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İşletme Organizasyonu

1. MÜŞTERİ SİPARİŞİNİ ALMA

1.1. Üretim Planlama

1.1.3. İşletme Organizasyonu

Cabo Verde faz parte da área ocidental africana, é uma ex-colônia portuguesa, daí o contato com a língua portuguesa. Sua língua nativa é de base crioula “língua da comunidade e resultante do contato permanente e sistemático dos povos de etnias africanas e europeias que permaneceram nas ilhas”. (VILELA, 2005, p.636). Entretanto, a presença da Língua Portuguesa é sentida desde o processo de colonização, no século XV, por influência de Portugal, até a atualidade devido à independência tardia (1975) dos domínios portugueses,

57 É uma ex-colônia portuguesa, Segundo Vilela (2005), descoberta em 1460 por Diogo Gomes e Antônio Nola

quando voltavam da Guiné. Aproximadamente dois anos mais tarde, 1462, os primeiros colonos portugueses se fixaram em Santiago, fundando a cidade de Ribeira Grande, que se tornou um importante interposto para a comercialização de escravos, cidade extinta após ataques de piratas ingleses e franceses. Ainda segunda Vilela (2005) em 1951, a colônia portuguesa passou a província ultramarina, dez anos depois foram dados plenos direitos de cidadãos portugueses aos nativos. Embora movimentos emancipatórios tenham surgidos ainda nesse período, Cabo Verde só se tornou uma república independente em 1975, sob o comando do primeiro presidente Aristides Pereira.

assim, a língua oficial determinada pelas leis máximas desses países legitima a Língua Portuguesa como oficial (CANIATO, 2005). Ainda assim, a resistência do povo cabo- verdiano busca meios de assentamento da língua cabo-verdiana e 1999 a Assembleia Legislativa dá o status de “língua oficial em formação”, por meio de uma revisão constitucional, após a criação do Alfabeto Unificado para a Escrita do Crioulo Cabo-verdiano – ALUPEC.

Mapa 4-Mapa de Cabo Verde

Fonte: https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/cv.html

Assim, segundo Campos e Dinoá (2012), coexistem o português, língua oficial, das relações internacionais e institucionais e o cabo verdiano ou crioulo58, língua materna de maior expressividade e espontaneidade. Todavia, há aqui um cenário bastante interessante em que, embora o cabo-verdiano pareça conquistar um espaço que antes era restrito à língua oficial, a língua portuguesa ainda é bastante falada nesse país, seja como a língua da escola, da administração e das relações internacionais.

Cabo Verde faz parte da expansão marítima territorial ocorrida no século XV, especialmente na segunda metade desse século, período em que a África se tornou alvo das explorações portuguesas, sua presença se fez sentir em vários aspectos, mas teve uma influência crucial na língua, segundo Caniato (2005, p.13) “o ponto de partida de várias

58 É frequente a designação da língua materna dos cabo-verdianos como “crioulo” designação utilizada pelos

próprios falantes e a expressão “língua cabo-verdiana” que ultimamente vem sendo cada vez mais reconhecida como a forma adequada para a comunicação dos cabo-verdianos. Optou-se pela expressão língua cabo-verdiana ou somente o cabo-verdiano para evitar possíveis equívocos e/ou depreciação do termo em relação às outras línguas designadas crioulas. De acordo com o Dictionnaire Encyclopedique et Bilingue - Cabo Verde (2001) foi o escritor e filólogo cabo-verdiano Baltazar Lopes quem utilizou pela primeira vez a expressão “cabo-verdiano” designando “língua nacional de Cabo Verde”, em 1947, na revista “Claridade” no texto “Uma experiência românica nos trópicos”, atribuindo assim o estatuto de língua ao crioulo.

línguas crioulas, cuja difusão alcançaria os litorais ocidental e oriental da África e, no final do século (XV), o litoral da Ásia.”

Após as implantações do comércio pelos portugueses, a LP começou a ser lentamente (ou estrategicamente) difundida, principalmente pelo litoral. Registra-se que uma das formas de se promover o ensino do português foi conduzindo os africanos para Portugal e depois levá-los de volta a África, já „aculturados‟. Por volta do século XVI, a LP já adquirira o status de língua franca, favorecendo o contato entre os membros de grupos linguísticos distintos para promover o comércio internacional e tornar as interações mais extensas.

