IV- SORUMLULUK
3. İşlem Yapan Kuruluşlara Uygulanacak Yaptırımlar
Geologicamente, a área que corresponde às sub-bacias Cipó e Carrapateiras está representada pelas rochas do embasamento cristalino que, segundo Gomes et alii (1981), pertence ao Complexo Pedra Branca. Outras unidades estão presentes na área, constituídas por dioritos, gabros e suíte
magmática. Já os depósitos sedimentares estão distribuídos em toda sub-bacia, representados pelas aluviões que margeiam os fundos dos vales.
As informações geológicas aproximam-se dos resultados obtidos pelo projeto RADAMBRASIL (1981), motivo por que adotou-se o esboço estatigráfico adaptado de Moreira (2001), (Quadro 2).
Dioritos
Segundo descrição feita pelo projeto Radambrasil, os dioritos e os gabros são rochas plutônicas de posicionamento duvidoso, indicação que está fundamentada na concepção de que essas unidades representam fragmentos antigos de rochas, provavelmente, originadas do manto.
Limitando-se a oeste pela falha de Tauá até o Complexo Pedra Branca, o corpo diorítico apresenta-se inserido ao sul da sub-bacia do riacho Carrapateiras, encontrando-se totalmente intrudido no Complexo Pedra Branca, com área aproximada de 150 km2 (Almeida, 1988 in Moreira, 2001).
Gabros
Os núcleos gabróicos foram individualizados por Campos et alii. no Radambrasil, estando localizado dentro do corpo diorítico de Tauá, apresentando granulação grosseira, aspecto maciço e tonalidade cinza–escuro. O tipo mais comum é um olivina-augita-gabro caracterizado por gerar solos escuros e profundos com forte presença de blocos subarredondados. Estes núcleos estão inseridos no corpo diorítico, logo, localizados na sub-bacia do riacho Carrapateiras.
Complexo Pedra Branca
O Complexo Pedra Branca abrange toda a área das sub-bacias dos riachos Carrapateiras e Cipó, estando posicionado a nordeste do Município de Tauá. Limita- -se ao sul com as falhas Sabonete-Inharé e Tauá, e a leste com os dioritos, o que, segundo estudos de Pinheiro (2003), influencia na ocorrência de rochas em diques ácidos, conforme observado na sub-bacia do riacho Cipó. Segundo Gomes et alii. (1981), este complexo, litologicamente, constitui-se de gnaisses dos mais variados tipos, xistos de composição básica e ultrabásica, serpentinitos, anfibolitos, biotita-
honiblenda-gnaisses, peridotitos, gabros e anortositos, ocorrendo também lentes quartizíticas e pequenas áreas migmáticas; “apresenta uma estrutura interna complexa em dobramentos suaves com sinformes e antiformes abertas ou apertadas” (Pinheiro, 2003).
Suíte Magmática
Nas sub-bacias dos riachos Cipó e Carrapateiras, os corpos graníticos estão situados ao sul da sub-bacia do riacho Carrapateiras,. De acordo com Almeida (1988), o corpo situado ao sul da sub-bacia do riacho Carrapateiras está em parte intrudido no Complexo Pedra Branca e nos dioritos. Mostra-se em forma de diques descontínuos, podendo ser encontrados granitos tardios encaixados longitudinalmente em granitos precoces. Segundo o mesmo autor, “os contatos com os metassedimentos do Complexo Pedra Branca são bruscos,” enquanto que, com os litotipos do Pluton Tauá (dioritos), variam de bruscos a gradacionais, mostrando nessas zonas a formação de rochas híbridas, resultantes da mistura de magmas.
Aluviões
As aluviões constituem os depósitos mais recentes e formam um conjunto de sedimentos assentados nos vales dos principais rios e riachos das sub-bacias. Apresentam-se geralmente em dimensões reduzidas e recobrindo as rochas pré- cambrianas.
Litologicamente, as aluviões estão representadas por areias finas e grossas, de tons variados, incluindo cascalhos de tamanhos diferentes e argilas com matéria orgânica em decomposição.
Quadro 2 - Esboço Litoestratigráfico das Sub-bacias do Cipó e Carrapateiras, Baseado no Radambrasil.
