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İşlemsel Yükselteçlerin İdeal Olmayan Özellikleri

1. BİYOPOTANSİYEL YÜKSELTEÇLER

1.10. İşlemsel Yükselteçlerin İdeal Olmayan Özellikleri

O Profuncionário como fora anteriormente citado na seção 2 que trata sobre a discussão histórico-teórica, surge por força de uma demanda de formação e valorização dos profissionais não docentes das escolas públicas. Essa demanda, há muito reprimida pelo poder público, serviu de pauta nas lutas sindicais ocorridas no final da década de 1980 com o suporte

da CNTE enquanto entidade representativa dos professores, dos pedagogos e dos funcionários. No seu plano de lutas, a referida confederação defendia a profissionalização dos funcionários, por meio da oferta de cursos técnicos profissionais de nível médio.

Nesse mesmo período, iniciativas de experiências envolvendo a formação em serviço de funcionários técnico-administrativos foram implementadas a partir da parceria entre as secretarias de educação de alguns estados e as entidades sindicais.

A exemplo disso, podemos citar as seguintes iniciativas: Projeto Arara Azul, em Mato Grosso, que habilitou mais de 5.000 funcionários da rede estadual de 1992 a 2005; Cursos Profissionais da Rede Municipal de Cuiabá, que formaram cerca de 1.000 funcionários entre 1995 e 2005; Cursos Profissionais da Rede Estadual do Acre, que habilitaram cerca de 300 funcionários entre 2000 e 2002; Cursos Profissionais da Rede do Distrito Federal, que habilitaram cerca de 700 funcionários entre 1996 e 1998 (MEC,2004).

Nesse momento de ofertas com cursos voltados especificamente para esse setor, é criada a Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001, que trata sobre a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE) o qual norteou as políticas educacionais entre 2001 e 2010. Dentre as diretrizes propostas no plano decenal, podemos destacar como referências específicas ao programa Profuncionário, as seguintes metas e objetivos contidos na Seção V que trata sobre o magistério na educação básica:

[...]25. Identificar e mapear, nos sistemas de ensino, as necessidades de formação inicial e continuada do pessoal técnico-administrativo, elaborando e dando início à implementação, no prazo de três anos a partir da vigência deste Plano, de programas de formação.

26. Criar, no prazo de dois anos, cursos profissionalizantes de nível médio destinados à formação de pessoal de apoio para as áreas de administração, multimeios e manutenção de infraestruturas escolares, inclusive para alimentação escolar e a médio prazo para outras áreas que a realidade demonstrar ser necessário. (Brasil, 2001b) Após a promulgação dessa lei, iniciativas por meio das discussões entre as entidades sindicais e os poderes públicos foram ocorrendo com vistas à criação de propostas que pudessem institucionalizar o Profuncionário, consolidando-o como um programa de política pública. Em 2004 o Departamento de Articulação e Desenvolvimento dos Sistemas de Ensino (DASE), setor esse vinculado ao MEC, considerou como uma de suas ações a valorização dos funcionários da educação.

O início da implantação do programa ocorreu através da Secretaria de Educação Básica (SEB) a partir do “Seminário Nacional sobre Política de Valorização de Trabalhadores

em Educação – Em Cena os Funcionários de Escola” ocorrido em Brasília ainda no ano de 2004, cujo resultado foi um documento orientador dessa política de abrangência nacional, a qual constitui um programa de ações articuladas em três frentes: a) reconhecimento das novas identidades funcionais; b) oferta de escolarização, formação inicial e continuada; c) estruturação de planos de carreira e implementação de piso salarial (MEC, 2004).

Um ato normativo de significativa relevância nesse processo de institucionalidade do programa é o Parecer nº 16, de 03 de agosto de 2005 emitido pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) por meio da Câmara de Educação Básica (CEB), culminando na Resolução CNE/CEB nº 5, de 22 de novembro de 2005. Nos termos desse parecer, incorpora-se às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio, uma 21ª Área Profissional, a de Serviços de Apoio Escolar com as seguintes características:

