1. SES DÜZEYİ
1.3. İ‘lâl, İbdâl ve İdğâm Meseleleri
Conforme o Decreto nº6640, de 07 de novembro de 2008, cavidade natural subterrânea corresponde a todo e qualquer espaço natural subterrâneo penetrável pelo homem, com ou sem abertura identificada, popularmente conhecida como caverna, gruta, lapa, toca, abismo, furna ou buraco, incluindo seu ambiente, conteúdo mineral e hídrico, a fauna e a flora existentes e o corpo rochoso onde os mesmos se inserem, desde que a sua formação haja ocorrido por processos naturais, independentemente de suas dimensões ou do tipo de rocha encaixante (BRASIL, 2008). Segundo Termo de Referência do CECAV, em termos de licenciamento ambiental, para definir caverna, foi estabelecido o limite mínimo de 5m de projeção horizontal, quando desenvolvidas em rochas não carbonáticas (AULER; PILÓ, 2011a)14.
14
Enfatiza-se que os limites morfométricos estabelecidos no Termo de Referência do CECAV aplicam-se apenas para termos de licenciamento.
A análise espeleogenética, ou seja, o estudo da origem e formação das cavidades15 possibilita o resgate de informações das condições ambientais de sua formação. Afinal, a espeleogênese envolve a complexa interação entre geologia, química e mecanismos do fluxo hidrodinâmico no meio subterrâneo (PALMER, 2009). Conforme Palmer (2009), as cavidades podem ser classificadas em diferentes tipos conforme a origem e a morfologia. Em relação à origem, as cavidades podem ser denominadas como: a) de dissolução; b) de atividade vulcânica; c) de erosão mecânica; d) de derretimento de gelo ou glacial; e) acumulação de blocos abatidos na base da vertente ou tálus. Algumas cavidades podem se originar a partir de um ou mais processos.
As cavidades podem originar por singênese. Nesse modelo genético, o conduto desenvolve descendentemente, ou seja, da superfície para o meio subterrâneo. Assim, a ação da água no conduto em zona freática, dissolve o teto, a parede e o piso, favorecendo a formação de seções circulares. Com o rebaixamento do nível freático, o topo do conduto passa a ter espaço com ar e a dissolução passa a atuar somente no piso, o que dá origem a um perfil do tipo canyon (RENAULT, 1968; AULER; PILÓ, 2011b).
Algumas cavidades também podem se originar da paragênese, modelo espeleogenético criado por Renault (1968). A paragênese corresponde ao processo em que a circulação do fluido corrosivo ocorre do meio subterrâneo para a superfície, a partir da interface entre a rocha e o sedimento que obstrui parcial ou totalmente o conduto. Com isso, ocorre o entalhamento nessa zona de contato e a ampliação do conduto pré-existente de forma ascendente (PALMER, 2009). Segundo Auler e Piló (2011b), na evolução paragenética, o fluxo lento da água permite a acumulação de sedimento no piso. Esse sedimento impermeabiliza a base do conduto, favorecendo que a água dissolva preferencialmente no teto. Ainda quanto à origem, algumas cavidades podem ser classificadas como hipogênicas, uma vez que os agentes ativos na dissolução provem do meio subterrâneo. Esses agentes podem ser o ácido carbônico (H2CO3) ou sulfúrico (H2SO4)16. A água ascendente,
15
A definição mais utilizada internacionalmente para caverna consiste no conceito adotado pela União Internacional de Espeleologia – UIS. Conforme este órgão caverna é uma abertura natural formada em rocha abaixo da superfície do terreno, larga o suficiente para a entrada do homem. Palmer (2009) ao apresentar a diferença entre caverna e cavidade (cavern and cave) estabelece que caverna implica grandeza, podem se referir apenas para áreas subterrâneas naturais com salões largos ou condutos e corredores espaçosos. Porém, o autor não menciona as dimensões quantitativas dessas grandezas. Além disso, para este trabalho, está sendo considerada a definição da Legislação Brasileira.
