2.5. Kronik Bel Ağrısında Fizik Tedavi Modalitelerinin Etkinliğ
2.5.1. Hot-Pack (HP)
A metodologia adotada – estudo de caso – para ser efetivada requer riqueza de detalhes sobre a situação investigada. Assim, o acesso aos dados foi obtido
por meio da utilização de técnica de entrevista narrativa, realizada com os dez sujeitos, acima caracterizados, revelando o cunho qualitativo do estudo, isto é, sem pretensão à generalização e à universalização de resultados com base em sua incidência na população, mas voltada para a compreensão da efetivação do fenômeno de modernização. O que, ao contrário de diminuir sua relevância, demonstra que a escolha metodológica teve a intenção de abordar a evolução de características de sociedades pré-capitalistas, em transição para novas formas de organização e exploração do trabalho e da natureza, do ponto de vista dos seres humanos que vivenciam esse processo. Ressalta, ainda, a interdisciplinaridade buscada, com o auxílio de contribuições de áreas afins como o são psicologia, sociologia, filosofia e educação.
Jovchelovitch e Bauer (2003) identificam, na técnica de entrevista narrativa, a geração de histórias, por parte do informante, a respeito de experiências ou acontecimentos ocorridos na sua vida ou em seu contexto, apresentadas a partir de seu ponto de vista.
Ela estabelece uma relação de interação entre entrevistador e entrevistado, onde esse último tem maior participação nas falas, enquanto a do primeiro se dá em menor número. Reduzem-se suas intervenções, fundamentalmente, à apresentação de temas e questões selecionados para a elaboração de um roteiro semi-estrturado. Os critérios dessa escolha podem ser estabelecidos a priori, se for levada em conta a literatura consultada; ou ainda, a posteriori, segundo o levantamento de temas apontados pelo informante, em coleta prévia de informações. Em ambos os casos, a decisão sobre o que e como relatar é de responsabilidade do informante.
Optamos pela escolha a priori, face as questões já levantadas em função da situação que toma lugar na região, solicitando-se a cada informante que falasse, livremente, a respeito de:
▫ Sua vida, desde a infância até o presente momento; ▫ Onde e como viveu, antes de morar na atual localidade;
▫ Facilidades e dificuldades encontradas, em cada situação passada e presente;
▫ Principais mudanças observadas, em situações atuais e anteriores;
▫ Vantagens e desvantagens identificadas, nas condições anteriores e atuais;
▫ Objetivos de vida, anteriores e atuais; ▫ Soluções para as dificuldades enfrentadas; ▫ Expectativas em relação ao futuro.
Por meio da entrevista narrativa buscamos o acesso à expressão do pensamento dos sujeitos, pela via da oralidade, pois que essa última constitui a tradição da maior parte dos grupos que habitam a região Amazônica. Herança da cultura indígena, ainda marcante no interior da floresta, a riqueza da tradição oral não encobre a pobreza educacional, revelada pelos elevados índices de analfabetismo e pelo baixíssimo nível de escolarização, que envergonham e humilham, indistintamente, os filhos dessa região.
Já que as manifestações da subjetividade correspondem, geralmente, a algo que também é exterior aos indivíduos, os relatos atuaram como um resgate de sua expressão, no qual são relevantes o conteúdo (tema) e a forma (modo de organização) das interações verbais que se desenvolvem sob essa determinada condição específica e onde podem revelar-se como expressões imediatas de seu mundo interior, enquanto produto da interação viva das forças sociais. Tem-se, assim, a noção de como a palavra, enquanto forma de mediação para que se expresse o particular, pode estar mergulhada numa atmosfera plenamente coletiva. Isso, tendo em mente que esta seria a primeira
mediação com que iríamos nos defrontar: aquela que diz respeito à experiência indizível que se traduz na palavra.Como assinala Queiroz (1988): “Um primeiro enfraquecimento ocorre então, com a passagem daquilo que está obscuro para uma primeira nitidez – a nitidez da palavra – rótulo classificatório colocado sobre uma ação ou emoção.” (p.16).
Ou ainda, na observação de Matos (1998):
“Fragilidade das palavras, se nos demoramos demais a repeti-las, acabam por perder qualquer significado, quanto mais as olhamos de perto mais elas respondem ‘de longe’ A significação vacila em um limiar. Seu sentido, ou sentidos, não suscitam a experiência tranqüilizadora de um elemento único.” (p.8)
Essa é outra mediação, a dos sentidos, em sua ampla acepção: sensibilidade e significado como percebe Franco (1995):
“Os signos ambíguos da fala humana... Não é assim tão fácil interpretá-los. As palavras estão carregadas de sentido, mas como abrir as portas e janelas que levam ao coração das palavras. Como descobrir os sentidos que estas palavras fazem para os mortais? Estes símbolos que mostram e escondem o homem que somos. Compreendidos talvez nos revelem algo de fundamental. Assim é que as palavras e os símbolos são interpretados e psicanalizados, só para nos socorrer na tarefa de nos compreender, na tarefa tão dramaticamente importante de aprender algo sobre quem somos. Compreender-se para. possuir-se, para não ser terra de outro. Compreender-se para transformar-se, para ultrapassar-se, para libertar-se” (p. 12).
Afastam-se e aproximam-se narrador e pesquisador. O primeiro transmite sua experiência, o segundo busca captá-la e interrogá-la, com base em suas inferências, sem amputar-lhe o sentido. Contudo, só permitindo-lhes falar e refletindo sobre o que falam talvez seja possível atingir a compreensão dos mesmos. Silenciar, calar são exercícios que permitem ao outro falar em seu nome.
Assim é que a voz dos silenciados se apresentará, como um grito que insiste em ecoar, no meio da floresta, ainda que dele todos se afastem e tapem os ouvidos, criando a ilusão de cessá-lo. Considero tão importante quanto a não alteração do conteúdo, a manutenção, tão fiel quanto possível, da transcrição fonética de suas falas, numa posição de respeito à diversidade e singularidade que representam. Postura essa escolhida e mantida, ante a incoerência que poderia ser a modificação dos discursos dos sujeitos pela padronização do código lingüístico culto, veiculado na esfera acadêmica, que busca igualar, pelas palavras, as diferenças permanentes e inalteradas, existentes fora desse contexto. Esfera aquela da qual, alguns dos sujeitos nunca fizeram parte, a não ser como objetos de pesquisa, onde é analisado o teor de mercúrio presente em seus cabelos, sua pele, sua urina, seu sangue...