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Öğretmenlerin İş Doyum Düzeylerinin Belirlenmesinde Etkili Olan Faktörlere

3. YÖNTEM

4.3. Öğretmenlerin İş Doyum Düzeylerinin Belirlenmesinde Etkili Olan Faktörlere

Ao entrar na Avenida Osório de Paiva, onde se situa a Leblon Show, já pude sentir

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Lek lek e Preparada, são músicas do funk adaptadas para o forró.

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o clima de festa, o som dos paredões era ouvido de longe, a multidão que ocupava as duas pistas também se destacava. A Leblon iniciou no ramo do entretenimento como churrascaria que realizava shows de forró, atualmente é uma casa de shows, com predominância de shows de forró e funk.

Estacionei o carro na avenida, diferente do Danadim, os “flanelinhas” não estabelecem valor fixo para guardar os carros, ao descer do carro tive certo espanto, era a primeira vez que realizava um trabalho de campo na Leblon. Minha ida à casa de show se deu inicialmente por uma entrevista marcada com uma interlocutora, também frequentadora do Danadim. O clima do lado de fora me instigou a incluir a casa de show na pesquisa e o choque que tive ao ouvir uma música que tocava no paredão estacionado próximo ao canteiro central da avenida, me fez ter a certeza que o espaço contribuiria muito para a pesquisa.

O som ecoava pela avenida e as jovens que ocupavam a pista dançavam freneticamente. “senta na pica54

e vai relaxando” pedia o MC, e a MC respondia “bota tudão, bota tudão”, apesar de não me chocar fácil, não consegui evitar a surpresa ao que via. Longe de qualquer pudor acerca da sexualidade ou mesmo de um pensamento conservador sob as expressões, não sabia como classificar a música ou dança que ouvia e observava.

Logo minha interlocutora apareceu, nosso encontro havia sido marcado na entrada dos músicos e artistas, que fica na avenida, a entrada na casa show é pela lateral. Ela percebeu que eu observava atentamente a dança realizada na avenida, e não hesitou em comentar: – “Aqui a coisa é livre e a mulherada não tem vergonha de dançar não!” O comentário dela me tirou o foco da dança e me fez refletir sobre a representação do discurso que se encontrava nas entrelinhas de suas palavras. Ela me convidou para irmos ao bar que fica na entrada da Leblon, o lugar é mais calmo, apesar de ser um ponto de encontro para o aquecimento da festa: – “Vamos sentar lá no bar aí você faz a entrevista e decide se entra ou vai embora, tua pesquisa é sobre a Leblon, também?” Respondi que não, até aquele dia, mas depois de estar ali, sentia que a Leblon também precisava entrar na pesquisa.

Com o roteiro nas mãos comecei a entrevista, busquei brechas para levantar algumas percepções acerca da cena presenciada do lado de fora na Leblon. Terminada a entrevista resolvi entrar na festa, queria conhecer a casa de show e ver se o que ocorria lá fora

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tinha relação com o forró que acontecia dentro da Leblon.

O público era bastante diferenciado, se relacionado com as demais casas de shows pesquisadas, o caráter popular se refletia em toda a festa, as/os forrozeiras/os eram mais abertas/os ao diálogo. O local destinado às/aos fumantes possuía uma acústica que facilitava a conversa e troca. Mulheres e homens vivenciavam a festa e compartilhavam num espaço 9 m², equipado com sistema de exaustão o momento de fumo, partilha de cigarros, empréstimo de fósforos e isqueiros possibilitavam a conversa.

As casas de shows pesquisadas anteriormente eram todas abertas, a Leblon já é um ambiente fechado e climatizado, as paredes são pintadas de preto e o local possui um banheiro específico para o público “GLBT55

”, pouco usado pela população que frequenta o espaço, gays e lésbicas utilizam os banheiros masculino e feminino, presenciei uma travesti entrar no banheiro feminino sem problemas ou reclamações das mulheres que estavam no interior do recinto. De fato as relações homoafetivas eram tratadas com uma naturalidade muito grande, homens dançavam com travestis e gays, lésbicas dançando juntas, sem muitas restrições ou ressalvas. Fato que não se repete com tanta frequência nas festas no Forró no Sítio e Kangalha, já na casa de show Danadim, como já relatado, situação semelhante foi vivenciada.

Imagem da placa do banheiro da Leblon Show Fonte: Arquivo Pessoal

O preço das bebidas também estava acima do mercado, apesar do apelo popular da casa de show. O espaço também conta com a área de camarote voltada ao público “VIP”.

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Por uma decisão do movimento a sigla utilizada é LGBT, uma pauta reivindicada pelo movimento de lésbicas feministas e que após uma ampla discussão a proposta foi acatada.

Freezers de refrigerante, cerveja e gelo são distribuídos pela casa de show para facilitar o consumo de bebida. A dança é muito diversificada pessoas dançam o forró pé de estrada, outras um estilo pé de serra sem muitos giros e rodopios, parte das mulheres dançam sozinhas, a faixa etária do público também é diversa: jovens, adultos, pessoas de meia idade.

O espaço não é muito grande, não encontrei informações oficiais, e não tenho muita noção de espaço/público, mas estimo que tenha capacidade para cerca de 2.000 pessoas no local. O público no dia estava bom, não muito lotado. A banda Caviar com Rapadura iniciava seu show.

