1. BÖLÜM
2.3. ANALİZLER
2.3.1.1. İşlem Maliyeti Kuramı Tema Analizleri
A UNESCO (1953) apud BENSON (1997) recomenda o uso das línguas maternas como língua de alfabetização inicial (leitura/escrita) e, como meio de ensino das disciplinas nas primeiras classes.
Numa dessas afirmações sobre a necessidade do uso da L1 na alfabetização, a UNESCO (1953), apud BENSON (1997: 13), recomenda o seguinte:
É axiomático que o melhor meio de ensino para a educação da criança seja a língua materna. Psicologicamente, é o sistema de sinais significativos que funciona automaticamente no cérebro para criar expressão e entendimento. Pedagogicamente, a criança aprende mais rapidamente através da língua materna do que por meio linguístico desconhecido (os grifos e a tradução são da autora citada).
Esta recomendação foi acompanhada por experiências na pesquisa sobre as aprendizagens iniciais que evidenciaram o uso das L1 como relevantes no plano da consciência fonológica, isto é, da aprendizagem do sistema de sons, como preditora da leitura e escrita. A esse propósito, MODIANO (1973), apud BENSON (1997: 15), refere que, a “alternativa positiva e
clara é usar a língua materna, a “língua do coração,”que representa a cultura doméstica familiar, os valores tradicionais, e a experiência da criança”. A língua materna é algo pessoal e essencial no contacto com o meio circundante.
As razões que conduziram a introdução das línguas moçambicanas no currículo do EB foram, nomeadamente:
1) dificuldades de leitura e escrita em Português por parte das crianças;
2) fracasso escolar muito elevado no Ensino Primário. De 100 crianças que entravam na 1ª classe, apenas 10 chegavam à 5ª classe após 5 anos (MINED, 1997);
3) valorização das línguas africanas e consequente reforço e desenvolvimento de maior afirmação, identidade e autenticidade moçambicana;
4) respeito ao direito linguístico que defende que cada cidadão tem o direito de ser alfabetizado na sua língua materna-L1.
Foi antes referido, neste trabalho, que o uso oficial do Português como língua de instrução exclusiva não era a melhor opção para a realidade sociolinguística moçambicana, pois, contrasta com a realidade, uma vez que muitas crianças entram para a escola sem conhecimento dessa língua. Tais crianças, ao entrarem pela primeira vez na escola, já têm desenvolvidas as competências básicas na sua língua materna, que lhes permitem desenvolver facilmente as suas habilidades nessa língua para a aprendizagem da leitura e escrita. Foi esse motivo que levou a introdução das línguas moçambicanas no currículo, adoptando-se, assim, um currículo em que o meio de ensino-aprendizagem é adequado à realidade linguística do país. As justificações dessa opção curricular na utilização de línguas moçambicanas no Ensino Básico, de acordo com o INDE/MINED (2003: 110), são de natureza linguístico-pedagógica, cultural, de identidade e de direitos humanos do indivíduo, conforme nos referimos antes.
BENSON (1997: 14) refere que a utilização da L1 por motivos linguístico-pedagógicos pode favorecer o aluno, na medida em que, este facilmente faz a ligação entre o som e a letra (correspondência fonema-grafema) se a língua tiver sentido para ele. O INDE/MINED (2003: 111) afirma que, os programas bilíngues justificam-se, do ponto de vista do professor. Este tem mais auto-confiança para conduzir o PEA numa língua em que é nativo e os alunos podem entendê-lo.
A utilização da L1 por razões culturais e de identidade justifica-se pelo facto da língua não ser apenas um instrumento de transmissão de mensagens, mas também ser um veículo de transmissão de valores culturais. BENSON (1997), inspirando-se em estudos efectuados tanto por linguístas, como por antropólogos, sobre a relação entre cultura e língua, refere que num PEA, a não observância dessa relação pode provocar uma descontinuidade entre os valores que a criança leva para a escola e os valores adquiridos na mesma. No nosso país, durante muito tempo existiam denúncias em relação os manuais que muitas vezes eram elaborados descontextualizados da realidade do aluno.
