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HPNPC Molekülünün GC Elektrot Yüzeyinde Kararlılıklarının Ġncelenmes

6. E p ‟den daha negatif (veya daha pozitif) potansiyellerde I 2 α t‟dir.

4.3. HPNPC Molekülünün GC Elektrot Yüzeyinde Kararlılıklarının Ġncelenmes

Desde sua gênese até a atualidade, o conflito entre palestinos e israelenses mostra-se insensível frente às declarações da comunidade internacional que reivindicam o fim das hostilidades e a instauração de uma paz duradoura na região. Tal processo colabora para que o conflito em causa assuma uma forma sistêmica auto-reprodutiva, imune às tentativas externas que visam apaziguá-lo

O que caracteriza o conflito como sistema social é essencialmente a propriedade que ele demonstra ter de reproduzir, de forma continuada, os litígios, mesmo que estes sejam intercalados por breves momentos de trégua.

A auto-reprodução do conflito se dá através de um processo de ação e reação, onde qualquer atitude hostil levada a cabo por uma das partes torna-se causa para o revide da outra, e assim sucessivamente, até que este processo seja interrompido momentaneamente para que, tão breve, ressurja novamente. Isso confere uma propriedade recursiva que ilustra a circularidade operativa do fenômeno, ou seja, a sua característica de ressurgir ininterruptamente ao ponto de fazer com que as perspectivas de paz tornem-se tão desacreditadas que oferecem pouquíssimas esperanças de serem de fato consumadas.

O caso Goldstein é um episódio que ilustra a propriedade que tem o conflito de se retro-alimentar, anulando as perspectivas de paz na região.

Em 1994, quando Israel e a OLP levavam adiante negociações sobre a autonomia palestina na Cisjordânia, o caso Goldstein iria apresentar-se como o estopim de uma nova onda de litígios.

No dia 25 de fevereiro do mesmo ano, o colono israelense Baruch Goldstein, médico de origem norte-americana, dirigiu-se ao santuário dos Patriarcas na cidade de Hebron, Cisjordânia. O santuário possui áreas reservadas a judeus e muçulmanos. Na parte reservada aos judeus, Goldstein dirigiu-se a um cerimonial tradicional que antecede a festa do Purim para os judeus, quando teria escutado gritos, de jovens palestinos, a favor da morte de judeus. Passadas algumas horas, enfurecido com o que havia escutado, Goldstein entrou na Mesquita de Ibrahim – na

parte reservada aos muçulmanos – vestido com farda do exército israelense e disparou sobre uma multidão de muçulmanos, matando 29 palestinos e ferindo outros 129. Quando a arma encravou, Goldstein foi atacado pelos árabes, acabando por falecer.

Em protesto, a OLP retirou-se das negociações de paz e Yasser Arafat, líder da OLP, solicitou a retirada imediata de todas as colônias judaicas da área de Hebron e o desarmamento de todos os colonos residentes na Cisjordânia.

O Hamas, em resposta ao massacre provocado por Goldstein, decidiu realizar ataques suicidas contra alvos eminentemente civis em Israel. Em resposta, o governo israelense passa a realizar ataques em Gaza e fecha suas fronteiras, impedindo a entrada de milhares de trabalhadores palestinos.

As reflexões de Ignacio Ramonet (2003) sobre o conflito também vêm elucidar a propriedade que tem o fenômeno de se auto-reproduzir de forma constante. Segundo o autor, em janeiro de 2002, enquanto terminava no Afeganistão a esmagadora ofensiva dos Estados Unidos contra os últimos bastiões do regime talibã e contra os segmentos da rede Al-Qaeda, a “guerra dos cem anos”, de israelenses e palestinos, continuava, imperturbável, no Oriente Médio. Como explica Ramonet (2003, p. 71-72):

Em fevereiro de 2002, a Segunda Intifada e sua repressão já tinham superado o numero trágico de mil mortos (mais de 260 israelenses e de 915 palestinos), sem contar a dezena de milhares de feridos, em ambos os campos, muitas vezes inválidos para o resto da vida.

Nessas circunstâncias dramáticas enquanto continuavam a correr rios de sangue, como não lembrar as palavras de Yitzhak Rabin, antes que ele próprio caísse sobre as balas de um fanático judeu: “Nós, os soldados que voltamos dos combates cobertos de sangue, nós que nos batemos contra vós palestinos, nós vos dizemos com voz forte e clara: ‘Chega de sangue, chega de lágrimas. Basta!’”

Entretanto, seis anos depois, sobre as terras feridas de Israel e da Palestina, quanto sangue e lágrimas! A provocação Ariel Sharon, indo no dia 28 de setembro de 2000, protegido por dezenas de policiais, à esplanada das mesquitas (o monte do Templo para os judeus religiosos), desencadeou uma nova e trágica engrenagem: protestos dos civis palestinos, brutalidade desproporcional da repressão, crianças e adolescentes palestinos abatidos por balas, horrível linchamento de dois militares israelenses, atentados suicidas nas ruas das cidades israelenses, reocupação militar de cidades autônomas palestinas, provocações de colonos extremistas, novos atentados odiosos contra civis israelenses, etc. A espiral da violência parecia não mais ter fim. O choque planetário do dia 11 de setembro de 2001 não interrompeu o ciclo de vinganças e represálias. Pelo contrário, parece até que o estimulou.

