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İş Basitleştirme İlkeleri

1. İŞ PLANI

1.1. İş Basitleştirme İlkeleri

Como apresentado no capítulo 3, o cenário dos canais universitários admite, hoje em dia, uma vasta e variada gama de agentes, entendidos, aqui, à luz da teoria bourdiana, como aquele que age e luta dentro de seu campo de interesse. No capítulo foram descritos os agentes relacionados ao Estado e a alguns setores organizados da sociedade civil. Daquele primeiro mapeamento, destaca-se o FNDC, que participou ativamente da luta pela democratização da comunicação e, consequentemente, interferiu na criação das centenas de televisões universitárias que hoje em dia estão em funcionamento no país. Além desses, existem outros que se relacionam com o segmento de maneira intensa; suas práticas, ou como diz Bourdieu, seus habitus, interferem sobremaneira no modo como as lutas se travam. Conhecer esses agentes é oportuno, pois, segundo Bourdieu (2008), aquele que ingressa num campo deve saber dominar seus códigos e suas regras internas.

A definição de espaço social, disseminada na Sociologia, é utilizada para designar basicamente o campo de inter-relações sociais, no qual todo o sistema de interações se registra em um ambiente em que se associam o lugar, o social e o cultural. Para Bourdieu (1989), a Sociologia pode se apresentar como topologia social, visto que representa o ―mundo social em forma de um espaço (com várias dimensões) constituído na base de princípios de diferenciação e distribuição constituídos pelo conjunto das propriedades que atuam no universo social considerado‖ (Bourdieu, 1989:133). Portanto, para o autor, o espaço social é apresentado como um lugar de luta de forças, onde ―os agentes e grupos de agentes são assim definidos pelas posições relativas neste espaço‖ (Ibidem:134). Desta forma, define o mundo humano como um espaço no qual as relações são construídas de acordo com as posições que os agentes ocupam no jogo e com a avaliação que deles fazem os atores sociais.

Sem a intenção de reduzir a teoria de Bourdieu, nos próximos parágrafos, faz- se um exercício de buscar estratégias para estender o olhar acerca da realidade socioespacial do ―jogo‖ da produção de programas para o Canal Universitário de São Paulo. No sentido mais amplo, ou de acordo com o conceito de Bourdieu, no seu

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―macrocosmo‖ 75, o estudo e as estratégias já foram empreendidos, quando foram apresentados, nos capítulos anteriores, os campos da universidade, da televisão e da televisão educativa. Cabe agora delimitar o objeto deste trabalho, buscando entendê-lo em seu ―microcosmo‖.

A partir de tais conceitos, infere-se que, no macrocosmo e no microcosmo nos quais a televisão universitária gravita e organiza suas ações, encontram-se órgãos públicos, empresas privadas, associações, entidades de classe, colaboradores, mantenedores, alunos, professores, reitores, enfim uma gama variada de atores com diversas influências e atuação no ambiente de produção e desenvolvimento das televisões universitárias da cidade de São Paulo. No quadro abaixo, destacam-se aqueles agentes considerados essenciais para as tevês universitárias.

Agentes Tipo de

relacionamento Objetivo dependência Nível de Resultados esperados Expectativas dos agentes Funcionários

(técnicos) Legal Produtividade Estratégica Essencial/ Dedicação Lealdade Comprometi-

mento

Reconhecimento Salários justos

Diretores Legal Produtividade Essencial/

Estratégica Dedicação Lealdade Comprometi-

mento

Reconhecimento Salários justos Fornecedores Negócio /

Legal Qualidade Produtos Essencial dos contratos Observância Cumprimento de contratos Professores Parceria Participação e

audiência Essencial Não Estratégica Conhecimento adaptado à linguagem televisiva Reconhecimento e exposição

Alunos Parceria Participação e

audiência Essencial Não Estratégica Contribuir na formação do aluno Espaço para experimentação e programação segmentada Reitorias Parceria / Social / Político / Legal Reconhecimento Não Essencial Estratégica Legitimação na comunidade acadêmica Imagem institucional e extensão