Quaternário (Holoceno)
Aluviões Areias finas e grossas,
incluindo cascalhos inconsolidados e argila com
matéria orgânica em decomposição.
Superior
Suíte Magmática Granitos finos e grosseiros, coloração variando entre cinza,
cinza-claro e rosa, granitos anatéticos. P R É - C A M B R I A N O Inferior
Complexo Pedra Branca Gnaisses dos mais variados tipos, com intensa participação
de rochas ortoderivadas, representadas por xistos básicos serpentinitos, anfibolitos, horniblenda- gnaisses, peridotitos, gabros e anortositos. Subordinadamente
ocorrem quartzitos e áreas migmáticas.
pE IND Gabros e Dioritos
pEpb y 1
Qa
FIGURA 4: Mapa Geológico das Sub-bacias dos Riachos Cipó e Carrapateiras ESCALA 1: 280.000
3.2.2 Aspectos geomorfológicos
De acordo com a classificação de Souza (1988), Domínios Morfoestruturais do Estado do Ceará, segundo adaptação de Oliveira et alii (2000), estão presentes no Município de Tauá os domínios dos depósitos sedimentares cenozóicos com planícies e terraços fluviais, bem como os domínios dos escudos e dos maciços residuais, que englobam setores da depressão sertaneja.
Os maciços residuais estão presentes ao norte e a leste da sub-bacia do riacho Carrapateiras, no limite com as serras de São Domingos com cotas altimétricas que variam de 550 a 600 metros de altitude, sendo compostos litologicamente por formações rochosas dos tipos graníticas e metamórficas onde ocorrem Luvissolos, Chernossolo e Neossolos Litólicos Eutróficos. Os vales em “V”, moderadamente profundos, são entalhados pela densa drenagem fluvial com regime intermitente sazonal, onde apresentam uma rede de drenagem com padrão dendrítico a subdendrítico.
A depressão sertaneja dissecada, situada ao nordeste das sub-bacias, corresponde às superfícies parcialmente dissecadas em colinas rasas com topografia variando de suave onduladas a onduladas, intercaladas por vales abertos com Neossolos Litólicos Eutróficos e Luvissolos sob cobertura vegetal de caatinga arbórea secundária e altitudes que variam de 500 a 550 metros. Apresenta padrão de drenagem dendrítico com densidade de drenagem estimada como média.
A depressão sertaneja aplainada ocupa a maior parte das sub-bacias, possui níveis altimétricos que variam de 400 a 450 metros, com topografia suave-ondulada intercalada por superfícies planas e vales abertos. O manto de alteração das rochas apresenta pequena espessura, resultando em solos de rasos a moderadamente profundos, com freqüência de superfície pedregosa, onde aparecem solos Luvissolos, Neossolos Litólicos Eutróficos e Vertissolos. No fundo dos vales, ocorrem os Planossolos Nátricos e os Neossolos Flúvicos (solos aluviais).
As planícies fluviais apresentam alúvios pouco expressivos, em decorrência de estarem posicionados no embasamento cristalino. São ambientes formados por
acumulações, decorrentes de ações fluviais, submetidos a inundações em períodos de chuvas abundantes, constituído por sedimentos areno-argilosos limitados por níveis escalonados de terraços eventualmente mantidos por cascalhos,como é o caso da Área 1. As associações de solos comuns são as classes Neossolos Flúvicos, Planossolos e Vertissolos.
FIGURA 5: Mapa Geomorfológico das Sub-bacias dos Riachos Cipó e Carrapateiras ESCALA 1: 280.000
3.3.3 Condições hidroclimáticas
3.3.3.1 Aspectos climáticos
Vários são os sistemas atmosféricos que atuam nas condições do tempo e do clima na região em estudo, o que torna complexa a sua análise em decorrência da interação de variados sistemas de circulação atmosféricos com os fatores geográficos.