A utilização da L1 por motivos dos direitos humanos do indivíduo é o reconhecimento de que uma L1 é pertença do indivíduo, em termos de identidade. Em relação a isso, a UNESCO (1953), apud BENSON (1997) recomenda que a pessoa tem o direito a ser educada na sua L1, como forma de garantir a sua liberdade individual. Uma outra justificação pode ser aquela que
foi descrita neste trabalho, de que a utilização duma língua desconhecida, além de poder conduzir o aluno para uma situação de insucesso escolar, pode causar auto-depreciação e ameaçar a identidade da pessoa.
O Ensino Bilíngue é, essencialmente, o ensino em duas línguas. Conforme BENSON (1997: 13), esta situação faz com que cada língua tenha uma função ou um domínio diferente: a L1 serve como língua de alfabetização inicial e como meio exclusivo de ensino das disciplinas nas duas primeiras classes; e a outra língua, o Português, é ensinada como L2 ou língua estrangeira (LE), oralmente antes de ser introduzida nos outros domínios do ensino. Este princípio significa que, quando o aluno tiver adquirido habilidades cognitivas e linguísticas na L1 e quando tiver as habilidades básicas de comunicação na L2, pode transferir todas as habilidades cognitivas e linguísticas para a L2. Aqui adopta-se o chamado modelo de transição com manutenção na L1 como disciplina, para compensar o possíve l défice línguístico-pedagógico que possa surgir da transferência precoce.
BENSON (1997) e INDE/MINED (2003) consideram que o modelo de bilinguísmo transicional consiste em ensinar o aluno a ler e a escrever na sua língua materna e, simultaneamente, ensina r a L2 oralmente, para depois transferir as habilidades aprendidas na L1 para a L2. O meio de ensino nos primeiros três anos é a L1; no terceiro ano introduz-se a leitura e escrita na L2, e o meio de ensino passa para a L2 no fim do mesmo ano.
De acordo com o INDE/MINED (2003: 112), no EB em Moçambique introduz-se o ensino das línguas bantu com uma proposta de três modalidades:
- Programa de educação bilíngue: línguas moçambicanas/Português-L2;
- Programa de ensino monolíngue em Português-L2 com recurso às línguas locais; - Programa de ensino monolíngue em Português-L2 e línguas locais como disciplina.
Estes programas têm em conta a estrutura do EB que compreende três ciclos de aprendizagem. Dos vários modelos existentes, de acordo com o INDE/MINED (2003), foi adoptado o modelo de bilinguismo transicional com algumas características de manutenção, por forma a garantir um bilinguismo aditivo nos alunos.
No primeiro ciclo (1ª e 2ª classes), considera-se a L1 da criança como sendo o único meio de ensino-aprendizagem. Recomenda-se que a língua materna e o Português sejam ensinados como disciplina, sendo o Português usado para desenvolver habilidades de oralidade, com vista a preparar a aprendizagem da leitura e da escrita para o ciclo.
O 2º ciclo inicia o processo de transição gradual do meio de ensino, da L1 para a L2, sendo na 3ª classe onde os alunos iniciam a aprendizagem da leitura e da escrita em Português, através
de um processo de transferência de habilidades adquiridas na sua L1. Quer no primeiro, quer no segundo ciclos, a L1 e a L2 são leccionadas como disciplinas.
O 3º ciclo usa a L2 como único meio de ensino-aprendizagem, tomando em consideração que os alunos já possuem as competências básicas em ambas línguas (L1 e L2).
Em relação à alfabetização em língua portuguesa e na língua bantu, o INDE/MINED (2003: 114) considera que a língua portuguesa por,
“ser língua oficial, é a única língua de ensino-aprendizagem em outros níveis de ensino,
bem como a língua que permite ingressar no mercado de trabalho e ter acesso a outras instituições da vida do país, desempenhando, por isso, um papel importante; enquanto as línguas moçambicanas são como recurso auxiliar do processo de ensino-aprendizagem no programa monolíngue em Português-L2”.
Com efeito, espera-se que os alunos tenham um bom domínio de língua portuguesa, no final do Ensino Básico. Ao mesmo tempo, espera-se que possuam, também, uma boa competência na sua língua materna que possibilite a que não haja um retorno em relação às competências já adquiridas na sua L1 e que a mesma continue a servir de suporte pedagógico para uma transferência positiva de habilidades linguísticas para a L2.