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4.2. Enerji Santrali (Almanya‟dan bir uygulama)

4.2.3. Uygulamada enerji planlama

4.2.3.2. HS Offenburg enerji sistemlerinde enerji planlama süreci

O SENAI educa o trabalhador para a cidadania? Recordemos primeiro alguns conhecimentos acerca de educação.

De acordo com Bottomore a educação deveria ser uma:

(...) educação pública gratuita, compulsória e uniforme para todas as crianças, que assegure a abolição dos monopólios culturais ou do conhecimento e das formas privilegiadas de instrução (…) assegurando a todos uma compreensão integral do processo produtivo (…) A educação tem de assegurar o desenvolvimento integral da personalidade, ativando o indivíduo em todas as esferas da vida social, inclusive o consumo, o prazer, a criação e o gozo da cultura, a participação na vida social, interação com os outros seres humanos e a auto-realização (autocriação). A realização desse objetivo exige, entre outras coisas, a transformação da divisão social do trabalho (…) À comunidade é atribuído um novo e considerável papel no processo educacional, que transforme as relações entre os grupos dentro da escola, que evoluiam da competição para a cooperação e o apoio mútuo.” (BOTTOMORE, 1983, p.122).

Educação essa que proporcionaria uma liberdade do indivíduo na maneira de agir e pensar, distante de uma educação alienada e imposta pelas demandas do mercado, semelhante à proporcionada pelo SENAI, que é uma educação voltada para o trabalho abstrato.

A educação capitalista para o trabalho é uma educação voltada ao modo de produção capitalista, pois prepara o trabalhador para o trabalho abstrato, que é uma criação capitalista, de onde se extrai a mais-valia (o trabalho não pago), e, não, para a abolição dos monopólios culturais, das formas privilegiadas de instrução, não para a cidadania. Se assim fosse, a educação do SENAI não seria paga, não seria excludente e muito menos prepararia o trabalhador para atender a interesses do mercado, dos donos dos meios de produção.

No entanto, a educação proposta pelo SENAI reveste-se de um caráter humanista, universal e cidadão, fato que pode ser observado nas palavras do diretor da Escola SENAI de Catalão: “O SENAI procura apresentar profissionais mais conscientes de seu papel enquanto cidadãos na sociedade e no seu ambiente de trabalho, envolvidos hoje com discussões do meio ambiente, políticas sociais relacionadas com a própria cidade que os alunos vivem”. Deveres - e onde fica o direito do cidadão à cidadania? De acordo com Carvalho (2000),

A qualificação profissional no capitalismo se constitui em um dos elementos necessários à extração da mais-valia. Assim, trabalhadores mais escolarizados e qualificados podem propiciar uma maior produtividade e, no geral, aumento da mais-valia relativa. (…). A educação é apontada não só como instrumento de produção e reprodução ideológica do capital, mas também como espaço para a ação do capital produtor de mercadorias. (CARVALHO; 2000, p.52-53).

Nesse sentido, a educação dos trabalhadores é controlada pela burguesia e passa a ser um elemento constituidor, central para os capitalistas, uma vez que possibilita uma maior qualificação profissional dos trabalhadores e assim mais produtividade e maiores lucros para as empresas e, não, o passaporte para a empregabilidade, como acham os trabalhadores, inclusive do próprio SENAI:

No momento em que o trabalhador vai requerer o seguro-desemprego, o governo poderia direcionar para um curso de qualificação, isso aí funcionaria como um segundo seguro-desemprego, porque normalmente os cursos de qualificação têm um custo para o trabalhador, e o trabalhador num momento desse, está passando por uma crise financeira. Então a preocupação dele é: Se eu investir nesse curso será que vou conseguir um emprego rápido? A intenção dele não é ficar desempregado recebendo um seguro desemprego, então, ele perdeu, vamos dizer assim, aquela remuneração, aquela fonte de renda, e a única fonte de renda que ele tem naquele momento é o seguro desemprego, então, eu acho assim, que o governo deveria ter um plano nesse sentido de qualificar aquele que está desempregado, na medida em que ele vai dar entrada no seguro-desemprego ele já é direcionado para um plano de aperfeiçoamento46.

Mesmo este entrevistado tendo demonstrado preocupação e apontando alternativa de solução para o problema do desemprego, a qualificação não seria o caminho para o desemprego no Brasil, porque se sabe que a própria qualificação colabora para a manutenção desse processo de desemprego, só que com uma roupagem nova, que é a capacitação técnica, a educação para o conhecimento técnico. O problema do desemprego é um problema estrutural, inerente ao sistema capitalista, cujo fim é a concentração e a reprodução do capital e serve à formação do exército de reserva, à deterioração dos salários e à desmobilização da classe trabalhadora, entre outros.

Sendo o SENAI uma instituição centrada no mundo do capital, educa o trabalhador para o trabalho de acordo com as necessidades capitalistas, transformando a educação em mercadoria, pois, através dela, as empresas e o SENAI obtêm o lucro, e diz que “forma uma cidadania”, mas a partir das relações capitalistas – como se isso fosse possível.

A cidadania que o SENAI profere trata-se de uma cidadania capenga, direcionada, ligada intimamente à profissionalização. Isso porque no capitalismo, a

regulamentação das profissões, a carteira profissional e o sindicato público definem os três principais mecanismos no interior dos quais se define a cidadania. Os direitos dos cidadãos são decorrências dos direitos das profissões e as profissões só existem via regulamentação estatal. Cidadão para o SENAI é aquele que está inserido no processo produtivo, que sabe do seu papel no processo de trabalho, dos seus deveres e obrigações. No entanto, um cidadão que participe nas decisões da empresa, do processo produtivo, que possa ter os seus direitos trabalhistas assegurados

(inclusive o de que todos tenham direito a um trabalho) que tenha direito a uma vida digna, ao lazer, que conheça a sociedade na qual se insere, um cidadão emancipado passa muito longe do perfil do cidadão e de trabalhador qualificado pelo SENAI.

Assim, concorda-se com Carvalho (2000), quando este afirma que a cidadania proposta pelo SENAI é a vulgarização do próprio conceito, apontando para uma situação de conivência e não de consciência social, o que produz uma maior alienação do trabalhador, na medida em que esse não possui plena consciência do que é ser cidadão, dos direitos e do papel da classe trabalhadora, acreditando mesmo que todos os seus direitos de cidadão estão sendo respeitados, uma vez que tal conceito fica restrito ao pagamento em dia do seu salário. Nesse sentido, a idéia de educação e cidadania difundida pela SENAI exerce um papel ideológico e de controle social, relevante no processo de qualificação e requalificação do trabalho passa para a sociedade a imagem de uma instituição prestadora de serviços sociais, sendo que, na verdade, contribui para a exploração do trabalho e a difusão de um modelo de educação unilateral, ou seja, útil apenas ao mercado de trabalho capitalista.

No item seguinte, detectamos qual o perfil de trabalhador está inserido no modelo de educação proposto pelo SENAI em Catalão.

Benzer Belgeler