B. Kamu Hizmetlerinin Finansmanı Bakımından
II. Kamu Hizmetlerinin Özelleştirilmes
1. Hukuki Rejimin Özelleştirilmes
O período industrial de produção em massa fordista (4º Ciclo de Kondratiev), iniciado antes da Segunda Guerra Mundial, foi, para Mela (1999), uma forma de reação ao crack da bolsa de valores de Nova York em 1929. Porém, as bases desse ciclo remontam à década de 1910-20 e ao papel essencial desempenhado pela empresa do Henry Ford, cuja inovação tecnológica foi o aperfeiçoamento dos princípios e métodos produtivos propostos por F. W. Taylor em 191110. Ford
9 Reis entende que o conceito de cidade é muito limitado para comportar as mudanças em curso. Este
conceito é eficaz para ser usado por leigos na definição de espaços urbanos ou pelos técnicos nos casos que não envolvam ambiguidades (REIS, 2006).
10 Taylor propôs num texto denominado “Principles of Scientific Management”, publicado em 1911 em
Nova York, os princípios e métodos chamados posteriormente de tayloristas, de decomposição do processo produtivo em uma série de operações elementares e sua montagem final utilizando-se de uma solução técnica inovadora – a cadeia de montagem móvel.
introduziu a linha de montagem móvel em esteiras e a produção em grande escala e padronizada, com a fabricação eficiente em série.
Este modo de fabricação aumentou consideravelmente a produtividade, o que permitiu o barateamento dos produtos industriais, um dos objetivos de Ford, tornando-os acessíveis à grande massa da população11, principalmente de bens
duráveis – automóveis e eletrodomésticos (MELA, 1999). Isso possibilitou a expansão da classe média e a formação de um grande mercado consumidor, que antes era restrito às classes altas. Ou seja, a correlação direta entre a produção industrial em massa e o consumo massivo de produtos pelos trabalhadores formam a base do fordismo.
Para Ford, a empresa não deveria ser vista apenas como instituição produtiva, mas como o próprio centro da organização social. Os conceitos presentes no então novo modo de produção em massa não deveriam ficar restritos às fábricas, mas compreender toda a sociedade.
No período pós Primeira Guerra Mundial e ao crack da bolsa de valores os Estados nacionais, principalmente o norte-americano e os europeus, passaram a desempenhar uma função de intervenção reguladora essencial. Essa atuação contra a crise, iniciada nos EUA em 1933 e denominada de New Deal, elevou as despesas públicas com grandes obras e evitou a quebra das grandes empresas, alicerces da economia industrial.
Este modelo de produção e consumo em massa, já denominado de fordismo12,
estabeleceu-se em definitivo nas economias capitalistas nos anos entre-guerras, formando o chamado “regime intensivo de acumulação” (STORPER, 1990). A organização produtiva e a ampliação dos mercados consumidores, iniciadas nos anos 1920-1930 nos EUA, avançou para a Europa.
Já no pós Segunda Guerra Mundial este modelo de desenvolvimento foi generalizado, tornando-se a matriz dominante mundialmente (MELA, 1999). Nessa época, teve início um rápido crescimento econômico e um aumento do padrão de vida dos trabalhadores. A produção cresceu para acompanhar a ampliação dos mercados consumidores, com o rápido crescimento populacional dos EUA devido ao aumento da natalidade – baby boom –, a reconstrução da Europa e do Japão e os
11 Inclusive aos próprios trabalhadores industriais que produziam esses bens e que passaram a ter
rendimentos suficientes para adquiri-los.
avanços nos países periféricos, o Terceiro Mundo. Para Storper (1990) este foi o período do “alto fordismo”.
O fordismo clássico foi sustentado por grandes unidades industriais de produção especializada. Essas unidades constituíram-se de dois processos fabris distintos:
Fluxos contínuos – ex. produção de aço ou petroquímica;
Linhas de montagem e profunda divisão técnica do trabalho – ex. fábricas automotivas, de utensílios domésticos e maquinaria.
A produção em massa foi cada vez mais ordenada com o objetivo de alcançar economias de escala, pela crescente padronização dos produtos, implementação de rotinas no processo de produção e o uso de equipamentos altamente especializados. Suas consequências diretas foram o aumento da produção e da produtividade por trabalhador (STORPER, 1990).