Ao fazer uma análise das condições atmosféricas que atuam no Estado do Ceará e, em especial na Microrregião dos Inhamuns, observa-se que as influências das massas de ar equatorial atlântica e continental são as responsáveis pelas chuvas nesta área do Estado. Isto ocorre quando as condições gerais atmosféricas acionam a Zona de Convergência Intertropical, impulsionado a Massa Continental Atlântica, fixada nas proximidades do equador, a deslocar-se para o nordeste. Caso esta venha com grande intensidade, alterando o gradiente de pressão de alta para baixa, a Massa Continental Equatorial consegue deslocar-se subindo até o reverso da chapada do Araripe com força suficiente para ultrapassar o boqueirão entre esta Chapada e a serra Grande (Ibiapaba), atingindo a região dos Inhamuns, trazendo chuva para esta área.
Para que todo este mecanismo atue, um sistema global da atmosfera, ainda mais complexo, deve trabalhar em conjunto. Como estas condições são cíclicas, em período médio e longo de tempo, a pluviosidade é baixa, em torno de 529,8mm anuais, conforme os dados referentes a um período de 30 anos (FUNCEME, 1998), com índice de aridez de 59,81%, o que pode ser considerado como condições naturais de semi-aridez. O baixo índice pluviométrico agrava-se pelo curto período em que ocorrem as precipitações, em torno de 4 meses, entre o verão e o outono, quando durante os 8 meses restantes, em média, o sol predomina durante 10 a 11 horas diárias. A radiação é intensa, as temperaturas constantes e elevadas ficam entorno de 250 C a 280 C. Essas condições de tempo são ideais a um elevado índice de evaporação, 8,6 mm/dia, e a uma evapotranspiração negativa no balanço hídrico
anual. Considerando-se, ainda, o fato de a região estar geologicamente inserida em área de formação de rochas do embasamento cristalino, encontra-se grande limitação no que diz respeito à disponibilidade de água subterrânea
Segundo classificação climática de Gaussen, o clima Th (tropical quente de seca atenuada e seca de inverno) com 7 a 8 meses secos, índice xerotérmico entre 200 a 150. Köppen, classifica o clima como BSw’h’(clima quente e semi-árido, com estação chuvosa), com temperaturas superiores a 18 0C no mês mais frio.
As condições climáticas de aridez e semi-aridez na história da formação do Nordeste brasileiro e do Ceará e os movimentos tectônicos que soergueram e rebaixaram sua superfície, possibilitaram solos oriundos de rochas cristalinas ou sedimentares de profundidades variadas, conforme maior ou menor ação das precipitações, nos quais o efeito da topografia é condicionante no arrasto e deposição do material intemperizado das rochas. Tais condicionantes naturais possibilitaram à formação de um sistema semi-árido, em que os principais determinantes são o baixo índice pluviométrico, a irregularidade e ciclicidade das precipitações, a baixa umidade do ar, que é de 61,5% em média. Os maiores valores são registrados nos meses de março e abril (75%) e os valores mais baixos ocorrem no mês de setembro (44%) (Brasil, 1973), refletindo baixa pressão, elevada evapotranspiração e deficiência hídrica de superfície durante grande parte do ano.
Todas essas condições atmosféricas possibilitaram o desenvolvimento de uma biodiversidade própria deste ambiente, uma vegetação xerófila com capacidade de suportar os longos meses de estiagem e uma fauna adaptada a esse regime climático.
De acordo com Moraes (2002), as regiões localizadas próximas à linha do equador são submetidas a forte radiação solar, uma vez que a intensidade deste fenômeno depende essencialmente do ângulo de incidência dos raios solares, o que resulta em temperaturas elevadas e baixa amplitude térmica mensal e anual.
Segundo estudos realizados pelo Projeto Waves, os índices pluviométricos referentes ao período de 1960 a 1998, alçam as sub-bacias a índices que variam de 585,2 a 686.2 mm. A porção leste da sub-bacia do Carrapateiras alcança índices que variam de 653.5 a 682.2 mm. Direcionando-se para oeste em direção à sub- bacia do riacho Cipó, os números decrescem até o índice de 585.2 a 620.9 mm. Estes índices pluviométricos, característicos de clima semi-árido, são ratificados pelo coeficiente de variância em torno de 48,85%, percentual que indica a variabilidade das chuvas no tempo e no espaço. Estes índices confirmam severa escassez pluviométrica, aliada a uma acentuada irregularidade de chuvas, quando as isoietas mostram uma variação decrescente de leste para oeste.
