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TABLO 14 – İŞLETMELERDE GERÇEKLEŞEN EN AZ 30 SAATLIK GÖZLEM ZIYARETI VEYA HIZMET IÇI EĞITIM KURSLARINA KATILAN ÖĞRETMENLERIN BÖLGELERE GÖRE PAYI

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TABLO 14 – İŞLETMELERDE GERÇEKLEŞEN EN AZ 30 SAATLIK GÖZLEM ZIYARETI VEYA HIZMET IÇI EĞITIM KURSLARINA KATILAN ÖĞRETMENLERIN BÖLGELERE GÖRE PAYI

Moçambique60, de forma pouco abonatória, o comportamento das nossas tropas face à FRELIMO na última fase da descolonização. Também Amado Couto elucida que “[c]omeçaram a ser criadas, por todas as frentes de combate, situações de cessar-fogo acordadas entre as próprias unidades” (Couto 2011: 338). Foi divulgada uma mensagem “para todos os aquartelamentos habilitando os Comandos a ensaiar condições locais susceptíveis de se conseguir o cessar-fogo na sua zona” (Couto 2011: 339). Para que tal facto surtisse efeito, “sugeria-se uma campanha de panfletos e cartas deixadas no mato convidando à cordialidade. Era o cessar-fogo de facto” (Couto 2011: 339) 61.

Despontava, também segundo o autor,

60 Ao longo do livro verifica-se essa perspectiva, que pode ser confirmada, por exemplo nas páginas 102,

120, 198, 199, 232.

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…fraqueza de comando perante um avolumar de imposições por parte dos subordinados,

abandono de missões cometidas, reuniões descaradas por parte de elementos preponderantes no seio dos aquartelamentos tendentes à recusa ao combate contra um inimigo que todos os dias os mata. Era a conclusão da impotência na continuação de uma guerra (Couto 2011: 339). Com esta situação, no terreiro militar, urgia aos políticos encontrar alguma forma de entendimento. A FRELIMO forçou-a. Tomou Nametil ou Omar, um emblemático quartel no Norte de Moçambique, enquanto decorriam as conversações em Dar-es-Salam com os representantes do Estado Português.

À situação descrita, veio juntar-se um retraimento do dispositivo militar, feito de uma forma pouco reflectida, muitas vezes a pedido quase compulsivo, outras por iniciativa própria das unidades. O caso de Nangade, onde permaneceram Capitães do Fim, apresenta-se ainda hoje, como polémico, dada a importância da praça militar, que faz despontar paixões na blogosfera dos antigos combatentes62.

ii. Omar, na altura comandada por um Capitão do Fim63, despertou o interesse dos historiadores militares. Há publicações onde o acontecimento é descrito com pormenor e mesmo registadas entrevistas de vários intervenientes: Bernardo (2004: 159-160), Castro (2012: 167-178), Coccia (2011: 217-220), Couto (2011: 337-343), Martelo (2001: 171-173).

Como foi mencionado, enquanto conversações políticas, com o propósito de atingir a paz, decorriam em Dar-es Salam a 1 de Agosto 1974, ocorre na Companhia de Omar um incidente profundamente devastador para a parte portuguesa negociadora. Um grupo de guerrilheiros da FRELIMO, utilizando um megafone, lança para o ar palavras crédulas e de paz conseguindo atrair à pista de aviação, para encontro fraterno, o Alferes miliciano que comandava interinamente a unidade. À primeira vista as armas não existiam; era uma missão de paz e conciliação, que fez aproximar outros militares, porventura algo surpresos. No momento em que no interior do quartel já só se encontra o reduzido pessoal de guarda, uma força bem armada, de cerca de cem guerrilheiros, introduz-se no aquartelamento por uma porta das traseiras, dominando com facilidade o pouco pessoal presente. De imediato, uma outra força, silenciosamente emboscada, cerca a Companhia na pista de aviação. Os militares da Companhia são, então,

62 Sobre o acontecimento, apresentam-se cinco endereços, dos muitos que existem na internet:

nangade:macua.blogs.com/moambique_para_todos/2008/06/em-01set74-trop.html; ultramar.terraweb.biz/Esclarecimento_VitorBaiao_nangade.htm;

gruposespeciais.blogs.sapo.pt/2915.html; macua.blogs.com/moambique_para_todos/omar_01081974/; www.mbendi.com/place/omar-cabo-delgado-mozambique-325058.