A apresentação da banda me chamou atenção, principalmente, ao levar ao palco um jovem homossexual para dançar a coreografia da “nova música do Caviar” intitulada “A dança do Kuseco”: Remexe, remexe dance, mexe, remexe, remexe e balance, (bis) /Mexa o bumbum, mexa o bumbum, mexa o bumbum, vem dançar o kuseco (bis) / mão no joelho bumbum pra cima / a mulherada pra dentro e pra fora, pra dentro e pra fora, pra dentro e pra fora, joga (bis).

A coreografia primava pelo rebolado, a situação foi constrangedora, pois o mesmo não dançava tão bem aos olhos do artista. Os comentários do cantor expressaram isso: – “Que bicha é essa, não sabe nem rebolar”, dizia isso aos risos. O jovem fez a dança e se esforçou ao máximo, não conseguiu agradar, o público seguia a linha do artista, que debochava da situação, a cena me deixou muito constrangida, entretanto, o rapaz foi até o final, parou algumas vezes a dança diante do deboche do cantor que ressaltava que ele não sabia dançar.

O jovem aparentemente simples vestia uma blusa de botão rosa, uma calça jeans surrada e sandália de dedo (modelo “havaianas”), desceu do palco, mas antes de descer ao passar pelo artista aproveitou para alisá-lo na região do tórax e da barriga que de pronto reclamou. Apesar de todo o constrangimento, que só pareceu incomodar a mim, a festa continuou e o jovem voltou para frente do palco e voltou a dançar. Feliz por ter subido ao palco mesmo não tendo sua performance aplaudida pelo público e nem reconhecida pelo artista, sua felicidade me parecia no entanto, acompanhada por um sorriso sem graça.

A música sucesso novo da banda Caviar com Rapadura 2013, foi cantada novamente após a descida do jovem que teve seu momento de estrela, reparei que dançavam algumas mulheres que se encontravam na frente do palco, reproduziam a coreografia a estilo

do funk e desciam até o chão, “empinavam o bumbum” como mandava a letra. O artista também observou a cena e aproveitou a deixa para elogiar a dança das mulheres e pedia para que a coreografia fosse realizada para ele “bumbum pra mim, vira, vira” ordenava imperativo o cantor. O corpo da forma tratada pelo cantor era o objeto do desejo e ele representava a figura que merecia a performance das mulheres. As jovens se sentiam enaltecidas pelo artista, que não deixava de elogiá-las pelo o quadril avantajado.

Neste instante o rapaz que cuidava da mesa de som chama a atenção do cantor para uma jovem negra que se encontrava no camarote próximo ao palco, com um short muito curto dançava até o chão de costas para o artista, a visão era encoberta por uma lycra, que decorava a grade de segurança do camarote, mas, para que o cantor tivesse visão plena o homem que o havia alertado, tratou de afastá-la.

A jovem que dançava no camarote vista de baixo, do local onde eu estava ou mesmo do palco um pouco acima do nível da pista de dança, quase chegava a mostrar as partes íntimas, em razão do tamanho do short que usava. O cantor não perdeu a deixa e comentou: – “Essa é arrochada! Veio nem de calcinha, assim eu morro! Gosto Muito!” Ele retomou o show e tudo permaneceu naturalmente.

O apelo sexual na Leblon é muito maior que em outras casas de shows, os próprios cantores sentem essa dimensão e aproveitam para liberar os comentários. Os assédios masculinos também são constantes, observar a festa pode parecer para os homens uma paquera, muitas vezes quando me dava conta havia um homem acenando, como se meu olhar estive voltado para ele. Transitar pela festa também é recheado de convites para dançar, tentativas de beijo, cheiros no cabelo e paqueras. Tais comportamentos são muito parecidos em todas as casas de shows.

A última apresentação da noite era uma apresentação de funk, não consegui gravar o nome da cantora, jovem cearense que apostou na carreira de funkeira. O sucesso de Valeska Popozuda e do Bonde das Maravilhas tem estimulado essa empreitada artística, também aqui no Ceará. O funk não é objeto dessa pesquisa apesar de, em vários momentos, se interligar com o forró, não me disponho a analisar as negociações de gênero nas festas de funk na cidade.

pé de estrada trazem questões que precisam ser pensadas profundamente na interlocução com os aportes de gênero, do forró e do sentido das festas.

O circuito do forró em Fortaleza possui peculiaridades, no tocante ao espaço, ao público, à classe social, ao estilo musical. Conhecer um pouco da realidade de cada casa de shows contribui para entender as negociações de gênero vivenciadas no mundo do forró, inclusive, para perceber que esse mundo possui uma gama de fatores que interagem para garantir sua funcionalidade. E, é nesse aspecto que se faz necessário refletir acerca das empresas de forró que produzem o forró pé de estrada cearense e suas estratégias de divulgação e comercialização dos produtos e serviços. O mundo do forró pé de estrada é construído por uma gama de complexas relações de interesse, disputas e mercado. Não se trata de festas que ocorrem sem um direcionamento; a indústria do forró cria os elementos para fazer com que o circuito funcione, elementos que ultrapassam a dimensão administrativa.