Para os PCNs, não se deve criar novas disciplinas para discutir tais temáticas, mas sim devem elas estar permeando as discussões em todos os campos de conhecimento.
Assim como:
[...] A transversalidade pressupõe um tratamento integrado das áreas e um compromisso das relações interpessoais e sociais escolares com as questões que estão envolvidas nos temas, a fim de que haja uma coerência entre os valores experimentados na vivência que a escola propicia aos alunos e o contato intelectual com tais valores (SENADO FEDERAL DO BRASIL, 1997b, p. 42).
Sendo assim, os Parâmetros Curriculares Nacionais constituem um referencial de qualidade para a educação no Ensino Fundamental em todo o País. Sua função é orientar e garantir a coerência dos investimentos no sistema educacional, socializando discussões, pesquisas e recomendações, subsidiando a participação de técnicos e professores brasileiros, principalmente daqueles que se encontram mais isolados, com menor contato com a produção pedagógica atual.
A partir desta perspectiva, os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs constituem uma coleção de documentos que compõem a grade curricular de uma instituição educativa. Esse material foi elaborado a fim de servir como ponto de partida para o trabalho docente, norteando as atividades realizadas na sala de aula.
69 É claro que cada instituição deverá montar o seu Projeto Político Pedagógico, ou seja, sua proposta pedagógica, adaptando esses conteúdos à realidade social da localidade onde está inserida.
Entende-se que o documento é uma orientação quanto ao cotidiano escolar, os principais conteúdos que devem ser trabalhados, a fim de dar subsídios aos educadores, para que suas práticas pedagógicas sejam da melhor qualidade.
Sobre a cotidianidade escolar reportarei aos estudos da húngara Agnes Heller (1972, p. 20), na continuidade dos valores como questão fundamental no dia a dia escolar: “é a presença deles que determina um modo de vida cotidiana favorecedora, ou seja, em maior ou menor intensidade, da essência humana”.
E ainda em sua abordagem, os parâmetros curriculares nacionais definem que os currículos e conteúdos não podem ser trabalhados apenas como transmissão de conhecimentos, mas que as práticas docentes devem encaminhar os alunos rumo à aprendizagem. A reflexão da prática docente deve ser feita através de reuniões com todo o grupo da escola, direção, coordenação, orientação, psicopedagoga, psicóloga, assistente social e professores, dentre outros profissionais, ligados à rotina da instituição e de sala de aula.
Cabe ainda à instituição se organizar nesse sentido, pois a escola que não promove momentos de reflexão da prática docente causa uma relação inconsistente entre docente, alunos e conteúdos a serem ministrados. Muitas vezes os professores não conhecem a proposta pedagógica da instituição, pois os diretores mantêm a mesma sob sete chaves, para que ninguém copie seu conteúdo.
Isso torna difícil a reflexão do professor sobre o seu próprio trabalho, pois o mesmo precisa conhecer que tipo de educação aquela instituição quer oferecer, que princípios devem trabalhar e quais os objetivos a serem conquistados.
A escola deve ter responsabilidade social, instituir situações didáticas fundamentais entre os temas a serem abordados e a prática docente, as formas pelas quais a aprendizagem acontecerá através do desenvolvimento de habilidades de leitura, interpretação, estudo independente e pesquisa.
70 Portanto sob a perspectiva da responsabilidade social os PCNs estão divididos a fim de facilitar o trabalho da escola, principalmente na elaboração do seu Projeto Político Pedagógico. São seis volumes que apresentam as áreas do conhecimento, como: língua portuguesa, matemática, ciências naturais, história, geografia, arte e educação física. É de suma importância dizer que os temas transversais nos PCNS contemplam três volumes. Sobretudo o primeiro deles explica e justifica o porquê de se trabalhar com temas transversais, além de trazer uma abordagem sobre ética. No segundo volume os assuntos abordados tratam de pluralidade cultural e orientação sexual; e o terceiro volume aborda meio ambiente e saúde.
Os PCNs são apresentados em volumes, divididos para o Ensino Fundamental um, do (1º ao 5º ano), e o documento para o Ensino Fundamental dois, do (6º ao 9º ano).Importante declarar que o MEC disponibiliza esse material a todos os professores, a fim de que os mesmos possam estudá-lo e conhecê-lo a fundo, auxiliando os professores em sua atividade profissional, além de perceber a responsabilidade social conferida ao ofício de professor. Os PCNs preconizam,
Rever objetivos, conteúdos, formas de encaminhamento das atividades, expectativas de aprendizagem e maneiras de avaliar;
Refletir sobre a prática pedagógica, tendo em vista uma coerência com os objetivos propostos;
Preparar um planejamento que possa de fato orientar o trabalho em sala de aula;
Discutir com a equipe de trabalho as razões que levam os alunos a terem maior ou menor participação nas atividades escolares;
Identificar, produzir ou solicitar novos materiais que possibilitem contextos mais significativos de aprendizagem;
Subsidiar as discussões de temas educacionais com os pais e responsáveis. (PCNS: 1997, p. 91)
Uma característica importante dos parâmetros é a organização da escolaridade em ciclos, predominante nas propostas atuais. Essa tendência tem, como objetivo principal, superar a segmentação excessiva produzida pelo regime seriado e buscar princípios de ordenação que possibilitem maior
71 integração do conhecimento. Os PCNS, voltados ao Ensino Fundamental de 1º ao 5º ano, foram divididos em áreas conforme a função instrumental de cada uma, possibilitando uma integração entre elas.
Da mesma forma, os parâmetros podem auxiliar o educador, ajudando-o a refletir sobre a sua prática pedagógica, de forma coerente com os objetivos propostos. Por meio dos parâmetros curriculares nacionais, a prática escolar deve favorecer o desenvolvimento das habilidades dos alunos para que estes, além de aprenderem os conteúdos, possam compreender melhor à realidade, participando, de forma crítica, das relações sociais, políticas e culturais diversificadas. Isso levará os educandos a exercerem, de forma efetiva, a cidadania.
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