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De acordo com Chaves (2007), desde o início do ano de 2000, foi discutida a proposta apresentada pelo Partido dos Trabalhadores de substituição do Fundef pelo Fundeb. A análise feita é que a lógica do Fundeb é a mesma, ou seja, esse fundo só faz o remanejamento de recursos dos estados e municípios. A única diferença em relação ao Fundef é que, no Fundeb, a lei determina que a complementação da União seja maior, por isso há um aumento na previsão de recursos apresentada pelo governo, no entanto,

56 Gastos com pessoal, material de consumo, serviços de terceiros, obras de conservação e adaptação de bens imóveis,

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é importante considerar que o atendimento do número de alunos também será maior, pois serão incluídas as matrículas da educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos. Tudo dependerá, ainda, do valor custo/aluno a ser definido a cada ano por decreto presidencial.

Zibas (2005) entende que as contradições do atual processo - além de explicitarem melhor a distância entre os diferentes grupos que foram críticos das políticas dos anos de 1990 - apontam para a possibilidade de um financiamento estável do ensino médio por meio do Fundeb. Assim, o desenvolvimento desse quadro contribuirá para a definição dos limites da construção de políticas democráticas para o ensino médio.

O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica – Fundeb – surge, em 2007, com os objetivos de: i) universalizar a educação básica, ou seja, a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio; ii) valorizar os profissionais da educação: professores, diretores, pedagogos, funcionários da secretaria da escola, merendeiras e outros trabalhadores da escola; e, iii) melhorar a qualidade da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio. Terá vigência de 14 anos.

Em seu escopo de criação, o Fundo deverá receber a complementação da União na ordem de R$ 2 bilhões, no 1º ano; entre R$ 2,85 bilhões e R$ 3 bilhões, no 2º; entre R$ 3, 7 bilhões e R$ 4,5 bilhões, no 3º; entre R$ 4, 5 bilhões e 10% do Fundo, no 4º ano; e 10% do Fundo, no 5º ano. O Ministério da Educação estima que o universo de beneficiários a ser atendido pelo Fundeb é de 48 milhões de alunos da Educação Básica57.

Por meio dessa política estável de financiamento para toda a educação básica, o Estado brasileiro pretende cumprir a função social de incluir crianças, adolescentes e adultos que antes se encontravam excluídos da escola, mediante a ampliação do número de matrículas em todas as etapas e modalidades da educação básica.

Pinto (2006) afirma que com Fundeb haverá uma ampliação significativa de recursos, da ordem de 60%, quando plenamente implantado, ou seja, no terceiro ano - se comparados aos do antigo Fundef. Por outro lado, chama atenção para a ampliação do número de alunos que serão atendidos pelo novo Fundo. Com essa nova configuração do Fundeb, apenas oito Estados (PA, BA, CE, PI, MA, PB, AL e PE) devem receber

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significativa complementação da União, nos demais estados o valor por aluno deve ser inferior ao que estava sendo praticado pelo Fundef.

Recentemente o Decreto nº 6.091, de 24 de abril de 2007, em seu art. 2º estipulou o valor anual mínimo nacional por aluno, de que trata o § 1º do art. 4º da Medida Provisória n º 339, de 2006, a vigorar no exercício de 2007, é de R$ 946,29. Isso significa dizer que, em 2007, o gasto estimado pelo Estado brasileiro por aluno da educação básica seria menos de R$ 5,00 por dia letivo58 (BRASIL, 2007).

Ainda assim, no que concerne à inclusão do ensino médio no Fundo, observam- se boas perspectivas para os estudantes e docentes (sujeitos dessa etapa) mediante a possibilidade de sua integração à profissionalização, a melhoria das condições da infra- estrutura das escolas de ensino médio (bibliotecas, laboratórios, uso de novas tecnologias, espaços para prática desportiva e de convivência e interação com a comunidade local), a valorização dos profissionais da educação, e, ainda uma formação voltada para a continuidade dos estudos. Assim, o Fundeb poderá contribuir para uma educação básica mais equânime, reduzir as distorções regionais de caráter socioeconômico e gerar impacto positivo na formação da cidadania e na valorização da carreira dos profissionais da educação.

Mesmo com a adoção desse novo financiamento há ainda muito por ser feito para que o Estado brasileiro possa garantir atodos, indistintamente, uma educação básica de qualidade, que responda às demandas do mundo contemporâneo.

Atualmente, algumas iniciativas de redefinição de políticas focalizadas no ensino fundamental dão conta de que o Ministério da Educação conduz um movimento conjunto com os sistemas que tem presente a relevância do ensino médio público, como etapa final da educação básica, para a sociedade.

Nesse sentido, é que o Programa Nacional do Livro Didático do Ensino Médio (PNLEM), o Programa Nacional de Biblioteca Escolar (PNBE), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o Programa Nacional do Transporte Escolar têm suas abrangências estendidas para o ensino médio. Certamente essas políticas públicas se somam no esforço nacional de ampliar as matrículas, melhorar a qualidade e reduzir os índices de evasão e reprovação na educação secundária, já que se configuram em

58 Estimativa de cálculo realizado pelo autor com base no valor mínimo por aluno determinado no Decreto 6.091, de 24 de

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importantes elementos para incentivar à freqüência e permanência dos adolescentes à escola.

Além dessas ampliações de cobertura de políticas já existentes para o ensino fundamental, a expansão e interiorização da rede federal de ensino médio tecnológico, em sintonia com os arranjos produtivos locais se configuram, atualmente, em outra importante iniciativa adotada pelo país, para melhorar a formação dos adolescentes.

Benzer Belgeler