Compreende atividades em nível técnico, de planejamento, execução, controle e avaliação de funções de apoio pedagógico e administrativo nas escolas públicas e privadas de Educação Básica e Superior, nas respectivas modalidades. Tradicionalmente, são funções educativas que se desenvolvem complementarmente à ação docente. Esses Serviços de Apoio Escolar são realizados em espaços como secretaria escolar, manutenção de infraestrutura, cantinas, recreios, portarias, laboratórios, oficinas, instalações esportivas, jardins, hortas e outros ambientes requeridos pelas diversas modalidades de ensino. As funções de secretaria escolar, alimentação escolar, multimeios didáticos e infra-estrutura dão origem às habilitações profissionais mais correntes na área. (CNE, 2005a, p.3)

Ainda em 2005, componentes da Faculdade de Educação e Centro de Educação a Distância (CEAD) da Universidade de Brasília (UnB) elaboraram o documento embrionário do programa denominado “Projeto do Curso de Profissionalização dos Funcionários da Educação – Profuncionários” (UnB, 2005). Nesse documento, podemos encontrar na sua justificativa o número aproximado dos funcionários escolares não-docentes atuando nesse período, seguido da motivação em se implementar um programa que atenda essa categoria de trabalhadores da educação:

Os trabalhadores da educação hoje em exercício na docência das 200.000 escolas (1% federais, 60% municipais e 39 % estaduais) são cerca de 2.500.000, ajudados por aproximadamente 1 milhão de trabalhadores não docentes, distribuídos em várias funções no interior das escolas. [...]

Enquanto os professores, desde os meados do século XIX, contam com cursos de formação, denominados normais, e, desde o início do século XX, com cursos de pedagogia e licenciaturas de nível superior, os funcionários não docentes foram recrutados sem exigência de formação inicial, muitas vezes por critérios clientelísticos, e, quando concursados, somente se lhes exigiu um certificado de alguma escolaridade julgada compatível com as tarefas que lhes eram afetas: ensino

fundamental completo ou incompleto e, mais recentemente, ensino médio (UnB, 2005, p.4).

Ainda conforme o referido documento, destacamos no seu conteúdo, elementos da estrutura geral do curso (blocos de conteúdo relacionados às formações pedagógica, técnica e específica) e da organização didático-pedagógica, tais como os objetivos e a metodologia a ser trabalhada na oferta dos cursos, caracterizada pela modalidade do ensino a distância.

O ensino a distância encontrou respaldo legal enquanto modalidade a partir do Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de 2005, o qual regulamentou o artigo 80 da LDB 9.394/96, considerando a oferta do ensino a distância nos diversos níveis e modalidades educacionais, dentre as quais, a educação profissional, abrangendo os cursos técnicos de nível médio e tecnológicos de nível superior (BRASIL, 2005e).

Para que fosse realizado um plano de trabalho que alcançasse a oferta de formação em nível nacional, foi preciso um diálogo entre o MEC e as demais representações das entidades educacionais de diferentes redes de ensino, a saber: a União Nacional dos Dirigentes (Undime), o Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed), os Conselhos Estaduais de Educação (CEE) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Desse plano de trabalho, resultou um projeto piloto do programa iniciado em 2005, formando cinco mil funcionários nos estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Pernambuco, Piauí e Tocantins (BRASIL, 2008b).

O desafio maior era produzir o material didático: além das Orientações Gerais (OG) do PROFUNCIONÁRIO, eram necessários seis cadernos pedagógicos e três técnicos comuns às 4 habilitações. E sete técnicos específicos para cada uma das 4 habilitações. A redação, impressão e remessa para os 5 estados desses 38 cadernos ficaram como responsabilidade e despesa do MEC, na SEB. Os primeiros "conteudistas" foram contratados ainda em setembro de 2005, de forma que, quando foram dadas as aulas inaugurais de Pernambuco e Paraná em dezembro, já estavam prontas as OG e três dos primeiros cadernos pedagógicos. [...] Foram impressos seis mil exemplares das OG e de cada caderno pedagógico e técnico comum. Os técnicos específicos foram impressos no fim de 2006, porque só em setembro terminava a oferta dos dez primeiros comuns. Além das despesas com os Cadernos, o MEC se responsabilizou pela Capacitação (ou formação) dos Tutores, a maioria dos quais era de professores e pedagogos das redes estaduais (alguns também de redes municipais), que se encarregavam dos salários deles, por meio de dedicação, em geral, de vinte horas semanais (Gestor 2 – MEC).

