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O Pedido de Suspensão será apreciado pelo Presidente do Tribunal a que estiver vinculado o juízo que prolatou a decisão a ser suspensa. A competência será definida de acordo com as regras dos recursos em sentido estrito. Assim, ao tribunal ao qual couber o julgamento de eventual agravo de instrumento ou apelação, deverá ser endereçada a petição de suspensão.

Caso a decisão objeto do incidente tenha sido prolatada por juiz estadual, o Pedido de Suspensão será dirigido ao Presidente do Tribunal de Justiça (TJ). Se a liminar for deferida por Juiz Federal, o Pedido de Suspensão será dirigido ao Presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da região correspondente.

Nas hipóteses em que o juiz estadual estiver exercendo jurisdição federal, consoante o artigo 109, § 3º, da Constituição Federal144, o Pedido de Suspensão será ajuizado perante o Presidente do Tribunal Federal que abranja aquela área geográfica.145

Há situações, porém, que, embora o pronunciamento tenha ocorrido na Justiça Estadual no exercício de sua competência, haja influência direta nos interesses da União, entidade autárquica ou empresa pública federal. Nesses casos, não obstante o juiz estadual

144 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Art. 109. Aos juízes federais compete processar e

julgar § 3º - Serão processadas e julgadas na justiça estadual, no foro do domicílio dos segurados ou beneficiários, as causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado, sempre que a comarca não seja sede de vara do juízo federal, e, se verificada essa condição, a lei poderá permitir que outras causas sejam também processadas e julgadas pela justiça estadual.

esteja vinculado ao Tribunal de Justiça, eventual Pedido de Suspensão deverá ser apreciado pela Justiça Federal.

Nesses casos, se o Presidente do TRF entender que há interesse da União na relação jurídica invocada, ou, de acordo com o artigo 5º da Lei nº 9.469/97, na repercussão econômica da decisão invocada, mesmo que de forma reflexa ou indireta, o processo originário terá sua competência deslocada para a Justiça Federal de primeiro grau. O juiz estadual, concordando com esse entendimento, reconhece sua incompetência absoluta e remete os autos à Justiça Federal. Caso contrário, deve ser instaurado conflito positivo de competência, perante o Superior Tribunal de Justiça, a fim de dirimir a questão e fincar qual órgão deverá apreciar o incidente no caso concreto. Na situação, porém, de o Presidente do TRF não entrever a existência de interesse federal envolvido, o Pedido de Suspensão será rejeitado e a demanda continuará com seu curso regular.146

Também quando a suspensão tiver como objeto a sentença, o juiz deverá declarar sua incompetência, apesar da previsão de que não mais pode inovar no processo.147 É que se trata de incompetência absoluta, ratione personae, que pode ser declarada de ofício a qualquer tempo e grau de jurisdição148. Caso não o faça, caberá ao Tribunal de Justiça, ao julgar eventual apelação, anular a sentença, e encaminhar os autos à Justiça Federal, quando deverão ser aproveitados todos os atos probatórios já praticados. Na situação de o Tribunal assim não entender, novamente estar-se-á diante de conflito positivo de competência, a ser dirimido mais uma vez perante o Superior Tribunal de Justiça.149

Quando a decisão que se visa suspender tiver sido prolatada por relator, no Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal, o Pedido de Suspensão será dirigido ao Presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou do Supremo Tribunal Federal (STF), a depender da matéria apreciada na demanda. Quando o fundamento da causa petendi for matéria constitucional, a competência será do STF, caso contrário, a petição será apreciada pelo STJ. Ressalte-se que a matéria de índole constitucional absorve a matéria

146 Cf. CUNHA, Leonardo José Carneiro da. op. cit., p. 279.

147 BRASIL. Código de Processo Civil, Lei nº 5.869, 11 de janeiro de 1973. Art. 463. Ao publicar a sentença de

mérito, o juiz cumpre e acaba o ofício jurisdicional, só podendo alterá-la: I - para Ihe corrigir, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais, ou Ihe retificar erros de cálculo; II - por meio de embargos de declaração

148 BRASIL. Código de Processo Civil, Lei nº 5.869, 11 de janeiro de 1973. Art. 113. A incompetência absoluta

deve ser declarada de ofício e pode ser alegada, em qualquer tempo e grau de jurisdição, independentemente de exceção.

infraconstitucional, havendo duplo fundamento, portanto, o STF aspira a competência do pedido.

Quando contra a decisão atacada tiver sido intentado recurso, seja agravo de instrumento ou apelação, deve-se saber se já houve algum provimento que substituiu o pronunciamento de primeiro grau. A liminar no segundo grau e o acórdão, quando o recurso tiver sido conhecido, substituem a decisão impugnada, independente de confirmarem ou não seus termos. Nessas situações, o pedido de suspensão não mais se referirá à decisão de primeiro grau, devendo ser intentado perante o STF ou STJ, conforme a causa verse sobre matéria constitucional ou infraconstitucional. Ressalte-se que, caso o recurso não tenha sido conhecido, o pronunciamento que se visa suspender continuará sendo aquele do juízo a quo, mantida, portanto, a competência do TJ ou TRF.

Assim, o Pedido de Suspensão, se intentado antes de decisão de segundo grau que substitua o provimento impugnado, deve ainda ser dirigido ao Presidente do TJ ou TRF. Caso, porém, a decisão de primeiro grau já tenha sido substituída, a suspensão se referirá ao pronunciamento do próprio Tribunal, devendo ser endereçada ao STJ ou STF. Lembre-se que há possibilidade de atacar uma mesma decisão por meio do pedido de suspensão e do recurso de agravo ou apelação, quando o órgão julgador para ambas as medidas será o mesmo.

Por fim, se a competência dos Tribunais Superiores for invadida por algum dos Tribunais de Justiça Estadual ou Tribunal Regional Federal, caberá reclamação contra a decisão prolatada pelo juízo incompetente, perante o STJ ou STF.