Logo nos primeiros anos do pós-guerra, a massa trabalhadora, principalmente a europeia, exerceu forte pressão para a obtenção de políticas sociais voltadas para o bem-estar e estabilidade social, denominadas Welfare State, ou Estado do Bem- estar Social. Essas políticas estabeleciam um pacto social através de ações públicas nos campos da saúde, educação e previdência social (MELA, 1999). Para Secchi (2007), o Welfare State estabeleceu a imagem de uma sociedade segura, com o conjunto de garantias que deveriam atingir todos os extratos sociais, em que bem- estar social foi assegurado por políticas diretamente ou indiretamente redistributivas. Isso elevou o nível de empregos e também o dos gastos públicos. Como esses países estavam em franca recuperação do pós-guerra, com uma aceleração da produção industrial, esse aumento de gastos não afetou suas economias.
Neste período estabeleceu-se um quadro de estabilidade econômica internacional, além da hegemonia política e econômica norte-americana sobre o mundo ocidental. Esse equilíbrio permitiu que os países avançados industrialmente, que já tinham seus mercados consumidores consolidados, procurassem garantir a continuidade do desenvolvimento econômico buscando novos mercados para seus produtos industriais. A ampliação dos mercados consumidores possibilitou o crescimento econômico desses países dos anos 1950-60 até o princípio da década 1970-80. A grande ampliação do consumo em diferentes partes do mundo se deve também à formação e à difusão da cultura de massa, que junto com os produtos industriais vendia também um estilo de vida próximo ao norte-americano “American Way of
Life”. Essa difusão ocorreu, sobretudo, pelo então emergente meio de comunicação,
a televisão, outra inovação tecnológica surgida no período.
Desse modo, à medida que as atividades de produção do sistema fordista alcançaram maturidade tecnológica, elas passaram a ser incorporadas a plantas filiais, descentralizadas, para obtenção de mão de obra mais barata. Segundo Storper (1990), isso ocorreu primeiro nas periferias nacionais e depois nas internacionais, conduzindo à desconcentração industrial com a internacionalização das grandes empresas, que passaram a ter natureza transacional. Esse período de internacionalização do capital industrial foi denominando pelo economista e político Ernest Mandel (1975)13 de “Capitalismo Tardio”.
Para Reis (2007) a desconcentração industrial se sucedeu em duas etapas:
A primeira ocorreu até o ano de 1970. Neste período foram implantados alguns polos de industrialização em cada continente para facilitar a conquista e a ampliação de mercados consumidores. Nos países europeus, esse foi o período da política do Estado do Bem-estar Social, com a ampliação dos mercados internos e a incorporação dos trabalhadores aos padrões de consumo da classe média.
A segunda etapa ocorreu após 1970. Neste período, aconteceram as crises econômicas e do petróleo (energética). As possibilidades de aumento dos mercados internos dos países desenvolvidos foram reduzidas, o que motivou a intensificação da competição para ampliação dos mercados nos países periféricos.
Ainda segundo esse autor, a descentralização das grandes empresas e de suas unidades produtivas em cada continente exigiram a implantação de projetos de desenvolvimento regional, financiados por agências controladas pelos países industrialmente avançados, de origem principalmente norte-americana. Esses projetos possibilitaram a livre circulação e a distribuição de mercadorias em todos os países, à exceção dos sob a esfera comunista. Esse processo de desconcentração industrial teve início com alguns polos privilegiados em cada continente, como foi o caso da região de São Paulo (REIS, 2006).
13 Publicado originalmente nos EUA em 1975. Referência: MANDEL, Ernest. O Capitalismo Tardio.
Após 1945, o mercado mundial passou por uma grande reformulação, como decorrência da desmontagem dos impérios coloniais europeus. Nas décadas que se seguiram, abriram-se quase todos os países ao mercado mundial, à exceção dos da órbita socialista. Até então, apenas os da América Latina apresentavam essa condição. O processo terminou no final do século, com a queda do Muro de Berlim e a abertura da China ao comércio internacional [...] A dispersão das indústrias é um fenômeno que se completa com a difusão dos modos metropolitanos de vida, que dão suporte ao consumo de massa. Essas ressalvas, que podem parecer estranhas se tomadas isoladamente, tornam-se mais claras, quando sabemos que o comércio mundial cresceu cerca de 35 vezes, entre 1945 e 2005. Aqui também uma comparação pode ser esclarecedora. Entre 1850 e 1914, nas primeiras etapas da industrialização, a produção de aço cresceu de 600.000 toneladas por ano, para cerca de 60 milhões, isto é, cresceu 100 vezes. Entre 1850 e 1950, cresceu cerca de 350 vezes. As mudanças na vida social e na urbanização de boa parte do mundo naquele período são bem conhecidas. As que estamos vivendo hoje apresentam a mesma escala (REIS, 2007, p. 44-45).