Embora à época não institucionalizado pelo amparo legal, o Profuncionário consolida-se enquanto oferta de formação aos funcionários escolares a partir de 2006, quando formaliza o Projeto de Expansão para mais doze estados para atender cerca de dezoito mil

funcionários em regime de colaboração com os sistemas de ensino municipais e estaduais e com a participação de entidades, a exemplo da Undime e da CNTE (BRASIL,2008b)

Em relação ao público-alvo do programa, nesse caso os trabalhadores não-docentes das escolas públicas municipais e estaduais, consideráveis mudanças ocorreram para que essa categoria fosse legalmente contemplada na oferta dos cursos de formação. Sobre esse público, conforme o texto original do inciso V do artigo 206 da Constituição Federal de 1988, temos a “valorização dos profissionais do ensino, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas”. Esse inciso versava sobre a valorização dos “profissionais do ensino”, restringindo esse direito aos professores e os profissionais do magistério, que incluem também os pedagogos.

Essa mudança ocorreu através da Emenda Constitucional nº 53, de 19 de dezembro de 2006, a qual alterou a expressão “profissionais do ensino” por “profissionais da educação escolar”, como também foi inserido um parágrafo único prevendo lei para estabelecer quais categorias de trabalhadores seriam consideradas “profissionais da educação básica”, assim como a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (BRASIL, 2006c).

Em 2007, o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação foi criado mediante ação governamental a partir do Decreto nº 6.094, de 24 de abril daquele ano, a partir da implementação de programas e das ações de assistência técnica e financeira, visando a mobilização social pela melhoria da qualidade da educação básica. No artigo 2º onde versa sobre as diretrizes do plano, podemos destacar no inciso XII: “instituir programa próprio ou em regime de colaboração para formação inicial e continuada de profissionais da educação” (BRASIL, 2007d).

Com o projeto-piloto implementado e expandido, com a criação da área da educação profissional específica para os serviços de apoio escolar e com as normativas legais criadas com vistas a inclusão dos funcionários escolares na categoria de profissionais da educação escolar assegurando-lhes qualificação profissional, o Profuncionário foi instituído por meio da Portaria MEC nº. 25, de 31 de maio de 2007, a qual trouxe algumas diretrizes essenciais ao funcionamento e organização do programa, tais como (MEC, 2007a):

 Oferta de cursos aos funcionários que atuam nos sistemas de ensino da educação básica pública, com ensino médio concluído ou concomitante a esse;

 Possibilidade de oferta dos cursos técnicos em Gestão Escolar, Alimentação Escolar, Multimeios Didáticos e Meio Ambiente e Manutenção da Infraestrutura Escolar;

 O gerenciamento do Profuncionário a cargo da Secretaria de Educação Básica (SEB) por meio do Departamento de Articulação e Desenvolvimento dos Sistemas de Ensinos (Dase) do MEC;

 A implementação do programa mediante parceria com a União, com os Estados, Municípios e Distrito Federal;

 Criação de uma coordenação estadual em cada Estado ofertante do programa para implementar e gerenciar o curso;

 A Coordenação Pedagógica do curso a cargo de Instituições de Ensino Público credenciadas pelo MEC, responsáveis pelo desenvolvimento pedagógico do curso;

 O financiamento do programa decorreria das dotações orçamentárias da União, bem como de recursos dos entes federativos envolvidos.

A Portaria MEC Nº 539, de 31 de maio de 2007, criou o Conselho Político do Profuncionário com a competência de acompanhar a implementação dos cursos do Profuncionário em nível nacional, analisando e definindo procedimentos para a relação institucional entre o MEC e os sistemas de ensino envolvidos no programa (MEC, 2007b).

Em 2008, mediante um seminário organizado pelo MEC e novamente contando com a participação e interlocução da Undime, do Consed, do CEE dos estados e do CNTE, cria- se um novo arranjo nas parcerias institucionais do Profuncionário, ampliação a quantidade de vagas do curso, onde os Cefets, à época na condição de estabelecimentos da educação profissional, ficaram responsáveis pela capacitação dos tutores e dos professores-orientadores do programa, sendo estes responsáveis na formação técnico-pedagógica dos funcionários escolares (BRASIL, 2008b).