16
O ácido sulfúrico pode ser produzido a partir do gás H2S, que ascende pela rocha e reage com a água
subterrânea, formando esse ácido, que dissolve a rocha. O H2S pode ocorrer em bacias de hidrocarbonetos ou em
normalmente aquecida, pode ser carregada desses ácidos e, por isso, essas cavidades são denominadas cavidades hidrotermais (PALMER, 2009).
As cavidades hipogênicas são formadas no ambiente subterrâneo e são caracterizadas por apresentar: entradas com abatimentos; ausência de sedimentos fluviais; mineralogia distinta nos espeleotemas; pode apresentar cúpulas e formas de forte intemperismo e, por fim, nem sempre essas cavidades possuem entrada na superfície (PALMER, 2009; AULER e PILÓ, 2011b). Existem, também, as cavidades originadas por ação biológica de animais gigantes existentes durante o Pleistoceno (como por exemplo, os tatus gigantes) e essas cavidades são denominadas paleotocas (BUCHMANN et al., 2009).
A classificação das cavidades conforme o critério morfológico foi definido por Palmer (2009). A forma como a água infiltra no maciço pode condicionar a formação de cavidades morfologicamente diferentes e com diferentes tipos de fluxo hídrico. O fluxo vadoso possibilita a formação de galerias com padrões diversificados, predominantemente verticalizadas, onde o fluxo é conduzido pela gravidade, o que origina formas retangulares e abismos. Já no fluxo freático, a água flui sob pressão, produzindo formas elípticas ou circulares (PILÓ, 1998; AULER; PILÓ, 2011b).
A interconexão entre os condutos subterrâneos gera os padrões morfológicos das cavidades. Esses padrões planimétricos registram aspectos que contribuem para a interpretação dos processos e etapas morfogenéticas e, dessa forma, consiste em um aspecto morfológico de classificação das cavidades. Entretanto, uma cavidade pode apresentar segmentos com padrões planimétricos diferentes.
Em áreas de rochas siliciclásticas há registros de desenvolvimento de cavidades na Chapada Diamantina (BA), nos platôs quartzíticos do noroeste da Amazônia brasileira e na Serra do Araçá (AM), onde se encontra a cavidade com maior desnível em rochas quartzíticas do Brasil e do mundo: o Abismo Guy Collet, com 670m de desnível (AULER; PILÓ, 2011a). Em Minas Gerais foram identificadas cavidades na região de Diamantina (BRICHTA et al., 1980; WILLEMS et al., 2008; AZEVEDO; ARAÚJO, 2011; STÁVALE, 2012), no município de São Tomé das Letras (KARMANN et al.,1979), na região de Itambé do Mato Dentro (FABRI, 2011), no Parque Estadual do Rio Preto (RODET et al, 2009) e nas Serras do Ibitipoca, Carrancas e Luminárias no sudeste do estado (CORRÊA NETO, 2000; SILVA, 2004). Além disso, no Pico do Inficionado (MG) localizam-se três das cavidades que estão entre as mais profundas do Brasil em rochas quartzíticas até então conhecidas. Essas cavidades são a Gruta do Centenário (484m de desnível e 3800m de extensão horizontal); a Gruta da Bocaina (404m de desnível) e a Gruta Alaouf (294m de desnível) e correspondem,
respectivamente, à segunda, terceira e quarta cavidade mais profunda do país (AULER; PILÓ, 2011a).
Além disso, destacam-se as cavidades em rochas areníticas no Tocantins (MORAIS, 2009); na Chapada dos Guimarães (HARDT et al., 2009; HARDT, 2011); na região paulistana de São Carlos, Analândia, Rio Claro e São Pedro; no Paraná; no interior do Piauí, por exemplo no município de São Raimundo Nonato (KARMANN et al., 1979; AULER; PILÓ, 2011a); nos municípios cearenses de Viçosa do Ceará e Tianguá (KARMANN et al., 1979) e no Pará (TRAVASSOS et al., 2012) (FIG. 2.5).
FIGURA 2.5 - Exemplo de cavidade natural em rochas quartzíticas no Parque Estadual do Rio Preto.
Fonte: Rodet et al. (2009)