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İş değerlendirme uygulamalarının faydaları

2.3 İş Değerlendirmenin Faydaları Ve Eleştirilen Yönleri

2.3.1 İş değerlendirme uygulamalarının faydaları

Já na primeira sátira, Juvenal indica que a liberdade de expressão em Roma ainda não existia, possivelmente no período do governo de Trajano, pois o livro I deve ter sido publicado entre 110-112. Ao contrário do que afirmam outros autores que, após Domiciano, teria havido uma total reconciliação dos intelectuais com o poder.

Juvenal provoca seu interlocutor na sátira 1, quando este afirma que não seria mais possível utilizar de franqueza como antes, que o Império não permitiria. Então o satirista desafia, dizendo que diria o nome de qualquer um, e, nesse ponto o interlocutor relembra o caso de Tigelino, que foi funcionário de Nero e mais tarde foi morto por ser contrário a alguém influente.

No fim da sátira 1 (v. 162-168) escrevia que ainda era mais fácil escrever épica do que sátiras, já que naquela não havia denúncia:

Sem risco pode enfrentar Enéias e ao feroz Rútulo, a ninguém incomoda a morte de Aquiles ou Hilas. Porém sempre que Lucílio levanta sua ardente espada, ruboriza o ouvinte que tem a alma gelada pelos crimes e as entranhas suam por uma culpa secreta. Aí vai a ira e as lágrimas.

Possivelmente, esse seria após o primeiro exílio do autor, no qual perdeu parte de seus bens no confisco. A indignatio do autor é bem marcante na primeira sátira. Ao longo da obra, percebe-se uma diminuição do recurso citado e um aumento da ironia, entretanto, segundo o autor, as condições dos intelectuais não teriam melhorado ao longo do tempo.

No livro III, na sátira 7, a primeira do livro, com data de publicação próxima a 120, o autor faz novas críticas às condições dos escritores, com um tom menos agressivo, mas bastante crítico. Juvenal fala da péssima condição que viviam os escritores, pois era muito difícil quem patrocinasse as publicações, ou seja, um mecenas. Juvenal dedica versos às péssimas condições dos poetas, dos historiadores, advogados, retóricos e gramáticos.

No início da sátira está escrito (v.1-3): “Somente com César as letras têm alguma esperança e consideração, pois só ele tem prestado atenção as Camenas tristes desses tempos”. Nesse caso, os autores não conseguem entrar em consenso de quem seria o citado César, muitos supõem que seria Adriano, e que, dessa forma, apenas o

imperador estaria prestando alguma ajuda aos intelectuais e os outros aristocratas em nada estariam ajudando.

Juvenal cita o exemplo de um Númitor que ajuda a todos, com exceção dos poetas (v.74-78):

Não tem o pobre Númitor nada para enviar a um amigo; para dar a Quintila ele tem, e não lhe há faltado de onde tirar para comprar um leão já domado que terá que dar carne em abundância; está claro que uma fera se sustenta com um gasto menor e no intestino do poeta cabe mais.

Com isso, acredita-se que Juvenal, apesar de muitas vezes citar nomes de pessoas de períodos anteriores, trata, na verdade, igualmente daquilo que vivia em seus dias, ou buscando identificar semelhanças ou visando estabelecer distinções entre imperadores. Quando citava literalmente alguns nomes, muitos eram da dinastia julio- claudiana e dos Flávios. Isso não quer dizer que não se possa entender sobre o seu período, época de Trajano e Adriano.

Nas primeiras sátiras, percebe-se indignatio muito presente e a citação de Domiciano bastante presente, aos poucos, principalmente da sátira 7 em diante, as citações vão mais longe, nos julio-claudianos.

Para construir a imagem de degeneração da cidade pretendida pelo poeta, uma das estratégias utilizadas é usar de elementos religiosos.

As sátiras 2 e 4, ambas do primeiro livro, tratam respectivamente de hipocrisia e vícios, e envolvem o imperador Domiciano.

No início da sátira 2, Juvenal diz o seguinte (v. 1-3): “Tenho vontade de fugir daqui e ir pra lá dos sauromatas e do oceano glacial cada vez que se atrevem a opinar sobre moral aqueles querem parecer Curios13 mas vivem em bacanais”.

A crítica centra-se principalmente em Domiciano, mas também são citados homens que se diziam filósofos, mulheres adúlteras e ainda de uma relação homoafetiva, Graco e um músico de pouca idade.