As estratégias de muitos países de industrialização tardia foram baseadas na transferência do modelo tecnológico-institucional da produção em massa fordista, primeiro com a substituição das importações que caracterizou as décadas de 1940- 50 e 1950-60 e depois no fordismo periférico das décadas de 1960-70 e 1970-80. Para Storper (1990) a descentralização industrial forçada desses países tinha como objetivo o desenvolvimento autossustentado. Este foi o caso de países como o Brasil e o México.
No caso específico brasileiro os escassos recursos do país foram direcionados para a empreitada da industrialização, que no contexto dos anos 1940-1950 significava a implantação da indústria de base e de infraestruturas. Nesse sentido, o Estado brasileiro exerceu um papel fundamental na emergência do padrão de acumulação fordista, mobilizando as economias nacionais para a construção do setor produtivo estatal na área de insumos básicos – como a CSN, a Vale do Rio Doce e posteriormente a Petrobras. Ao mesmo tempo, instituiu medidas protecionistas favoráveis à indústria local, criou mecanismos de transferência intersetorial da agricultura para a indústria e ainda desestimulou o investimento imobiliário (MELO, 1990). Com isso, os recursos públicos e privados foram mobilizados e direcionados para a aceleração da industrialização no país.
Para o cientista político Marcus Melo (1990) a estratégia de acumulação com substituição das importações, ao transferir a renda do campo para a cidade e
acelerar a acumulação industrial, promoveu a rápida urbanização brasileira na segunda metade do século XX.
É nesse contexto histórico que se instalam as primeiras indústrias de transformação no Vale do Paraíba, a partir da década de 1930-40. Em especial destaca-se a criação da CSN, com sua construção iniciada em 1941, ainda durante a Segunda Guerra Mundial, sob a égide do Estado Novo, de Getúlio Vargas14. A
instalação da CSN, que começou a operar comercialmente fabricando aço em 1946 – insumo básico de muitos produtos industriais duráveis –, permitiu o avanço da industrialização no Brasil e a instalação de grandes indústrias transnacionais no país, como as do setor automobilístico (BENTES, 2008). Os contextos específicos de instalação das indústrias na microrregião objeto de análise serão tratados no Capítulo 4.
A descentralização produtiva de grandes empresas multinacionais no Brasil tomou impulso a partir de 1955, durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek. Esse processo foi ampliado nas duas décadas seguintes, já sob o regime militar. A industrialização tardia brasileira possibilitou avanços impressionantes em diferentes aspectos, com o significativo aumento da produção industrial em poucas décadas e a grande variedade e sofisticação dos produtos manufaturados, apresentando forte crescimento dos níveis de renda nacional até a década de 1980- 90.
Essa trajetória de desenvolvimento foi marcada também por distorções econômicas e sociais: a rápida migração campo-cidade e o consequente crescimento dos centros urbanos, que acarretaram perda de qualidade de vida e o empobrecimento de segmentos da população; endividamento crescente e hiperinflação; aumento da burocracia; construção de empreendimentos industriais e de infraestrutura faraônicos sustentados por empréstimos externos; entre outros. Enquanto isso, as necessidades básicas da população não eram atendidas. Estas distorções foram se acumulando ao longo dos anos, levando à estagnação desse modelo de industrialização no início da década de 1980-90 (STORPER, 1990).
No entendimento de Mela (1999) o fordismo foi, durante 25-30 anos, um modelo de desenvolvimento forte e coerente, no período que pode ser denominado de fordismo
14 Esse governo criou a CSN como modelo de empresa estatal e centro de organização social, na linha
do pensamento de Henry Ford, que a produção deveria compreender toda a sociedade. Para maiores detalhes ver o Capítulo 4.
clássico segundo Storper (1990). No entanto, o conjunto de condições efetivas e favoráveis, observadas anteriormente, alcançaram seu limite, não podendo reproduzir-se mais nas mesmas bases por um tempo ainda maior.
