4.2. Terekelerin İçeriğinin İncelenmesi
4.2.5. Hububat ve Hayvanlar
A metodologia que permitiu o desenvolvimento da pesquisa foi elaborada a partir do direcionamento dado pelos conceitos trabalhados. Em primeiro lugar, foi feita a escolha dos conceitos de espaço vivido e quotidiano como focos sob os quais seria considerado o proces- so de metropolização em Brasília. Essa escolha conceitual não foi aleatória, tendo surgindo da reflexão sobre a urbanização da capital federal, sobre o crescimento das cidades goianas que lhe circundam e sobre as relações socioespaciais estabelecidas.
Além disso, outro ponto que julguei também importante no estudo das metrópoles diz respeito às diferenças existentes entre a metrópole como conceito, como realidade e como definição político-administrativa, o que coloca Brasília em uma posição particular, no Brasil, de cidade com sua metropolicidade aceita, porém não oficialmente reconhecida senão sob a forma de uma Região Integrada de Desenvolvimento, diferente das regiões metropolitanas oficiais criadas e cujo poder de atuação na resolução dos problemas urbanos é restrito. Isso me levou então a partir para uma análise conceitual do espaço metropolitano de Brasília, haja vista que já existe um reconhecimento legal de um ente regional que se costuma posicionar ao lado das regiões metropolitanas em tamanho territorial e demográfico e em importância na- cional. O pensamento inicial era o de que, antes de propor qualquer ação de caráter questio- nador das definições político-administrativas, era fundamental compreender a realidade estu- dada em suas especificidades, tendo por base a discussão conceitual.
Para avançar na pesquisa, parti, pois, da unidade regional de caráter metropolitano ofici- almente reconhecida para Brasília, a saber: a RIDE. A idéia, elaborada como uma hipótese no projeto de pesquisa, era a de que o processo de metropolização de uma cidade diz respeito, en- tre outras coisas, à sua capacidade de aglomerar as cidades de seu entorno, tornando-as mais ou menos dependentes. Assim, a hipótese propunha que, dentre o grande contingente de cidades goianas e mineiras que a RIDE abarca, apenas sete delas tem relação com Brasília em nível me- tropolitano, todas situadas no Estado de Goiás, a saber: Águas Lindas de Goiás, Cidade Oci- dental, Luziânia, Novo Gama, Planaltina, Santo Antônio do Descoberto e Valparaíso de Goiás. Essas cidades são identificadas, neste trabalho, também como “as sete cidades consideradas”.
A hipótese tampouco foi elaborada aleatoriamente, tendo surgido a partir da idéia de que é no quotidiano que as relações entre a metrópole e seu entorno metropolizado se reali- zam mais evidentemente e também das primeiras observações de campo feitas na capital fede-
ral ainda para a construção do projeto. A questão que me coloquei nesse ponto da pesquisa foi a seguinte: o que difere as sete cidades goianas das demais componentes da RIDE no que tange aos deslocamentos quotidianos?
Internacionalmente, um dos critérios mais importante para a delimitação dos espaços metropolitanos é a quantidade de deslocamentos quotidianos verificados entre a cidade cen- tral e as demais pertencentes a esses espaços. Assim, o ponto-chave para o desenvolvimento da pesquisa foi identificar, na RIDE, as cidades que têm maior intensidade, entre si, de flu- xos quotidianos de pessoas. Contudo, não se tratava apenas de fazer um mapeamento dos fluxos intra-metropolitanos pois, para uma análise do quotidiano e do espaço vivido, seria fundamental também uma pesquisa de cunho mais qualitativo. Desse modo, os procedimen- tos de pesquisa foram construídos sob dois focos, um quantitativo, baseado na análise de dados e no mapeamento dos fluxos, e outro qualitativo, baseado em entrevistas com um grupo selecionado de pessoas.
Muitas são as maneiras de analisar o processo de metropolização tanto no Brasil quan- to no mundo e, no caso de Brasília, a realidade representa um imbróglio difícil de ser esclare- cido pelos estudiosos das cidades por ser um caso muito particular, no país, em que a concei- tualização e a realidade não coincidem com a definição político-administrativa. Por esta razão, remeter-se a Brasília pode não significar necessariamente a mesma coisa para todas as pessoas, diferente do que ocorre, por exemplo, com São Paulo. A cidade de São Paulo é sempre reco- nhecida como a mesma unidade espacial tanto por estudiosos, quanto por agentes do governo ou pessoas comuns. Quando se quer falar da região metropolitana, usa-se a expressão Grande São Paulo, de reconhecimento também mais unânime.
No caso de Brasília, esta pode ser reconhecida tanto como o centro planejado por Lu- cio Costa, o Plano Piloto, quanto pelo conjunto de núcleos urbanos a ele conurbados ou a área patrimonializada. Do mesmo modo, Brasília pode designar o conjunto de localidades urbanas existentes dentro dos limites do Distrito Federal apenas ou igualmente englobando aqueles do entorno goiano contíguo.
Sem sombra de dúvidas, essa é uma questão importante e irresoluta que repercute di- retamente no quotidiano de todos os habitantes do conjunto urbano que se estende desde o centro planejado de Brasília até Planaltina em Goiás, ao norte, Águas Lindas de Goiás e Santo Antônio do Descoberto, a oeste, e Luziânia, passando por Novo Gama, Valparaíso de
Goiás e Cidade Ocidental, ao sul, e englobando todas as localidades urbanas internas ao quadrilátero do Distrito Federal.
Para a realização desta pesquisa, o primeiro ponto levado em consideração foi o de que não estou tratando aqui de definições, mas de conceitualizações. Nesse sentido, não é de rele- vância que o poder público considere Brasília apenas como o Plano Piloto ou como qualquer outra área mais abrangente. Trata-se de identificar a parcela do espaço metropolitano de Bra- sília concernente às cidades goianas adjacentes a partir da vida quotidiana dos seus moradores. Em outras palavras, o objetivo é saber quais cidades são mais ou menos dinamizadas pela dinâmica socioespacial de Brasília.
Como já foi exaustivamente demonstrado nos estudos urbanos sobre Brasília, todo o conjunto urbano interno ao quadrilátero do Distrito Federal é extremamente ligado ao centro metropolitano, aqui restringido ao Plano Piloto, com evidente interação econômica e socioes- pacial. Além disso, como se trata de uma administração única e centralizada, todas as ações tomadas pelo poder público têm por princípio atingir todas as localidades do quadrilátero de maneira equilibrada, ainda que isso não aconteça sempre dessa forma. Por essas razões, para a realização da pesquisa que originou esta dissertação, foi admitido como cidade de Brasília, ou o núcleo da aglomeração metropolitana brasiliense, todo o conjunto de localidades urbanas internas ao quadrilátero, sendo o espaço metropolitano aquele que abrange também as cida- des goianas contíguas. Como o foco da análise está voltado, pois, para as sete cidades goianas supramencionadas, elas são denominadas de entorno metropolitano. Localidades como Gama, Brazlândia, Taguatinga ou Sobradinho, embora periféricas dentro do Distrito Federal, são tidas sempre como parte do núcleo e, portanto, nunca serão denominadas de entorno metropolitano.