Juvenal conclui que a conquista de diversos territórios fez com que costumes de outras partes desvirtuassem a Urbs. E, por último, que Roma conquistou muitos territórios, mas que o que se fazia em Roma naquele momento não se fazia nem mesmo nas terras daqueles que Roma venceu (v.162-163), ou seja, havia muitos excessos e muita hipocrisia na cidade, segundo Juvenal.

13 Curios: refere-se a Curio Dentato, censor que viveu em 272 a.C, protótipo de virtudes (TOVAR, 2007,

Como paradigma, Juvenal coloca a República, ou seja, como local onde deveriam ser buscadas as virtudes de uma pretensa “identidade romana”. O autor trabalha com a ideia de que Domiciano, ao mesmo tempo que reforçava leis contra o adultério e queria ser visto como um defensor do tradicional em suas políticas, ao contrário, suas atitudes o colocam como um hipócrita.

Como afirma Stewart (1994, p.321), assim como um censor, Domiciano reafirma valores tradicionais em suas políticas, porém Juvenal propõe que esse simples apelo às tradições não são confiáveis para avaliar o comportamento dos políticos, principalmente os de Domiciano.

Para construir essa argumentação utiliza, entre outras construções, um ritual bem conhecido dos romanos, ligado aos cultos oficiais, o ritual da Boa Deusa. O culto dessa deusa era tradicional, ligado à aristocracia romana, praticado somente por mulheres.

Participavam desses rituais várias matronas e quem os executava eram as Vestais com a ajuda de escravas. Esses rituais ocorriam na casa dos magistrados. Nesse culto, as mulheres não podiam tomar vinho justamente porque em uma das versões da fábula da deusa ela teria sofrido uma tentativa de estupro de Fauno (pai ou irmão dela) por ter feito uso excessivo de vinho e ter ficado embriagada. Ela teria tomado a forma de uma serpente.

Scheid (1990, p.484) traz outra versão retirada dos comentários de Sérvio e Macróbio: Boa Deusa era o nome divino de Fauna, que era esposa de Fauno. Ela teria sido chicoteada com varas de mirto e supliciada por beber vinho puro. Por isso, não eram admitidos no culto mirto, homens, nem mesmo vinho. Este último recebia o nome de ‘leite’ e ficava num recipiente chamado de ‘pote de mel’ (1990, p.483).

Plutarco narra que as matronas usavam fitas de púrpura e sacrificavam uma porca, faziam a libação do vinho, dançavam e cantavam (SCHEID, 1990, p.482).

Juvenal tece então comentários a respeito de certo Crético, identificado como um eminente advogado da época imperial (FERGUSON apud TOVAR, 2007, p.238) mas que lentamente vinha se “degenerando”. Depois de falar da sexualidade do personagem, acusa-o de começar a frequentar os rituais da Boa Deusa como um cinaedi, ou seja, um afeminado e inicia a descrição do culto (v. 87-98):

Contra os costumes, as mulheres são expulsas, não cruzam nem a soleira: só para os homens está aberto o altar da deusa: ‘fora, profanas’ -gritam- ‘aqui nenhuma flautista faz gemer seu chifre’. Tais mistérios orgiásticos se celebravam com a tocha secreta dos baptae acostumados a saturar até a

própria Cotito14. Um, com a ajuda de uma agulha oblíqua, alonga sua

sombracelha impregnando-a de fuligem umedecida e elevando pinta os olhos intermitentes. Outro bebe num copo com forma de Priapo e enche com seus longos cabelos uma rede dourada, vestido com adornos azuis ou verdes, enquanto sua ajudante/ escrava jura pela Juno de seu senhor.

O trecho acima mostra, portanto inúmeras inversões às normas: as mulheres foram expulsas dos rituais da Boa Deusa, então, os cinaedi, homens efeminados, passam a controlar e executar os rituais. Em seguida, o poeta faz uma referência a rituais orgiásticos vindos da Trácia como parte dos rituais. Descreve ainda esses cinaedi se maquiando e bebendo em copos com formato de Priapo15, outra referência a cultos não oficiais. Por fim, outra inversão: aparece uma mulher jurando por seu Gênio enquanto o que será comum é que cada mulher tivesse sua Juno e não um Gênio.

Continua a sátira parodiando Otão, que, segundo Juvenal, cuidava demais da aparência, e que sua imagem poderia ser comparada a de uma mulher. Para convencer o leitor de quão era afeminado o imperador afirma que nem mesmo Semíramis ou Cleópatra se deixavam distrair de seus ideais em função da beleza.