As considerações sobre o clima tiveram por base os dados de precipitação e temperatura registrados na estação meteorológica da Sede do Município de Tauá.
TABELA 1 Precipitação média mensal de Tauá no período (1974 a 2000)
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Município de Tauá 70,1 82,7 154 131,7 41,92 15,41 10,93 3,32 4,13 3,84 10,23 41,3 Fonte - FUNCEME Fonte: FUNCEME 0 20 40 60 80 100 120 140 160 mm
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dezembro
TABELA 2 Precipitação Média Anual Anos Tauá 1974 1058,6 1975 752,0 1976 318,1 1977 499,2 1978 428,0 1979 415,3 1980 372,4 1981 647,8 1982 392,7 1983 225,2 1984 571,9 1985 1474,0 1986 692,7 1987 516,0 1988 696,7 1989 1119,5 1990 287,2 1991 313,1 1992 372,1 1993 371,5 1994 769,4 1995 731,2 1996 488,5 1997 567,4 1998 235,7 1999 416,1 2000 579,3 Media Anual 567,09
Com base na Tabela 2, podemos observar que, na analise pluviométrica no período de 26 anos (1974 – 2000), houve discrepâncias na variabilidade de um ano para outro. Os valores variam entre 225,2 mm no ano de 1983 e 1474 mm no ano de 1985. Tais índices pluviométricos referem-se a um ano extremamente seco, em que as condições atmosféricas globais não propiciaram a entrada de massas de ar de baixa pressão na área; e, no ano chuvoso, quando a dinâmica atmosférica atuou de maneira oposta, ou seja, deslocou as massas de baixa pressão, ocasionando chuvas.
Fonte: FUNCEME
Gráfico 2 - Precipitação Média Anual 1974 - 2000
0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 mm 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 anos
A temperatura media mensal de Tauá apresenta-se elevada, com valor médio anual de 260C e pequenas oscilações térmicas registradas por uma amplitude media mensal de 3,30C. Nas médias das máximas, os valores oscilam entre 30,10 C e 33,50C e, para a média das mínimas, os valores oscilam entre 19,30C e 220 C, conforme tabela e gráfico 3. Apesar de apresentar uma media mensal com pequenas diferenças de valores, ao comparar os valores médios máximos com médios mínimos, as diferenças tornam-se bastante expressivas, resultado de uma amplitude térmica verificada entre a fase diurna com elevados valores e a fase noturna com quedas de temperaturas, fator comum nas regiões semi-áridas (Oliveira et. alii (2000) in Moreira (2001)).
TABELA 3 Parâmetros Climáticos para o Município de Tauá (1961 a 1990)
Parâmetros Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Temperatura Média Anual ( C) 27 25,9 25,4 25 24,9 24,5 24,5 25,8 26,8 27,3 27,8 27,7 Temperatura Média das Máximas ( C) 33,1 31,1 30,1 30,3 30,3 35,0 30,7 32,3 33,4 32,2 32,1 33,5 Temperatura Média das Mínimas ( C) 19,9 22,4 20,6 21,3 19,3 19,5 20,1 20 21,6 22,2 22,7 22,9 Nebulosidade (décimos) 6 6 6 6 5 4 4 3 3 4 4 5 Insolação (horas) 174,1 153,8 148,3 162,3 200,5 220,5 229,0 309,9 228,4 257,8 235,1 220,5 Evaporação (mm) 220,3 160,9 119,2 129,2 131,7 166,2 225,9 247,9 273,7 307,8 289,7 275,5 Umidade Relativa do Ar (%) 77 69 75 78 71 66 59 54 44 51 50 54
A nebulosidade obteve valores entre 3 e 6 décimos , tendo o menor valor correspondido ao período seco e à maior ao período chuvoso. A insolação apresentou valores elevados para o período seco e menos elevados para o ciclo úmido, 309,9 e 148,3 respectivamente. Os índices de evaporação mostram-se elevados, o que traz como resultado perdas hídricas significativas. As condições de umidade relativa do ar são de 78% no mês de abril, intervalo chuvoso e 50% no mês de novembro, quadro de estiagem (Gráfico e Tabela 3).
