B. Geçici iş ilişkisi hk
8. İŞ SAĞLIĞI VE GÜVENLİĞİ İLE İLGİLİ HÜKÜMLERE AYKIRILIK
De acordo com o artigo 215 da Constituição Federal de 1988, o “Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”. Isto denota que a CF vigente, também conhecida como “Constituição Cidadã”, conferiu a partir da sua promulgação ampla concessão de direitos culturais ao cidadão brasileiro.
Segundo Rubim (2007), importante estudioso brasileiro do campo das políticas culturais, embora a CF tenha conferido direitos culturais ao indivíduo, até os anos 2000, viu-se no país a adoção de práticas clientelistas, patrimonialistas, descontínuas e arbitrárias. De acordo com o autor, somente no governo do presidente Lula, entre os anos 2003 e 2010, houve iniciativa para "[...] formular e implantar políticas culturais em circunstâncias democráticas" (RUBIM, 2007, p. 13). De fato, na gestão do ex-ministro da cultura Gilberto Gil, conferiu-se visibilidade à proposta de que as políticas culturais seriam pensadas e executadas a partir dos diálogos entre Estado e sociedade civil, havendo então democracia participativa, ideia amplamente divulgada pela gestão. Isto foi reiterado na gestão do ministro Juca Ferreira, sucessor de Gilberto Gil.
Quando se pensa nos anos 1990, um importante dispositivo foi criado pelo Estado para fomentar a cultura e democratizar seu acesso. Trata-se do edital, previsto na Lei nº 8.666/93, de 21 de junho de 1993, que regulamenta o artigo 37, inciso XXI, da CF. Instituiu-se, portanto, normas para licitação e contratos da administração pública, com o intuito de assegurar a observância do princípio constitucional da isonomia, seleção da proposta mais vantajosa para a administração e promoção do desenvolvimento nacional sustentável.
No governo Lula, a implementação da política de editais marcou o início de uma democratização da política nacional de cultura, com desdobramentos nos diferentes níveis de governo. De acordo com Aragão,
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uma das bandeiras do programa de governo Lula foi a abertura ao diálogo e a aproximação do Estado com a sociedade civil para fazer valer os princípios da democracia participativa, bem como para construir políticas públicas. (ARAGÃO, 2013, p. 8).
O objetivo era permitir ao cidadão a apropriação dos canais de participação abertos pelo Estado, desenvolvendo e ampliando a noção de uma política cultural democrática e cidadã, em consonância com os preceitos da CF de 1988. Mas, somente nos anos 2000, os editais foram efetivamente implementados enquanto uma política cultural.
Com a vitória eleitoral de Lula, em 2002, surgiram expectativas de mudanças estruturais no Brasil no campo da cultura. Barbalho (op. cit.) salienta que, no primeiro governo do presidente um novo esforço foi empreendido para recompor e ampliar a institucionalidade da área da cultura. Dadas às relações históricas entre autoritarismo e intervenções do estado na cultura, conforme declara Rubim (2007), o governo Lula e o ministro da cultura Gilberto Gil se depararam com muitos desafios na pasta de cultura.
A frente da pasta da cultura, o ministro Gil promoveu uma reformulação no Ministério da Cultura por meio do Decreto 4.895, de 12 de agosto de 2003, criando: a Secretaria da Articulação Institucional (SAI)62; a Secretaria de Políticas Culturais (SPC)63; a Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (SEFIC)64; a Secretaria de Economia Criativa (SEC)65; a Secretaria do Audiovisual (SAV)66; e a
62 A SAI promove a articulação federativa por meio do Sistema Nacional de Cultura e cuida da
integração de políticas, programas, projetos e ações culturais executadas pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, com a participação da sociedade. Articula-se com órgãos e entidades públicas e privadas, visando ao desenvolvimento cultural, social e econômico do País, entre outras competências.
63 A SPC tem entre suas competências subsidiar e coordenar a formulação, a implementação e a
avaliação das políticas públicas do MinC. Ela também se articula com o MEC e com o Ministério da Comunicação para integrar as políticas públicas de cultura e as políticas de educação e comunicação nos âmbitos federal, estadual, distrital e municipal.
64 A SEFIC é responsável por formular diretrizes gerais e dar publicidade aos critérios de alocação e
de uso dos mecanismos de fomento e incentivo à cultura e do Fundo Nacional da Cultura, em conjunto com as outras unidades do MinC. A SEFIC também desenvolve, propõe e executa mecanismos de fomento e incentivo para programas e projetos culturais, além de planejar, coordenar e supervisionar a operacionalização do Programa Nacional de Apoio à Cultura – PRONAC.
65 A SEC propõe, conduz e subsidia a elaboração, implementação e avaliação de planos e políticas
públicas para o desenvolvimento da economia criativa brasileira. A SEC também planeja, promove, implementa e coordena o desenvolvimento da economia criativa brasileira.
