O desenvolvimento sustentável é baseado em quatro dimensões principais, que são: a dimensão ambiental, econômica, social e institucional, sendo que cada dimensão, por sua vez, é avaliada por vários indicadores de sustentabilidade (RABELO e LIMA, 2007).
3.2.1.1. Dimensão Ambiental
Proteger o ambiente e preservar os recursos naturais (água, solo e ar) é extremamente importante para promover a sustentabilidade das gerações futuras. A produção, quer de bens, quer de serviços, deve respeitar as leis ecológicas para que as atividades econômicas da agropecuária e o ambiente estejam em harmonia (COSTA, 2010a).
Todos os tipos de sistemas de criação de suínos impactam de alguma forma o meio ambiente. O confinamento de animais apresenta características positivas do ponto de vista econômico e operacional, mas traz aspectos negativos em relação à biosseguridade, ao conforto animal e ao meio ambiente. O sistema SISCAL gera e distribui efluentes diretamente sobre o solo, porém quando há uma intensificação do sistema, pode causar uma pressão nos recursos naturais (BELLI FILHO et al., 2001).
Os problemas ambientais provocados pela suinocultura ainda não estão totalmente esclarecidos, pois a grande dificuldade dos dejetos está na sua
11 deposição no solo e nos cursos d’água sem que ocorra um tratamento prévio adequado dos mesmos. Existem diversas possibilidades de se proceder ao tratamento dos resíduos suinícolas (lagoas de estabilização anaeróbicas, facultativas, esterqueiras, biodigestores etc.), porém, a maioria dessas tecnologias está fora do alcance do pequeno produtor, devido ao seu custo elevado, tornando muitas vezes o investimento inviável para criações de pequenas dimensões (MARINHO, 2009).
Outro aspecto importante relacionado à dimensão ambiental a ser considerado é a crescente preocupação, tanto dos países desenvolvidos como dos países em desenvolvimento, com relação ao bem-estar animal. Hötzel e Machado Filho (2004) relataram que em alguns países da Europa há uma crescente preocupação com a “qualidade ética dos alimentos”. No caso da criação de suínos as discussões são focadas na forma de criação e abate dos animais, onde se busca valorizar sistemas sustentáveis e ambientalmente corretos.
De acordo com os objetivos de desenvolvimento do milênio preconizados pela ONU, as boas práticas de bem-estar animal podem contribuir para garantir a sustentabilidade ambiental, por meio da utilização sustentável dos recursos disponíveis para a produção animal (FRASER et al., 2009). De acordo com o ANUALPEC (2009), o Brasil é o único país da América Latina incluído na lista dos dez maiores produtores mundiais de carne suína, e o quarto maior exportador mundial, superado apenas pela União Europeia, Estados Unidos e Canadá, devendo se adequar a essa nova realidade mundial. 3.2.1.2. Dimensão Econômica
A dimensão econômica da agricultura familiar é muito importante, uma vez que influencia na manutenção e na permanência dos microempresários na atividade. Sabe-se que a permanência dos agricultores nos meios rurais é essencial para a proteção do ambiente e preservação dos seus recursos naturais. Para que essa permanência ocorra, a produção agrária, além de satisfazer a demanda alimentar, deve-se promover retornos apropriados para a família por tipo de exploração, minimizando a aversão de riscos, reduzindo o uso de fatores de produção de origem externa, promovendo o uso mais eficiente dos recursos disponíveis, conduzindo, dessa maneira, para sistemas autossuficientes e viáveis a longo prazo (COSTA, 2010a).
3.2.1.3. Dimensão Social
A dimensão social da sustentabilidade é relativa à procura da igualdade entre os diversos setores sociais, onde se respeita as oportunidades de emprego, de acesso aos recursos e serviços. A igualdade entre a sociedade deve ser promovida, essencialmente, para uma melhoria da qualidade de vida (COSTA, 2010a). Este conceito também pode ser aplicado à agricultura familiar, uma vez que se busca a melhoria da qualidade de vida dos envolvidos. 3.2.1.4. Dimensão Institucional
A dimensão institucional ou político-institucional da sustentabilidade é referente aos processos participativos e democráticos, assim como às redes de organização social e de representações dos diversos segmentos da população. Caracteriza-se pela efetividade ou não de políticas públicas voltadas para os agricultores familiares (DAMACENO et al., 2011).