Outras TVUs Parceria / Parceria/ Não Produção de Produção de

75 Para Bourdieu (2004), todo campo é um microcosmo autônomo dentro de um macrocosmo

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Social /

Político / Legal Concorrência Estratégica Essencial qualidade qualidade Outras TVs Parceria /

Social / Político / Legal

Parceria/

Concorrência Essencial Não Estratégica

Produção de

qualidade Produção de qualidade Mantenedores Legal Reconhecimento Essencial/

Estratégica Legitimação na comunidade acadêmica Programação de Qualidade / Exposição diferenciada da marca Assinantes

Tvs Parceria Participação e audiência Essencial Não Estratégica Contribuir na formação do cidadão Programação de qualidade / Variedade Imprensa Parceria / Social / Político / Legal

Ser fonte para

matérias Estratégica positiva na Exposição mídia

Espaço para experimentação

de novas linguagens

Quadro 19 – Agentes das tevês universitárias

No mapeamento identificaram-se aqueles agentes que se apresentam como determinantes para a existência e sustentação das tevês universitárias de São Paulo e, por conseguinte, do Canal. Evidentemente esse mapeamento não esgota (nem é o objetivo deste trabalho) a lista de agentes que, de uma forma ou de outra, se relacionam com o CNU-SP e suas tevês, mas dá pistas e pode servir como ponto de partida para outros estudos. O mapeamento efetivado é importante, na medida em que, segundo Bourdieu (1984), o que dá suporte aos campos são: as formas de ser; o conhecimento do mundo; e as relações de força entre os agentes (indivíduos ou grupos) e as instituições que lutam pela hegemonia que concede o poder de impor regras e reorganizar o capital específico de cada campo.

Tal mapeamento tem a função de identificar, como orienta Bourdieu (1989), as posições que alguns agentes ocupam no espaço previsto para o ―jogo‖ dentro do

campo. Para isso, utilizou-se o estudo realizado por França (2004), o qual identifica os públicos essenciais como aqueles dos quais a organização depende para a sua existência, ou seja, que são imprescindíveis para a sua sobrevivência e para a execução de suas tarefas/atividades fins. Já os públicos não essenciais são definidos, pelo autor, como aqueles que se constituem como muito importantes, no entanto, a organização não depende deles para a execução de suas atividades.

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Como pode ser verificado no quadro, outro conceito foi atribuído para precisar o nível de dependência das televisões universitárias com os públicos identificados. Como visto, para França (2004), o que determina o nível de envolvimento, ou seja, o critério de ser ou não essencial é o fato de o público participar da execução da tarefa fim da organização. Para a análise, foi incluída a noção de ―dependência estratégica‖, visto que a relação de um agente, em determinado ponto de vista, pode ser essencial, mas não estratégica e, numa outra análise, pode ser não essencial, mas estratégica. Designaram-se como estratégicos aqueles agentes cujas ações podem alterar a posição das televisões universitárias na composição de seu campo de atuação.

O quadro acima revela a amplitude das relações que se estabelecem no espaço de atuação das tevês que integram o CNU-SP. Se fossem considerados os demais agentes que transitam nos campos de convergência [a universidade e a televisão], essas relações ampliar-se-iam ainda mais. A inter-relação entre os agentes apresentados acima (microcosmo), somada à atuação dos outros organismos/agentes da esfera pública e privada (macrocosmo) que foram apresentados no capítulo 3, constitui uma vasta teia de processos e ações que geram reflexos diretos e indiretos no desenvolvimento das televisões universitárias de São Paulo e, consequentemente, no Canal Universitário. Deste item do trabalho, como dito anteriormente, constaram os principais agentes que gravitam nos espaços de produção das tevês que compõem o CNU-SP, no entanto, a pesquisa concentrar-se-á, basicamente, em dois deles: diretores e reitores.