66 A SAV propõe a política nacional do cinema e do audiovisual, bem como políticas, diretrizes gerais
e metas para o desenvolvimento da indústria audiovisual e cinematográfica brasileira. A SAV formula políticas, diretrizes e metas para a formação e capacitação audiovisual, produção, distribuição, exibição, preservação e difusão de conteúdos audiovisuais e cinematográficos brasileiros, respeitadas as diretrizes da política nacional do cinema e do audiovisual e do Plano Nacional de Cultura.
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Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC)67. Adotou ainda diversas ações que evidenciavam sua proposta de democracia participativa. Dentre as ações, constava a realização de diversos diálogos com a sociedade a partir de seminários, tais como o “Seminário Nacional Cultura para Todos”. Tratava-se de um conjunto de ações realizadas em todo o País, cuja importância foi favorecer o envolvimento do povo na avaliação e no planejamento das políticas culturais.
Um aspecto fundamental quando se pensa no planejamento das políticas culturais no Brasil, durante a gestão do ministro Gilberto Gil, foi a Agenda 21, pois foi uma diretriz para as políticas do MinC resultante das ações internacionais iniciadas no Fórum Social Mundial, conforme a descrição a seguir:
A discussão que resultou na Agenda 21 da cultura começou no Fórum Mundial com objetivos de pensar alternativas para um desenvolvimento que inclua a sustentabilidade e a diversidade cultural. A Agenda 21 da cultura buscou firmar diretrizes para que as políticas dos governos considerassem a diversidade cultural e compreendessem o desenvolvimento incluindo-a. O texto final foi aprovado em 2004 em Barcelona, no IV Fórum de Autoridades Locais. A Agenda é o primeiro documento mundial que buscou um compromisso das cidades e governos locais com o desenvolvimento cultural, estabelecendo orientações para as políticas de cultura (AMORIM, 2013, p. 10).
Amorim (2013) chama a atenção que a Agenda 21 é um documento que destaca a participação cidadã na elaboração das políticas culturais no Brasil, prevendo, nesse sentido, a participação dos mais diferentes segmentos da população no planejamento das ações públicas. Afirma a autora que:
A agenda é o primeiro documento mundial que busca um compromisso das cidades e governos locais com o desenvolvimento cultural, estabelecendo orientações para as políticas públicas de cultura [...] Outro importante princípio da Agenda 21 para a cultura está na afirmação de que os direitos culturais fazem parte indissociável dos direitos humano (AMORIM, 2013, p. 10).
Levando em consideração os preceitos da Agenda 21, entre 2003 e 2005, o MinC realizou a instalação e trabalho das Câmaras Setoriais. Estas foram criadas como conselhos consultivos para subsidiar o ministro Gilberto Gil na tomada de
67 A SCDC planeja, coordena, monitora e avalia políticas, programas, projetos e ações para a
promoção da cidadania e da diversidade cultural brasileira. Também promove e fomenta programas, projetos e ações que ampliem a capacidade de reconhecimento, proteção, valorização e difusão do patrimônio, da memória, das identidades e das expressões, práticas e manifestações artísticas e culturais.
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decisões e na elaboração de políticas culturais para os setores de música, artes cênicas, artes visuais, literatura, livro e leitura. Além disso, ocorre a aprovação da convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Criativas, bem como a aprovação da emenda constitucional, que insere o Plano Nacional de Cultura68 no artigo 215 da Constituição Federal.
O Plano Nacional de Cultura (PNC) foi criado pela Lei nº 12.343/2010, sancionada no dia 02 de dezembro de 2010, e sua aprovação está em conformidade com o terceiro parágrafo do art. 215 da CF. O PNC se configura como um planejamento de longo prazo, portanto, uma política pública de Estado, que deve ultrapassar conjunturas e ciclos de governo previsto para uma década. Seu texto apresenta a seguinte declaração:
O Plano Nacional de Cultura se estrutura em três dimensões complementares: a cultura como expressão simbólica; como direito de cidadania; e como campo potencial para o desenvolvimento econômico como sustentabilidade. Essas dimensões, por sua vez, desdobram-se nas metas, que dialogam com os temas da diversidade cultural; da criação e fruição; da circulação, da difusão e consumo; da educação, pesquisa e produção de conhecimento, de espaços culturais; do patrimônio, da gestão pública e articulação federativa; da participação social; de desenvolvimento sustentável da cultura; e de fomento e financiamento (MinC, 2012, p.8-9).
O Plano Nacional de Cultura resultou de um grande processo de participação popular, iniciado a partir da primeira Conferência Nacional de Cultura (CNC), realizada em Brasília de 13 a 16 dezembro de 2005.69, o que reforça uma noção de democracia participativa presente no governo Lula. Outro importante evento, que contribuiu com as diretrizes do PNC, foi a Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, realizada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em Paris, de 3 a 21 de outubro de 2005. Rubim (op. cit.) afirma que, nessa convenção, o Brasil assumiu importante posição política na luta pela diversidade cultural.