A igreja e a escola tiveram um importante papel na expansão da língua, além do contato direto ocorrido no início da colonização portuguesa. Os jesuítas preocupados em catequizar o povo na fé católica levaram a LP ao conhecimento popular. Após a Segunda Guerra Mundial, a LP ganhou grandes proporções, distinguindo cinco variedades linguísticas diferentes nos países africanos: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e as ilhas de São Tomé e Príncipe. Com a emancipação política de Portugal, esses países adotaram a LP como língua oficial, contudo cada nação apresenta suas especificidades.

Segundo Campos e Dinoá (2012), a cada uma dessas línguas remonta uma historicidade que singulariza a situação de Cabo Verde. A língua portuguesa como resultado da cosmovisão de um povo diferente, representa a língua do dominador, do colonizador, enquanto que o cabo-verdiano demonstra a resistência do povo africano, a autonomização linguística surgida a partir do português popular do século XV e de línguas africanas, constantemente discriminadas, ditas crioulas. Durante a leitura da transcrição das entrevistas, detectou-se algo muito interessante dito por um cabo-verdiano (19H+CVQM) no questionário metalinguístico, a respeito da sua relação com a LCV (chamada por eles de crioulo) e a língua portuguesa:

[...] a historia da gente já já começa a fazer gente pensar é monte de coisa sabe eu tenho ah eu nunca assim tive uma simpatia com o português meu pai me fez achar isso sabe” pensar dessa forma‟ ele não gosta de brancos‟ ele não gosta de português‟ ele é assim e pronto‟ eu questionava não nem todo branco pode ser é:: racista nem ruim mas ele dizia que não e enfim hoje eu discordo mais eu pivete não sabia o que era isso [...]meu pai tipo ele nem apoiava nem nada ele queria que eu falasse crioulo porque é é a nossa língua eu num vejo português como sendo a minha língua assim apesar de ter nascido aprendi eu falo me expresso as vezes acho que as vezes melhor em é engraçado mas as vezes eu num consigo outra palavra no crioulo pra dizer algumas coisas e a palavra a gente acaba pegando uma palavra do português e coloca no crioulo da mesma forma que a gente pronuncia tudo coloca no crioulo‟ então/eu acho que as vezes eu me expresso melhor em em português assim mas essa língua não é minha.(grifo nosso). (Fragmento da entrevista do

questionário metalinguístico, codificado como

19H+CVQM59/PROFALA/UFC).

Como se vê no fragmento acima a relação com a língua portuguesa não se dá de modo pacífico, os cabo-verdianos resistem em adotá-la como sua língua, ou especialmente como sua „primeira língua‟, dos vinte entrevistados, entre homens e mulheres, um apenas falou primeiro o português para depois falar o crioulo, os demais identificam a LCV como sua língua materna. Embora a LCV tenha primazia, como língua materna, a valorização cultural e as relações internacionais é feita pela LP. Somente, depois de séculos de coexistência dessas línguas, já há reconhecimento da importância das línguas crioulas como veículo cultural do povo das ilhas, fazendo parte do seu patrimônio cultural.

Essa situação fez com que a LP fosse sempre considerada como língua de prestígio e o Crioulo cabo-verdiano60 como língua de „amizade e do coração‟. Tratando-se de situações informais de comunicação, o crioulo cabo-verdiano, sobretudo junto da elite letrada, teve quase sempre um estatuto de menoridade, chegando mesmo a ser considerado desonroso o seu uso. E isto, particularmente, devido à falta de um alfabeto e de uma escrita padronizados, à inexistência, durante muito tempo, de uma gramática escrita e à sua ausência tanto na escala administrativa quanto no sistema institucional de ensino.

Dado o status diferente da língua portuguesa entre Timor-Leste e Cabo-Verde, pode-se, então, constatar que os falantes timorenses apresentam pouco domínio do português, enquanto os cabo-verdianos se expressam com maior naturalidade, fluência, possuem maior domínio da língua em questão.

Benzer Belgeler