4.4 Televisões Universitárias de São Paulo: apropriação das linguagens da universidade pela televisão e da televisão pela universidade

Para Orlandi (1990:12), ―Compreender é saber que o sentido pode ser outro‖. Desta forma, pode-se afirmar que nenhum texto, mesmo sendo ele apenas uma palavra, uma imagem ou um som, possui apenas um sentido. Linguagem é prática social, portanto o que, num primeiro momento, parece ser o sentido correto pode ser apenas o sentido legitimado ou hegemônico. Compreender a apropriação das linguagens da televisão pela universidade e da universidade pela televisão faz sentido,

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uma vez que, como já explicitado, todas as universidades participantes do Canal Universitário de São Paulo apresentam-se como uma vitrine, através da qual o discurso científico deve ser refletido ou apresentado à sociedade como um todo.

Nesta direção, Bourdieu (1997:18) afirma, citando Husserl, que os cientistas são funcionários da humanidade, pagos pela sociedade para descobrirem coisas e, portanto, faz parte de suas obrigações tornarem público o que se descobre. Esse objetivo – tornar públicas a produção e as reflexões da universidade - está presente, como foi visto, em todas as missões e/ou objetivos das tevês universitárias participantes do CNU-SP e deveria também estar presente na missão de todas as instituições de ensino superior, visto que, de acordo com a LDB (Lei n. 9394), em seu artigo 43, inciso IV, a educação superior tem como finalidade promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber por meio do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação. Apesar disso, a consulta feita às missões definidas pelas IES que compõem o CNU/SP revelou não haver qualquer menção à comunicação como finalidade daquelas instituições.

Uma das grandes barreiras para a socialização das produções acadêmicas está relacionada ao purismo e, muitas vezes, elitismo da linguagem utilizada pelos agentes do campo universitário, o que provoca afastamento daqueles que não pertencem a ele. A maior parte da população brasileira, quando se depara com produções acadêmicas, sente dificuldade em interpretar as informações, tendo em vista não possuir o código linguístico próprio do campo científico. Por outro lado, muitos pesquisadores também padecem da mesma dificuldade, quando suas pesquisas são pautadas pela televisão e estes precisam organizar suas descobertas em outros códigos que não o científico.

Ainda sobre a linguagem e a postura que o cientista deve ter, Bourdieu escreve o seguinte:

Com a televisão, estamos diante de um instrumento que, teoricamente, possibilita atingir todo mundo. Daí certo número de questões prévias: o que tenho a dizer está destinado a atingir todo mundo? Estou disposto a fazer de modo que meu discurso, por sua forma, possa ser entendido por todo mundo? Será que ele merece ser entendido por todo mundo? Pode-se mesmo ir mais longe: ele deve ser entendido por todo mundo? (Bourdieu, 1997:18).

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Ainda que a origem da linguagem da televisão e da universidade seja o texto escrito, é preciso reconhecer que existem diferenças substanciais, ocorridas, principalmente, em função da mudança da situação da comunicação: o binômio falante/ouvinte difere do binômio escritor/leitor. Na televisão, em função do veículo ser audiovisual, a imagem fala, muitas vezes, mais do que o texto ou palavras; além disso, pode-se contar com recursos de luz, movimentos de câmeras e enquadramentos que reforçam o que está sendo dito. Segundo Preti (1991), a linguagem televisiva é contextualizada e vale-se de recursos de natureza linguística e situacional.

O discurso universitário/científico depende do ato de escrever, pois pauta-se por convenções linguísticas de natureza sintática. Para Preti (1991), a escrita é descontextualizada, no sentido de que não depende de uma situação de comunicação.

Sobre essa questão, Preti (1991) afirma que alguns poucos gêneros televisivos se aproximam das características do texto escrito dentro do rigor da norma culta.

A rigor, apenas alguns gêneros de programa, como os de caráter educativo ou telejornalismo, configuram um estilo marcado por um planejamento verbal mais cuidadoso, pequena ocorrência de repetições, estruturas sintáticas mais de acordo com as regras gramaticais, levando a um resultado que definiríamos como uma linguagem falada culta mais tensa, própria das situações formais (Preti, 1991:234).