A principal meta do PNC é implantar sistemas de cultura em todos os estados e em 60% das cidades brasileiras para tornar efetivo o Sistema Nacional de Cultura. Nesse sentido, o PNC considera o SNC como principal instrumento para que o MinC possa desenvolver políticas culturais nos estados e municípios, com a
68 Em julho de 2005 foi aprovada a Emenda Constitucional nº 48, que determinou a realização do
Plano Nacional de Cultura (PNC). A mudança no texto da Constituição foi fundamental para a construção do PNC.
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participação da sociedade civil, conforme declara o trecho a seguir, extraído do PNC:
O SNC tornará a gestão pública de cultura mais eficaz, planejada, participativa e fará melhor uso dos recursos públicos. Para os estados e cidades interessadas em aderir ao SNC, o primeiro passo é a assinatura e publicação do Acordo de Cooperação Federativa; Em seguida, cada estado e cada cidade deverão construir seu sistema de cultura, por meio de leis estaduais e municipais (MinC, 2012, p. 22).
Do PNC surgiram outras diretrizes, visando institucionalizar políticas culturais no País, sendo a criação do Sistema Nacional de Cultura (SNC) uma das mais importantes. Tal política foi viabilizada a partir da pactuação entre os governos federal, estadual e municipal, efetivando-se com a assinatura e publicação do acordo de cooperação federativa para desenvolver políticas culturais, prevendo a participação da sociedade civil. Assim, os estados e municípios que aderissem ao pacto federativo deveriam se comprometer em criar subsídios para criar, implementar e financiar as políticas culturais.
Em suma, para efetivação das políticas culturais, seria da competência do poder público nacional, estadual e municipal criar: órgãos gestores da cultura; conselhos de política cultural; conferências de cultura; comissões intergestores; planos de cultura; sistemas de financiamento à cultura; sistemas de informações e indicadores culturais; além de programas de formação da área da cultura, dos sistemas setoriais de cultura e também do Fundo de Cultura, responsável por prover os recursos financeiros.
Para estabelecer os diálogos entre diferentes instâncias foram também implementados os Sistemas Estadual de Cultura (SEC) e Municipal de Cultura (SMC). Nesse sentido, as diretrizes e metas previstas para o Plano Nacional devem integrar os Planos Estaduais e Municipais de Cultura. Portanto, o SNC é mecanismo central na viabilização da política de editais de fomento à cultura em todo o País. Com relação aos recursos financeiros, estes seriam provenientes do Fundo de Cultura nacional, estadual e municipal. Assim, cada instância proveria suas demandas, mas, na ausência de um fundo, as esferas de governo devem recorrer a outras fontes de financiamento, conforme afirma Freire (2013).
Na esfera federal, o Estado brasileiro é, historicamente, o responsável principal pelo financiamento da cultura [...] Esse modelo de investimento de recursos públicos se caracteriza como financiamento direto. Englobam as verbas do orçamento do Ministério da Cultura (MinC) e seu conjunto de
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instituições como IPHAN, FUNARTE, Fundação Cultural Palmares, etc. A histórica condição de verbas públicas reduzida para a cultura em diferentes governos, e o modelo de destinação dessas verbas da União são insuficientes para atender aos objetivos constitucionais estabelecidos (FREIRE, 2013, p. 12).
Conforme dito, um dos instrumentos que devem ser utilizados pela administração pública para efetivação das políticas culturais nas três instâncias é o Conselho de política pública federal, estadual e municipal. São eles órgãos previstos por legislação nacional que têm caráter obrigatório e integram o processo de execução das políticas públicas a partir da esfera federal. Os conselhos são formados por 50% de representantes do estado e 50% da sociedade civil, sendo estes eleitos ou indicados. As transferências de recursos públicos entre os níveis governamentais são legalizadas através destes conselhos.
A criação do Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC), por meio do Decreto nº 5.520, ocorreu no dia 24 de agosto de 2005. O referido conselho pertence à estrutura do Ministério da Cultura. O CNPC surgiu para propor políticas públicas na área da cultura e para estimular atividades culturais no País. Dentre as principais atribuições dos Conselhos de Política Cultural estão as seguintes:
[…] propor e aprovar, a partir das decisões tomadas nas conferências as diretrizes gerais do plano de cultura e acompanhar sua execução; apreciar e aprovar as diretrizes gerais do Sistema de Financiamento à Cultura e acompanhar o funcionamento dos seus instrumentos, em especial o Fundo de Cultura; e fiscalizar a aplicação dos recursos recebidos decorrentes das transferências federativas (MinC, 2011, p. 27).
Além das exigências mencionadas, o governo federal necessita de uma comissão de negociação e pactuação entre gestores estaduais e municipais. Nessa perspectiva, o Ceará foi o primeiro estado brasileiro a adotar o sistema de cultura, em março de 2004, o que reforça a articulação e pactuação desse estado com a federação, conforme veremos a seguir.