1. İ P İ SKELESİ YAPILMASI
1.5. İ p İ skelesi Yapı lması
Gostaríamos de encerrar nossa análise de Metrópolis, destacando o papel do interpretante na tríade semiótica. Na Semiótica Peirceana, o signo tem uma potencialidade em si mesmo de ser interpretado. Não se trata da mente que fará a interpretação, tampouco do processo de interpretação. Trata-se de uma determinação do signo, assim como o signo é uma determinação do objeto. O Interpretante é o terceiro na relação triádiaca do Signo que é um primeiro e o seu Objeto que é o segundo.
O interpretante tem três níveis de realização: o Imediato (Primeiridade), o Dinâmico (Secundidade) e o Final (Terceiridade).Como foi dito anteriormente, o Interpretante Imediato é tudo aquilo que um Signo está apto a produzir, por isto é associado à Primeiridade (possibilidade). “A gama de interpretantes possíveis de um dado signo em um dado tempo”. (RANSDELL apud HULSWIT, 1998, p. 38, tradução nossa).
Em nossa análise, acreditamos que o Interpretante Imediato de Metrópolis é constituído por uma gama de possilibilidades de interpretação que vão desde a qualidade da imagem, os efeitos da luz e da sombra, os contrastes entre claro e escuro, bem como as qualidades de sentimentos características da sociedade alemã na década de 20: o medo da opressão tecnológica, o choque com o novo, a sensação de controle, o momentâneo e o fugaz e a oposição do homem em relação à máquina. Porém, o interpretante imediato pode pressupor um público-alvo. No nosso caso, é difícil especificar quais são os espectadores, dado que uma enorme gama de pessoas pode entrar em contato com o filme. Ressalta-se o fato de que este título é um dos mais conhecidos da cinematografia alemã e um dos filmes mais cultuados na história do cinema.
Para discorrermos sobre o processo de interpretação, é necessário fazermos um parênteses e diferenciarmos a interpretação de um possível espectador do filme e a interpretação das personagens no decorrer da diegese. Esta diferenciação é necessária porque anteriormente afirmamos que na diegese há predominância do interpretante energético e este por sua vez é da natureza de um signo. Ora, o interpretante energético é uma das divisões do interpretante dinâmico, sendo as outras duas, o interpretante emocional e o interpretante lógico.
O Interpretante Dinâmico é tudo o que o Signo efetivamente produz (Secundidade – real). É a atualização do Interpretante Imediato. O primeiro efeito do interpretante dinâmico está na qualidade de sentimento que ele pode provocar. Se pensarmos na diegese do filme, quando a Robot-Maria é apresentada à elite de Metrópolis ou quando
Freder se depara com a Máquina M, o interpretante emocional seria o compósito de qualidades de sentimentos que esta interpretação provoca. Mesmo quando há uma reação a algo, primeiramente houve, ainda que o intérprete não tenha tido consciência, a percepção de uma qualidade de sentimento.
No caso dos espectadores do filme, basta olharmos para os quali-signos é será possível inferir sobre qual seria o interpretante emocional. Trata-se da apreensão de uma atmosfera sombria, longíqua, um sentimento de opressão, submissão e podemos até arriscar, uma atmosfera claustofobica. O interpretante emocional está relacionado àquele primeiro momento em que abrimos a porta de nossa percepção para que os quali-signos possam ser apreendidos. Significa estar aberto ao que é admirável. No filme analisado, acreditamos que embora a atmosfera seja sombria, há a apreensão de um sentimento de beleza e harmonia na obra de Lang.
O interpretante energético, como foi dito anteriormente, demanda um esforço físico ou intelectual por parte do intérprete. No caso da diegese, ressaltamos que a reação do homem denota um conflito e o porquê deste conflito. No caso dos possíveis intérpretes do filme, podemos inferir que o espectador moderno já havia sido preparado para lidar com mudanças na percepção sensorial causada pela modernidade. Quanto aos intérpretes posteriores, podemos afirmar que em Metrópolis há vários signos que apontam para uma mediação entre o homem e a tecnologia e desse modo o interpretante energético é a proposta de uma postura positiva em relação ao desenvolvimento tecnológico e à modernidade.
Em relação ao interpretante lógico, cabe ressaltar que neste estágio “o signo é interpretado através de uma regra interpretativa internalizada pelo receptor” (SANTAELLA, 2000, p. 133), e desse modo, na diegese do filme há vários momentos em que a interpretação é baseada em uma regra, como no caso em que Freder passa a obedecer ao que é estabelecido pela máquina. Quanto ao espectador, o interpretante lógico seria um compósito de informações a constituírem em conhecimento sobre a relação entre homem e máquina no início do século XX.
Em um último estágio de interpretação, temos o Interpretante Final, “o efeito semiótico pleno de um signo, se o seu propósito ou intenção viesse a ser atingido, é o interpretante Final daquele signo.” (SAVAN apud SANTAELLA, 2000, p. 75). Conforme observa Hulswit: “é o interpretante ideal em direção ao qual a semiose tende sob condições favoráveis”, ou “o efeito que seria produzido na mente pelo signo após o
Podemos então inferir que o todo da potencialidade do interpretante final nunca é atingido pois o interpretante representa o objeto do signo para uma mente qualquer apenas parcialmente. Ambos, objeto e interpretante, por sua vez, são signos também. O primeiro regride ao infinito e o segundo progride ao infinito. O interpretante carrega uma potencialidade que não é totalmente realizada. A realização ou seja, a atualização desta potencialidade somente ocorre em um novo signo, que também é uma representação. Para Peirce o Interpretante Final está sempre em progresso, uma vez que a semiose consiste em um processo evolutivo que tende ao infinito,
“pois cada um de nós, intérpretes particulares, apenas capazes de produzir interpretantes dinâmicos singulares, falíveis e provisórios, não estamos nunca em condições de dizer que um interpretante já tenha esgotado todas as possibilidades interpretativas de um signo, constituindo-se no seu interpretante final”. (SANTAELLA, 2001, p. 49).
portanto, a semiose tem como característica a continuidade:
A ação do signo só se consuma no momento em que ele determina um interpretante, isto é, no momento em que ele gera um outro signo. Este novo signo-interpretante terá como objeto tanto o signo do qual ele se gerou, quanto o objeto original, passando ambos a compor um objeto complexo. Conclusão, o objeto não é estático e inerte, mas cresce com a semiose. (SANTAELLA, 1992, p. 90)
Esperamos com isto demonstrar em nossa análise, que embora não seja possível esgotar todos os interpretantes de um signo, Metrópolis gerou outros signos, outros interpretantes, nos quais a relação humano-maquínico pode ser observada. Com o objetivo de analisar outro signo que sofreu a influência de Metrópolis, prosseguimos nossa análise com o estudo de Blade Runner, tema do próximo capítulo de nossa dissertação.