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İŞVERENLER İÇİN SİGORTA PRİMİ TEŞVİKLERİ

Na sequência dos povoados delimitados no Vale do Piranji, observam-se ainda Dom Bosco, Boíba, Angico Branco e, por último, Tabuleiros. A maioria destes também se compunha de pequenos proprietários e parceiros com contratos de arrendamento cultivando de acordo com a necessidade de provisão alimentar, sobretudo o milho, o feijão e a mandioca.

Antes do rompimento era bom, assim, a convivência da gente. A gente vivia [...]. Eu sempre tive comércio [...] só que a vida da gente tinha lavoura, plantava mandioca, plantava milho. [...] Todos trabalhavam com roça, essas coisas [...] plantio de tudo [...] mandioca, milho, feijão, melancia, tudo que a gente pode ter em uma lavoura, a gente plantava. Tinha muita plantação de cajueiro. [...] Distiorou tudo, acabou-se!40.

Pode-se destacar também nestes povoados a pequena criação de “viventes”, isto é, a pequena criação de suínos, caprinos, ovinos e galináceos. Esta atividade estava integrada e articulada com a lógica da agricultura de aprovisionamento, assim como ocorria nos outros povoados da região. “O agricultor, ele vivia [...] tinha uma roça, [...] produzia o milho, o feijão [...] arroz (Oryza sativa), a mandioca. [...] tinha uma criação de galinha, [...] tinha a criação de porco, tinha o bode. [...]”, afirma Teófilo, do Povoado Boíba.

Como em outros povoados do Vale, havia também muitos cajueiros. Cultivava-se coco, macaxeira, melancia, mamão. Segundo Teófilo, a perenização do rio implicou o desenvolvimento da região. Muitas pessoas passaram a investir no Vale devido à água que havia em fartura: “[...] as pessoas não migravam mais, [...] estavam voltando e investindo no Vale”.

Seu Corcino, por exemplo, professor de história, aposentado da Universidade de Brasília (UNB), veio de Brasília para investir no Vale, após constituir família com sua companheira, natural desta região. Ele possuía uma propriedade no Vale, no Povoado Angico Branco, onde plantava e criava, sobretudo para fins comerciais.

Meu projeto tinha duas vertentes [...] Comprei uma propriedade ali [Povoado Angico Branco], e montei um projeto de irrigação, [...] por minha conta, tirando água do rio, [...] estava produzindo [...] dois mil pés de banana, [...] tinha cento e sessenta pés de laranja (Citrus sinensis), cento e sessenta pés de mamão [...] cento e sessenta pés de ata [...] e já estava produzindo comercialmente banana, mamão e macaxeira. [...] eu plantei feijão para melhorar a terra também [...] e aí no segundo ano, já entrei com tudo isso [...] me fez crescer. [...] muita gente trabalhava [...] tinha uns [trabalhadores] que não eram permanentes. [...] Cobravam diária [...], por exemplo, para fazer a capina de uma roça, ou preparar a terra para depois plantar

40 Informação fornecida por Ronaldo, do povoado Tabuleiros, hoje vive no assentamento Jacaré, em entrevista concedida ao autor em abril de 2017.

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banana, [...] abrir as covas, [...] preparar o adubo [...]. Eu saí de lá [Brasília] com tudo que eu tinha e enterrei aqui [...]. A outra vertente [...] era [...] caprinocultura e ovinocultura [...]41.

Nestes últimos povoados do Vale, também trabalhavam com a piscicultura. Assim como nos demais, também faziam o cultivo de hortaliças, mas sem fins necessariamente comerciais. Criar, plantar e colher representava, portanto, práticas rotineiras das famílias da região, não só nestes povoados, como em todo o Vale do Piranji.

Enfim, não faltava trabalho, pois sempre havia alguém na região precisando do serviço de trabalhadores. Segundo informações orais, no balneário do “José de Sousa”, fazia- se mutirão de trabalhadores para o trabalho em sua propriedade. “Tinha fruta [...] tudo era cheio, [...] não faltava milho verde, melancia, mamão”, destaca um narrador, do Povoado Boíba. Como dito por muitos, o lugar “parecia uma Ceasa”, e “não faltava serviço”.

