• Sonuç bulunamadı

A quarta fase do DELES dá prosseguimento ao processo de alfabetização, continuando a trabalhar com sintaxe, estilo à terceira fase. Agora, introduzindo palavras escritas com duas sílabas, como casa, bola, faca, rapidamente ir concluindo a apresentação de palavras-chave, cuidando para apresentar palavras de todo o abecedário. A princípio utilizando correspondências biunívocas entre fonemas e letras. Lemle (2005, p.17), falando de correspondência biunívoca, esclarece:

Na verdade temos em português pouquíssimos casos de correspondência biunívoca entre sons da fala e letras do alfabeto. Chama-se correspondência biunívoca aquela em que um elemento de um conjunto corresponde a apenas um elemento de outro conjunto, ou seja, é de um par a correspondência entre os elementos, em ambas as direções.

Concluída a apresentação do abecedário passa-se a apresentar palavras novas com todos os grupos consonantais existentes nas formas usuais da língua escrita. Alguns destes, por necessidade prática já podem ter sido introduzidos na terceira fase, partindo de palavras como

olha, palha, filho para o grupo consonantal lh. Entre os grupos consonantais lembra-se: br, tr, tr, dr, ch, qu, nh, continuando a coleção das palavras-chave ou ditas também de palavras-

geradoras até seu final. Todas as palavras-geradoras ou palavras-chave convém listá-las e deixá- las permanentemente à vista dos alunos para que possam recorrer a elas na elaboração de novas palavras, sempre que necessário.

Como se falou anteriormente, sempre que se introduz uma palavra escrita, esta deverá, daí por diante, ser muitas vezes retomada em outros contextos frasais que, por sua vez, devem ser o resultado de contos e centros de interesse do aluno. É assim que o aluno irá se habituando a grafá- las e identificá-las, para, em seguida utilizá-las na escrita (grafia) de palavras novas no momento

oportuno. Obviamente, palavras, de escrita que ainda é desconhecida das crianças, devem continuar a aparecer no contexto frasal sob forma de desenho.

Recorde-se que os desenhos são muito importantes para ajudar o aluno a antecipar percepção do conteúdo da frase no primeiro relance de olhos (gestalt). Favorecem para levar o aluno adivinhar o que está escrito. A adivinhação faz parte e contribui para a qualidade leitora, auxiliando no desenvolvimento da leitura dinâmica. Do contrário, caso haja excesso de dificuldades, a mente do aprendiz se fatiga em demasia e, com isto, não consegue seguir buscando o significado (sentido) do texto (idéia, frase) que está sendo lido. Na verdade é por motivo similar a este que nos livrinhos para crianças aparecem muitas imagens e apenas umas poucas frases: uma ou duas.

Depois que o aluno está conhecendo e identificando de dez a doze palavras geradoras ou chave de duas sílabas, já se possui um bom universo de palavras para mostrar-lhe como, através de pedaços (utilizando a linguagem funcional deles) ou de partes delas, é possível formar outras palavras utilizando, pedaços de palavras que estão dentro (contidas) das palavras já conhecidas. É nesta fase que o método passa a ser sintético-analítico na continuidade do processo da alfabetização em andamento. Passa a ter uma feição mais analítica. Quando as crianças foram devidamente conduzidas a ela, esta etapa é das mais gratificantes para todos que acompanham o processo de alfabetização pelo DELES. A participação interativa das crianças no processo ganha um novo interesse e elas fazem tentativas de ler tudo que lhes vem à frente.

Descoberto o jogo de compor e decompor palavras em suas partes e, com a combinação destas, formar palavras novas, pode-se avançar mostrando aos alunos novas situações da realidade da escrita. Para avançar se pode lhes apresentar palavras, cuja escrita apresente contornos e silhuetas mais marcantes. Entre estas há as que sua escrita envolve os grupos consonantais lh e nh que servem para escrever palavras como olho, pilha, ninho, unha, etc. Estas, pelo seu contorno diferenciado, chamam mais atenção aos olhos e à memória e, de acordo com a teoria da gestalt, o aluno as guarda melhor. Segue-se utilizando os grupos consonantais como fr,

br, gr, dr, tr e pr para escrever fruta, brilho, grilo, pedra, prato. Também estas chamam atenção

pela sua silhueta e formato.

Outrossim, dê-se atenção a outras sílabas que são escritas com três ou quatro letras como

vento, porta, grampo, planta, trilha, prender, servir. Elas se apresentam de uma complexidade

Os grupos que, gue, qua e gua, também merecem um cuidado próprio para apresentá- los em palavras nas quais eles entram para compô-las. Da mesma forma, as letras b, d, p e q trazem dificuldades para quem não tem ainda o hábito de codificar e decodificar. Entretanto, para todas estas dificuldades que a aprendizagem da leitura apresenta, pelo constante hábito que o

DELES passa ao aluno de sempre se guiar pelo sentido do contexto lido, ele as supera com

relativa facilidade. Com muita propriedade Smith (2003, p.105) faz notar o que segue: “Os leitores fluentes geralmente não confundem b e d quando lêem, [...] A capacidade para distinguir ente um b e um d não faz um leitor, mas ser um leitor torna a discriminação mais fácil”. Tudo se resume na questão de evitar atropelos à inteligência do aluno, com o excesso de apresentação de grafemas novos, tipo dos que foram apresentados nos parágrafos acima. Sempre se terá em mente a regra de que a natureza não faz saltos (embora, hoje, se fale em saltos quânticos).

Enfim, cabe ao professor estar atento no sentido de evitar apresentar excessos de dificuldades de leitura, tendo especialmente o cuidado com letras representando diferentes sons, segundo a posição que ocupam na escrita da palavra. Exemplo típico disto é a letra x. Recorde-se que a língua portuguesa é uma das línguas que possui um dos mais diversificados universos de sons.

Desenhando, lendo e escrevendo - DELES: uma proposta metodológica de alfabetização, pela sua forma de conduzir a caminhada da alfabetização, constantemente está

centrado naquilo que hoje se denomina de letramento. Este é um vocábulo novo que no dizer de Soares (2005) apareceu na língua portuguesa em 1986, utilizada por Kato9 (1986) em seu livro, No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística.

Soares (2005, p. 41-42) explana algo do que vem a ser letramento em contextualizações como estas:

Letramento é prazer, é lazer, é ler em diferentes lugares e sob diferentes condições, não só na escola, em exercícios de aprendizagem.

Letramento é informar-se através da leitura, é buscar notícias e lazer através dos jornais, [...] selecionando o que desperta interesse, divertindo-se com tiras de quadrinhos. Letramento é usar a leitura para seguir instruções (a receita de biscoito), para apoio à memória (a lista daquilo que devo comprar), para a comunicação com que está distante ou ausente (o recado, o bilhete, o telegrama).

Soares em mais de uma página, quase sob forma de poema, continua definindo o que é

letramento.

Seguindo com cuidado estes passos, o trabalho da alfabetização pode tornar-se apaixonante para o aluno, para o professor e para todos os participantes do mesmo: pais, familiares e amigos.

Benzer Belgeler