Em seu livro Lord of the Land, Idith Zertal e Akiva Eldar (2007) demonstram a ligação entre as ações israelenses e as reações palestinas. Por exemplo, em 31 de julho de 2001, a execução de dois dirigentes do Hamas em Nablus interrompeu o cessar-fogo decretado pelo movimento cerca de dois meses antes e levou ao terrível atentado de 9 de agosto do mesmo ano numa pizzaria em Jerusalém, com quinze mortos. Do mesmo modo, em 23 de julho de 2002, o bombardeio de um bairro densamente povoado em Gaza matou um dos líderes do Hamas, Salah Shehade, e, com ele, quinze civis palestinos, dos quais onze crianças – e isso algumas horas antes de uma trégua unilateral anunciada. Seguiu-se o atentado suicida de quatro de junho. No dia 10 de junho de 2003, um dos principais líderes do Hamas, Abdel-Aziz Rantisi, foi ferido em uma tentativa de assassinato que custou a vida de quatro civis palestinos. A ação levou a um atentado contra um ônibus de Jerusalém, resultando em dezesseis mortos.

Esses episódios vêm confirmar, portanto, o caráter sistêmico que tem o conflito. A continuidade da ocupação israelense faz aumentar a revolta palestina. Nesse contexto, o terrorismo ganha adeptos e o apoio a organizações de resistência armada se fortalece. O círculo vicioso que se desenvolve a partir desse processo – às atividades de rechaço palestino ao domínio israelense se seguem ações de retaliação por parte de Israel –, revela um magnetismo integrador desse sistema, no qual cada lado atualiza as possibilidades que visam prejudicar e trazer danos ao outro.

Mesmo quando Israel mostra-se mais flexível às reivindicações palestinas, suas concessões não permitem modificações significativas na hierarquia política regional. Isso, somado a intransigência palestina quanto as suas convicções de autonomia política e territorial, fertiliza o campo da contradição e faz com que o conflito se torne insensível frente às tentativas externas de apaziguá-lo. O fracasso da paz se deve justamente a improbabilidade no ajuste dessas questões. Tal contexto reflete uma dupla contingência negativa, na qual a comunicação entre as partes se desenvolve através do dissenso, da negação recíproca às pretensões do outro. Nos termos de Carl Schmitt, essa dupla negação pode ser vista como um

resultado prático da impossibilidade de se aceitar reivindicações quando estas representam os desejos daqueles que são designados de inimigos

O conflito israelo-palestino também ilustra o que Luhmann designa de generalização do conflito, ao fazer com que as hostilidades se estendam para além dos ataques entre forças regulares e grupos paramilitares, envolvendo diretamente populações civis de ambos os lados. Esse fato colabora para que a circularidade operativa do conflito ganhe maior abrangência, na medida em que não se limita somente a ações de grupos regulares, o que propicia que o fenômeno tenha maiores probabilidades de se perpetuar.

6.5 CONSIDERAÇÕES

Conforme foi observado neste capítulo, o conflito israelo-palestino ao passar pelo crivo da teoria sistêmica luhmanniana, pôde ser concebido como um sistema social autopoiético que se retro-alimenta por meio das comunicações

Sob a ótica da abordagem sistêmica luhmanniana foi possível estabelecer que o conflito israelo-palestino se caracteriza por uma natureza parasitária que se aproveita das relações entre árabes e judeus para se formar e firmar-se como sistema.

No que tange à contradição comunicativa, ficou esclarecido que ela baseia-se essencialmente na noção de pertença territorial sobre a Palestina, sendo que tanto árabes como judeus, ao se remeterem a aspectos históricos e culturais, encontram fundamentos morais que justificam suas expectativas sobre a região. Quanto ao aspecto do nacionalismo, que se encontra baseado por critérios étnicos, observou- se que este corrobora para que as hostilidades ascendam a um maior potencial de violência. Já, no que diz respeito as relações de poder, ficou evidente que a contradição se traduz numa disputa pelo poder na região, sendo que o poder passa a ser um pré-requisito para que a pertença sobre a região torne-se efetiva.

Viu-se que o direito internacional apresenta-se como um fator que agrega legitimidade às reivindicações palestinas, no sentido de fundamentar a semântica segundo a qual as ações de Israel configuram violações do direito internacional público. Isso, sob certo aspecto, acaba por legitimar a resistência palestina contra o domínio de Israel, o que corrobora, enfim, para a fomentação do conflito.

Quanto aos enlaces do conflito com questões relativas à política internacional, ficou evidente que enquanto os árabes em sua luta pela resistência foram apoiados por lideranças do mundo árabe, os israelenses, por outro lado, são beneficiários da política externa ocidental para o Oriente Médio, especialmente no que diz respeito à política britânica e norte-americana na região, fato este que fez com que Israel violasse os princípios do Direito Internacional dando prosseguimento a sua política expansionista na Palestina.

Na parte final ficou esclarecido que o conflito israelo-palestino assume uma forma sistêmica autopoiética, pois opera os litígios de forma circular e constante, o que torna as partes envolvidas insensíveis frente às tentativas externas que visam acalmar os ânimos e instaurar uma paz duradoura na região. Também ficou evidenciada a generalização do conflito no sentido de que as hostilidades não se limitam a embates entre forças regulares e grupos paramilitares, mas envolvem populações civis de ambos os lados, fator que favorece que o fenômeno tenha maiores probabilidades de se perpetuar.

Benzer Belgeler