3.2.2. Indicadores de Sustentabilidade
Os indicadores são importantes instrumentos de avaliação da sustentabilidade, quer de forma isolada, quer combinado e condensado em formato de índices, quer, ainda, utilizados de forma estruturada, por meio dos modelos de avaliação de sustentabilidade (COSTA, 2010b).
Um indicador de sustentabilidade constitui um instrumento que permite, a partir da sua interpretação, definir a condição de um sistema como sustentável ou não. Esse indicador é apenas uma medida, cuja avaliação evidencia se o limite, estabelecido de acordo com os valores e objetivos que regem uma determinada realidade, foi ultrapassado ou respeitado (MARZAL, 1999). Embora existam sugestões de indicadores que contemplem as dimensões da sustentabilidade (social, econômica, ambiental e institucional) não se pode adotá-las sem que eles estejam contextualizados na análise a ser realizada (RABELO e LIMA, 2007).
3.3. Bem-estar na Suinocultura
Bem-estar animal, de acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal - OIE (2008) significa a maneira como o animal suporta as condições em que vive. Um animal é considerado em adequado estado de bem-estar se, comprovado cientificamente, estiver saudável, confortável, bem nutrido, seguro,
13 estiver sofrendo com dores, medos e angústias. Bem-estar animal requer prevenção contra doenças, tratamento veterinário, abrigo adequado, gerenciamento, nutrição, manejo cuidadoso e abate humanitário. Assim, pode- se inferir que o bem-estar está relacionado diretamente ao estado do animal. Dessa forma, o tratamento que o animal recebe deverá incluir outras relações como cuidados veterinários, criação e manejo humanitário. Essa definição indica que o bem-estar animal pode ser mensurado em uma escala, que irá variar de bom a precário, considerando a existência de fatores externos que podem influenciar nesta mensuração. Entre os métodos disponíveis para mensuração de bem-estar animal, o mais comum, de acordo com o Conselho de Bem-Estar dos Animais de Produção (FAWC, 1993), baseia-se nas cinco liberdades:
a) livres de fome e sede; b) livres de desconforto;
c) livres de dor, ferimentos e doenças;
d) livres para expressar seu comportamento natural; e) livres de medo e de estresse.
Fraser et al. (1999), ao conceituarem bem-estar animal também apresentam essas liberdades, mas como aspecto filosófico e cientifico, resumindo-os em três aspectos principais, a saber:
a) os animais devem sentir-se bem, não serem submetidos ao medo, à dor e outros estados desagradáveis de forma intensa e prolongada;
b) os animais devem funcionar bem no sentido de saúde satisfatória, com crescimento e funcionamentos comportamentais e fisiológicos normais;
c) os animais devem levar uma vida natural através do desenvolvimento e uso de suas adaptações naturais.
Assim, verifica-se que, ao aplicar o conceito de bem-estar animal, os autores convergem para um mesmo objetivo, que é o de avaliar as condições em que o animal irá viver ao longo de sua vida, incluindo também a maneira como será abatido.
Desse modo, observa-se que a avaliação do bem-estar animal na exploração zootécnica pode envolver aspectos ligados às instalações, ao manejo, ao ambiente e, principalmente, à resposta do animal ao meio,
buscando interpretar a resposta comportamental frente aos regimes de criação (SILVA et al., 2008).
Tanto no Brasil, quanto no mundo, muito tem sido abordado a respeito das exigências em relação ao bem-estar animal. Para se garantir essas exigências, órgãos regulamentadores têm buscado por meio de comissões competentes a normatização do bem-estar animal.