Relações de reciprocidade eram estabelecidas entre famílias, vizinhos e amigos, a partir de um sistema social construído historicamente, sobretudo pelas relações de parentesco entre as famílias de cada povoado. Teófilo, do Povoado Boíba, infere sobre esse sistema de reciprocidade, no qual se destacam as trocas de dias de serviço.

Porque assim nós tínhamos algodões, não é? Franco, Figueira, Cruzinha, Dom Bosco, uma parte do Boíba, Angico Branco, Tabuleiro, que são as localidades mais próximas da barragem. Então [...] a gente percebe [...] exatamente isso. Alguém veio lá, anos atrás [...] morou meu bisavô [...] Dom Bosco, era do meu bisavô. [...] o terreno era dele, teve os filhos, [...] morreu, [...] aí, o terreno foi dividido para os filhos [...] mas todo mundo era família. Então a gente conhecia, tinha contato direto, desde os algodões até o tabuleiro; como todo mundo [...] conhece todo mundo. [...] ninguém era fazendeiro, ninguém era um grande agricultor, era mais uma produção familiar. Então, o que eles faziam? Trocavam muita diária [troca de dias de serviço]. Hoje nós vamos ajudar o fulano, amanhã o fulano vem nos ajudar. [...] isso de uma certa maneira é um círculo de amizade muito bonito42.

Além das trocas de dias de serviço, as famosas “farinhadas” também expressam as relações de reciprocidade e de trabalho coletivo entre as famílias da região. Um momento de trabalho e festa que representa, além de uma riqueza material relacionada à produção, uma riqueza imaterial e simbólica, devido a toda a teia de relações sociais estabelecidas43.

Expressão dos “tempos de fartura” da época, e de uma boa safra no ano, nas farinhadas, famílias e vizinhos se reuniam de forma coletiva para trabalhar no processo de produção da farinha, a partir da mandioca. O trabalho assim era visto também como festa,

41 Informação fornecida por Seu Corcino, do povoado Angico Branco, em entrevista concedida ao autor em abril de 2017.

42 Informação fornecida por Teófilo, do povoado Boíba, em entrevista concedida ao autor em abril de 2017. 43 Sobre a relação entre trabalho e festa no mundo rural brasileiro, ver Brandão (2009). Este autor apresenta

imagens e narrativas do trabalho camponês acompanhado de cantos e brincadeiras, no qual trabalho e festa se misturam.

pois as famílias desempenhavam esta atividade em meio a cantos e brincadeiras, “[...] tomando café, [...] uma pinga, comendo, [...] fazendo o beiju”. As farinhadas aconteciam geralmente entre julho e novembro.

O Vale do Piranji emerge nas narrativas, portanto, como um lugar de oportunidades, onde não faltava trabalho. As pessoas não migravam mais devido à riqueza na região. “Onde tem água, tem riqueza” diz um narrador. De fato, o período anterior ao desastre é rememorado como um período de riqueza e fartura para as pessoas da região, de certa forma, até idealizado devido à situação difícil vivenciada após o rompimento da barragem Algodões, em 2009.

No mapa a seguir, podem-se visualizar as representações das principais atividades desenvolvidas ao longo dos povoados, no Vale do Piranji (Mapa 5). Trata-se de representações a partir de memórias e territorialidades construídas historicamente pelas pessoas da região, do período anterior ao rompimento da barragem Algodões I.

62 M apa 5 – R epre se nt aç ão d as a tivi da de s de se nvol vi da s no V al e do P ir anj i Fonte: E labor ado pe lo autor .

3 “CRISE ECOLÓGICA” E O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE NOVOS TERRITÓRIOS

Perfeita tradução moral dos agentes físicos da sua terra, o sertanejo do Norte teve uma árdua aprendizagem de reveses. Afez-se, cedo, a encontrá-los, de chofre, e a reagir, de pronto. Atravessa a vida entre ciladas, surpresas repentinas de uma natureza incompreensível, e não perde um minuto de tréguas. [...] É inconstante como ela. É natural que o seja. Viver é adaptar-se.

(Euclides da Cunha, 2001).

3.1 Uma nova configuração do território: rupturas e desestruturação como implicações

Benzer Belgeler