Juvenal continua criticando os homens efeminados e para construir essa imagem e rebaixar esses homens coloca-os como celebrantes dos cultos de Cibele, deusa frígia, já citada anteriormente:

Aqui não há nenhum pudor sobre as palavras, nenhum respeito na mesa ritual, aqui, tem-se a licença de Cibele e plena liberdade de falar vozes lascivas, e, um velho fanático de cabelo branco, sacerdote dos ritos, raro e memorável exemplo de uma potente garganta, e digno de mestre, preside os ritos. Que esperam, portanto, estes homens? O momento não era aquele de subtrair com uma faca, à maneira frígia, um pedaço de carne inútil?

Subtrair à maneira frígia significava fazer a castração, tornar-se um eunuco, um sacerdote de Cibele. Esses sacerdotes eram chamados galli. Mais uma vez, para mostrar o que, segundo o poeta, seria a degeneração dos costumes, utiliza-se como referências rituais femininos, com ritos excessivos, se comparados aos cultos públicos.

Mesmo que Cibele fosse considerada deusa oficial, como já foi sublinhado, seus ritos e até mesmo a castração de seus celebrantes continuava vista como excesso entre os romanos, pelo menos entre os romanos mais ricos, como por exemplo, Juvenal, que a

14 Sobre a deusa Cotito há pouquíssimas informações. Sabe-se que não era comum em Roma e que

possivelmente teve sua origem na Grécia por volta do século Va.C. Sabe-se que seus cultos estão relacionados a rituais orgiásticos (Tovar, 2007, p.240). Os celebrantes eram chamados de baptae.

15 Algumas fontes o relacionam a cultos noturnos e femininos: PARRA, Amanda Giacon. As religiões em

Roma no Principado: Petrônio e Marcial (séculos I e II d.C). Dissertação (Mestrado em História). Assis,

utiliza os ritos da deusa para compor seus quadros de “desvios”, “degenerações” e inversões. Faz-se importante destacar que os excessos devem ser atribuídos ao autor e sua visão de mundo e não às mulheres.

Quando inicia na sátira a parte que trata de um casamento homossexual, Juvenal afirma: “De arúspice ou censor necessitamos?” (Sat. 2, v.121). Com isso Juvenal, tomado pela ira, afirma que censor não adiantaria mais. Para acabar com esses “vícios” em Roma, era preciso um arúspice, pois ele interpretaria esse quadro (que parecem prodígios ‘antinaturais’) e, em seguida, iria propor alguma cerimônia expiatória (TOVAR, 2007, p.242-243).

Os rituais tradicionais, tais como a Boa Deusa, ou ainda os ritos de Cibele, que também tinham status de oficial, entram em cena na sátira para mostrar as inversões e depravação na qual estava imersa, na visão do autor, a sociedade romana. Dois rituais ligados aos cultos públicos foram escolhidos porque a crítica centra-se no poder imperial, na figura de Domiciano.

Na sátira 4, Juvenal trata dos vícios e de formas de corrupção na cidade. Tem a crítica centrada em personagens específicos, Domiciano e Crispin.

Faz crítica ao último Flávio, ou seja, Domiciano, dizendo que Roma sofria com seu tipo de governo. Conta uma estória de um peixe enorme que foi pescado e oferecido ao sumo pontífice, que era o imperador. O satirista explica que mesmo que o pescador insistisse em não oferecer o peixe ao imperador, com certeza o fisco tomaria. Juvenal escreve nos versos 37 a 40: “Quando o último Flávio destroçava o mundo e Roma era escrava de um Nero calvo, na frente do templo de Vênus, que domina Ancona dórica, surge um peixe de tamanho admirável”. Dos versos 45 a 48: “O dono do barco e da rede destina o monstro ao sumo pontífice. Quem se atreveria a colocar a venda ou comprar algo semelhante, quando até nas costas estão cheias de delatores?”

Nesse caso, Juvenal associa a imagem de Nero e Domiciano apontando que os dois eram imperadores que pretendiam ter poderes absolutos. Na entrega do peixe, narrada por Juvenal, Domiciano ainda teria recebido uma adulação exagerada que o aproximava de um deus (v.69-71).

Nessa mesma sátira, ainda na caracterização de Domiciano, Juvenal descreve uma reunião do consilium princeps, que era uma reunião feita para ajudar o imperador no exercício de sua jurisdição (LABRIOLLE e VILLENEUVE, 1957, p.38). O motivo da convocação da reunião foi o que tornou a cena ridícula: não havia prato que coubesse o peixe. Durante a reunião, Juvenal mostra o quanto os conselheiros temiam o

imperador e viviam praticando a adulatio. Vários são citados: Pégaso, Crispo, Acílio, Rubrio Galo, Crispin, Montano, Pompeu, Fusco. Segundo Juvenal, os dois piores aduladores de Domiciano seriam Veyento e Catulo.