A crise do modelo de desenvolvimento fordista e seu regime de acumulação teve início no final da década de 1960-70, intensificando-se já no começo da década seguinte, em que a hegemonia desse modelo começou a ser ameaçada. As circunstâncias favoráveis ao modelo fordista começaram a ser enfraquecidas com o aparecimento de problemas em escala internacional e que se relacionaram ainda com dificuldades próprias de cada país.
A dificuldade em aumentar os mercados consumidores – já ampliados durante a fase clássica do fordismo –, os movimentos sociais e sindicais que levaram ao acirramento dos conflitos sociais e antiguerra15, a redução da produtividade e da
competição internacional, todos estes problemas foram responsáveis pela estagnação econômica dos países desenvolvidos. Isso foi acelerado com a primeira Crise do Petróleo, que teve início em 1973. Seu estopim foi a escassez artificial do petróleo criada pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que fez subir o preço dessa matéria-prima essencial para a indústria. Os derivados de petróleo são usados como combustíveis para a geração de energia e para os meios que transportam a produção (carros, caminhões, trens, navios e aviões). No mesmo ano teve início o conflito árabe-israelense, que foi seguido por outros na região do Golfo Pérsico.
Estes fatos conduziram à crise econômica mundial que para Mela (1999) levou à desestabilização conjunta do quadro econômico mundial e do desenvolvimento fordista.
Segundo Storper (1990), a crise fordista nas economias avançadas foi, a princípio, positiva para a América Latina, beneficiando os países que continuavam se industrializando. Isso deve-se às respostas iniciais à crise por parte das grandes indústrias, ao ampliar a desconcentração localizando novas plantas fabris em filiais do Terceiro Mundo, de modo a reduzir os custos de produção e mão de obra. Mas a recessão nos países desenvolvidos, agravada no final da década de 1970-80 e nos anos seguintes, associada às limitações domésticas dos países do Terceiro Mundo,
15 A maioria dos conflitos neste período tinha cunho ideológico (Capitalismo x Comunismo) e eram
patrocinados pelas então superpotências EUA e URSS. Dentre eles destaca-se a Guerra do Vietnã, ocorrida entre 1955 e 1975, com envolvimento direto dos EUA entre 1965 e 1973 e indireto da URSS, China e Coreia do Norte.
conduziram à crise inflacionária em grande parte da América Latina durante a década de 1980-90, em que a dívida externa surgiu como uma das suas principais manifestações.
Pelo fim da década de 70, o modelo fordista de industrialização e suas combinações associadas, macroeconômicas e políticas, estavam permanentemente em desordem tanto no hemisfério Norte quanto no Sul (STORPER, 1990, p. 133).
Na transição do ciclo de desenvolvimento fordista para o atual pós-fordista, foram geradas as bases para o conjunto de transformações tecnológicas e econômicas que deram origem ao novo ciclo de desenvolvimento, a 5ª onda, conforme a teoria estabelecida por Kondratiev. Essas bases de inovação, relacionadas às tecnologias da computação, microeletrônica e conjuntamente à expansão das comunicações, começaram a dar forma à atual configuração econômica mundial, iniciada a partir da década de 1980-90. A descrição das transformações presentes no ciclo contemporâneo será apresentada ainda neste capítulo.
1.1.1. - O espaço urbano no período fordista
No período de desenvolvimento fordista a cidade passou a ter ainda mais relevância. A indústria deste período tomou como base a grande cidade, transformada em polo de desenvolvimento industrial. Isso levou à presença crescente de mão de obra e ao surgimento e ampliação das redes de serviços e infraestruturas nas grandes cidades, o que concentrou ainda mais o mercado consumidor. Desse modo, segundo Reis (2006), ao longo da segunda metade do século XX ocorreu uma acentuada elevação da urbanização em todos os continentes. Este autor considera que o avanço da urbanização nesse período teve como consequências:
Formação de sistemas urbanos com configurações complexas e de áreas metropolitanas, mesmo nos países com nível intermediário de industrialização – inclusive alguns do Terceiro Mundo;
Maior adensamento urbano em países e regiões que já concentravam índices elevados de urbanização, alcançando níveis próximos a 100%.