Ainda no mesmo ano, por meio de reuniões com os interlocutores citados anteriormente, iniciativas foram sustentadas para que os estados assumissem a proposta de formação do programa, onde equipes estaduais foram capacitadas “com a finalidade de desconstruir e reconstruir visões, imagens e concepções sobre a identidade profissional dos funcionários da educação e as novas demandas exigidas para os técnicos em educação” (BRASIL, 2008b, p.27).

Por meio da Portaria MEC Nº 13, de 25 de setembro de 2008, o gerenciamento do programa passa da responsabilidade da Dase para a Diretoria de Políticas de Formação, Materiais Didáticos e de Tecnologias para Educação Básica (Dpoform), ambas vinculadas à SEB. Além disso, as atividades de formação e o desenvolvimento pedagógico do curso ficaram sob a competência de instituições de ensino público credenciadas pelo MEC, mediante Coordenação Pedagógica (MEC,2008).

Como já evidenciado na seção 2, no final de 2008 os Cefets são transformados em Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia por meio da Lei nº 11.892/2008 enquanto instituições de ensino, de pesquisa e de extensão voltadas prioritariamente à oferta de educação profissional e tecnológica nas modalidades de ensino presencial e a distância.

Nesse contexto, os Institutos Federais são legalmente credenciados à implantação e à implementação de cursos nos moldes do Profuncionário, como podemos verificar no conteúdo do art. 7º da referida lei que trata sobre um dos objetivos dessas instituições de ensino:

II - ministrar cursos de formação inicial e continuada aos trabalhadores, objetivando a capacitação, o aperfeiçoamento, a especialização e a atualização de profissionais, em todos os níveis de escolaridade, nas áreas da educação profissional e tecnológica. (BRASIL, 2008a)

O reconhecimento das novas identidades dos funcionários escolares no âmbito das normativas legais ocorre quando esses trabalhadores são incorporados à categoria de profissionais da educação por meio do inciso III da Lei nº 12.014, de 6 de agosto de 2009, a qual altera o artigo 61 da LDB 9.394/96, a saber:

Art. 61 Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que, nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos, são:

I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio;

II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia, com habilitação em administração, planejamento, supervisão, inspeção e orientação educacional, bem como com títulos de mestrado e doutorado nas mesmas áreas;

III – trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim.

Parágrafo único. A formação de profissionais da educação, de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades, bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica, terá como fundamentos: I – a presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho;

II – a associação entre teorias e práticas, mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço;

III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores em instituições de ensino e em outras atividades (BRASIL, 2009).

Às vésperas do encerramento do segundo mandato do governo Lula (2007-2010), foi publicado o Decreto nº 7.415, de 30 de dezembro de 2010 instituindo a Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação Básica com a finalidade de organizar em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios a formação dos profissionais da educação das redes públicas da educação básica.

O referido decreto também dispôs sobre o Profuncionário enquanto política de governo, considerando (BRASIL, 2010):

 A garantia da formação profissional técnica em nível médio, preferencialmente por meio da educação a distância, de servidores efetivos que atuem nos sistemas de ensino da educação básica pública;

 A oferta dos cursos técnicos de nível médio com habilitação em: Secretaria Escolar, Alimentação Escolar, Multimeios Didáticos, Infraestrutura Escolar todos com 1.200 horas/aula; e Biblioteconomia e Orientação Comunitária com 800 horas/aula;

 As atividades de formação, o desenvolvimento pedagógico do curso e a certificação dos participantes ficaram sob a responsabilidade das instituições de ensino participantes do Profuncionário, conforme o que fosse estabelecido no acordo de cooperação técnica;

 A implementação do Profuncionário feita em regime de colaboração entre os entes federados, tais como: MEC, SEB, UNDIME, CNTE, Institutos Federais, Sindicatos, Secretarias e Conselhos Estaduais de Educação;

 À competência da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica de forma preferencial para a formação dos professores e tutores, ocorrendo exclusivamente na modalidade presencial. Deverá essa rede ofertar os cursos com suas respectivas habilitações anteriormente mencionados.