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conduzidos para a Tanzânia, sendo o acontecimento de imediato transmitido a Dar-es- Salam, ao comité negociador da FRELIMO, a tempo útil de ser utilizado como arma de arremesso perante a delegação portuguesa aí presente.

Apesar da difícil adversidade que constituiu a captura da guarnição de Omar, as conversas de Dar-es-Salam possibilitaram apressar a marcação de uma nova reunião. O documento trazido por Melo Antunes, da capital tanzaniana, teve o aval do Presidente Spínola e da Comissão Nacional de Descolonização. Daqui parte-se para os Acordos de Lusaka, celebrados a 7 de Setembro de 1974, que reconheceram a independência de Moçambique e definiram a transferência de soberania. O acordo formal de cessar-fogo teve efeito a partir de 8 de Setembro de 1974.

No dia 24 de Maio de 1975, Machel regressa a Moçambique. Inicia uma viagem apoteótica que o conduz à capital a 23 de Junho. É recebido por milhares de pessoas. Às zero horas do dia 25 de Junho era hasteada a bandeira da República Popular de Moçambique. Nascia um novo Estado (cf. Martelo 2001: 372).

iii. O Cap. 4 em Memória Futura (PXII) do QC fala do fim do Império em Moçambique, o facto mais marcante da sua vida militar – a retirada de Moçambique. Eis a sua descrição:

As últimas tropas portuguesas abandonaram o território por via marítima às 23 horas de 24 de Junho de 1975, uma hora antes da proclamação da independência. A retirada foi simultânea de três sítios. Desde o meio-dia que permaneciam em Moçambique apenas três Companhias: uma no norte, em Nacala, outra no centro na Beira, e outra no sul em Lourenço Marques. Ao pôr-do- sol cada uma das Companhias arriou a Bandeira Nacional e aguardaram pelas 23 horas, hora a que iniciaram o deslocamento para o respectivo porto. A retirada foi efectuada por via marítima por óbvias razões de segurança. A minha Companhia recebeu a missão de retirada da Beira. De manhã outras seis Companhias tinham embarcado para o navio «Uíge», atracado no Porto da Beira. Duas fragatas da Armada encontravam-se ao largo, na eventualidade de ser necessário apoio de artilharia naval para quem ficou em terra.

Durante o resto do dia, o narrador teve uma estranha sensação de isolamento, que pensa também ter sido sentida por todos os homens. Em discurso directo escreve:

O arriar da Bandeira e a deslocação para o porto, ao longo de avenidas ladeadas por vivendas, onde as famílias portuguesas que lá ficavam vieram todas à porta assistir à passagem da última coluna de tropas portuguesas, foram imagens emotivas para sempre guardadas na minha memória. Assisti em directo e fui protagonista das últimas horas de um Império que tinha durado meio milénio.

Foi, efectivamente, um Capitão do Fim. 6.7.6. O pensamento de Melo Antunes

i. Melo Antunes, numa entrevista a Manuela Cruzeiro, responde desta forma aos acontecimentos anteriores:

Em primeiro lugar, essa Companhia de Omar estava numa situação extremamente delicada e difícil, junto à fronteira com a Tanzânia, praticamente isolada, sem grandes possibilidades de informação e de comunicação. E o que lhe chegou foi a notícia de que, com os contactos estabelecidos com a Frelimo, se estava perto de atingir uma situação de desbloqueio das negociações e, portanto, à beira de conseguir o seu objectivo essencial. Não estou a dizer isto para desculpabilizar o procedimento dos elementos dessa Companhia, mas para frisar que esteve longe de ser um comportamento generalizado. Na minha opinião, fundada na observação concreta do que se passou em Moçambique e em Angola e na análise que faço dos acontecimentos no plano militar nessas duas colónias, acho que as tropas portuguesas tiveram,

genericamente, um comportamento digno […]. O que se passou a 1 de Agosto, nesse

aquartelamento, poder-se-ia passar em qualquer ponto do país. Havia, da parte do Exército Português, a total falta de vontade de dar mais um tiro e muito menos de continuar uma guerra. Há factos indesmentíveis dessa realidade (Cruzeiro 2005: 108).

ii. Das palavras de Melo Antunes poder-se-ia concluir que a descolonização efectivada foi conivência das Forças Armadas. É porventura, e quiçá ao mesmo tempo, uma convicção irrefutável e uma vulgarização imerecida e infundada.

Mas será possível entender essa descolonização como resultado da actuação e, previsivelmente, responsabilidade de um grupo restrito de pessoas? Só o tempo dará a resposta (Maia 1998: 11-26).