3.3. ÇALIġANLARA UYGULANAN ANKET FORMU
3.3.3. ÇalıĢanların ĠġKUR ĠĢbaĢı Eğitimleri Ġle Ġlgili Durumları
3.3.3.9. İşbaşı Eğitimleri İle İlgili Memnuniyet Durumları İle İlgili Yargılara Katılma Durumu
Ao discutirmos o Projeto Político Pedagógico dos cursos de graduação, particularmente, no nosso caso, do curso de licenciatura em Letras, identificamos na presente
flexibilização curricular não somente a modificação da visão de currículo, como também o
acréscimo de atividades complementares que venham corroborar para o inchaço de atuações acadêmicas.
A flexibilização do currículo é, em si mesma, a resposta à demanda de uma sociedade mundializada, isto é, uma sociedade que, ao mudar o processo de organização do trabalho, exige a atualização constante e ágil de seus profissionais.
Essa sociedade, reconhecida por quebrar paradigmas subitamente, em comunhão com os avanços das tecnologias de informação, requisita do profissional – e, por extensão, do meio acadêmico e universitário – a existência de um processo permanente de investigação aliado à produção do saber. É só por meio desse modo contínuo de investigação, gestação e geração do saber que a instituição de ensino superior cumprirá seu papel na contemporaneidade, qual seja, a formação de agentes da história, profissionais críticos que deverão estar preparados com habilidades, conhecimentos e ideais que consolidem o desenvolvimento sociocultural e econômico não apenas nacional, mas mundial.
Ora, para confluirmos em direção à formulação da instituição de ensino superior ideal, com excelência em educação superior, que dê conta da demanda a que se submete, é necessário reconhecer que o espaço acadêmico não é espaço de domínio da reprodução das relações ensino-aprendizagem.
O território acadêmico, além de responder pelo ensino, deve estar profundamente comprometido com a pesquisa que, por sua vez, responde pela construção do conhecimento, ou seja, “... gera aventura, procura do desconhecido, processos de aprender a aprender [...]”. (REZENDE, 1994, p. 25). O que queremos dizer é que a universidade com estofo não deve dissociar ensino e pesquisa, pois, se o primeiro organiza os conhecimentos e saberes, cabe a segunda alimentar e nutrir estes conhecimentos e saberes.
Por isso, cabe aos currículos do ensino superior contemplar alternativas para que os universitários, docentes e discentes apropriem-se de competências para o aprender a ensinar e para o aprender a pesquisar.
Qualquer flexibilização curricular que não seja norteada pela indissociabilidade entre ensino e pesquisa não fará mais que inchar currículos e aumentar o vão que separa o meio acadêmico da sociedade civil das questões fundamentais que poderiam organizar essa
sociedade.
Pois bem, reconhecida a permanente necessidade da indissociabilidade entre ensino e pesquisa cabe aqui fazermos uma avaliação de como esse princípio é desenvolvido em nossas instituições de ensino superior.
Pela constituição Federal – artigo 207 – as instituições de ensino superior gozam de autonomia didático-científica e devem obedecer ao princípio de indissociabilidade entre ensino e pesquisa pelo caminho da flexibilização curricular como objetivo e meta do ensino superior, como aponta a Lei nº. 10.172/2001, no Plano Nacional de Educação, em seu item 7:
7. Instituir programas de fomento para que as instituições de educação superior constituam sistemas próprios e sempre que possível nacionalmente articulados, de avaliação institucional e de cursos, capazes de possibilitar a elevação dos padrões de qualidade do ensino, de extensão e no caso das universidades, também de pesquisa. (BRASIL, 2001).
A idéia é, contrapondo-se ao ideário positivista de construção do conhecimento, romper com a formação profissional baseada no modelo tecnicista, centrado na especialização e delimitação de competências (esse termo será discutido no item 4.4) e habilidades por meio da substituição dos diversos modelos de matrizes curriculares por alternativas que privilegiem:
- a ação, reflexão, reação com o conhecimento; - o estímulo à problematização e à criação;
- a desorganização do molde disciplinar seqüenciado; - a ampliação do ensino para além da sala de aula;
- a unificação teoria e prática (tratada no capítulo anterior); - a observação da diversidade;
- a aprendizagem permanente;
Enfim, que seja privilegiado o ensino assentado no processo investigativo e dinâmico da pesquisa, sobre o qual se liga o processo interdisciplinar de base prática e teórica.
O Estado reconhece, assim, que no final do século vinte entramos na sociedade do conhecimento, na resolução da informação, na época da produção do conhecimento e que a tradicional prática pedagógica influenciada pelo paradigma da ciência newtoniana-cartesiana com seus pilares de memorização, cópia e reprodução do conhecimento está em descompasso com o contemporâneo.
Mas, apesar do reconhecimento legal, até mesmo formalizado pela busca de novas regras de atuação, Santos (2004, p. 21) constata que há um descompasso entre as demandas da sociedade mundializada e o ensino universitário, pois o trabalho acadêmico ainda carrega
consigo o ranço da fragmentação, até porque as instituições de ensino superior brasileiras têm sua origem em faculdades individualizadas com caráter predominantemente técnico- profissionalizante, nas quais o que importava era gerar profissionais de um conhecimento parcializado e compartimentado.