Gráfico 3 - Temperaturas Médias Mensais, Médias das Máximas e Média das Mínimas de Tauá - 1961 a 1990
0 5 10 15 20 25 30 35 40 Jane iro Feve reiro Abri l Mai o Junh o Julh o Ago sto Set em bro Out ubro Nov emb ro Dez emb ro o C
Balanço hídrico para o Município de Tauá
O balanço hídrico utilizado e baseado no programa de Varejão & Silva (1990) in Oliveira (2000) arrima-se em dados de distribuição das temperaturas médias, das precipitações médias e altitude, além da capacidade de reserva de 100 mm. Este último dado é obtido a partir de um valor médio teórico estabelecido para as condições gerais dos solos do Estado do Ceará (Gonçalves, 1999).
Sabe-se que a disponibilidade de água no solo é essencial para as necessidades das plantas e conseqüentemente para a utilização agrícola dos solos. Desse modo o balanço hídrico consiste na relação entre as necessidades das plantas e a quantidade de chuvas que ocorrem em uma dada área geográfica, de acordo com Bezerra (1989), citado por CPRM (1995) in Gonçalves (1999).
De acordo com Oliveira et alii (2000), os dados obtidos para o balanço hídrico de Tauá, presentes na Tabela 4 e no Gráfico 4, demonstram que a precipitação e a temperatura apresentam variações expressivas durante a maior parte do ano. A partir desses dados, podemos concluir que ao longo do ano o Município não apresentou nenhum excedente hídrico , ao passo que o déficit foi elevado, com 889 mm, atingindo o maior índice no período seco (Gráfico 4 e Tabela 4).
Durante os meses de março, abril, maio, junho e julho, ocorre um pequeno decréscimo das temperaturas, em virtude do período chuvoso, fase de armazenamento de reserva de água no solo. A duração deste período depende principalmente das precipitações e da magnitude da reserva.
Oliveira (2002), analisando o edafoclima dos solos aluviais de Irauçuba (CE), observou que os solos menos evoluídos, com aproximadamente o mesmo período de chuvas que Tauá (500 mm), necessitam de pelo menos um mês e meio de chuvas para iniciar a sua recarga.
TABELA 4 – Balanço Hídrico para Tauá segundo Thornthwaite e Mather (1995) apud Oliveira (2000)
Mes T P EP P-EP ARM ALT ER EXC DEF
Jan 26,5 68,4 143 -75 0 0 68 0 75 Fev 25,9 107,6 117 -10 0 0 108 0 10 Mar 25,0 156,3 115 41 41 41 115 0 0 Abr 24,8 130,3 107 23 65 23 107 0 0 Mai 24,6 48,6 107 -58 41 -24 72 0 35 Jun 24,3 19,0 98 -79 22 -19 38 0 60 Jul 24,5 9,3 104 -95 10 -12 21 0 83 Ago 25,3 3,8 118 -114 4 -6 10 0 108 Set 26,5 2,7 135 -132 1 -3 6 0 129 Out 27,2 4,0 148 -144 0 -1 5 0 143 Nov 27,1 16,0 145 -129 0 0 16 0 129 Dez 27,0 31,2 148 -117 0 0 31 0 117 Ano 25,7 597,2 1486 -889 184 0 597 0 889 Fonte – Varejão & Silva, 1990. In Oliveira ,2000
T = Temperatura P = Precipitação
EP = Evapotranspiração potencial
ARM = Armazenamento de água no solo ALT = Variação do armazenamento ER = Evapotranspiração real
EXC = Excedente hídrico DEF = Deficiência hídrica
Jan Fev Mar Abr. Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 0 20 40 60 80 100 120 140 160 m m
Gráfico 4 - Balanço Hídrico de Tauá
Precipitação
Evapotranspiração Potencial Evapotranspiração Real
FIGURA 6: Mapa das Isoietas, Destacando as Sub-bacias dos Riachos Cipó e Carrapateiras ESCALA 1: 280.000
3.3.3.2 Hidrologia de superfície
A rede de drenagem das sub-bacias em estudo é constituída por canais intermitentes e efêmeros sazonais, com vazões apenas em período chuvoso. Em decorrência da base litológica, estão caracterizadas pelo padrão dendrítico, ou seja, canais tributários em toda as direções sobre o terreno e ângulos agudos de graduações variadas.
