Bölüm 1 İşlevler ve Özellikler
4. Ağ İşlevi
Os canais de mídia locais podem contribuir para o reforço da identidade de dada localidade quando priorizam na cobertura as características que são inerentes ao local. Para Frederico Belcavello Guedes (2007, p. 14), “[...] a televisão tem papel fundamental na mediação das relações de significado da vida cotidiana”. A realidade local pode ser descrita em imagens e sons que vão permitir a identificação do público com os conteúdos abordados.
Para Valério Brittos (2001, p 82), a identidade está intimamente ligada com a memória coletiva, já que “[...] não há identidade sem memória”, nesse caso, a memória se refere a “[...] ordem da vivência, é particular, sendo válida para aqueles que compartilham as mesmas recordações [...]”. A TV pública centrada no cidadão, também tem essa missão de gerar um sentido de pertencimento do indivíduo a uma determinada comunidade. O conhecimento da realidade que o cerca pode capacitar para a intervenção de forma construtiva. A prioridade na cobertura de temas locais pode provocar a responsabilidade no cumprimento de deveres e a luta por direitos que garantam o bem comum.
A preferência do público pela programação local foi tema de reportagem publicada pela revista Veja9 em agosto de 2009, com o título “Como o Brasil vê televisão”. A publicação fala de ídolos das televisões locais, programas líderes de audiência em suas regiões e do horário nobre das programações, que é do meio dia às duas da tarde. Como exemplo traz o caso de Teresina/PI: nesse horário, 60% dos televisores na capital piauiense estão ligados em alguma emissora local. Fazendo um apanhado de programações locais de
8TV Cultura é eleita a 2º melhor televisão pública do mundo e a 1º do Brasil.
Disponível em: <http://tvcultura.cmais.com.br/jornaldacultura/reportagens/tv-cultura-e-eleita-a-2-melhor- televisao-publica-do-mundo-e-a-1-do-brasil>. Acessado em: 08/04/2015.
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Como o Brasil vê televisão. Disponível em: http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx. Acessado em 06/02/2014.
todas as regiões do país, a reportagem destaca o que chama de “aberrações”, mas também fala de boas produções, como o programa infantil Catalendas da TV Cultura do Pará, que acabou conquistando públicos de outras regiões e sendo transmitido por outros canais de televisão.
Nesse sentido, o Brasil está dentro do cenário apresentado por Sérgio Mattos (2002, p. 10) para os públicos receptores de televisão, onde “as audiências dos países terceiro- mundistas preferem os programas produzidos localmente”. Em suas origens, os veículos de comunicação, com exceção da internet, eram meios essencialmente locais, já que não conseguiam atingir públicos que estivessem distantes de sua cobertura geográfica (PERUZZO, 2002). Com os avanços tecnológicos, essas distâncias foram reduzidas e os grandes veículos passaram a ter alcance nacional e até internacional.
De acordo com Cicília Peruzzo (2002, p.73), no final da década de 1990 há um redescobrimento do local e a “[...] mídia regional e local começa a chamar a atenção pelo interesse demonstrado pelos segmentos de públicos locais e regionais”. As redes começam a valorizar e dar mais espaço nas grades para as programações locais, como forma de garantir audiência em todos os horários. A programação local recebe mais atenção do público porque eles querem ver informações geradas a partir de suas realidades e vivências e a proximidade do fato credita os veículos de comunicação a apresentarem de forma mais detalhada as informações. No jornalismo local também existe a possibilidade de identificação ou contestação do que está sendo divulgado.
A adesão à programação local representa, de certa forma, uma oposição aos conteúdos das redes nacionais, produzidos para públicos hegemônicos, desconsiderando as particularidades de cada região e controlando os interesses dos públicos através dos conteúdos trabalhados.
[...] se consideramos que os conglomerados das redes de TV, tal como as organizações Globo, incluem revistas, jornais, companhias cinematográficas, indústria fonográfica, emissoras de rádio e TV, televisão a cabo e Internet, é fácil concluir que o interesse público do brasileiro, seus gostos, crenças, cultura e valores, estão sob controle de corporações, as quais estão criando uma estrutura de dependência a fim de reforçar e impor seus valores e produtos à sociedade (MATTOS, 2002, p. 47).
De acordo com o autor supracitado, por questões mercadológicas, as grandes redes de televisão estão excessivamente preocupadas com a audiência e deixando de serem veículos informativos e educativos para se tornarem cada vez mais comerciais. Nesse sentido, é válido citar Jacqueline Dourado (2010) que aponta em pesquisa feita com a TV Globo que a
emissora destina os horários da madrugada, quando a audiência é reduzida, para a veiculação de programas educativos, como o Telecurso.
A reportagem da Veja sobre programação regional destaca que o quadro infantil Catalendas da TV Cultura do Pará utiliza elementos da cultura paraense para aproximar as crianças dos temas estudados. Em outro trecho, um entrevistado diz que para fazer sucesso na televisão local é preciso ter um sotaque regional. Esses são elementos que contribuem para a identificação do público com a programação veiculada.
Tendo feito essa apresentação de localização da televisão num contexto histórico e de composição social que permitiram ao veículo assumir o posto de centralidade nos lares do público e na preferência quando se trata de obter informação e entretenimento, passaremos agora a contextualizar o momento de reconfiguração pelo qual passa o veículo e as transformações advindas com esse cenário. Estamos numa fase de transição, com alguns conceitos ainda imprecisos, mas outros que estão em pleno curso e/ ou consolidados e que têm gerado comportamentos imprevisíveis no público, conforme veremos a seguir.
2 CAPÍTULO II: RECONFIGURAÇÃO DA TV
A partir dos avanços tecnológicos e mudanças no comportamento do público, a televisão vive um momento de reconfiguração. A convergência dos meios permitiu a expansão dos conteúdos televisivos para além do aparelho televisor, que não é mais a tela exclusiva e divide a atenção do público com a segunda tela (desktops, tablets, smartphones). As transformações passam pelos processos produtivos de conteúdos e pelas formas de consumo, inaugurando formas novas de fazer e ver TV.