Isto se deve a um movimento cíclico entre a geração de postos de trabalho nos polos de desenvolvimento industrial e de grandes fluxos migratórios originários de áreas
próximas e também de outras regiões dentro dos próprios países. Para Mela (1999) as razões de aversão ao campo e de atração para a cidade impulsionaram conjuntamente o gigantismo urbano. Isso aconteceu tanto nos países desenvolvidos do Primeiro Mundo quanto nos que estavam em acelerado desenvolvimento, e igualmente nos mais pobres – esses dois últimos pertencentes ao Terceiro Mundo. Os países e regiões mais desenvolvidos já apresentavam altas taxas de urbanização – entre 60% e 70% – e baixos índices de natalidade em meados do século XX. Nesses países, o referido fenômeno se deu a partir de uma nova onda de migração campo-cidade, cujos fluxos foram polarizados para as cidades médias e metrópoles, que em alguns casos dobraram de população (REIS, 2006).
Já nos países periféricos, essas mudanças envolveram um aumento das migrações internas rurais-urbanas, além de melhorias nas condições de saúde. Eles tiveram significativo crescimento demográfico e consequente ampliação da urbanização. No Brasil, segundo o Geógrafo Milton Santos (1994), a população alterou-se de rural para urbana entre 1940 e 198016.
Para atender as necessidades industriais e acolher o crescente contingente populacional, as cidades passaram por profundas transformações e expansões. Isso levou ao crescimento dos subúrbios de massa nas franjas urbanas das grandes cidades norte-americanas e europeias, que foram a origem do processo de dispersão urbana (tema tratado no capítulo seguinte). Nas grandes cidades dos países do Terceiro Mundo, ocorreu a periferização dos pobres. Em ambos os casos esse movimento de expansão urbana foi acompanhado pelo declínio dos centros tradicionais, em que grande parte das atividades antes concentradas no centro e ao seu redor, em bairros industriais, comércios atacadistas e de serviços, foram deslocadas para as áreas periféricas. Inicialmente esta desconcentração moveu essas atividades para as extremidades do perímetro urbano e para municípios vizinhos, mas nas últimas décadas do século XX já se avançara para fora do sistema metropolitano, apresentando formas urbanas dispersas (REIS, 2006). Nos países menos desenvolvidos surgiram problemas sociais ou foram agravadas as dificuldades existentes. Para Mela (1999), o crescimento urbano acelerado dos mesmos fez com que as cidades concentradoras das atividades industriais se expandissem em forma de “mancha de óleo”. Esse crescimento se deu com bairros
16 Em 1940 a taxa de urbanização brasileira era de apenas 26,35%. O ponto de inflexão rural-urbana
ocorreu na década de 1960-70, com a população urbana chegado em 1970 a 55,9% e em 1980 a 68,86%. Segundo os dados do último Censo do IBGE, a taxa de urbanização em 2010 era de 84,4%.
periféricos de difícil acessibilidade para o centro urbano e baixa qualidade ambiental, com infraestruturas e serviços urbanos insuficientes e habitações edificadas no regime de autoconstrução.
Reis (2006) registra que durante a década de 1950-60 ocorreram mudanças importantes nos modos de vida urbanos. A primeira foi o deslocamento das formas de entretenimento para o interior das casas com a generalização da televisão. Desse modo, pessoas de todas as faixas de renda deixaram de sair em busca de divertimento, passando, nos finais de semana, a se deslocar para fora das áreas urbanas em busca de lazer. Com isso, os centros das cidades se esvaziaram durante as noites e os finais de semana, principalmente com a ausência dos habitantes de renda média e alta.
A segunda mudança importante foi o aumento dos veículos particulares, em prejuízo ao uso do transporte público. Ainda segundo esse autor, o automóvel suprimiu a convivência nos transportes, bem como a permanência nas ruas e os deslocamentos a pé. Isso reduziu as oportunidades existentes nos percursos para o comércio de rua, principalmente para atendimento das faixas de renda média e alta. Ao mesmo tempo, o interesse pelas praças e espaços públicos foi reduzido em geral. No caso da América Latina e do Brasil, a má qualidade do transporte público é, em grande parte, responsável por essa mudança.
As grandes empresas instaladas em áreas urbanizadas favoreceram o surgimento de indústrias menores, configuradas como empresas complementares de produção