A sub-bacia hidrográfica do riacho Carrapateiras, com área de 470,9 km2 e 80 km para o canal principal, apresenta dispersores topográficos de considerável expressão espacial e altimétrica dispostos em seus setores N – NE – E. Por esta razão, a drenagem na margem esquerda apresenta extensão mais expressiva do que a margem direita, onde ocorrem terrenos de baixa altitude, bastante desgastados e com estreita extensão espacial, desfavorecendo maior desenvolvimento dos canais.
Após alimentar o açude Várzea do Boi, de relevante importância para o Município de Tauá, a rede de drenagem da sub-bacia do riacho Carrapateiras encontra no vale do rio Jaguaribe o ponto de desembocadura. De acordo com Pinheiro (2003), a uma declividade média de 1,6 m/km para o canal principal com uma declividade que reflete a variação topográfica do mesmo, distribuído em faixas hipsométricas de 750 m a 350 m.
Estas condições, segundo Pinheiro (op. cit.), propiciam a configuração do canal principal em vale encaixado, com pequena largura e leito rochoso, a montante. A jusante, a drenagem apresenta-se mais aberta, de considerada distribuição e formação, pois recebem contribuições tanto pela margem esquerda quanto pela direita.
Nesse trecho, o canal principal é bem desenvolvido, com largura de aproximadamente 9 m, altura de 10 m até as margens, e leito constituído, predominantemente, de areia grossa com direcionamento geral NW-SE até o exultório (Pinheiro, 2003).
Para a sub-bacia hidrográfica do riacho Cipó, com uma área de 208 km2 e 40 km para o curso principal, o estudo ora citado indica como característica marcante a rede de drenagem pouco expressiva, distribuída em altimetrias de pequena variação, pois os interflúvios encontram-se em faixa altimétrica de 500 m.
O canal principal com direcionamento geral de NE-S-SE, é raso, estreito e levemente sinuoso. Na Área 1, registramos setores no leito com largura de 6 m, fundo rochoso com afloramentos esfoliados e\ou desagregados em blocos, matacões e cascalhos alternados com trechos arenosos irregularmente distribuídos. A rede de drenagem desta sub-bacia flui para o riacho Carrapateiras, com declividade média de 0,8 m\km para o canal principal (Pinheiro, 2003).
O balanço hídrico deficitário ao longo do ano é justificado pela baixa precipitação e alta evapotranspiração. Isto faz com que os distritos enfrentem grandes dificuldades em relação a disponibilidade de água.
2.3.3.2 Hidrogeologia
A capacidade de armazenamento de água subterrânea, no cristalino, é definida pelos arranjos estruturais, tidos como áreas favoráveis à reserva de água subterrânea, localizados nos contatos geológicos, contatos por falhas e no manto de alteração. Nestas estruturas, a água circula e é acumulada através de uma porosidade secundária representada por fraturas e fissuras, onde as condições de condutibilidade hidráulica não estão associadas à porosidade primária das rochas, a exemplo dos aqüíferos clásticos , e sim dos efeitos a partir dos componentes estruturais que são alimentados pela precipitação atmosférica, pela rede hidrográfica e as aluviões(Gonçalves et al, 1984, in Moreira, 2001).
Na área das sub-bacias dos riachos Cipó e Carrapateiras, assim como boa parte do semi-árido, a população e as autoridades enfrentam sérios problemas em relação a disponibilidade de água. A impermeabilidade das rochas cristalinas aliada
aos solos com pouca capacidade de armazenamento ocasionam uma predisposição para o escoamento superficial. Desta forma, tornam-se de extrema importância os reservatórios e açudes.
As águas subterrâneas podem ser encontradas em aluviões, zonas alteradas e em fendas e fraturas.
Segundo os autores retrocitados, as águas subterrâneas das aluviões apresentam-se como aqüíferos livres ligados à infiltração direta da pluviometria e infiltração lateral das águas dos rios com relativa permoporosidade; também representam fontes de armazenamento de água, além de atuarem como zona de recarga para os aqüíferos fissurais.
Segundo CPRM (1999), das reservas de água subterrâneas explotadas no Município de Tauá, constam um total de 385 poços cadastrados entre tipos tubulares