Mas, cada um desses integrantes do consilium tinham características bem específicas. No decorrer da reunião, no momento de decisão Veyento profetiza, nas palavras de Juvenal: “Não fica atrás Veyento, que como um fanático golpeado pelo teu delírio, Belona, se põe a profetizar: ‘Tens aqui um importante presságio de um triunfo importante e admirável’ ” (v. 123-125). Veyento profetiza a vitória de Domiciano numa guerra.

O consilium termina com a seguinte resolução: um prato no qual coubesse o peixe seria fabricado e assim termina a reunião da qual os conselheiros saem assustados. No encerramento da sátira fala que os tempos de Domiciano foram de crueldade e que morreram muitas pessoas brilhantes e ilustres (v. 144-155).

Labriolle e Villeneuve (1957, p.38) afirmam que sob os governos de Tibério, Nero e Tito já havia o consilium, e que Plínio, o Jovem em uma de suas cartas (carta IV) fala da honra de fazer parte dos conselheiros de Domiciano.

Juvenal ridiculariza essas reuniões, aliás todo o governo de Domiciano. A crítica também é construída utilizando elementos religiosos, que é feito com um dos personagens: Crispin.

O personagem Crispin era um dos conselheiros de Domiciano. Ele personificaria vários elementos criticados por Juvenal: ele era um estrangeiro (egípcio), passou a ser do círculo de contatos do imperador e chegou a princeps equitum. Entre as críticas de Juvenal direcionadas a esse personagem, ele cita também a luxúria de Crispin por manter relações com uma Vestal.

Segundo o satirista, Crispin não tinha nenhuma virtude. Cometia todos os excessos possíveis: luxúria, adultério, era corrupto e sacrílego. Nesse último ponto, o poema trataria de um relacionamento que o personagem teria tido com uma vestal que foi enterrada viva em 93 d.C.

As vestais tinham regras bastante rígidas para o seu sacerdócio. Como já foi citado, o culto das Vestais era parte dos cultos públicos, aliás, o único sacerdócio feminino, estava ligado ao equilíbrio da cidade.

No caso desse trecho há pelo menos dois elementos de crítica: o “estrangeiro” e, associado a ele, o imperador Domiciano. Essas críticas são personificadas na figura de

Crispin, que é mostrado como alguém que subverte a norma. Juvenal afirma que, no caso de Crispin, não adiantava ter bens, pois (v.8-11):

Nenhum sem vergonha é feliz, muito menos um corruptor e ainda por cima um sacrílego, com ele se deitava há pouco uma sacerdotisa com suas cintas sagradas, arriscando de ser enterrada com o sangue correndo nas veias. Mas agora falemos de feitos menos graves.

A sátira tem como principal alvo Domiciano. A própria vestal que foi enterrada viva por conta de não ser casta foi acusada por Domiciano juntamente com outras duas vestais por terem condutas sexuais inadequadas (STEWART, 1994, 321-322).

A manutenção do fogo de Vesta era um ponto central para o equilíbrio da cidade, como afirma Stewart (1994, p.325-326) o culto de Vesta e o Penates eram talismãs da segurança e de símbolos de permanência em Roma, que garantiriam também o sucesso militar.

Depois de várias críticas a Domiciano e suas políticas - consideradas responsáveis pela degeneração de Roma- e sua má administração militar retrata Domiciano como um interesseiro e egoísta. Pode-se concluir, ao fim da sátira, como aponta Stewart (1994, p.330) que na visão de Juvenal eram as práticas de Domiciano que contradiziam os rituais ancestrais romanos e não Cornelia, a vestal morta. Domiciano teria pervertido a religião romana e a colocado em perigo. No caso da acusação contra as Vestais ele estaria sendo bastante rígido, entretanto, nas suas práticas contribuiria para a degeneração da cidade.

No ano de 83, Domiciano teria acusado três vestais de condutas sexuais inadequadas, quanto a isso era bastante conservador, mas as atitudes não condiziam com seus julgamentos. Stewart (1994, p.326) explica que as alusões às funções rituais de Vesta em Roma enfatizam a importância militar da deusa para garantir o sucesso, e em contraste com a prática ritual de Domiciano e suas campanhas militares.

Benzer Belgeler