A questão com a qual nos deparamos agora é: como trabalhar uma nova idéia de ensino-aprendizagem inserida numa estrutura tão firmemente cimentada, arraigada na dicotomia, como é a da universidade brasileira?
O pressuposto novo sugere uma prática pedagógica que estimule a produção do conhecimento e que unifique abordagens pedagógicas que atendam às exigências da sociedade do conhecimento. Esse novo pressuposto permite trocar fragmento por unificação, separação por indissociabilidade.
Trata-se, hoje, de reconhecer no eixo da indissociabilidade entre ensino e pesquisa o paradigma norteador da produção do conhecimento; ao mesmo tempo, trata-se de uma revisão da identidade das instituições de ensino superior e de seu papel na sociedade.
Falar sobre indissociabilidade ou proximidade entre ensino e pesquisa no ensino superior implica observar a história das relações entre conhecimento científico e demanda social, como já pontuamos nesse trabalho.
Porém, nesse sentido, segundo Fagundes (1986), é necessário identificar a prevalência do caráter elitista presente na relação de produção do saber desde a origem do ensino superior brasileiro do século XIX.
Historicamente, o conhecimento científico tornou-se um tipo de conhecimento privilegiado que pouco, ou quase nada, contextualizava-se nos quotidianos da sociedade na medida em que, por causa de seu caráter elitista, permitia-se uma autonomia que se super- relacionava com as premências sociais. As instituições de ensino superior colocavam-se acima de quaisquer urgências comunitárias, acima do bem e do mal e, portanto, dava-se o privilégio de, no interior de seu microcosmo, escolher um ensino predominantemente disciplinar, conteudista.
Esse caráter elitista das instituições de ensino superior – que na verdade é só mais um dos reflexos da divisão social do trabalho que separa aquele que pensa daquele que
trabalha – ainda é constatável no espaço acadêmico, pois
[...] o que acontece novamente são mecanismos derivados da relação maior saber e poder – universidade e sociedade, que impedem o diálogo, a alimentação mútua entre ensino e pesquisa e, sobretudo, o encontro em um mesmo espaço da mão-de- obra especializada (pesquisa) e da não especializada (ensino). (REZENDE,2004, p. 25).
O ideal que se busca atingir pretende aliar competência técnica e investigação, ensino e pesquisa, em que educadores e educandos assumam o papel de sujeitos cognoscentes, mediatizados por objetos pertinentes ao universo de ambos e pertinentes ao universo comunitário, criando dessa maneira uma relação de ensino-aprendizagem dialógica. O ideal que se propõe, segundo Santos (2004, p. 30), (e o que nós nos propomos) é um diálogo entre o conhecimento universitário e um conhecimento pluriversitário, contextual, em que o princípio organizador de sua produção seja a investigação, ou seja, que a indissociabilidade ensino/pesquisa seja princípio e fim da produção do saber e que a universidade estabeleça lugar no seio da sociedade.
Mas, como dar cabo de uma situação residual, da qual encontramos comumente a “argumentação contra a necessidade de grandes pesquisas para o ensino cuja defesa vai na direção de que existe uma educação para as ‘massas’ e de que nem todos estão preparados para enfrentar processos de abstração e coisas mais profundas [...]” (REZENDE, 2004, p. 25), como dar cabo desse resíduo fragmentador, alienador e elitista que se entende por produção
do saber?
Como se não bastasse essa característica própria da universidade separada (e separatista) do mundo das pessoas, ainda temos que considerar que a “miséria teórica de nossa formação [os professores] e as pressões burocráticas exercidas pela existência de programas, currículos, seriação, avaliações pontuais e institucionais, a falta de tempo anulam qualquer atitude de curiosidade diante da prática de ensinar e aprender” (REZENDE, 2004, p. 26).
Não podemos esquecer que as ferramentas necessárias para implementação de mudanças – requeridas socialmente ou por meio de dispositivos legais – são ferramentas que permitem o entendimento da dimensão que subjaz essa mudança paradigmática e que estimulam os agentes desse processo, especialmente professores, que efetivamente são aqueles que determinam a viabilidade da nova orientação.
Com essa reflexão, em torno do debate sobre indissociabilidade entre ensino e pesquisa, bem como sobre a relação saber e sociedade, pretendemos compreender melhor por que o modelo típico que se impõe ainda é o de uma estrutura fragmentada, elitista, alienada e não dialogal e por que a indissociabilidade não é reconhecida sistematicamente na educação superior, a qual pusemos em discussão, apesar de permanecer no ideário educacional, assim como a interdisciplinaridade e a articulação entre teoria e prática.
Passaremos, no próximo capítulo, a analisar nos documentos oficiais as mesmas questões, ou seja, interdisciplinaridade, teoria/prática, ensino/pesquisa, entre outras, a fim de constatarmos se as observações aqui levantadas até o presente momento ficam somente num
plano teórico e ideal ou se se configuram também no plano legal, criando uma ponte para ações importantes, como, por exemplo, a ação de se conceber um currículo do curso de licenciatura em Letras que apresente de forma clara as concepções aqui defendidas.
CAPÍTULO IV