A partir de cada área de experimentação agroecológica foram definidos os pontos críticos em relação à sua sustentabilidade ecológica estabelecendo- se quatro categorias de análise: solo; biodiversidade e paisagem; micro-clima e recursos naturais disponíveis. Essas categorias foram subdivididas em sete descritores e dezesseis indicadores.
Quadro 11: Indicadores ecológicos
CATEGORIA DE ANÁLISE / DESCRITORES INDICADORES SOLO
Propriedades físicas e fertilidade Adubação;
Estrutura, textura e compactação; Matéria orgânica – cor.
Manejo do solo Preparo (mecânico) da área de plantio; Controle de plantas invasoras.
Vegetação natural Área de RL e APP.
Cultivos Áreas de entorno do experimento; Barreiras vegetais;
Desenho do experimento;
Diversidade de plantas espontâneas e insetos; Sanidade dos cultivos.
MICRO-CLIMA
Alterações Influências nos resultados produtivos dos experimentos RECURSOS NATURAIS DISPONÍVEIS
Recursos externos Fonte de energia / combustível; Uso de insumos.
Recursos internos Integração produção vegetal / animal; Banco de sementes e produção de mudas
Os indicadores econômicos e as respectivas pontuações de cada grupo de acordo com as escalas 1 (substituição de insumos), 2 (diversificação da produção) e 3 (redesenho do agroecossistema) de transição agroecológica são representados no gráfico a seguir:
Gráfico 13 – Indicadores Ecológicos – sobreposição de dados
Indicadores Ecológicos
0 2
Adubação do solo
Aspectos físicos do solo Matéria orgânica no solo
Manejo do solo
Controle de plantas invasoras Área de RL e APP
Áreas do entorno Barreiras vegetais Desenho do experimento
Diversidade de plantas espontâneas Sanidade dos cultivos Influências micro-climáticas
Fonte de energia Uso de insumos Integração prod. animal/vegetal Banco de sementes e produção de mudas
União da Terra Coprocol Beira Rio Chico Mendes Copava
Gráfico 14: Indicadores ecológicos – grupo Corpocol.
Gráfico 15: Indicadores ecológicos – grupo União da Terra. Indicadores Ecológicos
0 2
Adubação do solo
Aspectos físicos do solo Matéria orgânica no solo
Manejo do solo
Controle de plantas invasoras Área de RL e APP
Áreas do entorno Barreiras vegetais Desenho do experimento
Diversidade de plantas espontâneas Sanidade dos cultivos Influências micro-climáticas
Fonte de energia Uso de insumos Integração prod. animal/vegetal Banco de sementes e produção de mudas
Coprocol
Indicadores Ecológicos
0 2
Adubação do solo
Aspectos físicos do solo Matéria orgânica no solo
Manejo do solo
Controle de plantas invasoras Área de RL e APP
Áreas do entorno Barreiras vegetais Desenho do experimento
Diversidade de plantas espontâneas Sanidade dos cultivos Influências micro-climáticas
Fonte de energia Uso de insumos Integração prod. animal/vegetal Banco de sementes e produção de mudas
Gráfico 16: Indicadores ecológicos – grupo Beira Rio.
Gráfico 17: Indicadores ecológicos – grupo Copava. Indicadores Ecológicos
0 2
Adubação do solo
Aspectos físicos do solo Matéria orgânica no solo
Manejo do solo
Controle de plantas invasoras Área de RL e APP
Áreas do entorno Barreiras vegetais Desenho do experimento
Diversidade de plantas espontâneas Sanidade dos cultivos Influências micro-climáticas
Fonte de energia Uso de insumos Integração prod. animal/vegetal Banco de sementes e produção de mudas
Beira Rio
Indicadores Ecológicos
0 2
Adubação do solo
Aspectos físicos do solo Matéria orgânica no solo
Manejo do solo
Controle de plantas invasoras Área de RL e APP
Áreas do entorno Barreiras vegetais Desenho do experimento
Diversidade de plantas espontâneas Sanidade dos cultivos Influências micro-climáticas
Fonte de energia Uso de insumos Integração prod. animal/vegetal Banco de sementes e produção de mudas
Gráfico 18: Indicadores ecológicos – grupo Chico Mendes.
Os indicadores foram baseados na realidade da área de acordo com o nível de impacto e degradação verificados a partir do histórico de uso e ocupação da área, bem como, proposições bibliográficas. No caso da qualidade do solo, considerou-se as proposições de Primavesi (1992) acerca das questões sobre a compactação, cor, matéria orgânica, textura e manejo do solo. Nesta análise o solo foi considerado como um sistema natural vivo e dinâmico, que além de servir como meio para o crescimento vegetal, através do suporte físico, disponibilidade de água, nutrientes e oxigênio para as raízes, atua na regulação hídrica no ambiente. No caso dos indicadores relacionados à vegetação natural foram considerados os padrões de porcentagens de Reserva Legal e Áreas de Proteção Permanentes estabelecidas na Legislação Florestal e Ambiental.
Com relação aos cultivos considerou-se as contribuições de Altieri (1989) e Gliessman (2005) aos padrões de produção agrícola no contexto da agroecologia. Foi importante considerar as alterações micro-climáticas devido ao fato de que ocorreram períodos de seca no decorrer da implantação dos
Indicadores Ecológicos
0 2
Adubação do solo
Aspectos físicos do solo Matéria orgânica no solo
Manejo do solo
Controle de plantas invasoras
Área de RL e APP Áreas do entorno Barreiras vegetais Desenho do experimento
Diversidade de plantas espontâneas Sanidade dos cultivos Influências micro-climáticas
Fonte de energia Uso de insumos Integração prod. animal/vegetal Banco de sementes e produção de mudas
experimentos que influenciaram diretamente no planejamento da área, na sanidade dos cultivos, bem como, nos resultados produtivos. Foram considerados os recursos naturais disponíveis para embasar a análise econômica com relação ao potencial e independência de insumos externos.
Quanto aos insumos orgânicos as famílias aprovaram os resultados obtidos com os biofertilizantes, demais caldas e a aplicação do pó de rocha no solo. Quanto ao pó de rocha notaram a recuperação do solo a partir do surgimento de uma grande diversidade de plantas espontâneas, mas é um insumo muito caro apesar de surtir efeito ao longo dos anos. O uso de adubação verde já era uma prática desenvolvida pela maioria das famílias envolvidas no projeto e também em outras produções do assentamento. O interessante comentário feito pelas famílias é de que:
O problema da adubação verde é que cria muita massa e fica difícil de lidar. Ai tem que usar o trator mesmo, pra poder conseguir limpar tudo.
Ainda há entre os agricultores a idéia do solo “limpo” que significa sem cobertura morta. Esta é uma idéia muito difundida neste assentamento e foi encontrada uma dificuldade no que se refere à prática de manutenção da cobertura do solo. Em comparação, em algumas áreas de produção convencional havia a cobertura morta decorrente do uso de herbicida para controle da brachiaria.
Quanto à sustentabilidade ecológica das áreas experimentais, considerou-se que as áreas de experimentação mais próximas dos lotes de moradia das famílias apresentaram melhores propostas de continuidade, do que os experimentos que se basearam em cultivos para comercialização em áreas coletivas de produção. Tal situação traz um debate acerca da sustentabilidade, principalmente acerca da questão ambiental, sobre a divisão dos assentamentos em áreas coletivas de produção.