Em 2011, o programa passa por mudanças mediante Portaria MEC nº 1.547 de 24 de outubro do mesmo ano, alterando alguns artigos da portaria anterior que instituiu o Profuncionário. Destacam-se nesse caso, mudanças nos seguintes dispositivos: substituição da habilitação Gestão Escolar pela Secretaria Escolar, já anteriormente evidenciada no Decreto 7.415/2010 e o acompanhamento do programa, passando o gerenciamento para a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), executado anteriormente pela SEB (MEC, 2011).

Cabe ressaltar ainda que a oferta dos cursos na modalidade de educação a distância, atividade a qual estava anteriormente sob a responsabilidade exclusiva das Secretarias Estaduais de Educação, passou a contar também com a atuação dos Institutos Federais (Idem).

Sobre esse gerenciamento a partir da Setec, podemos evidenciar algumas fragilidades em relação aos aspectos operacionais do programa e de como a sua estrutura inserida no Ministério da Educação carecia de melhores condições de funcionamento.

O principal gargalo do Profuncionário na minha opinião é que a concepção do programa parte do princípio que deveria existir um diagnóstico. Isso não pode ser uma ação do ofertante. Não pode ser o instituto que quer fazer o Profuncionário. A secretaria estadual [de educação] que quer fazer o Profuncionário. Inclusive o decreto [nº 7.415/2010] prevê esse tipo de coisa. Que seriam organizadas comissões [estaduais] encarregadas de fazer o diagnóstico no âmbito de cada estado dos interessados dos recursos para esse tipo de coisa. Isso nunca aconteceu. Eu tive no CNTE e perguntei: “Quantas comissões chegaram a ser montadas na época da SEB?”. Eles falaram que provavelmente umas quatro. Nunca houve dentro do programa, um desenho que dissesse: “Olha, no estado de Pernambuco existem tantos mil funcionários de escolas públicas municipais, tantos de escolas estaduais, desses tantos, tantos não tem ou tantos tem interesse em fazer e a estratégia para atender esses tantos mil é tantas vagas pelo instituto, tantas pelo estado para em tantos anos chegar nisso aí.” Então o plano estratégico que o decreto prevê, na verdade ele nunca foi cumprido e na época da SEB não havia nenhuma referência desse documento com esse tipo de coisa. A ação que nós [Setec] fizemos foi designar duas pessoas, e foi na verdade um trabalho de consultoria, porque eles [Profuncionário] não tinham equipe, só servidor voluntário, que fizeram o diagnóstico, deram suporte para instaurar as comissões estaduais e já disponibilizaram o instrumento de coleta de dados. Isso para levantamento de demanda e para fazer o planejamento da oferta. O que falta ainda ao Profuncionário é criar uma linha de sequência estratégica que viesse a partir de um diagnóstico (Gestor 1 – MEC).

Percebemos nesse caso que não havia um processo analítico que apontasse as demandas reais pela formação dos funcionários escolares dos estados e municípios a partir da organização das comissões estaduais conforme previsto no item I do parágrafo 2º do artigo 10 do Decreto nº 7.415/ 2010: “diagnóstico e identificação das necessidades de formação de profissionais da educação básica e da capacidade de atendimento das instituições de ensino médio e profissional tecnológico envolvidas.”

A partir da publicação da Portaria MEC nº 1.547/2011, os Institutos Federais, além de capacitarem os profissionais responsáveis pela formação dos funcionários escolares, passaram a assessorar os sistemas de ensino nas atividades de divulgação e implantação do Profuncionário nas diversas regiões do país, constituindo-se como um dos executores do programa em conjunto com as demais entidades envolvidas, conforme a Figura 4:

Figura 4 - Instituições envolvidas na execução do Profuncionário

Fonte: Elaborada pelo próprio autor a partir da Portaria MEC nº 1.547/2011.

A Setec vinculou o programa ao sistema Rede e-Tec o qual foi instituído pelo Decreto nº 7.589, de 26 de outubro de 2011. A Rede e-Tec, voltada aos cursos profissionais a distância, tem o propósito de ampliar e democratizar o acesso a cursos técnicos de nível médio, públicos e gratuitos, em regime de colaboração entre União, estados, Distrito Federal e municípios a partir das seguintes características (BRASIL, 2011):

 Capacitação profissional inicial e continuada, preferencialmente para os estudantes matriculados e para os egressos do ensino médio, bem como para a

Benzer Belgeler