adotada nas análises da polifonia semântica realizadas por Carel (CAREL, 2011b).

Podemos entender também o princípio de alteridade na teoria argumentativa polifônica por meio das diferentes vozes (aspectos, pela TBS) constitutivas do sentido do enunciado. Por uma relação distintiva, a voz do Mundo é o que ela é, pelo fato de que ela é diferente do Ele, da Testemunha, do Locutor. Dessa forma, um modo de garantir um enunciado só pode ser definido em relação a outro modo. Por outro lado, as diferenças opositivas entre locutor e Pessoa também compõem a significação do enunciado, e, ao mesmo tempo, o locutor somente pode se utilizar de uma forma de Pessoa como garantia devido a haver alguma semelhança entre eles. Segundo a leitura de Both (2011, p. 153): ―a polifonia, interligando vozes, provavelmente no eixo das associações, faz aparecer o caráter constitutivo da alteridade de que falava Ducrot, porque trazendo a expressão do outro, é que o eu se expressa‖.

Para encerrar este item dedicado aos conceitos internos da TAP, enfatizamos que a polifonia só se manifesta em enunciações, e, da relação polifônica, em Carel (2011b), tem-se que: ―as vozes da polifonia semântica são utilizadas pelo locutor para graduar sua própria responsabilidade em relação aos conteúdos introduzidos‖ (CAREL, 2011b, p. 32). Porém, ainda é preciso, pela TAP, aprofundar o entendimento do locutor, como ele se utiliza de um conteúdo, de qual modo esse conteúdo aparece no discurso e qual a fonte desse conteúdo. Conclui-se então, segundo Carel (2011b), uma necessidade de descrever mais aprofundadamente também a polifonia.

Benzer Belgeler