2. Bölüm, Kuramsal Çerçeveler
2.4. İşitme Engeli
2.4.1. İşitme Engellilerin Tarihçesi
De acordo com as idéias de Paulo Freire (1979), a educação tem caráter permanente porque o ser humano é inacabado e se sabe inacabado. Neste sentido, educar-se é a busca permanente de si mesmo, uma busca que não se faz sozinho, uma busca conjunta relacionada com a comunicação e com a comunhão, excluindo o isolamento.
Esse processo de educar-se em comunhão com os outros é possível porque o ser humano tem a capacidade de relacionar-se, ou seja, sair de si, projetar-se nos outros. Assim, as pessoas se relacionam com as outras pessoas e com o mundo em um processo que inclui o amor. A educação, para Freire (1979), não é possível sem amor, pois:
O amor é uma intercomunicação íntima de duas consciências que se respeitam. Cada um tem o outro, como sujeito de seu amor, não se trata de apropriar-se do outro (p.29).
Amando é possível a educação ao longo da vida, entendendo que o saber se
faz através de uma superação constante (p. 29). Assim, se entendermos o processo de
aprender e ensinar como superação, existe a possibilidade de aprendizagem em qualquer fase da vida, pois sendo a pessoa um ser inacabado, sempre haverá algo a ser superado.
O estatuto do idoso, no título 1,capítulo V, artigos 20e 21, preconiza:
O idoso tem direito a educação, cultura, esporte, lazer, produtos e serviços que respeitem sua peculiar condição de idade. O Poder Público criará oportunidades de acesso do idoso à educação, adequando currículos, metodologias e material didático as programas educacionais a ele destinados.
A educação é um direito garantido por lei a pessoa em processo de envelhecimento. Pontarolo e Oliveira (s/d) afirmam que a Unesco também ressaltou a importância da educação aos velhos, estudando e sintetizando suas finalidades:
Considerar menos o conteúdo e mais o despertar nela a capacidade de confiança em si mesma, de sua autonomia e o de destruir os estereótipos negativos que poderão estar influindo na sua vida. Aumentando o senso de suas responsabilidades, a pessoa idosa poderá melhorar sua saúde física e mental, o que contribuirá para que ela se afirme cada vez mais no dia-a-dia e no seu comportamento social; minimizar o isolamento, a solidão em que vivem muitos idosos, estimulando as relações com pessoas de sua geração e, também, com as de outras gerações; proporcionar conhecimentos práticos, específicos sobre, por exemplo, a passagem da vida ativa para a de aposentado, além de conhecimentos teóricos relativos ao processo de envelhecimento; ainda, atividades físicas, socioculturais e artísticas que possam interessar aos idosos.( p.5)
Desse modo, há que se pensar uma escola para adultos, jovens e velhos, onde os processos educativos possam acontecer respeitando as especificidades das distintas fases da vida. Por muito tempo, como já discutimos neste trabalho, a escola e os processos de ensinar e aprender foram tratados como se a aprendizagem acontecesse apenas em alguns momentos da vida, assim na fase adulta e na velhice não havia mais possibilidade de aprendizagens.
Essa idéia já foi superada e agora podemos pensar em uma nova escola, em uma nova educação, a educação ao longo da vida, que começa ao nascer e só se encerra com a morte. Assim, há a necessidade de uma escola para as pessoas em processo de envelhecimento. Para isso não é preciso separar as pessoas por idades, poderiam haver momentos de interação no qual cada um pudesse ensinar e aprender à sua maneira.
Vimos no capítulo 1 que o pensamento, o raciocínio, a atenção, a lembrança, etc. na perspectiva de Vygotsky são processos elaborados por meio da interação de uns com os outros e com o meio. Sendo assim, imagine só a interação que poderia haver entre as diferentes gerações, quantas aprendizagens sobre o passado e sobre o presente poderia acontecer?
Como seria essa escola, com uma educação ao longo da vida? Poderia ter salas especiais para cada idade, onde os pares interagissem em alguns momentos e aprendessem uns com os outros e salas especiais para encontros inter-geracionais. Não precisaria ser em um único prédio, de maneira que assim, um poderia ir até a outra e uma até o outro.
Encontrar-se para compartilhar aprendizagens, memórias. Poderiam velhos, jovens e crianças se sentar em círculo e compartilhar suas memórias e suas aprendizagens em um encontro do hoje com ontem, projetando um amanhã mais solidário, onde o respeito e a harmonia reinassem e onde os erros pudessem aparecer, na qual cada um pudesse expressar toda a sua humanidade, com os aspectos bons e ruins.
Nestes lugares, cada um poderia aprender com seus próprios erros e com os erros dos outros, ajudando-se mutuamente, a superar as dificuldades com os diferentes conhecimentos que possui.
Tudo isso pode parecer utópico, mas Paulo Freire costumava dizer que utopia é apenas um sonho que ainda não foi realizado. Sendo assim, aceitamos a idéia de que é utopia, conscientes de que é uma construção coletiva gradual que pode levar muitos e muitos anos, mas que é necessária e urgente !
Os dados apresentados neste trabalho mostraram a possibilidade do compartilhar memórias, e quanto isso pode ser rico, como as pessoas velhas podem ser a historia viva do que aprendemos nos livros, e quanto aprendemos sobre nós mesmos enquanto seres humanos nesta interação. Pudemos perceber que na interação com essas
pessoas em processo de envelhecimento é possível aprender e ensinar muitas coisas que, apenas com os pares da mesma idade talvez nem pudéssemos imaginar.
Foi possível ainda perceber o quanto essas pessoas são capazes de aprender na interação de suas memórias com o momento novo, expressando-os verbalmente ou não verbalmente.
Diante dos dados e da realidade apresentados neste trabalho sobre o isolamento da pessoa velha, ficam algumas questões: vamos continuar perdendo a riqueza do conhecimento que se gera na interação entre gerações? Vamos ainda assim, deixar de fora dos processos de ensino e de aprendizagem a riqueza do compartilhar que pode existir entre o novo e o velho? Até quando vamos nos importar apenas com palavras quando há tanto a aprender também com os gestos, os movimentos, enfim, com as outras expressões não-verbais?
Essas questões ficam junto a necessidade de uma nova escola, de uma nova forma de educação que considere os velhos, os jovens, as crianças, os negros, os indígenas, as mulheres e todos mais que possam interagir, ensinando e aprendendo, rompendo pré conceitos e preconceitos, em um processo constante de humanização.
4.3 Educação musical e apreciação: tertúlia musical dialógica como