A televisão universitária, como um todo, optou, em função de diversos fatores, pela produção de programas com viés educativo no gênero jornalístico, no qual o planejamento gramatical/culto está presente. Um estudo realizado por Prioli e Peixoto (2004) dá pistas para a compreensão desta opção.

Sendo o reino da palavra por excelência, o território privilegiado dos discursos, a universidade sente-se mais à vontade e talvez cumpra melhor a sua finalidade quando se utiliza de debates, entrevistas e palestras para comunicar-se pela TV. Mas deve-se considerar, também, e de forma muito objetiva, que esses são os formatos de produção mais simples e barata que a televisão oferece. Uma entrevista custa uma ínfima fração de um teleteatro, por exemplo. E não carece de profissionais especializados. Para emissoras de caixa sempre baixo e ainda imaturas tecnicamente, como as universitárias, há, portanto, gêneros de programação ainda inacessíveis. Ao menos, numa escala de produção mais industrial (Prioli e Peixoto, 2004:24)

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Se a televisão comercial opta por uma programação pautada no entretenimento e na informação rápida e sem aprofundamento, ou seja, citando Bourdieu (1997), pelos fatos-ônibus76, as tevês universitárias podem representar um avanço, no sentido de aproximar a população do universo acadêmico brasileiro, já que, fazendo parte da universidade, têm condições de levar ao público não universitário as experiências e vivências do mundo acadêmico.

A maior estranheza entre essas duas instituições (televisão/universidade) percebida nestes 13 (treze) anos de Canal Universitário de São Paulo, diz respeito ao tempo. Na televisão tudo é muito rápido. Para Bourdieu (1997), o tempo é algo raro na televisão, tudo deve ser dito e feito num tempo determinado e com enfoque dirigido. A universidade, por sua vez, necessita de tempo, haja vista configurar-se como uma instituição voltada para o educar, o saber, o conhecer, o pensar. Sua esfera é a da ciência e a da cultura, das artes e das letras. Se, como diz Bourdieu (1997), a televisão é o espaço das coisas fúteis, menos importantes, que oculta coisas preciosas, a televisão universitária insere-se neste circuito com amplas possibilidades de, por um lado, caracterizar-se como uma ação extensionista, visto que divulga o conhecimento científico e, por outro, configurar-se como uma possibilidade de apropriação do fazer televisivo por novos atores, abrindo nichos para novos usos da televisão por uma sociedade que, desde os anos 1950, acostumou-se a entender esse meio como sinônimo de monopólio comercial.

Para Bourdieu (2002), existe ambiente para esse tipo de iniciativa. Ao ser questionado se havia espaço para a televisão universitária desafiar as grandes redes de distribuição e interpretação da realidade, o pesquisador respondeu:

Se tivéssemos apenas o mercado atual, imediato, a maior parte das coisas interessantes seriam arrasadas de saída. Então é preciso lutar para que o mercado não destrua todos os nichos e para que haja espaço para mercados interiores. O sistema escolar continua sendo um dos nichos possíveis, apesar da concorrência do privado: ele oferece a dedicação, pessoas que acreditam, além de recursos,

76 Os fatos-ônibus são fatos que não devem chocar ninguém, que não envolvem disputa, que não

dividem, que formam consenso, que interessam a todo mundo, mas de um modo tal que não tocam em nada de importante (Bourdieu, 1997:23).

184 certamente não muito grandes, mas que permitem que se façam coisas (Bourdieu, 2002:47).77

A pesquisadora Martinho (1999), após realização de pesquisa de recepção da programação do CNU-SP, afirma que os formatos e gêneros utilizados pelas tevês universitárias da cidade de São Paulo aproximam-se da linguagem televisiva ―deixando de lado o estilo sala de aula‖. Na mesma pesquisa, afirma, ainda, que a tarefa não é fácil, na medida em que propor ao cientista que exponha seu conhecimento por meio de outros recursos que não o texto é um desafio para o próprio cientista e para os produtores.

O discurso acadêmico a partir da televisão universitária pode ter seu espaço comunicacional ampliado e atualizado e, por sua vez, o discurso televisivo pode constituir-se de novos paradigmas.

Benzer Belgeler